O Grupamento de Unidades Escola/9.ª Brigada de Infantaria Motorizada (GUEs/9.ª Bda Inf Mtz) é uma brigada do Exército Brasileiro sediada no Rio de Janeiro e subordinada à 1.ª Divisão de Exército. Suas unidades são usadas em demonstrações táticas na instrução de oficiais e sargentos, e assim, devem representar um padrão de adequação à doutrina. O GUEs original surgiu em 1945, agrupando unidades-escola mais antigas, e chegou a ser considerado de elite nos anos 60. Seu comando foi reaproveitado em 1968 e hoje corresponde à 1.ª Brigada de Infantaria de Selva, em Roraima. Um novo comando surgiu em 1971, com as mesmas funções do original. A brigada atual, além de sua função histórica, participa de operações urbanas no Rio de Janeiro. Em parte ela opera o blindado VBTP-MR Guarani.

Natureza das unidades-escola As unidades que depois constituiriam o Grupamento eram as que serviam à Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais desde os anos 1920, para as quais realizavam demonstrações e permitiam que oficiais-alunos comandassem o comando. O conceito posterior do Grupamento era de reunir unidades no melhor padrão de material, efetivo e adequação à doutrina. Ele serviria de padrão para as brigadas incompletas,. p. 390. laboratório de experimentação doutrinária e ator de demonstrações táticas para as escolas,. p. 180.. p. 5. tanto de oficiais quanto de sargentos. A atual formação também está ligada ao Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil e ao Centro de Adestramento Leste. Em tamanho, é uma das maiores brigadas do Exército.. p. 50. No quesito de representar o padrão de organização, o Grupamento já divergiu da estrutura prevista para uma brigada de infantaria motorizada, deixando de ser uma referência para as brigadas incompletas.

História O GUEs original surgiu em 1945 mas mudou sua designação em 1968, tornando-se em seu desenvolvimento posterior a atual 1.ª Brigada de Infantaria de Selva. A atual Organização Militar foi criada em 1971, herdando a função e algumas unidades da original.BRASIL. Ministério da Defesa. Normas para a preservação das tradições das Organizações Militares do Exército Brasileiro. 16 de janeiro de 2003.

GUEs (1945-1968) e antecedentes As unidades-escola da EsAO sofriam com deficiências de efetivo, material e instrução nos anos 20.. p. 319. Entre elas estava o 1.º Regimento de Artilharia Montada, usado para demonstrações em 1922.. p. 341. Em 1932 foram criados “com destino exclusivo aos trabalhos de instrução da EsAO e a ela subordinados” o Batalhão Escola (de infantaria) e Grupo Escola (de artilharia montada).BRASIL, Decreto 20.986, de 21 de janeiro de 1932. Cria unidades escolas e dá outras providências. Diário Oficial da União, Rio de Janeiro, p. 1494, 26 de janeiro de 1932. Combateram a Intentona Comunista no Rio de Janeiro em 1935.. p. 75.

Compreendendo junto à ESAo e outras escolas o Centro de Aperfeiçoamento e Especialização do Realengo, o GUEs foi criado com:BRASIL, Decreto-lei nº 7888, de 21 de agosto de 1945. Cria o Centro de Aperfeiçoamento e Especialização do Realengo, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Rio de Janeiro, p. 13906, 24 de agosto de 1945.BRASIL, Decreto-lei nº 8033, de 4 de outubro de 1945. Altera dispositivos do Decreto-Lei n° 7.888, de 21 de agosto de 1943. Diário Oficial da União, Rio de Janeiro, p. 15829, 8 de outubro de 1945.BRASIL, Decreto-lei nº 8282, de 4 de dezembro de 1945. Dispõe sobre a transformação de unidades-escolas. Diário Oficial da União, Rio de Janeiro, p. 18407, 8 de dezembro de 1945. Regimento Escola de Infantaria pela transformação do Batalhão Escola Regimento Escola de Artilharia pela transformação do Grupo Escola Regimento Escola de Cavalaria (Andrade Neves), designado como Escola em 1932. p. 72. Batalhão Escola de Engenharia, pela transformação da Companhia Escola de Engenharia Companhia Escola de Transmissões Companhia Escola de Saúde Companhia Escola de Intendência Companhia Escola de Manutenção A Companhia Escola de Guerra Química, criada em 1953, inicialmente pertenceu ao GUEs.. p. 1.

Em 1960 o GUEs estava abaixo do I Exército e incluía também o 1.º Grupo de Canhões Antiaéreos de 90 mm, Batalhão Escola de Manutenção e Esquadrão Escola de Reconhecimento Mecanizado. O regimento de artilharia tinha só um grupoBRASIL, Ministério da Guerra. Boletim Reservado do Exército N.11-D, 1959. Quadros p.78-94. Disponível no Sistema de Informações do Arquivo Nacional sob o documento “BR_DFANBSB_2M_0_0_0123_v_01_d0001de0001", p.567. e foi reduzido ao Grupo Escola de Artilharia em 1963.. p. 82. A infantaria, o REsI, era o único regimento de infantaria completo do país e tinha o melhor armamento recebido pelo Acordo Militar Brasil-Estados Unidos. O GUEs como um todo recebia o melhor equipamento do Exército e tinha considerável poder de combate.

Em 1961 o GUEs integrou a Divisão Cruzeiro, formação que enfrentaria o III Exército após sua adesão à Campanha da Legalidade.. p. 5. O general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar da Presidência, propôs desembarcar o REsI em Curitiba após uma captura do aeroporto pelos paraquedistas, mas o ministro da Guerra Odílio Denys não aceitou.. cap. 13.

No golpe de Estado de 1964 o GUEs foi deslocado ao Vale do Paraíba para defender o Governo João Goulart contra o II Exército, que avançava para a Guanabara.. p. 11-12 e 147-148. Considerado tropa de elite,. p. 42-44. p. 150. era militarmente superior a seus oponentes.. p. 131.. p. 256. O general Médici, da Academia Militar das Agulhas Negras, tomou o partido do II Exército e ocupou a via Dutra com seus cadetes. O GUEs encontrou os cadetes perto de Barra Mansa na tarde do dia 1.º de abril. Eles eram obstrução psicológica a seu avanço e surgiram defecções. Um cessar-fogo foi estabelecido e o I Exército rendeu-se no mesmo dia. Seu comandante, o general de brigada Anfrísio da Rocha Lima,. Tomo 1, p. 36-41. foi expurgado imediatamente após o golpe, transferido para a reserva.BRASIL, Ato do Comando Supremo da Revolução nº 3, de 11 de abril de 1964. Ato nº3 – Transferência para a reserva, oficiais das Forças Armadas. Diário Oficial da União, Brasília, p. 3258, 11 de abril de 1964.

Em 1968 foi substituído pela 1.ª Brigada de Infantaria, composta do REsI, o 1.º Regimento de Infantaria e o 1.º Batalhão do 2.º Regimento de Infantaria. No mesmo ano surgia a 2.ª Brigada de Infantaria: eram um arranjo transitório na adoção das brigadas na organização do restante da força. A 1.ª Brigada de Infantaria deu lugar em 1972 à 1.ª Brigada de Infantaria Motorizada e em 1992 à 1.ª Brigada de Infantaria de Selva.

GUEs/9.ª Bda Inf Mtz (1971-atual) miniaturadaimagem|esquerda|Atual quartel da brigada, na antiga Escola Militar do Realengo Em 1971 o Grupamento de Unidades Escola foi reconstituído com as mesmas funções da original. Foi chamado de 9ª Brigada de Infantaria Motorizada (Escola) de 1973 a 1995, quando tomou o nome atual.

As unidades da formação original tiveram destinos variados. Os componentes de infantaria, artilharia e manutenção têm sua continuidade no 57º Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola), 31º Grupo de Artilharia de Campanha (Escola) e 25º Batalhão Logístico (Escola). Já a cavalaria foi inicialmente parte da nova formação, passou à divisão e ao exército e retornou ao novo GUEs somente de 1995 a 2007. A engenharia tornou-se em 1971 o 7.º Batalhão de Engenharia de Combate, em Natal.

miniaturadaimagem|Guarani do 57.º Batalhão de Infantaria Algumas unidades vieram de outras origens. A nova formação surgiu já com o 2.º Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola), derivado do 2.º RI. Em 1980 o 1.º Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola), antigo 1.º RI, também já fazia parte. O 56.º Batalhão de Infantaria fazia parte em 2013,BRASIL. Exército Brasileiro. Comandante do Exército. Portaria nº 432, de 4 de junho de 2013. Reorganiza o Grupamento de Unidades-Escola/9ª Brigada de Infantaria Motorizada e dá outras providências. Boletim do Exército Nº24/2013, Brasília, p. 9-10, 14 de junho de 2013. mas foi dissolvido em 2016, e à sua sede a 2.ª Companhia de Infantaria chegou no ano seguinte. O 15.º Regimento de Cavalaria Mecanizado foi incorporado em 2007, recebendo a designação de (Escola). Uma unidade de Escola para a engenharia existe, mas está no 5.º Grupamento de Engenharia.EsAO – Visita ao 5º Grupamento de Engenharia. Consultado em 30 de dezembro de 2020.

A Brigada contribuiu integrantes para a a Força de Paz no Haiti em 2010 e tem experiência em operações urbanas de garantia da lei e da ordem na capital fluminense,. p. 31. tendo sido uma das forças subordinadas ao Comando Conjunto do Gabinete de Intervenção Federal no Rio de Janeiro em 2018.. p. 24. Atualmente tem experiência também com o blindado Guarani.

Organização Estrutura atual da brigada Companhia de Comando do GUEs/9ª Brigada de Infantaria Motorizada 1.º Batalhão de Infantaria Mecanizado (Escola) 2.º Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola) 57.º Batalhão de Infantaria Motorizado (Escola) 15.º Regimento de Cavalaria Mecanizado (Escola) 31.º Grupo de Artilharia de Campanha (Escola) Batalhão Escola de Comunicações 25.º Batalhão Logístico (Escola) 2.ª Companhia de Infantaria 9.ª Bateria de Artilharia Antiaérea (Escola) 9.º Pelotão de Polícia do Exército

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