Ohara Augusto (29 de janeiro de 1948) é uma pesquisadora brasileira, titular da Academia Brasileira de Ciências na área de Ciências Químicas desde 3 de junho de 2002. Também é membro da Academia Mundial de Ciências desde 2011 e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo desde 2012.
Foi condecorada na Ordem Nacional do Mérito Científico e faz parte da Academia Mundial de Ciências.
Ohara é professora emérita do Instituto de Química da Universidade de São Paulo e diretora do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão Redoxoma, que desenvolve pesquisas sobre a biologia de espécies reativas de oxigênio.
Trajetória acadêmica A trajetória científica da pesquisadora teve início com investigações voltadas à compreensão das funções de espécies químicas em processos patológicos e saudáveis. Ainda em seu doutoramento, participou de estudos que revelaram a capacidade de agentes redutores produzirem substâncias oxidantes em organismos vivos, contrariando as expectativas científicas da época. Posteriormente, com o intuito de dominar metodologias avançadas de identificação de radicais livres, realizou estágios de pós-doutorado nas universidades da Califórnia em Berkeley e em São Francisco. Nessas instituições, especializou-se em espectroscopia de ressonância paramagnética eletrônica (EPR), ferramenta analítica fundamental para o mapeamento preciso dessas moléculas.
Sob a liderança de Ohara, a equipe de seu laboratório concentrou esforços no mapeamento da toxicidade de fármacos, na comprovação de lesões moleculares induzidas por radicais livres em ácidos nucleicos (DNA e RNA) e na descrição detalhada do radical carbonato. Essa última investigação, conduzida de forma conjunta com o cientista uruguaio Rafael Radi, resultou na concessão da Medalha de Biologia e Medicina pela Sociedade Internacional de EPR no ano de 2002. A cientista atuou de forma decisiva para estabelecer o paradigma de que os radicais livres desempenham funções biológicas vitais, além de seus conhecidos efeitos nocivos ao organismo. Esse conceito foi difundido ao público geral por meio de sua obra de divulgação científica "Radicais livres: bons, maus e naturais", lançada pela editora Oficina de Textos em 2006 com o propósito de estimular novas gerações de pesquisadores no país.
Suas investigações atuais concentram-se nas repercussões biológicas geradas por oxidantes originados do sistema de tampão bicarbonato, o principal responsável pelo equilíbrio do pH em mamíferos. Ao analisar a síntese de radicais carbonato intermediada pela enzima superóxido dismutase 1 humana (hSOD1), seu grupo de pesquisa evidenciou que tais espécies químicas são capazes de provocar o acúmulo de proteínas anômalas, um mecanismo diretamente correlacionado ao desenvolvimento de catarata e de patologias neurodegenerativas. Estudos recentes liderados por sua equipe também apontam que o peroximonocarbonato — outro composto derivado do dióxido de carbono — atua como mediador em vias de sinalização nas células, vertente de estudo que ganha relevância diante da elevação global dos níveis de CO₂ na atmosfera.
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