thumb|Momento do incêndio no transformador 1 da LMTE O apagão no estado do Amapá é considerado um dos maiores blecautes do Brasil desde o Apagão de 1999, que atingiu parte do país. Teve seu início no dia 3 de novembro de 2020, atingindo 13 dos 16 municípios do estado, incluindo a capital Macapá. O início da retomada da energia elétrica aconteceu em 7 de novembro de 2020 em alguns bairros de Macapá e uma parte de Santana, dando início ao sistema de rodízio, inicialmente de seis horas, com exceção de bairros que atendem serviços essenciais, que passaram a ter a energia por 24 horas. Em 12 de novembro, o racionamento é reduzido para 4 horas, ocorrendo em dias pares e ímpares e se estendendo nos outros 11 municípios atingidos. No dia 17 de novembro de 2020, ocorre um segundo apagão após uma falha na distribuição de energia, com o problema sendo totalmente solucionado na madrugada do dia 18. Na madrugada do dia 24 de novembro de 2020, a energia foi totalmente estabelecida, chegando ao fim o sistema de racionamento após 22 dias de apagão.

O blecaute thumb|Rua do centro de Macapá durante apagão thumb|Semáforos de uma rua de Santana desligados por conta do apagão Um incêndio numa subestação de energia elétrica pertencente a empresa privada ISOLUX, teve início na noite do dia 3 de novembro de 2020, às 20h30min. O transformador 1 da LMTE (Linhas Macapá de Transporte e Energia) foi atingido pela explosão e o 2 foi parcialmente atingido, enquanto que o 3 estava em manutenção desde dezembro de 2019. Por volta das 21 horas, o serviço de energia elétrica foi interrompido em 13 dos 16 municípios do Amapá, incluindo a capital Macapá, através da linha Laranjal/Macapá, além das usinas hidrelétricas Coaracy Nunes e Ferreira Gomes. As causas, segundo a empresa, foi um raio que teria atingido um gerador de energia, responsável por carregar quase 90% do estado do Amapá. No momento do incêndio, caía uma forte chuva no local da subestação. Após a divulgação do laudo da polícia civil em 11 de novembro, a hipótese do raio acabou sendo descartada.

Logo no primeiro dia do apagão, o governo do estado abre um gabinete da crise, para avaliar os prejuízos e uma solução para o problema. O então Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e membros de setores ligados a energia elétrica, estiveram presentes em Macapá a procura de soluções para o problema. No dia 5 de novembro, é aberta uma investigação pelo ministério, junto a ONS e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para descobrir o que pode ter motivado o incêndio. Também foi aberto um plano para a retomada de energia, mas de forma parcial, atingindo 70% do estado entre a noite de quinta feira (5) ou na tarde de sexta feira (6). O retorno total está previsto para acontecer em até 15 dias. O então prefeito de Macapá, Clécio Luis (sem partido), decretou situação de emergência na cidade por 30 dias. Já o governador Waldez Góes (PDT) decretou a situação de emergência por todo o estado durante 90 dias.

Na noite de 6 de novembro de 2020, um avião da Força Aérea Brasileira pousou em Macapá, trazendo geradores de energia, além de máquinas de purificação de óleo e outros equipamentos necessários para manutenção da rede elétrica. A empresa Eletrobras Eletronorte passou a assumir o suprimento emergencial de energia elétrica no estado, após publicação em uma edição extraordinária do Diário Oficial da União (DOU). Na manhã de 7 de novembro de 2020, a energia foi se restabelecendo aos poucos em grande parte de Macapá, além de alguns bairros da cidade de Santana. O retorno foi possível graças a conexão da rede do Amapá ao Sistema Interligado Nacional (SIN), porém, em sistema de racionamento com prazo de 6 horas em cada bairro.

Em 11 de novembro de 2020, no nono dia do apagão, o juíz Luís Roberto Barroso, atendendo a um pedido do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Amapá, determina o adiamento da eleição municipal em Macapá, inicialmente marcada para os dias 15 e 29 de novembro em uma nova data a ser definida. Logo depois, foram anunciadas as novas datas pelo TRE: 13 e 27 de dezembro, sendo a última em caso de segundo turno, além de ser o dia limite para as eleições municipais, segundo a PEC aprovada em julho de 2020. O anúncio levou os 9 dos 10 candidatos a prefeito de Macapá a criarem um abaixo assinado, pedindo que os dias escolhidos sejam 29 de novembro para o 1° turno e 13 de dezembro para o 2° turno. O motivo explicado é que o dia 27 de dezembro fica entre o período das festas de Natal e Ano-novo. A definição das novas datas ficam por conta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 18 de novembro, foram definidas as novas datas das eleições em Macapá: 6 e 20 de dezembro.

No dia 13 de novembro de 2020, as Unidades de Pronto-Atendimento Infantil (UPAs) do Amapá informaram um aumento preocupante dos casos de vômitos e diarréias entre as crianças, tendo como principal motivo o consumo de alimentos mal-refrigerados e água imprópria. No mesmo dia, a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) anunciou que o rodízio de energia elétrica deve durar mais 13 dias, já que é o tempo necessário para a chegada do transformador de energia que virá da cidade de Laranjal do Jari.

Em 16 de novembro de 2020, chega os 37 geradores termoelétricos no Amapá movidos a combustível, que serão instalados na Usina Termoelétrica de Santana e na SE Macapá, localizada em Macapá. No entanto, o racionamento de energia na cidade deve continuar por mais tempo até a instalação do novo gerador de energia.

No dia 17 de novembro de 2020, por volta das 20h27min, acontece um segundo apagão total em Macapá, Santana, Mazagão e algumas cidades do interior. Segundo a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), o novo apagão aconteceu por conta de um curto-circuito na Usina Hidrelétrica Coaracy Nunes. Porém, segundo o senador Davi Alcolumbre (DEM), com informações do Ministério de Minas e Energia (MME), não se tratava de um novo apagão e sim de uma instabilidade do sistema, causada por uma sobrecarga. O transformador já estava sendo reenergizado e a energia voltaria nas próximas horas. Outros dois desligamentos aconteceram ás 21h03min e 21h20min na SE Macapá e a energia foi retornando com oscilações por volta de 22h40min, até ser definitivamente normalizada as 1h04min do dia 18 de novembro, dando reinicio ao sistema de racionamento. Porém, alguns bairros só voltaram a ter energia elétrica às 4h. miniaturadaimagem|Bolsonaro durante visita às subestações Santana e Santa Rita Em 21 de novembro de 2020, durante visita pelo estado do Amapá, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), acompanhando do governador Waldez Góes (PDT), do senador Davi Alcolumbre (DEM), do Ministro de Minas e Meio Ambiente Bento Albuquerque, pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general da reserva Augusto Heleno, e de outras autoridades, visitou as subestações de Santana e Santa Rita em Macapá e em uma das subestações, apertou o botão que colocou em funcionamento os geradores termoelétricos. Porém, só foram conduzidos apenas 20 dos 45 megawatts contratados e o resto só entrará em operação no dia seguinte (22). No mesmo dia, o Governo Federal reconhece a situação de calamidade pública do estado.

Em 22 de novembro de 2020, durante a forte chuva que caía no estado, postes de iluminação do bairro Brasil Novo em Macapá passaram por curto-circuito, com explosões constantes. Em um vídeo gravado e postado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede), é possível perceber o desespero de alguns moradores.

Na madrugada do dia 24 de novembro de 2020, o fornecimento de energia foi restabelecido em 100% nos 13 municípios atingidos, dois dias antes do prazo final para a retomada total dos serviços de energia elétrica, pondo um fim no sistema de racionamento após 22 dias de apagão segundo as Linhas Macapá de Transporte e Energia (LMTE) e o Governo Federal, após a reenergização do segundo transformador de energia elétrica. O anúncio do fim do racionamento foi feito às 8h10min, segundo comunicado da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA).

Municípios atingidos pelo apagão

miniaturadaimagem|Mapa dos municípios atingidos.

Macapá Amapá Calçoene Cutias Ferreira Gomes Itaubal Mazagão Pedra Branca do Amapari Porto Grande Pracuúba Santana Serra do Navio Tartarugalzinho

Prejuízos thumb|Moradores de um condomínio em busca de água potável durante apagão Serviços de telefonia celular, internet, abastecimento de água, saques eletrônicos em bancos, caixas de supermercados, lojas de conveniência, bares e restaurantes e outros locais foram afetados pela falta de energia. Já os hospitais, incluindo os de campanha contra a Pandemia de COVID-19, passaram a funcionar com a ajuda de geradores. Os shoppings centers e aeroportos também tiveram a ajuda de geradores para continuar seu funcionamento, gerando um grande pico de aglomeração em várias lojas e áreas de lazer a procura de tomadas. As secretarias municipais e estadual deixaram de contar os casos da COVID-19 devido ao apagão, o que impossibilitaria o envio de dados aos consórcios de imprensa e ao Governo Federal.

thumb|Manifestação em uma rua do centro de Macapá cobrando melhorias no serviço de energia elétrica thumb|Protesto em uma rua de Macapá durante o apagão Alguns moradores de Macapá se refugiaram na cidade de Afuá no Pará para fugir dos prejuízos com o apagão. Diversos grupos ligados a movimentos sociais locais realizaram manifestações pedindo o restabelecimento da energia em Macapá e Santana, iniciando na sexta-feira, 6 de novembro de 2020, além de haver alguns confrontos contra a Polícia Militar. Durante as manifestações, não houve prisões.

Houve também aumentos em preços de passagens aéreas, além da alta na conta de luz e no preço de alimentos, sobretudo o açaí. Além disso, a conta de energia elétrica também passou a sofrer um aumento por conta de divisão de custo para a instalação de novos geradores para a retomada total da energia.

Repercussão Diversas celebridades e influenciadores digitais como Whindersson Nunes, Felipe Neto, Luciano Huck, Gaby Amarantos, Iza, Lulu Santos, além de políticos locais e nacionais, expressaram revolta contra a falta de visibilidade do assunto e também pelas atenções se voltarem as eleições nos Estados Unidos, já que as contagens dos votos para o pleito presidencial tiveram início no mesmo dia do apagão. Teve também duras críticas contra o Presidente da República, Jair Bolsonaro. As personalidades, junto com usuários que relatavam a situação de caos no Amapá, subiram a hashtag no twitter #SOSAmapá, como uma forma de chamar a atenção de autoridades. Times de futebol como o Flamengo, Vasco da Gama e o Sport Club Corinthians Paulista prestaram sua solidariedade nas mídias sociais.

A CBF anunciou o adiamento de uma rodada da Série D entre Santos Futebol Clube e São Raimundo Esporte Clube que aconteceria no dia 8 de novembro, para o dia 18, já que a partida aconteceria em Macapá. Outras competições como uma rodada da Série Ouro e três jogos do Campeonato Amapaense de Futebol Feminino foram suspensos com novas datas ainda a serem anunciadas.

O Governo do Pará anunciou a doação de cestas básicas, além de 7 mil copos de água com 200 ml para os moradores dos municípios atingidos pelo apagão. A CNBB também realizou doações de alimentos e água através da Regional Norte 2 em Belém. A empresa aérea Azul Linhas Aéreas Brasileiras contribuiu com os transportes de alimentos e água a Defesa Civil do Amapá. Já o Hemopa ajudou na doação de sangue no intuito de ajudar os hospitais amapaenses nas áreas atingidas pelo apagão.

Investigação thumb|Transformador da SE Macapá após o incêndio