Telefonoaudiologia pode ser definida como um "trabalho ou serviço realizado exclusivamente por profissionais da área da fonoaudiologia, que atuam por meio das tecnologias de informação e comunicação (TICs)", de modo a prestar serviços de teleconsultoria, segunda opinião formativa, teleconsulta, telediagnóstico e telemonitoramento. Como assegurado pela resolução CFFa nº 580, os atendimentos da telefonoaudiologia devem apresentar a mesma eficácia, efetividade e equivalência do atendimento e do ensino presencial, além de contemplarem os princípios éticos de sigilo, confidencialidade e privacidade. Os métodos de teleatendimentos podem ser realizados nas modalidades síncrona, assíncrona ou híbrida.
A teleconsulta pode apresentar diversas vantagens, tais como atendimento em áreas remotas, com escassez profissional e também a flexibilização de espaço e tempo. Para um bom aproveitamento dos teleatendimentos, algumas medidas são necessárias, como: acesso à tecnologia, capacitação para manusear equipamentos que serão utilizados, presença de um facilitador quando necessário, e avaliação baseada nas características do paciente de modo a definir qual modalidade será indicada e qual a melhor forma de realizá-la.
Com o avanço das tecnologias, muitas profissões da área da saúde vêm implementando ações a distância. Nesse contexto, a fonoaudiologia tem a telessaúde inserida como área de atuação desde 2009, quando foi reconhecida e regulamentada pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia com o objetivo de realizar assistência, pesquisa e promover a educação. Os procedimentos realizados por teleconsulta necessitam apresentar eficácia igualmente aos realizados de forma presencial. Observa-se, portanto, que esta área está em expansão, o que demonstra a efetividade da telefonoaudiologia.
Nomenclaturas Apesar das similaridades entre as nomenclaturas relacionadas a saúde e as TICs, é importante ressaltar que cada uma delas possuem suas características próprias, deste modo destinando-se a tarefas distintas. Como, por exemplo:
Telessaúde A telessaúde é descrita como a distribuição de serviços e informações relacionadas à saúde com o uso de tecnologias eletrônicas de informação e comunicações, o que possibilita que ações de saúde chegue em regiões distantes e carentes em recursos, materiais e profissionais. As ações de telessaúde no Brasil ganharam força com o Programa Telessaúde Brasil Redes, do Ministério da Saúde, fortalecendo as ações da atenção primária. Com o Decreto nº 9795, de 17 maio de 2019, o Ministério da Saúde criou o Departamento de Saúde Digital, que estabelece as diretrizes da telessaúde nos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
E-Saúde E-Saúde (também conhecido como eSaúde ou internacionalmente eHealth) pode ser definido como o uso de mecanismos e ferramentas apoiadas pela Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs) que auxiliem diariamente profissionais e usuários tanto em sistemas e registros eletrônicos quanto na qualidade de vida. De acordo com a Comissão Europeia o termo pode ser definido como: “[...] ferramentas e serviços que usam informação e comunicação tecnologias que podem melhorar a prevenção, diagnóstico, tratamento, monitoramento e gestão".“tools and services using information and communication technologies that can improve prevention, diagnosis, treatment, monitoring and management”. De outra maneira, também é possível definir que o termo designa especificamente os cuidados à saúde de modo geral, mediante a definição do termo: “eHealth está, portanto, principalmente relacionado a cuidados de saúde envolvendo serviço profissional provedores, bem como focar em pacientes, seus comportamentos e estilo de vida (diários)."“eHealth is therefore mostly related to healthcare by involving professional service providers as well as focusing on patients and their (everyday) behaviour and lifestyle.”
M-Saúde M-Saúde, do inglês m-Health (abreviação de mobile health), pode ser descrita como “o uso de comunicações móveis para informações e serviços de saúde”, nesta modalidade se utilizam dispositivos de comunicação móvel, tais como celulares, tablets, relógios inteligentes, dentre outros. Esta tecnologia pode ser utilizada com ou sem o envolvimento direto do profissional da área da saúde, como, por exemplo, quando o paciente informa sobre suas queixas por meio de comunicadores móveis. Esta modalidade traz novas oportunidades de melhora na prestação de serviço, comunicação e disseminação de informações da área da saúde, o que propicia conexão com pessoas e profissionais de áreas distantes, contribuindo também para a captação de dados relacionados a doenças e questões de saúde pública.
Saúde conectada Saúde conectada compreende o uso das TICs para o manejo da telessaúde, o que permite conectar paciente e terapeuta independente da distância, possibilitando a realização de atendimentos, diagnósticos, terapias e promoção de saúde.
Por meio da saúde conectada é possível dissipar os recursos da saúde e garantir mais oportunidades, sendo uma forma de conseguir driblar as adversidades da distância e isolamento. Nesse processo, está envolvida a prestação de serviços do profissional de saúde ao paciente suportados pela tecnologia.
Principais modelos e atividades Modelos Os modelos de serviço da telefonoaudiologia podem ser assíncronos, síncronos e híbridos. O modelo assíncrono é também conhecido como modelo "off-line", ou seja, a interação dos participantes não ocorre em tempo real: os dados são coletados, armazenados e enviados. Já no modelo síncrono, a interação dos participantes ocorre em tempo real. Este modelo envolve a utilização de áudio e vídeo de forma interativa, proporcionando uma experiência mais semelhante a situações face a face. O modelo híbrido envolve a combinação dos modelos síncrono e assíncrono.
Atividades Segundo as regulamentações do Conselho Federal de Fonoaudiologia e do Ministério da Saúde, são apontadas como atividades da telefonoaudiologia: Telediagnóstico: apoio ao diagnóstico clínico a partir da emissão de laudos de exames. Teleconsulta: sessão fonoaudiológica mediada por tecnologias, com o fonoaudiólogo e o paciente localizados em espaços geográficos diferentes. Teleconsultoria: consulta entre profissionais de saúde, trabalhadores e gestores, e teleconsultores, com o intuito de esclarecer dúvidas referente a temas clínicos ou de processo de trabalho das equipes, coordenação ou gestão e que pode ser realizada de maneira síncrona (agendamento de horário para conversar em tempo real) ou assíncrona (mensagem de texto disponibilizada em até 72 horas). Tele-educação: atividades educacionais ministradas a distância através de tecnologias da informação e comunicação, incluindo a oferta de palestras, conferências, fóruns, aulas e cursos. Teleinterconsulta: compartilhamento de informações entre fonoaudiólogos, com ou sem a presença do cliente, para fins de apoio diagnóstico ou terapêutico.
Aplicações na fonoaudiologia Projeto Jovem Doutor A dinâmica do projeto envolveu a utilização de metodologias de ensino diversificadas, tais como aulas presenciais, acesso ao cybertutor, atividades práticas, disseminação do conhecimento para a população de forma mais abrangente e a avaliação das competências por meio de diferentes protocolos. Os conteúdos foram apresentados a estudantes do ensino fundamental e médio de 8 escolas públicas e privadas por estudantes de graduação e pós-graduação, supervisionados por professores universitários. Ocorreu a capacitação direta de 210 estudantes, denominados Jovens Doutores, que multiplicaram as informações recebidas a 7.512 pessoas da comunidade. Verificaram-se resultados satisfatórios por meio do amplo alcance das informações em ações de promoção de saúde, criando uma rede colaborativa do conhecimento.
Tele-educação em saúde da comunicação humana para o enfrentamento da tríplice endemia em Pernambuco, Brasil: um relato de experiência O estudo avaliou o processo de implantação de sessões de tele-educação para os profissionais que atuam na atenção primária à saúde (APS) e nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NSF), com temáticas voltadas para as repercussões da tríplice endemia na saúde da comunicação humana no estado de Pernambuco, no Brasil. O processo de implantação foi constituído por cinco fases: parceria institucional; capacitação; planejamento; oferta do serviço e avaliação da ação. Foram realizadas sete sessões educativas. O total de acessos incluiu 175 visualizações. Na análise da satisfação, 100% consideraram as temáticas interessantes e que as contribuições oriundas dessa aprendizagem foram importantes para a qualificação profissional. A maioria (86%) referiu sentir-se segura quanto à retenção/apreensão do tema exposto. A implantação do serviço de tele-educação proposto repercutiu em visualizações em todo estado e foi aprovada por 100% dos participantes, constituindo uma proposta de fácil acesso, abrangente e promissora no processo de educação permanente para os profissionais que atuam na APS e nos NASFs.
Desenvolvimento e aplicação de instrumento administrativo para orientação das pesquisas em telefonoaudiologia O estudo objetivou desenvolver e aplicar um instrumento para orientação das pesquisas em telefonoaudiologia e identificar os pontos fortes e fracos destes projetos. Foi desenvolvido um questionário, abordando quatro competências distintas: administrativa, tecnológica, financeira e de sustentabilidade. Realizou-se a aplicação com 11 docentes que desenvolviam projetos na área de telefonoaudiologia. Foram identificados pontos fortes e pontos fracos, estando associados à especialização do capital humano. A maximização do tempo e a atualização dos recursos digitais foram identificados como insumos importantes para ampliar os benefícios dos projetos de telessaúde, rumo à vantagem competitiva organizacional.
Telefonoaudiologia na fissura labiopalatina: integração de serviço de alta complexidade e clínica-escola O objetivo deste projeto foi promover a integração entre um serviço de alta complexidade e uma clínica-escola do curso de fonoaudiologia, proporcionando cuidados de saúde para o gerenciamento dos distúrbios da comunicação de uma população com anomalias craniofaciais. Participaram deste estudo 57 indivíduos, incluindo pacientes, famílias e profissionais de saúde e educação. Em conclusão, observou-se que a telefonoaudiologia promoveu a integração entre serviço de alta complexidade e uma clínica-escola, além de otimizar o diagnóstico e o tratamento de distúrbios da fala apresentadas pela população com fissura labiopalatina.
Considerações éticas e regulatórias
Declaração de Tel Aviv Em outubro de 1999, aconteceu em Tel Aviv, a 51.ª Assembleia Geral da Associação Médica Mundial, evento em que Israel empregou a "Declaração de Tel Aviv sobre responsabilidades e normas éticas na utilização da telemedicina". A declaração referida foi usada como modelo de orientação ética para as diversas atividades de telemedicina. Em seu texto, a declaração enfatiza que "independente do sistema de telemedicina que o médico utiliza os princípios da ética médica, a que está sujeita mundialmente a profissão médica, nunca devem ser comprometidos".
A Declaração de Tel Aviv elabora diversas orientações e recomendações nas temáticas: Tipos de Telemedicina, Princípios da Relação Médico-Paciente, Responsabilidades do Médico, Responsabilidade do Paciente, O Consentimento e Confidencialidade do Paciente, Qualidade da Atenção e Segurança na Telemedicina, Qualidade da informação, Autorização e Competência para Utilizar a Telemedicina, História Clínica do Paciente e Formação em Telemedicina. Dentre as suas principais orientações e recomendações, destacam-se:
A Declaração de Tel Aviv foi considerada no texto da resolução Nº 56, de 1.º de abril de 2020, no Diário Oficial da União.
Resoluções do Conselho Federal de Fonoaudiologia