Joe Biden começou seu mandato como o 46º presidente dos Estados Unidos com sua posse em 20 de janeiro de 2021 e terminou em 20 de janeiro de 2025. Membro do Partido Democrata e ex-vice-presidente sob Barack Obama, ele assumiu após vencer a eleição de 2020 contra Donald Trump. Biden tomou posse durante a pandemia de COVID-19 e polarização política crescente. Quando Biden assumiu o cargo de presidente, Kamala Harris foi simultaneamente empossada como 49.º vice-presidente da nação.

Durante seu primeiro ano de mandato, Biden tomou ações importantes, como restaurar a participação dos Estados Unidos no Acordo de Paris, revogou o projeto do oleoduto Keystone XL e interrompeu o financiamento do muro na fronteira com o México. Ele assinou o American Rescue Plan Act, um pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão de dólares e o Infrastructure Investment and Jobs Act, um plano de dez anos para investir em infraestrutura. No entanto, suas propostas de ampliação da rede de seguridade social não foram aprovadas no Congresso, mas ele conseguiu sancionar o Inflation Reduction Act em 2022, que incluiu investimentos significativos em energia limpa.

Na política externa, Biden se concentrou em restaurar a liderança dos Estados Unidos em nível global. Ele apoiou a expansão da OTAN com a adesão da Finlândia e da Suécia, completou a retirada das forças militares do Afeganistão e respondeu à invasão russa da Ucrânia com sanções e ajuda substancial à Ucrânia. Durante a guerra entre Israel e Hamas, Biden condenou as ações do Hamas e prestou apoio militar a Israel, além de facilitar uma trégua temporária e trocas de prisioneiros.

O presidente Biden iniciou seu mandato com aprovação acima de 50%, mas essa caiu após a retirada do Afeganistão e permaneceu baixa devido à inflação alta e ao aumento dos preços dos combustíveis. Apesar disso, ele supervisionou uma forte recuperação econômica pós-COVID-19, com recordes de baixa taxa de desemprego e criação de empregos. No entanto, preocupações sobre sua idade e aptidão mental resultaram em sua decisão de não buscar a reeleição em 2024.

O legado político de Biden é considerado prejudicado pela reeleição de Donald Trump em 2024, com o mandato impopular de Biden levando ao apoio ao seu antigo oponente. A percepção da maioria do eleitorado americano era que sua gestão, especialmente nas áreas de economia, imigração e política externa haviam sido ruins. A avaliação de sua presidência entre analistas e historiadores, contudo, é bem mais positiva.

Política interna COVID-19 miniaturadaimagem|esquerda|O presidente Biden assinando uma ordem executiva para expandir o Affordable Care Act e melhorar o acesso dos cidadãos a seguro de saúde. No começo de 2021, os Estados Unidos estava passando por uma grave crise gerada pela pandemia de COVID-19, que, naquela altura, já tinha matado mais de 400 mil pessoas no país.

Em 20 de janeiro de 2021, seu primeiro dia como presidente, Biden assinou uma ordem executiva para garantir o uso de máscara e distanciamento social em todos os prédios e terras federais. Biden também anunciou o retorno dos Estados Unidos a Organização Mundial da Saúde. No seu segundo dia no cargo, o governo liberou um documento de 200 páginas intitulado National Strategy for the COVID-19 Response and Pandemic Preparedness ("Estratégia Nacional para a Resposta ao COVID-19 e Preparação para Pandemia"). O presidente também invocou o Ato de Produção de Defesa pra acelerar a produção de vacinas e insumos (como frascos de vidro, seringas e outros suprimentos de vacina) a nível federal. Ao justificar o uso do ato, Biden disse: "E quando digo tempo de guerra, as pessoas meio que me olham como 'tempo de guerra?' Bem, como eu disse ontem à noite, 400 000 americanos morreram. Isso é mais do que morreram em toda a Segunda Guerra Mundial, 400 000. Este é um empreendimento em tempo de guerra."

Em 21 de janeiro, Biden assinou mais ordens executivas para conter a pandemia de COVID-19, instruindo as agências do governo para trabalharem mais rápido na vacinação de pessoas, reabertura de escolas e uso obrigatório de máscaras em transporte público interestadual. Em março, o governo Biden anunciou que a meta, prometida durante a campanha, de vacinar cem milhões de pessoas nos primeiros cem dias de sua presidência fora completada, em apenas 58 dias. Assim, as taxas de internação e mortes pelo vírus no país caíram ao final do primeiro trimestre do ano.

Economia esquerda|miniaturadaimagem|Presidente Biden e a vice-presidente Kamala Harris se reunindo com a secretária do tesouro Janet Yellen e outras autoridades para discutir questões econômicas, em 29 de janeiro de 2021. Durante o seu mandato, Biden supervisionou a mais forte recuperação econômica de qualquer nação do G7 na era imediata após a pandemia de COVID-19 e também uma das mais fortes recuperações econômicas da história dos Estados Unidos, quebrando um recorde de 70 anos de baixo desemprego, com a criação de mais de dezesseis milhões de novos empregos, o maior número de qualquer presidente em um único mandato.

Em 22 de janeiro de 2021, Biden assinou ordens executivas para reverter ações do ex presidente Trump que limitavam o poder de sindicatos federais de negociar um acordo coletivo de trabalho. Biden também defendeu um aumento para 15 dólares para o salário mínimo federal e aumentou os direitos dos trabalhadores de se envolver com atividades sindicais. Além disso, a ordem executiva de Biden aumentou em 15% a quantidade de dinheiro que vai para as famílias de crianças que estavam perdendo refeições devido ao fechamento de escolas por causa da pandemia. A revogação das três ordens executivas de Trump ocorreu quando as ordens eram usadas para transferir funcionários públicos e cientistas de carreira e substituí-los por funcionários amigáveis ao governo Trump. miniaturadaimagem|O presidente Biden assina o American Rescue Plan, sendo a primeira vitória legislativa de sua presidência. Em 14 de janeiro de 2021, Biden revelou seu plano de 1,9 trilhão de dólares para combater o COVID-19 e a crise, no chamado American Rescue Plan ("Plano de Resgate Americano"). O plano incluía 1 trilhão de ajuda direta (a população e empresas de pequeno e médio porte), incluindo 1,4 mil dólares a mais no cheque de ajuda emergencial para o povo americano, fornecimento de moradias populares e assistência nutricional, expandia o acesso a creches seguras e cuidados de saúde acessíveis, aumentando o salário mínimo (esta ideia foi posteriormente abandonada), estendendo o seguro-desemprego, além de dar às famílias com crianças e trabalhadores sem filhos um impulso de emergência durante todo 2021. Ele também iria expandir a elegibilidade desses cheques para dependentes adultos que foram deixados de fora das rodadas anteriores de assistência emergencial. O plano ainda incluía cerca de 440 bilhões de dólares para apoio as comunidades, fornecendo 350 bilhões para médicos, enfermeiras, socorristas, entre outros, com apoio também para pequenas empresas e agências transitórias; 400 bilhões para um plano de vacinação nacional e reabertura de escolas; e 10 bilhões para tecnologia da informação e modernização da infraestrutura federal de segurança cibernética. Na sua primeira entrevista coletiva, Jen Psaki, a Porta-voz da Casa Branca, disse que o plano poderia mudar. O plano foi aprovado pela Câmara em 27 de fevereiro e então enviado para debate no Senado. Nas mãos dos senadores, o plano de Biden acabou sofrendo alterações para poder aplacar a ala moderada do Partido Democrata. Quando foi levada a plenário do Senado, assim como na Câmara, a proposta foi aprovada por maioria, mas sem um voto de um republicano sequer. O texto voltou para a câmara baixa do Congresso para que as mudanças no pacote de estímulo fossem aprovadas, com os congressistas finalizando a votação em 10 de março. O presidente Biden sancionou a lei no dia seguinte no Salão Oval.

Apesar do aumento da pressão inflacionária, a economia americana mostrou sinais de forte recuperação em 2021, com uma persistente queda no desemprego, aumento da renda dos trabalhadores e redução da dívida pública, além de um crescimento do PIB de aproximadamente 5,7% (o melhor índice desde 1984). Enquanto a inflação foi semelhante aos dos demais países ricos, os Estados Unidos superaram seus concorrentes em crescimento. O Federal Reserve aumentou rapidamente uma taxa básica de juros de março de 2022 até agosto de 2023, com as taxas não caindo conforme esperado. O mercado de ações quebrou recordes sucessivos em 2024.

A revista The New Republic elogiou o desempenho econômico do governo Biden em julho de 2024, destacando como o desemprego em níveis historicamente baixos levou ao crescimento salarial na metade inferior da distribuição de renda. Em outubro de 2024, cerca de 35% das famílias com renda abaixo de US$ 50,000 por ano viviam de salário em salário, um aumento em relação aos 32% de 2019. A ampliação do Affordable Care Act, o crédito fiscal infantil, os cheques de estímulo de US$ 1,400 e a expansão dos benefícios do SNAP também fortaleceram as finanças de americanos de baixa e média renda. A criação de novos negócios também aumentou 30% em relação aos níveis pré-pandemia, com destaque para o empreendedorismo feminino, incluindo mulheres não brancas. Biden levou a aplicação das leis antitruste mais a sério do que presidentes recentes, como mostra o trabalho de Lina Khan na FTC. O governo também buscou reduzir o preço de medicamentos, permitindo que o Medicare negociasse os preços pagos e limitando o preço da insulina.

Pesquisas revelaram que a maioria dos americanos via sua própria situação econômica de forma positiva e avalia as economias locais e estaduais como melhores que a economia nacional, sugerindo uma desconexão alimentada principalmente pela narrativa da mídia. Por exemplo, uma pesquisa da CBS News de março de 2024 mostrou que 65% dos americanos consideravam a economia sob o antecessor de Biden (e eventual sucessor), Donald Trump, como boa, enquanto apenas 38% expressaram opinião semelhante sobre a economia atual sob Biden.

Infraestrutura miniaturadaimagem|Presidente Biden visitando uma fábrica da Ford Motor Company, em Dearborn, Michigan, durante uma turnê para promover seu plano de infraestrutura. O governo Biden visava gastos maciços na infraestrutura do país da ordem de dois trilhões de dólares. O presidente formalmente anunciou o pacote em março de 2021, que seria proposto ao Congresso antes do final do ano e englobaria gastos de pelo US$ 621 bilhões destinados a área de transportes, incluindo construção e reforma de pontes, estradas, transporte público de massa, portos, aeroportos e desenvolvimento de veículos elétricos. Outros US$ 300 bilhões seriam focados em melhorar a infraestrutura de água potável (incluindo saneamento), com outros US$ 580 bilhões na indústria manufatureira e no setor pesquisa e desenvolvimento e treinamento profissional. Além disso, mais de US$ 300 bilhões seriam destinados à construção civil e reforma de moradias populares, junto com a construção e reforma de escolas e, por fim, expandir o acesso à internet de banda larga, além de atualizar as redes elétricas nacionais. Para pagar por estes programas, o governo pretende aumentar os impostos para todos os americanos com renda igual ou superior a US 400 mil dólares por ano, além de também aumentar os impostos federais sobre empresas dos atuais 21% para 28% (com esta taxa sendo ainda abaixo do que era em 2017).