Jones Manoel da Silva (Recife, 9 de janeiro de 1990) é um professor de história, comunicador, escritor, militante e político brasileiro filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). É conhecido pelo seu canal no YouTube denominado Jones Manoel. Fez licenciatura em história pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestrado em Serviço Social pela mesma universidade. É integrante, desde 2024, do programa de doutoramento em Serviço Social da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Nascido e criado na Favela da Borborema, em Recife, ganhou fama na internet ao falar sobre marxismo e educação popular. Aos 14 anos, trabalhava a vender jornais na rua. Em 2011, com 21 anos, começou a cursar história na UFPE, e iniciou, em simultâneo, a sua militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Já escreveu para diversos veículos, como a Revista Opera, o Blog da Boitempo Editorial, o jornal O Poder Popular, do PCB, assim como para seu sítio e para o Lavrapalavra, e participa do podcast Revolushow. Estreou a sua coluna em vídeo no canal da CartaCapital a 5 de agosto de 2020.

Durante as eleições de 2022, ele foi candidato a governador do Estado de Pernambuco pelo PCB, quando ficou em 6.º lugar na disputa com votos.

Biografia

Juventude (1990–2013) Jones Manoel é filho da Dona Elza, uma senhora que começou a trabalhar aos 8 anos, e que, aos 15 anos, migrou para Recife para trabalhar como empregada doméstica, e Luis Manoel, que nasceu e foi criado na Favela da Borborema, em Recife. Quando Jones tinha 11 anos, o seu pai foi assassinado, num crime que não foi solucionado até hoje. Cresceu com a sua mãe, e com a sua irmã mais velha, Juliana. Começou o seu processo de politização a partir do rap, através de artistas como Racionais MCs, Facção Central, GOG, Tupac Shakur, RZO, e também cresceu ouvindo forró — Cavaleiros do Forró, Calcinha Preta, Saia Rodada, etc.

A primeira vez que ouviu falar de marxismo foi numa música do Tupac, quando é citado Fidel Castro, e quando os Racionais MC's citam na música Jesus Chorou: "Malcolm X, Gandhi, Lennon, Marvin Gaye, Che Guevara, Tupac e Bob Marley e o evangélico Martin Luther King". Era um conjunto de nomes que não conhecia. A primeira vez que teve curiosidade de saber quem era Malcolm X foi ao ouvir a música do GOG, Malcolm X foi a Meca...GOG ao Nordeste.

Com 20 anos, a partir de um amigo, conheceu o marxismo e passou a ter acesso a literaturas de esquerda. Aos 21 anos já se considerava comunista. Suas duas primeiras experiências de militância foram pleitear o cargo de presidente da associação de moradores da sua comunidade, mas diante de ameaças e intimidações teve que desistir. Em seguida, montou com o seu amigo Júlio César um curso popular chamado Novo Caminho, mantido por dois anos, e que ajudou mais de 20 jovens da Borborema e região a acessar instituições de ensino públicas. Jones foi um dos primeiros jovens da história da Borborema a entrar numa universidade pública, entrando no curso de história da UFPE em 2011.

Militância política (2013–atualidade) Em 2013, após se envolver nas Jornadas de Junho, começou a militar na União da Juventude Comunista, a ala juvenil do PCB, e manteve-se nos anos seguintes como estudante e militante do movimento estudantil. Depois da graduação fez um mestrado em Serviço Social, também na UFPE, concluído em 2018, com dissertação intitulada Em busca da revolução brasileira: um estudo crítico sobre a estratégia socialista na obra de Carlos Nelson Coutinho. Nesse período passou a focar a sua militância em comunicação e educação popular. Manteve por anos um blog e depois passou a trabalhar com um canal no YouTube, em 2017, com podcasts, e a escrever para vários meios e para iniciativas variadas de educação popular. Também atuou no movimento sindical e foi, por um curto período, professor de uma escola pública militar do estado da Bahia. A partir de 2018, seu canal passou a registrar crescimento acelerado. Em 2019 publicou a coletânea Revolução Africana, que, em outubro de 2020, já tinha vendido por volta de 9 mil exemplares. O impacto que o livro teve, mais o crescimento do seu canal, fez com que Manoel cedesse o seu trabalho como professor concursado à venda de livros e de cursos de educação online. Uma candidatura do escritor para vereador da Câmara Municipal do Recife, nas eleições de 2020, foi ponderada pelo PCB, mas não se chegou a realizar.

Depois disso, continuou a militar no PCB. Continuou a buscar atuar na popularização e divulgação do marxismo e do programa denominado de Revolução Brasileira, manteve as iniciativas do canal no YouTube, participou do Revolushow, autointitulado como o maior podcast marxista do Brasil, dirigiu com Gabriel Landi a coleção Quebrando as Correntes, publicada pela editora Autonomia Literária, e atuou como professor de cursos de formação política. Segundo o historiador, buscava utilizar o YouTube como uma plataforma cruzada.

Em 6 de janeiro de 2020, foi publicada uma entrevista de Caetano Veloso a Jones Manoel na Mídia Ninja. Posteriormente, o artista afirmou que os vídeos de Jones Manoel e os livros do filósofo italiano Domenico Losurdo contribuíram para a revisão de suas posições políticas sobre o comunismo.

Em dezembro de 2020, Jones Manoel foi incluído em um relatório produzido no âmbito do Governo Jair Bolsonaro na categoria de "detratores", ao lado de outros jornalistas, youtubers e influenciadores críticos ao governo. O documento propunha ações de comunicação direcionadas a pessoas classificadas dessa forma. Em julho de 2021, o então secretário Especial de Cultura, Mário Frias, fez uma publicação nas redes sociais considerada racista contra Jones Manoel, afirmando que ele "precisa de um bom banho". Após o ataque, Jones respondeu publicamente e afirmou que processaria o secretário.

Em dezembro de 2021, o Partido Comunista Brasileiro anunciou a pré-candidatura de Jones Manoel ao governo do Estado de Pernambuco nas eleições de 2022.

Em outubro de 2022, em sua primeira eleição, quando disputou o cargo de governador do estado de Pernambuco pelo PCB, tendo a assistente social Raline Almeida como candidata a vice-governadora, Jones Manoel ficou em 6.º lugar no pleito, obtendo votos, o que correspondeu a 0,69% dos votos válidos.

Em julho de 2023, foi expulso pela maioria do Comitê Central do PCB juntamente com outros quatro membros, como Ivan Pinheiro. A expulsão ocorreu em meio a uma crise interna do partido envolvendo divergências programáticas e disputas em torno da direção partidária.

Em março de 2026, a Executiva Nacional do PSOL aprovou a filiação de Jones Manoel para que disputasse uma vaga de deputado federal por Pernambuco nas eleições de 2026. A filiação foi estabelecida mediante um acordo político que incluiu o alinhamento à estratégia eleitoral do partido e o apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, além de não lhe conferir participação nas instâncias internas de decisão da legenda.

A filiação foi apresentada pelo PSOL como parte de sua estratégia para ampliar a bancada federal nas eleições de 2026. Jones passou a ser apontado como um dos principais nomes da legenda para a disputa proporcional em Pernambuco e como potencial primeiro deputado federal eleito pelo PSOL no Nordeste.

Contas derrubadas pela Meta Em 7 de agosto de 2025, as contas de Jones no Facebook e no Instagram foram tiradas do ar pela Meta, dona dessas redes sociais, sem aviso prévio e sem especificar o motivo dessa decisão. No Instagram, Jones contava com mais de 1 milhão de seguidores quando a conta foi tirada do ar pela Meta. Jones suspeitou que a desativação de seus perfis tivesse motivações políticas, em razão de sua militância comunista e de críticas ao governo Donald Trump e às big techs. As contas foram reativadas pela Meta em 8 de agosto, sem que a empresa explicasse os motivos da medida.

Ameaças neonazistas Em 21 de agosto de 2025, duas semanas após o incidente com a Meta, Jones recebeu ameaças de morte enviadas por uma organização neonazista brasileira via e-mail. As ameaças continham discurso de ódio, injúrias raciais, divulgação de dados pessoais, financeiros e de geolocalização, além da exigência de um pagamento. O setor jurídico do youtuber foi acionado e, por meio de nota, informou que o e-mail foi assinado pela Brigada Hitlerista Brasileira (Atomwaffen Brasil), uma organização neonazista e terrorista internacional fundada em 2015. Em 18 de outubro de 2025, o influenciador relatou ter recebido novas ameaças da mesma organização neonazista. A mensagem afirmava que a organização não poderia ser capturada pela polícia devido à sua suposta influência e ameaçava assassinar Jones Manoel caso ele não depositasse R$ 250 mil aos integrantes. O comunicador recebeu apoio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e manteve sua agenda prevista, adotando novas medidas de segurança.

Condenação em ação movida por Kim Kataguiri Em maio de 2026, Jones Manoel foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) a indenizar o deputado Kim Kataguiri (MISSÃO-SP) no valor de trinta mil reais, por tê-lo associado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), corrupção e adesão a ideologias nazistas e fascistas. A ação movida por Kataguiri acusa Jones de torná-lo alvo de "campanha sistemática e progressiva de perseguição pessoal, política e ideológica". Segundo o juiz do caso, "o acervo probatório evidencia que o réu extrapolou os limites da crítica política, ao atribuir ao autor vinculação a organização criminosa, corrupção e posições ideológicas extremistas sem suporte fático idôneo, notadamente quanto à suposta defesa de legalização de partido nazista e descriminalização do nazismo". A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso.

Desempenho eleitoral Ano Eleição Partido Cargo Votos % Pos. Resultado 2022 Estaduais de Pernambuco PCB Governador 0,69% 6.º

Obras

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Bibliografia

Ligações externas

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