Em teorias sobre liderança, o Modelo Vroom/Yetton/Jago é um modelo que relaciona o modo de liderança com a participação no processo decisório. Desenvolvido por Victor Vroom em colaboração com Phillip Yetton em 1973 e revisado por Vroom e Arthur Jago em 1988, o modelo defende que o comportamento do líder deve se ajustar à estrutura de uma determinada tarefa. Assim, o modelo oferece uma sequência de regras que devem ser seguidas para determinar a forma e o volume de participação no processo decisório, de acordo com diferentes tipos de situações.
Modelo Original O modelo original, desenvolvido por Vroom e Yetton Vroom, Victor H.; Yetton, Phillip W. (1973). Leadership and Decision-Making. Pittsburgh: University of Pittsburgh Press. , propõe que existem cinco tipos de liderança. A tabela a seguir demonstra esses tipos e como o deve ser o comportamento de liderança.
+ Tipo de liderança Comportamento de Liderança Autocrático I (AI) Um gestor que toma a decisão sozinho utilizando apenas a informação que tem disponível Autocrático II (AII) Um gestor que pede informações adicionais aos seus subordinados e toma a decisão sozinho Consultivo I (CI) Um gestor que compartilha a questão com os seus subordinados, pedindo informações e sugestões individualmente e toma a decisão sozinho Consultivo II (CII) Um gestor que realiza uma reunião em grupo com os seus subordinados para discutir a questão, mas ainda toma a decisão sozinho Grupo (GII) Um gestor que realiza uma reunião em grupo com os seus subordinados para discutir a questão e a decisão é tomada em conjunto
miniaturadaimagem|Modelo da árvore de decisão Vroom/Yetton, adaptado utilizando o software FreeMind. Nela, os números se referem as sete perguntas, e as siglas no final de cada caminho ao melhor tipo de liderança para a situação. Para determinar qual é o melhor tipo de liderança para resolver uma determinada questão, devem-se ser respondida sete perguntas (com "sim" ou "não"): A qualidade da decisão é importante? O comprometimento do time é importante para a decisão? Há informações suficientes para o líder realizar a decisão sozinho? A questão está bem estruturada? Se o líder tomar a decisão sozinho, o time irá apoiá-lo? O time compartilha dos objetivos da empresa? É provável que ocorra um conflito dentro do time por causa da decisão?
Respondidas as questões, é possível determinar o melhor tipo de liderança para a questão. Para facilitar a identificação do tipo de liderança, foi desenvolvida uma árvore de decisão.
Modelo Revisado Em 1988, Victor Vroom e Arthur Jago elaboraram uma revisão deste modelo Vroom, Victor H.; Jago, Arthur G. (1988). The New Leadership: Managing Participation in Organizations. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall. . O modelo novo segue com os cinco tipos de liderança, porém adiciona uma nova pergunta e doze variáveis contingenciais. A pergunta é: O time e terceiros que fazem parte da questão possuem informações suficientes para tomar uma decisão importante?
Além da pergunta, o modelo introduz doze variáveis contingenciais, que devem ser avaliadas em uma escala de importância de 1 a 5 (sendo 1 pouco importante e 5 muito importante).
As doze variáveis abrangem as oito perguntas e adicionam contingências importantes que não podem ser respondidas com “sim” ou “não”. Dessa forma, é possível determinar o melhor tipo de liderança com uma melhor eficácia, pois é possível distinguir as questões e outras variáveis entre mais e menos importantes. As variáveis são as seguintes: Importância da decisão. Importância da obtenção do comprometimento do subordinado à decisão. Se o líder tem uma quantidade suficiente de informações para tomar uma boa decisão. Quão bem-estruturado está o problema. Se uma decisão autocrática receberia o comprometimento dos subordinados. Se os subordinados “vestem a camisa” dos objetivos da empresa. Se pode haver conflitos entre os subordinados em relação às alternativas de solução. Se os subordinados e terceiros têm informações suficientes para tomar boas decisões. As limitações de tempo do líder que podem restringir o envolvimento dos subordinados. Se os custos para reunir subordinados geograficamente dispersos são justificáveis. Importância para o líder de minimizar do tempo requerido para a tomada de decisões. Importância do uso da participação como uma ferramenta para o desenvolvimento das habilidades decisórias dos subordinados.
Como a revisão tornou o modelo muito mais complexo, Vroom e Jago desenvolveram um programa de computador ROBBINS, Stephen P., 1943 - Comportamento Organizacional / Stephen P. Robbins ; tradução técnica Reynaldo Marcondes. – 11, ed. – São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. Capítulo 11, 269-270. para guiar os executivos por todas as ramificações decisórias.
Críticas aos Modelos Apesar de pesquisasField, R.H.G. and Andrews, J.P. (1998), Testing the incremental validity of the Vroom–Jago versus Vroom–Yetton models of participation in decision making. J. Behav. Decis. Making, 11: 251-261. Margerison, Charles & Glube, Richard (2007). Leadership decision-makin: An empirical test of the Vroom and Yetton model. Journal of Managment Studies. 16. 45-55. apontarem que os resultados dos modelos são encorajadores (com o modelo revisado possuindo um maior índice de eficácia), o modelo possui alguns pontos negativos. Ele ignora fatores como estresse, inteligência e experiência como variáveis situacionais, que são abordadas por outros modelos R. H. George Field, 1979: A Critique of the Vroom-Yetton Contingency Model Of Leadership Behavior. AMR, 4, 249–257. , o que torna o modelo limitado. Além disso, de um ponto de vista prático, o modelo é muito complexo para ser usado por executivos no dia-a-dia. Mesmo com o programa de computador, não é muito realista que um administrador considere oito questões, doze variáveis contingências e cinco estilos diferentes de liderança antes de selecionar o tipo de liderança mais adequado em uma determinada situação.
Categoria:Liderança