A Estação Ecológica de Pirapitinga (ESEC de Pirapitinga) é uma ilha artificial e unidade de conservação de proteção integral localizada dentro do bioma Cerrado no reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias. É administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), sendo proibido a visitação pública, exceto para fins educacionais, e as visitas para fins de pesquisa científica devem ser previamente autorizadas.

Geografia A estação ecológica ocupa uma ilha artificial de cerca de 1.384 hectares no reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias, formado pelo represamento do rio São Francisco, nas proximidades da confluência com o córrego Riachão, no município de Morada Nova de Minas, na região central de Minas Gerais. A ilha originou-se com o enchimento do reservatório, que isolou uma elevação do terreno; durante a estação seca, quando o nível das águas baixa, a área pode voltar a ligar-se ao continente, assumindo a forma de uma península. A unidade está inserida no bioma Cerrado. O reservatório de Três Marias, um dos maiores do rio São Francisco, foi formado na década de 1960 para a geração de energia elétrica e a regularização das vazões do rio, processo que deu origem à ilha onde hoje se localiza a estação.

História A ESEC de Pirapitinga foi criada pelo Decreto federal nº 94.656, de 20 de julho de 1987, que instituiu também as estações ecológicas de Carijós, em Santa Catarina, e Tupinambás, no litoral paulista. Sua administração coube inicialmente à Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), órgão federal de meio ambiente da época, passando posteriormente ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Origem do nome O nome da estação ecológica foi proposto por Paulo Nogueira Neto, originalmente foram propostos dois nomes derivados da língua tupi, parapitinga, que significa rio sujo e pirapitinga, que significa peixe pintado.

Acesso O acesso é feito pelo município de Três Marias, por via aquática e terrestre, este segundo método somente disponível quando o volume do reservatório fica abaixo de 560 m durante a seca, época na qual a estação ecológica se torna uma peninsula.

Fauna protegida Segundo o ICMBio, as seguintes espécies se encontram protegidas dentro da estação ecológica:

Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) Jaguatirica (Leopardus pardalis) Onça-pintada (Panthera onca) Onça-parda (Puma concolor) Quati (Nasua nasua) Raposinha-do-campo (Lycalopex vetulus) Tatu-canastra (Priodontes maximus) Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) Paca (Cuniculus paca) Cutia (Dasyprocta azarae) Veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) Cateto (Pecari tajacu) Lontra (Lontra longicaudis) Jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) Morcegos (Xeronycteris vieirai; Carollia perspicillata; Phyllostomus discolor) Ema (Rhea americana) Cabeça-seca (Mycteria americana) Colhereiro (Platalea ajaja) Arara-canindé (Ara ararauna) Campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens) Cigarra-do-campo (Neothraupis fasciata) Tapaculo-de-colarinho (Melanopareia torquata) Gralha-do-campo (Cyanocorax cristatellus) Batuqueiro (Saltatricula atricollis) Rã (Ameerega flavopicta)

Vegetação A cobertura vegetal da ilha é representativa do Cerrado, reunindo diferentes fitofisionomias que vão de formações campestres a matas, incluindo o cerrado em sentido restrito e manchas de mata mais densa. Essa diversidade de ambientes, somada ao isolamento proporcionado pelo reservatório, contribui para a conservação de espécies vegetais típicas do bioma.

Pesquisa e conservação Como estação ecológica, a unidade pertence à categoria mais restritiva de proteção integral (categoria Ia da UICN), destinada à preservação integral da biota e à realização de pesquisas científicas, sem visitação pública de caráter recreativo. No lado oeste da ilha há uma pequena instalação de apoio às atividades de pesquisa. Levantamentos realizados na unidade já registraram mais de 500 espécies da fauna, das quais cerca de 19 apresentam algum grau de ameaça de extinção, o que reforça a importância da ilha como refúgio de biodiversidade do Cerrado em meio ao reservatório. Pela sua condição de área isolada e de acesso restrito, a estação é utilizada como sítio de estudos de longa duração sobre o Cerrado e sua fauna.

Pirapitinga