A vacinação contra COVID-19 no Brasil foi iniciada no dia 17 de janeiro de 2021, em uma coletiva de imprensa, onde estavam o então Governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB); a enfermeira Mônica Calazans, primeira vacinada no Brasil; e a aplicadora da primeira dose, a também enfermeira Jéssica Pires. A aplicação ocorreu quando o país já contava 210 mil mortos pela doença. As primeiras seis milhões de doses foram da vacina CoronaVac, importadas pelo Instituto Butantan em uma colaboração com a empresa chinesa Sinovac Biotech.

Até o dia , , equivalente a da população brasileira, foram vacinadas com a 1.ª dose de uma das vacinas; a 2.ª dose ou a dose única foi aplicada em , equivalente a da população. Já a dose de reforço, foi dada a , o que equivale a .

Não há previsões de prazo para imunizar toda a população do país devido à carência de insumos para produção da vacina e também à demora na compra de vacina pelo até então governo Jair Bolsonaro. Outro agravante à imunização total é a posição contrária à vacinação, vinda de pequena parcela da população.

Antecedentes Antes da vacina do Butantan, a Fiocruz buscava obter a permissão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a importação da vacina. Seriam mais de dois milhões de doses das vacinas desenvolvidas pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca. A Anvisa aprovou, no dia 17 de janeiro de 2021, o uso emergencial da vacina no Brasil. Em 22 de janeiro de 2021, após um entrave entre o governo da Índia e o brasileiro, o Brasil recebeu mais duas milhões de doses da vacina AstraZeneca. No mesmo dia, a Anvisa aprovou mais 4,8 milhões de doses da vacina CoronaVac para uso emergencial.

Início da vacinação thumb|A enfermeira Mônica Calazans recebendo a primeira dose da vacina coronavac, minutos após a sua aprovação na Anvisa. Ao lado esquerdo, o então governador de São Paulo, João Dória. Logo após a aprovação das vacinas para uso emergencial, o governo de São Paulo realizou uma coletiva de imprensa para realizar a primeira aplicação. A enfermeira Mônica Calazans foi a primeira pessoa fora dos estudos clínicos a ser vacinada contra a COVID no país. thumb|Momento do início da vacinação contra a COVID-19 no Rio de Janeiro, aos pés do Cristo Redentor. A esquerda, a aposentada Teresinha da Conceição (de calça rosa) e a sua direita, a técnica de enfermagem Dulcineia da Silva Lopes (de calça preta) como as primeiras vacinadas no estado. thumb|Idoso recebendo a segunda dose da vacina CoronaVac em Canoas, no Rio Grande do Sul.

A campanha de vacinação em todo o território nacional teria início no dia 18 de janeiro de 2021 às 17 horas, porém, por problemas de logística, parte dos estados adiaram para o dia 19, já que as vacinas chegariam apenas à noite. Os estados que iniciaram a vacinação no dia 18 foram São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Amazonas, Mato Grosso, Paraná, Pernambuco, Minas Gerais, Espírito Santo, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Ceará, Goiás, Piauí e Santa Catarina. Em sua maioria, técnicos de enfermagem, enfermeiros, negros e mulheres foram os responsáveis por abrirem a campanha de vacinação nos estados.

No meio artístico, as atrizes Zezé Motta e Solange Couto se tornaram as primeiras personalidades nesse meio a serem vacinadas. A assistente social e técnica de enfermagem Vanuzia Costa, da aldeia multiética Filhos dessa Terra, foi a primeira vacinada entre os indígenas.

No dia 23 de janeiro de 2021 foi iniciada, em um ato simbólico, a vacinação no Brasil com o imunizante de Oxford. A primeira pessoa a receber a vacina foi o infectologista Estevão Portela. Na mesma ocasião, também foi vacinada a pneumologista Margareth Dalcolmo. A médica Sarah Ananda Gomes foi a terceira a ser vacinada. Logo depois, mais sete profissionais da saúde foram imunizados.

Vacinação em massa Serrana A cidade de Serrana, no interior de São Paulo, se tornou o primeiro município brasileiro a realizar a vacinação em massa com a população acima de 18 anos, divididos em quatro grupos. A campanha iniciou no dia 17 de fevereiro de 2021 e faz parte de um estudo do Instituto Butantan, intitulado "Projeto S", usando a vacina Coronavac. A participação da população, no entanto, não é obrigatória, já que é um trabalho de pesquisa voluntário. Serrana foi escolhida devido a sua proximidade com Ribeirão Preto, outra cidade importante de São Paulo. Segundo um balanço divulgado no dia 14 de março, 97% da população já havia sido vacinada. Em 17 de março, é iniciada a aplicação da segunda dose no público alvo. O projeto chegou ao fim no dia 11 de abril em uma cerimônia virtual. Durante a campanha, houve uma grande redução na internação de casos graves da Covid, além do baixo número de mortes com apenas seis óbitos, totalizando uma mortalidade de 0,004% e a ausência de filas de espera por um leito de UTI.

Em 30 de maio de 2021, o programa jornalístico Fantástico, exibido pela TV Globo, mostrou os dados finais dos estudos, com uma queda expressiva no número de casos em 95%, passando de 699 em março para 251 em abril. As mortes caíram de 20 para 6 no mesmo período. Além disso, a pesquisa também mostra que a doença pode ser controlada se a vacinação chegar a um patamar de até 75% da população imunizada.

Botucatu Em 27 de abril de 2021, a cidade de Botucatu, interior de São Paulo, é escolhida pelo Ministério da Saúde para iniciar a fase de vacinação em massa na população acima de 18 anos. A vacina usada é a AZD1222, tendo a parceria da Universidade de Oxford, o laboratório AstraZeneca, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fundação Gates, Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a própria Prefeitura do Município. A campanha tem como objetivo testar a eficácia da Vacina de Oxford e a sua eficiência em relação a vacinação em massa. Assim como o Projeto S do Instituto Butantan, realizado em Serrana, a participação da população não é obrigatória e também não irá interferir no Plano Nacional de Imunização, já que quem já se vacinou na localidade, não precisa participar do projeto. A escolha de Botucatu se deve pelo projeto abranger mais pessoas e por ser o polo regional do Hospital de Clínicas que atende sessenta municípios e a mesma já realizou uma campanha de vacinação em massa em 2009 durante a campanha contra a febre amarela, usando crianças, além de ser a cidade com o segundo menor índice de letalidade contra a covid com 1,60% entre os municípios com 100 mil habitantes. Os estudos tem duração de oito meses. A campanha teve início no dia 16 de maio.

Viana Em 5 de junho de 2021, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), anunciou a realização de vacinação em massa na cidade de Viana, Região Metropolitana de Vitória, usando a vacina AZD1222, em quantidade de 0,5ml em duas doses com o mesmo intervalo de três meses, abaixo do padrão que é de 0,25 ml. A faixa escolhida é de 18 a 49 anos, que não façam parte do Programa Nacional de Imunização (PNI). A etapa é realizada nos dias 12 e 13 de junho em 34 pontos de vacinação e os estudos tem previsão de duração estimados em um ano.

Ilha de Paquetá O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), anunciou a realização de uma campanha de vacinação em massa usando a Ilha de Paquetá como local de estudos a partir de 20 de junho de 2021, com adultos acima de 18 anos. A pesquisa é conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, tendo também coleta de sangue para monitoramento com as pessoas já vacinadas a partir do dia 18. O plano é criar um carnaval fora de época em setembro na região para analisar o andamento do vírus com a população imunizada, podendo se estender para a cidade se atingir a mesma porcentagem de vacinados, além de analisar se a vacinação em massa alcança a proteção total da população com a primeira dose, ou se é necessário tomar a segunda. A vacina usada é a AZD1222.

Controvérsias Acusações de fura-fila e suspensão da vacinação em Manaus O Ministério Público recebeu denúncias de pessoas acusadas de furar a fila da vacinação em pelo menos oito estados brasileiros, através de vídeos e fotos publicadas nas redes sociais. De acordo com o Plano Nacional de Imunização (PNI), a primeira fase corresponde aos profissionais de saúde, idosos acima de sessenta anos que vivem em casas de repouso e a população indígena. No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde anunciou que vai apurar as irregularidades após grupos fora da primeira fase tomarem a vacina. No Amazonas, a capital Manaus anunciou a suspensão temporária da vacinação no dia 21 de janeiro, para reavaliar a prioridade do primeiro grupo, uma vez que as doses da vacina são consideradas insuficientes, além de houver uma denúncia de desvio de 60 mil doses da vacina coronavac e de filhos de empresários tomando as doses sem fazer parte dos grupos prioritários.

Na Bahia, através da cidade de Candiba, o prefeito Reginaldo Martins Prado (PSD) postou uma foto recebendo a dose da vacina contra a COVID-19, sem ainda fazer parte do grupo prioritário, levando a abertura de processos no MP e MPF impedindo a aplicação da segunda dose, além da aplicação de multas. Em Sergipe, pela cidade de Itabi, o prefeito Júnior de Amintas (DEM) foi o primeiro a se vacinar, gerando uma revolta da população, já que o mesmo tem 45 anos, ficando abaixo da faixa etária da primeira fase. Em Pernambuco, na cidade de Jupi, a secretária de Saúde Maria Nadir Ferro e um fotógrafo que trabalha na prefeitura, conhecido como Guilherme JG, que tomaram a vacina, mesmo sem fazer parte do grupo prioritário. Os dois servidores públicos foram afastados. Na capital do Rio Grande do Norte, a cidade de Natal, o Ministério Público estadual apura denúncias de que funcionários da prefeitura, fora do grupo prioritário para a vacinação, foram imunizados. De acordo com os relatos, apresentados ao MP pelo Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Natal, funcionários que detêm cargos comissionados na Secretaria Municipal de Assistência Social receberam a Coronavac em um dos locais de vacinação da cidade. Entre eles está o chefe do setor de informática da secretaria, que compartilhou nas redes sociais o registro do momento em que foi imunizado.

Na cidade de Pombal na Paraíba, o prefeito Abmael de Sousa Lacerda (MDB), mais conhecido como Dr. Verissinho, foi a primeira pessoa a tomar a vacina na cidade, mesmo sem fazer parte dos grupos prioritários, segundo denúncia que chegou ao MPF. No Ceará, na cidade de Juazeiro do Norte, o vice-prefeito Giovanni Sampaio (Podemos) foi o primeiro vacinado na cidade. Ele é médico obstetra e, segundo a prefeitura, atua como voluntário em unidades de saúde do município. Em nota, o Ministério Público do Ceará diz que instaurou notícia de fato para apurar "suposta violação das regras de vacinação por um agente público municipal" e que decidirá, após averiguação, qual é a medida cabível no caso. O MP também investiga a vacinação de Benedita Oliveira, secretária de saúde de Quixadá. Em Castanhal no Pará, o diretor administrativo do Hospital Municipal foi demitido pela prefeitura após ser acusado de furar a fila da vacina Coronavac. O agente público Laureno Lemos, de 38 anos, se apresentou para a vacinação no início da noite de terça-feira, 19, logo após a primeira dose ter sido aplicada na servidora Nivalda Pestana, de 58 anos, que trabalha há quase 20 anos na lavanderia do hospital e está na linha de frente da covid-19.

Polêmicas sobre desvios de vacinas e caso das "vacinas de vento" No decorrer da vacinação, surgiram várias denúncias envolvendo desvio de doses de vacinas por profissionais de saúde e lideranças políticas em várias localidades pelo país.