Ésio Macedo Ribeiro (Frutal, Minas Gerais, 10 de fevereiro de 1963) é um escritor, bibliófilo e fotógrafo brasileiro. É também doutor em Literatura Brasileira pela USP, especialista e estudioso da obra do escritor Lúcio Cardoso, tendo organizado e editado sua poesia completa e seus diários. Entre outros prêmios, foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2015 e semifinalista do Prêmio Oceanos 2019 com o romance É o que tem (Editora Patuá).

BiografiaTodas as informações contidas nesta biografia foram encontradas no Google e no Memorial Acadêmico de Ésio Macedo Ribeiro, fornecido pelo próprio escritor. Nascido em Frutal, Minas Gerais, em 1963, e oriundo de uma família de fazendeiros, é o mais velho de cinco irmãos, o único da família com interesses literários. Começou a ler aos seis anos de idade com a ajuda de uma tia professora primária. Instigado por ela, Ésio lia Monteiro Lobato, e, com o passar dos anos, seu prazer pela leitura cresceu tanto que convergiu no gosto pela escrita. Tanto que aos dez anos, com uma redação cujo tema foi o “Dia da ave”, foi agraciado com um prêmio de melhor redação do Estado de Minas Gerais.

Três anos depois, em 1976, com a expectativa de melhorar seus conhecimentos e aprimorar seu lado intelectual, mudou-se para Brasília, residindo com a família de um tio. Enquanto passava por colégios conceituados e rigorosos, sua família também acabou por mudar-se de Frutal para Brasília dois anos depois. Em seu último colégio, antes de iniciar sua formação acadêmica, formou-se Técnico em Contabilidade, pelo Colégio Projeção, e publicou seus primeiros poemas num periódico desse mesmo centro de ensino. Em meados da década de 1980, formou-se em Fotografia P&B, pelo Clube de Fotografia do Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB), tendo sua primeira exposição de fotos na Quinta Semana de Fotografia do CEUB, em 1985. Mesmo com o amor pela fotografia, e tendo publicado fotos em alguns veículos de comunicação, como o Jornal da USP e O Estado de S. Paulo, Ésio nunca considerou essa uma profissão que ele quisesse abraçar.

Depois de Brasília, morou em São Paulo, Rio de Janeiro, Natal, e por um ano na capital argentina Buenos Aires. Voltou a fixar residência em São Paulo, no início dos anos 1990, onde travou contato com alfarrabistas, bibliófilos e escritores da cidade e de outros estados, tudo na busca por livros raros e também para discutir literatura. Ele sempre deu aos livros o maior espaço e o maior tempo de sua vida. O prazer pela leitura levou-o, ainda jovem, a começar a formar uma biblioteca que hoje, quase quarenta anos depois, contabiliza mais de catorze mil volumes.

Coleciona principalmente literatura brasileira, da primeira fase do modernismo até a geração de 1990, privilegiando a poesia e as primeiras edições. Mantém, também, um bom acervo de obras de Crítica Literária e Filologia, incluindo aí uma grande quantidade de dicionários, além de revistas literárias, e um complemento do acervo de sua biblioteca que consiste numa videoteca e numa discoteca de literaturas brasileira e estrangeira, com leituras de textos e poemas pelos próprios autores, filmes baseados em livros, depoimentos etc.

O fato de ser um garimpador de livros antigos se refletiu diretamente em seu gosto pela pesquisa literária. Em suas palavras: "É um trabalho braçal que requer dedicação, paciência e o faro detetivesco de que sou portador". Isso foi o propulsor de sua decisão em estudar Letras. Formou-se, em 1995, em Letras – Tradutor e Intérprete (Inglês/Português), pela Universidade Paulista (UNIP). Em 2001, tornou-se Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada, e em 2006, Doutor em Literatura Brasileira, ambos os títulos concedidos pela Universidade de São Paulo (USP). Sua dissertação de mestrado e tese de doutorado sobre a vida e a poesia de Lúcio Cardoso foram publicadas pela Editora da Universidade de São Paulo, em 2006 e 2011, respectivamente.

Foi curador das exposições: “O Modernismo Através dos Livros – Coleção Waldemar Torres” (Porto Alegre, 1999), com Waldemar Torres; “RELEREVER” (São Paulo, 2000), com Ana Cordeiro e Almandrade; “Érico Veríssimo – Centenário de Nascimento – 1905-2005” (São Paulo, 2005); e do evento “30 anos de poesia de Nicolas Behr” (São Paulo, 2008); e, ainda, consultor da exposição “A rua dos 100 cataventos – centenário de Mário Quintana” (Porto Alegre, 2006).

Publicou textos no Brasil, Chile, Colômbia, França e Portugal. É autor de, entre outros, E Lúcifer dá seu beijo (Massao Ohno, 1993), Marés de amor ao mar (Arte Pau Brasil, 1998), Brincadeiras de palavras: a gênese da poesia infantil de José Paulo Paes (Giordano, 1998), Pontuação circense (Ateliê Editorial, 2000), O riso escuro ou o pavão de luto: um percurso pela poesia de Lúcio Cardoso (Edusp/Nankin, 2006), 40 anos (Giordanus, 2007), Estranhos próximos (Edição do Autor/FAC, 2008), Drama em sol para o século XXI (Edição do Autor, 2011), É o que tem (Patuá, 2018); e organizador e editor da Poesia completa de Lúcio Cardoso (Edusp, 2011), dos Diários de Lúcio Cardoso (Civilização Brasileira, 2012), de O vento da noite, de Emily Brontë, trad. de Lúcio Cardoso (Civilização Brasileira, 2016), e de Ana Karenina, de Liev Tolstói, trad. de Lúcio Cardoso (Civilização Brasileira, 2019 – no prelo), e, com Marília de Andrade, de Maria Antonieta d’Alkmin e Oswald de Andrade: marco zero (Edusp/Imprensa Oficial SP/OLRBM, 2003). É o que tem, romance publicado pela editora Patuá em 2018, foi finalista do Prêmio Sesc 2015 e semifinalista do Prêmio Oceanos 2019, mesmo ano em que lançou, pela editora Urutau, o livro de poesia Um olhar sobre o que nunca foi:.

Embora tenha realizado estudos sobre Caio Fernando Abreu, Allen Ginsberg, José Paulo Paes, Oswald de Andrade e Clarice Lispector, foram os trabalhos em torno à vida e obra do escritor mineiro Lúcio Cardoso (1912-1968) que o tornaram reconhecido, nacional e internacionalmente, como um dos mais respeitados estudiosos do autor da obra-prima Crônica da casa assassinada.

Ésio foi casado, por vinte e sete anos, com o advogado norte-americano George Finkelstein (Jersey City, NJ, 08/02/1944 – São Paulo, SP, 02/09/2018) de 1991 até sua morte, ocorrida em 2018. Logo após o Estado de Nova York reconhecer, em 24 de julho de 2011, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, eles legalizaram essa união, casando-se na cidade de Nova York no dia 5 de junho de 2012. Em seguida, o casamento deles foi transcrito e reconhecido também no Brasil.

Com seu companheiro, Ésio conheceu, além de quase todos os estados do Brasil, o Uruguai, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Peru, Chile, Paraguai, EUA, Canadá, México, Portugal, Inglaterra, Espanha, Holanda, Bélgica, Alemanha, República Checa, Itália, Vaticano, França, Luxemburgo, Equador, Islândia, Argentina e Turquia. Viagens que, além de serem enriquecedoras cultural e intelectualmente, também serviram para que Ésio formasse uma imagem do Brasil. Os dois moraram entre São Paulo e Nova York até 2015, mesmo ano em que se mudaram para Chicago, onde Ésio continua a morar.

Após a morte do companheiro, Ésio fez, em 2019, o curso “Little Masterpieces of Literature in Spanish”, no Instituto Cervantes de Chicago. Aproveitou e fez, neste mesmo instituto, o exame DELE-C1, que lhe conferiu o Diploma de Español como Lengua Extranjera Nivel C1. Atualmente ele preenche seus dias lendo, ouvindo música, vendo filmes e documentários e escrevendo um novo romance e dois novos livros de poesia.

Principais obras

Primeiras obras Sob o título de E Lúcifer dá seu beijo, lançou seu primeiro livro de poesia em 1993, pela prestigiosa Massao Ohno, com apresentação de Jorge Mautner e prefácio de Oscar D’Ambrosio. A ele, seguiu-se Marés de amor ao mar, publicado pela Arte Pau Brasil em 1998, mesmo ano em que lançou sua primeira obra ensaística, Brincadeiras de palavras: a gênese da poesia infantil de José Paulo Paes, pela editora Giordano.

Na prosa, publicou alguns contos em antologias a partir da década de oitenta e seu primeiro romance em 2018 pela editora Patuá, intitulado É o que tem, com apresentação e orelha dos escritores Toni Brandão e Ronaldo Cagiano.

Outras obras Suas obras de maior destaque são a edição crítica e anotada da Poesia Completa de Lúcio Cardoso, lançada pela Edusp/Imprensa Oficial de São Paulo em 2011, e o volume dos Diários do poeta, publicado pela editora Civilização Brasileira em 2012. Outras obras que levam o nome de Lúcio, dessa vez como tradutor, com organização e apresentação de Ésio, são a antologia poética de Emily Brontë O vento da noite (2016), e o romance Ana Karenina, de Liev Tolstói (no prelo), ambos pela Civilização Brasileira.

Em 2008, Ésio publicou o livro de poesia Estranhos próximos, com apresentação do escritor e amigo Luiz Ruffato. No mesmo ano, organizou a Revista do Centro de Estudos Portugueses, da Faculdade de Letras da UFMG, número totalmente dedicado a Lúcio Cardoso. Três anos depois, em 2011, publicou Drama em sol para o século XXI, em edição especial de 300 exemplares, numerados e assinados, ilustrado com fotos de sua autoria e com apresentação do poeta Donizete Galvão. Seu mais recente livro de poesia, Um olhar sobre o que nunca foi:, com apresentação de Nicolas Behr, foi lançado pela editora Urutau em 2019.

Lista de obras

Poesia

E Lúcifer dá seu beijo — São Paulo: Massao Ohno, 1993. Marés de amor ao mar — São Paulo: Arte Pau Brasil, 1998. (Coleção Ah!; 7). Pontuação circense — São Paulo: Ateliê Editorial, 2000. 40 anos — São Paulo: Giordanus, 2007. Estranhos próximos — Brasília: Edição do Autor/FAC, 2008. Drama em sol para o século XXI — Brasília: Edição do Autor, 2011. Um olhar sobre o que nunca foi: — Bragança Paulista, SP: Editora Urutau, 2019.

Prosa

Viajante, porque não (conto). In: Literatura – revista do escritor brasileiro, Brasília, DF: Códice, Ano VIII, n. 16, pp. 64-66, jun. 1999. Estúrdio (conto). In: Todas as gerações – o conto brasiliense contemporâneo. Seleção e organização de Ronaldo Cagiano. Brasília: LGE, 2006, pp. 185-192. É o que tem (romance) — São Paulo: Editora Patuá, 2018.

Ensaio

A exortação e a desmistificação da dor em Caio Fernando Abreu. In: LB – Revista de Literatura Brasileira, São Paulo, n. 2, pp. 23-25, 1996. Brincadeiras de palavras: a gênese da poesia infantil de José Paulo Paes. São Paulo: Giordano, 1998. O sagrado e o profano em "Igreja", de Carlos Drummond de Andrade. Ipotesi – Revista de Estudos Literários – 12, Juiz de Fora, MG: Editora da UFJF, v. 7, n. 1, pp. 127-135, jan.-jun. 2003. A angústia em "A casa do solteiro": leitura de um poema de Lúcio Cardoso. Ipotesi – Revista de Estudos Literários – 13, Juiz de Fora, MG: Editora da UFJF, v. 7, n. 2, pp. 113-126, jul.-dez. 2003. O riso escuro ou o pavão de luto: um percurso pela poesia de Lúcio Cardoso. São Paulo: Edusp/Nankin, 2006. Edição crítica da poesia completa de Lúcio Cardoso. Manuscrítica – Revista de Crítica Genética, Associação de Pesquisadores do Manuscrito Literário – APLM, Vitória, ES, n. 14, pp. 225-230, dez. 2006. Edição crítica da poesia reunida de Lúcio Cardoso. Poesia Sempre, Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional/MinC, Ano 14, n. 27, pp. 219-227, 2007. A fortuna crítica (acadêmica) de Lúcio Cardoso. Revista do Centro de Estudos Portugueses (Dossiê Lúcio Cardoso), Faculdade de Letras da UFMG, Belo Horizonte, MG, vol. 28, n 39, pp. 101-112, jan.-jun. 2008.

Organização e pesquisa

ANDRADE, Oswald de. Obra incompleta (Caderno de imagens). Coordenação de Jorge Schwartz, pesquisa iconográfica de Ésio Macedo Ribeiro. Ligugé, Poitiers, France: Aubin Imprimeur, 2000. (Coleção Archivos, 37). Maria Antonieta d’Alkmin e Oswald de Andrade: marco zero. Organizado por Marília de Andrade e Ésio Macedo Ribeiro. São Paulo: Edusp/ Imprensa Oficial SP/ OLRBM, 2003.