O ataque ao Capitólio dos Estados Unidos ocorreu em 6 de janeiro de 2021, depois de partidários do então presidente Donald Trump por ele convocados a se reunirem em Washington, D.C. para protestar contra o resultado da eleição presidencial de 2020, justamente a data em que as duas casas legislativas se reuniriam para ratificar a vitória de seu oponente. Baseada na alegação falsa de Trump de que houve fraude nas votações, objetivava assim o mandatário estadunidense obter apoio e forçar que o vice-presidente Mike Pence e o Congresso rejeitassem a vitória do presidente-eleito Joe Biden. No início, os manifestantes se reuniram para o comício "Save America", um evento planejado no parque The Ellipse, onde os participantes ouviram os discursos de aliados como seu advogado pessoal Rudy Giuliani, onde este convocava os presentes a resolverem a disputa eleitoral num "julgamento por combate".

A invasão durou boa parte da tarde e continuou até o começo da noite. Na madrugada, as forças policiais conseguiram recuperar o controle do Capitólio, que ficou bastante depredado. Cerca de cinco pessoas foram mortas (quatro manifestantes e um policial) e dezenas foram presas, embora a maioria posteriormente ao incidente. Quatro policiais presentes durante os eventos acabaram cometendo suicídio nos sete meses seguintes. A postura do presidente Donald Trump foi duramente criticada por jornalistas, autoridades e políticos de ambos os lados do espectro político. O presidente foi acusado de incitar a multidão e depois resistiu a ideia de mandar tropas da Guarda Nacional para restaurar a ordem na capital.

Inicialmente vários especialistas qualificaram os acontecimentos como uma tentativa de golpe de estado (na modalidade autogolpe) perpetrada por Trump, culminância das suas tentativas fracassadas em reverter as derrotas eleitorais na justiça, tanto quanto nas falidas pressões sobre autoridades para fraudarem os resultados e, finalmente, para que seu vice-presidente o fizesse. Tendo provocado cinco mortes, dezenas de feridos e centenas de presos e investigados, o episódio culminou no segundo pedido de impeachment de Trump, primeiro presidente na história a ter dois processos do tipo. Em 20 de janeiro de 2025, de volta no poder, Trump perdoou todos os manifestantes envolvidos nas invasões de 6 de janeiro, incluindo membros dos Proud Boys e Oath Keepers que atacaram violentamente a polícia.

Antecedentes O presidente Donald Trump havia acumulado sucessivas derrotas judiciais nas suas tentativas de reversão dos resultados eleitorais em estados como Geórgia e Pensilvânia; em 3 de janeiro foi divulgado pelo jornal The Washington Post um telefonema de Trump ao secretário de estado da Geórgia, Brad Raffensperger, em que o presidente o pressionou a conseguir 11 780 votos a seu favor. A quantidade era de um a mais que a diferença obtida por Biden no estado.

Desde o dia da votação no Colégio Eleitoral, em dezembro de 2020, o presidente Trump convocou seus apoiadores a irem para a capital do país para protestar contra a certificação do resultado das eleições. O presidente então falou na sua conta no Twitter: "Grande protesto em D.C. em 6 de janeiro. Esteja lá, será selvagem!". Segundo fontes levantadas por jornalistas e autoridades policiais, nas semanas que antecederam a revolta, manifestantes e apoiadores de Trump e do QAnon abertamente falaram sobre como pretendiam parar a certificação com ações violentas. Mesmo com todos os alertas, forças policiais locais não se prepararam direito, com policiais não recebendo equipamentos adequados para controle de multidão ou reforços. Quando a violência começou, embora um grupamento da Guarda Nacional estivesse a vinte minutos do local, demorou quase três horas para que eles chegassem após terem sido convocados. Segundo algumas fontes, o Pentágono atrasou as ordens e criou novas burocracias que atrasaram a chegada de reforços.

Desde o dia 5 de janeiro, manifestantes começaram a chegar na capital Washington, D.C., com o intuito de pressionar os republicanos no Congresso a apoiar Trump e, em última análise, tentar interromper a certificação da vitória de Joe Biden. Em 6 de janeiro, a capital já estava lotada de manifestantes pró-Trump, que se concentraram perto do Monumento a Washington. Vários discursos foram feitos para a multidão, muitos destes os exortando para a violência. Rudy Giuliani, por exemplo, voltou a repetir teorias da conspiração e alegações infundadas de fraude e afirmou que era hora de um "julgamento por combate". O congressista Mo Brooks disse "Hoje é o dia em que os patriotas americanos começam a anotar nomes e detonar", enquanto o também parlamentar Madison Cawthorn afirmou "esta multidão tem que lutar".

O presidente Trump foi um dos últimos a falar, discursando atrás de uma parede de vidro a prova de bala, afirmando que ele nunca admitiria derrota na eleição, também criticando a mídia e pedindo novamente ao seu vice, Mike Pence, para que ele revertesse o resultado da eleição.

Trump concluiu seu discurso mantendo a fala inflamatória, dizendo: "Vocês nunca terão de volta nosso país com fraqueza. Vocês têm que mostrar força e têm que ser fortes. Vamos exigir que o Congresso faça a coisa certa e conte apenas os eleitores que foram legalmente indicados. Eu sei que todos aqui logo estarão marchando para o edifício do Capitólio para fazer com que suas vozes sejam ouvidas de forma pacífica e patriótica hoje". O então presidente passou a exortar seus apoiadores a lutar. Ele disse: "Nós lutamos pra valer. E se vocês não lutarem como o diabo, vocês não vão mais ter um país". Trump então finalizou afirmando: "vamos para o Capitólio e vamos tentar dar [aos republicanos] o tipo de orgulho e ousadia que eles precisam para recuperar nosso país". Assim como os outros que o antecederam no pódio (como Giuliani e seu filho Don Jr)., Trump discursou fazendo várias alegações falsas e infundadas, baseadas em teorias da conspiração que já haviam sido refutadas em cortes e tribunais.

A invasão miniaturadaimagem|Evacuação de políticos durante invasão.|esquerda Logo após os discursos terminarem, os manifestantes começaram a marchar, em massa, em direção ao Capitólio. A grande multidão se concentrou na parte dianteira do prédio, se unindo a um grupo que estava lá desde o dia anterior. O Congresso estava em sessão na hora, conduzindo a contagem de votos do Colégio Eleitoral da eleição de 2020 e debatendo depois que o senador Ted Cruz do Texas e o congressista Paul Gosar do quarto distrito congressional do Arizona se opuseram à contagem dos votos do Colégio Eleitoral do Arizona. Por volta das 13h, no horário local, os manifestantes pró-Trump começaram a empurrar as barreiras de segurança do lado de fora do Congresso e logo sobrepujaram as forças policiais. A sessão de certificação dos votos do Colégio Eleitoral teve que ser pausada e o prédio do Capitólio dos Estados Unidos então começou a ser evacuado e os manifestantes superaram a segurança lá dentro, incluindo o National Statuary Hall. Por volta das 14h, o prédio do Capitólio começou a ser invadido em massa. Em seguida, todos os edifícios do complexo do Capitólio foram bloqueados e os congressistas, funcionários e jornalistas no prédio tiveram que se esconder, enquanto as forças de segurança tentavam impedir, sem sucesso, que os manifestantes invadissem o plenário do Congresso.

Foi relatado que houve um impasse armado nas portas dos salões da Câmara, e uma invasora foi baleada por um policial dentro do edifício do Capitólio, vindo a falecer no hospital poucas horas depois.

Pouco depois do ocorrido Biden fez um pronunciamento em Wilmington no estado de Delaware, onde qualificou o ato como "um ataque à cidadela da liberdade, o próprio Capitólio" e desafiou o presidente Trump a ir em rede nacional de televisão e exigir o fim das violências e do cerco ao Congresso. Somente horas depois da invasão foi que Trump exortou seus partidários a "irem para casa em paz", e repetiu a mentira de que houve fraude eleitoral, levando o Twitter a apagar o vídeo e suspender a conta do mandatário — medida até então inédita; o Facebook repetiu a medida, suspendendo a conta de Trump por um dia. Enquanto isso, o prédio do Capitólio e outros edifícios governamentais foram fechados enquanto forças polícias da região e de estados vizinhos se moviam para restaurar a ordem.

Durante a sessão de certificação dos votos do Colégio Eleitoral, Trump denunciou Pence como tendo falhado em "fazer o que deveria ter sido feito para proteger o nosso país e nossa Constituição", apesar de Pence não ter poder constitucional para rejeitar a vitória de Biden. Após a publicação da sua mensagem contra o próprio vice, os invasores dentro do Capitólio e aqueles do lado de fora reagiram aos gritos de "enforque Pence"; instado a ser retirado do local pelo serviço secreto, Pence se recusou e permaneceu escondido em um lugar nos porões da sede legislativa. Neste vídeo, que foi logo retirado das redes sociais, Trump chamava dos invasores de "patriotas" e declarou: "eu amo vocês".

Por volta das 14h31, a prefeita da capital, Muriel Bowser, ordenou que às 18h começaria um toque de recolher na região. Com o governo federal lento em responder, os governadores dos estados da Virgínia, Nova Iorque e de Maryland enviaram reforços policiais e membros de suas Guardas Nacionais para Washington, D.C. Diferente de outras manifestações que aconteceram em 2020, o Pentágono restringiu o uso de equipamentos pesados pela Guarda Nacional e ordenou que os soldados agissem apenas em legítima defesa e não permitiu que equipamentos fossem trocados com a polícia sem autorização do secretário de defesa Christopher C. Miller. Essa situação e todo o plano de defesa e segurança daquele dia foram duramente criticados.

Levou mais de três horas para que o Capitólio fosse recuperado pelas forças de segurança. Policiais com roupa completa de controle de multidão invadiram o prédio utilizando granadas de fumaça e de efeito moral e dispersaram os manifestantes. Muitos foram embora sem serem molestados pela polícia e mesmo aqueles que cometeram atos de vandalismos não foram incomodados. O chefe de polícia justificou a lentidão das forças de segurança e seu aparente despreparo afirmando que eles não sabiam quantos artefatos explosivos poderiam estar dentro do prédio e que a situação como um todo exigia cautela. Não só a polícia teve problemas, mas a imprensa também. Jornalistas foram hostilizados e equipamentos destruídos. Por volta das 20h, o prédio do Congresso já estava seguro e boa parte dos manifestantes na capital haviam sido dispersados. A sessão parlamentar foi então retomada e os trabalhos na Casa continuaram.

O edifício histórico do Capitólio sofreu diversos danos. Estátuas foram depredadas e artefatos mexidos. Os escritórios de vários parlamentares foram invadidos e vandalizados, como o de Nancy Pelosi. miniaturadaimagem|Suspeito leva bombas às sedes dos comitês dos partidos Republicano e Democrata. A revolta e a invasão do Capitólio foram descritas por oficiais do Departamento de Justiça como um ato de insurreição, sedição e terrorismo doméstico. Várias fontes, como jornalistas, analistas e comentaristas políticos, afirmaram que a revolta era uma espécie de golpe de estado (ou autogolpe) por Trump. Estes incidentes foram a primeira vez que o Capitólio dos Estados Unidos foi tomado por uma força hostil desde a Queima de Washington (em 1814), quando os Britânicos invadiram a capital dos Estados Unidos durante a Guerra de 1812."Why it's too late for Republicans to say sorry". Página acessada em 7 de janeiro de 2021.