A Embaixada da Bolívia em Brasília é a principal missão diplomática da Bolívia no Brasil. Está localizada no Setor de Embaixadas Sul. O atual embaixador é Horacio Villegas Pardo, no cargo desde dezembro de 2023.
Além da embaixada em Brasília, a Bolívia mantém consulados em outras sete cidades brasileiras: Rio de Janeiro (consulado-geral), São Paulo (consulado-geral), Brasiléia, Campo Grande, Corumbá, Cuiabá (consulado-geral) e Guajará-Mirim.
As relações bilaterais do Brasil e Bolívia envolvem iniciativas de cooperação energética, fronteiriça e de combate a ilícitos internacional e articulação em foros regionais e globais. Particularmente quanto à questão energética, ela é essencial à Bolívia, uma vez que é sua principal fonte de renda, ao passo que, para o Brasil, a energia é um insumo. Historicamente, o Brasil é o principal parceiro comercial da Bolívia, sendo o principal destino das exportações bolivianas que são sobretudo gás natural e manufaturados como fio-máquina, polímeros e barras de ferro e aço à produção de bebidas, máquinas e aparelhos de terraplanagem e perfuração.
Histórico diplomático
Em 1867, a Bolívia e o então Império Brasileiro assinaram o Tratado de Aiacucho no qual estabeleceram a linha Madeira-Javari como sua fronteira comum. Em 1872, Chile e Bolívia romperam suas relações diplomáticas, e o Brasil representou a última em Santiago, capital do Chile. Apesar disso, em 1879, quando eclodiu a Guerra do Pacífico entre o Chile e as tropas conjuntas do Peru e Bolívia, o Brasil permaneceu neutro. Em 1899, Luis Gálvez Rodríguez de Arias proclamou a República do Acre, no contexto da Revolução Acriana . Em 1903, Brasil e Bolívia acordam um modus vivendi sobre o Acre, que cessou as hostilidades e permitiu a eles assinar o Tratado de Petrópolis, que cedeu ao Brasil a posse do Acre. Em 1912, foi inaugurada a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, situada no atual estado brasileiro de Rondônia, que se dirige à Bolívia. Em 1958, foram assinados os Acordos de Roboré, com os quais os países firmaram compromissos à cooperação econômica, construção de obras ferroviárias e exploração de petróleo.
Em 1969, foi assinado o Tratado da Bacia do Prata pela Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. Em 1972, Brasil e Bolívia assinam o Acordo de Cooperação e Complementação Industrial, que estabeleceu a compra pelo Brasil de gás natural boliviano e projetos para o fortalecimento da economia da Bolívia. Em 1973, Brasil e Bolívia concordaram e construir um gasoduto entre Santa Cruz da Sierra, na província boliviana de Andrés Ibáñez, e a refinaria de Paulínia, no estado brasileiro de São Paulo. Em 1984, o presidente João Figueiredo visitou Santa Cruz naquela que foi a primeira viagem de um presidente brasileiro à Bolívia. Em 1992, foi assinado o acordo à compra de gás natural boliviano através do qual se iniciou a construção de um gasoduto de 3 mil quilômetros de extensão. Em 1996, a Bolívia foi associada à área de livre comércio do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e assinou uma isenção de impostos à implementação do Gasoduto Bolívia-Brasil, que foi inaugurado em 1999. Em outubro de 2003, o ministro Celso Amorim visitou La Paz à frente da Missão Brasileira de Cooperação. Em 2004, foi assinado o Acordo Brasil-Bolívia de Facilitação para o Ingresso e Trânsito de seus Nacionais em seus territórios. Em julho do mesmo ano, o então presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva visitou Santa Cruz da Serra para assinar o acordo bilateral de perdão da dívida boliviana no valor de US$ 53 milhões. Em agosto de 2005, Celso Amorim visitou La Paz para assinar o acordo sobre regularização migratória. Em janeiro de 2006, o presidente boliviano Evo Morales visitou o Brasil. Em maio, Celso Amorim revisitou La Paz à criação do grupo de trabalho sobre questões agrárias e migratórias. No mesmo mês, Em dezembro, o ministro das relações exteriores e culto boliviano David Choquehuanca visitou o Brasil.
Em fevereiro de 2007, Evo Morales visitou o Brasil, e em agosto uma nova visita foi feita por David Choquehuanca. Por sua vez, em dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou La Paz, com a Petrobrás anunciando novos investimento na Bolívia e os países firmando acordos de cooperação e financiamento à Bolívia. Em fevereiro de 2008, o vice-presidente Álvaro García Linera e o ministro Carlos Villegas visitaram Brasília. Em março, o governo boliviano convidou o Brasil para participar do chamado "Grupo de Países Amigos da Bolívia", que visa promover a facilitação do diálogo entre governo e oposição. Em abril, Celso Amorim visitou La Paz e Santa Cruz da Serra e manteve contato com Evo Morales, op vice-presidente Álvaro García Linera e David Choquehuanca. Em maio, visitaram Brasília. Em maio, Celso Amorim e David Choquehuanca se encontraram na véspera da reunião extraordinária da cúpula da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), em Brasília. Em julho, Luiz Inácio Lula da Silva visitou Riberalta, na Amazônia boliviana, para assinatura do protocolo sobre financiamento brasileiro à construção da estrada entre Riberalta e Rurrenabaque. Em setembro, houve uma reunião bilateral entre Evo Morales e Luiz Inácio Lula da Silva, à margem do encontro de Manaus que envolveu Brasil, Bolívia, Venezuela e Equador. Em dezembro, ocorreu nova reunião dos presidentes à margem da Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (CALC), em Sauípe.
Em 15 de janeiro de 2009, os presidentes se encontraram na fronteira entre Porto Suarez e Ladário à inauguração de dois trechos do futuro Corredor Interoceânico Brasil-Bolívia-Chile e aprofundamento das discussões sobre infraestrutura regional, narcotráfico e comércio bilateral. Em março, houve uma reunião de alto nível sobre projetos hidroelétricos no rio Madeira, em Brasil. No mesmo mês, David Choquehuanca visitou o Brasil. Em julho, Celso Amorim visitou La Paz por ocasião da comemoração do Bicentenário da Gesta Libertária. E em agosto, os presidentes se encontraram em Vila Tunari para assinar o protocolo sobre o financiamento brasileiro da . Em abril de 2010, o assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia, visitou La Paz. Em 25 de março de 2011, o ministro Antonio de Aguiar Patriota também visitou La Paz. Em 19 de março de 2012, David Choquehuanca visitou Brasília. 7 de dezembro, foi assinado conjuntamente um protocolo de adesão da Bolívia ao Mercado Comum do Sul. Em 2 de março de 2013, Antonio de Aguiar Patriota visitou Cachabamba, e em 2014 foi a vez do ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado. Em 1 de janeiro de 2015, Evo Morales visitou Brasília por ocasião da posse da presidente Dilma Rousseff . Em 22 de janeiro, Dilma Rousseff visitou La Paz por ocasião da posse de Evo Morales. Em 14 de julho, foi feita uma reunião entre Bolívia, Brasil, Equador e Peru para promover a migração segura na América do Sul. Em 2 de fevereiro de 2016, Evo Morales visitou Brasília. Em 12 de maio de 2017, o ministro de governo da Bolívia, Carlos Romero Bonifaz, visitou o Brasil. Em 6 de outubro, o ministro das relações exteriores da Bolívia, Fernando Huanacuni, também visitou o Brasil à assinatura de um acordo entre os ministérios da saúde do Brasil e Bolívia para cooperação em saúde na fronteira. Em 5 de dezembro, Evo Morales visitou o Brasil. Em 20 de agosto de 2018, o ministro das relações exteriores Aloysio Nunes Ferreira visitou La Paz. Em 1 de janeiro de 2019, Evo Morales participou da posse do presidente Jair Messias Bolsonaro .
História da embaixada thumb|Boliviano votando na Embaixada da Bolívia em Brasília durante o referendo constitucional, em 2016
Em 2019, houve uma manifestação em frente ao prédio da embaixada em apoio ao embaixador José Kinn Franco e ao ex-presidente Evo Morales, durante a crise política instalada naquele país. Franco renunciou ao cargo logo depois, afirmando ter ocorrido um "golpe cívico" em seu país.
Wilfredo Rojo Parada assumiu depois que a embaixada foi chefiada pelo encarregado de negócios após ele ser o único funcionário que não foi exonerado com as mudanças políticas no governo boliviano em 2019.
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