Vladimir Alexandrovitch Kolokoltsev (; Nijni Lomov, 11 de maio de 1961) é um jurista, político e policial soviético e russo. Desde 21 de maio de 2012 exerce o cargo de Ministro dos Assuntos Internos da Federação da Rússia, tendo atuado no mesmo cargo interinamente de 8 a 18 de maio de 2018, de 15 a 21 de janeiro de 2020 e de 7 a 14 de maio de 2024. Foi chefe da Direção Principal de Assuntos Internos de Moscou de 7 de setembro de 2009 a 24 de março de 2011, e chefe da Direção Principal do Ministério dos Assuntos Internos da Rússia para a cidade de Moscou de 24 de março de 2011 a 21 de maio de 2012. Em 2015, recebeu a patente de General da Polícia da Federação da Rússia. É também Doutor em Ciências Jurídicas desde 2005 e recebeu o título honorário de Funcionário Homenageado dos Órgãos de Assuntos Internos da Federação da Rússia.

Devido à invasão russa da Ucrânia, encontra-se sob sanções internacionais impostas pela União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e outros países. De 2009 a 2012, foi comissário da polícia de Moscou. Em 21 de maio de 2012 foi nomeado ministro dos Assuntos Internos no gabinete de Dmitri Medvedev, substituindo Rashid Nurgaliev no cargo. Em abril de 2018, os Estados Unidos impuseram sanções a ele e a outros 23 cidadãos russos.

Em 15 de janeiro de 2020, renunciou ao cargo de seu gabinete após o presidente Vladimir Putin ter feito o discurso presidencial na Assembleia Federal, no qual propôs várias emendas à constituição. No entanto, Kolokoltsev foi reintegrado em 21 de janeiro de 2020, permanecendo à frente do Ministério dos Assuntos Internos da Rússia.

Infância e juventude Nasceu em 11 de maio de 1961, na cidade de Nijni Lomov, Oblast de Penza, sendo o segundo filho de uma família operária. A cidade, de pouco mais de 14 mil habitantes à época, vivia um ritmo tranquilo típico do interior soviético. Estudou na escola local n.º 1, praticou sambo, jogou vôlei e hóquei, além de se interessar por música e artes ele tocava violão, escrevia poemas e fazia desenhos. Na juventude, também participou de atividades culturais e esportivas escolares, mas sem buscar ascensão política, já que seus pais nunca haviam pertencido ao Partido Comunista.

Desde cedo, Kolokoltsev demonstrava respeito pelas instituições e sonhava com uma carreira militar, desejo que coincidia com o de seus pais, especialmente do pai, que havia servido nas tropas de fronteira e via no filho a continuidade de uma vocação interrompida. Inicialmente, Vladimir desejava ser piloto de caça, mas também nutria fascínio pela polícia, afirmando que lia com entusiasmo revistas sobre agentes da lei. Mais tarde, já adulto, diria que sua profissão representava “a realização concreta de um sonho romântico de infância”.

Carreira Após concluir a escola, trabalhou na associação “Selkhoztekhnika” e na fábrica de compensados “Vlast Truda”. Em 1979, foi convocado para o Exército e serviu nas tropas de fronteira do Distrito Militar da Ásia Central, na divisa entre a URSS e o Afeganistão, embora não tenha participado da guerra que se iniciara naquele mesmo ano. Sua experiência militar, segundo ele, foi marcada por disciplina, respeito às armas e ausência de abusos hierárquicos comuns em outras unidades. Em 1981, foi desmobilizado com o posto de suboficial-chefe de um posto fronteiriço, após ser reprovado no exame médico que o impediria de ingressar na Escola Militar de Fronteira de Alma-Ata devido a uma amigdalite contraída em um hospital militar.

Logo depois, optou por seguir carreira nas forças de segurança interna. Em 1982, começou a trabalhar na polícia responsável pela proteção das missões diplomáticas estrangeiras em Moscou. Dois anos depois, foi promovido a comandante de pelotão do Batalhão Independente de Patrulha e Guarda do Departamento de Assuntos Internos do Comitê Executivo Distrital de Gagarin, na capital soviética. Entre 1985 e 1989, cursou o Instituto Político Superior do Ministério de Assuntos Internos da URSS, em Leningrado, graduando-se com distinção em Direito. A instituição, atualmente chamada Instituto Militar da Guarda Nacional da Rússia da Ordem de Júkov, também formou outro Ministro dos Assuntos Internos, Serguei Stepashin. Essa combinação de disciplina militar, formação jurídica e experiência prática moldou a base da futura trajetória de Kolokoltsev na hierarquia policial soviética e russa.

Após concluir o curso em Leningrado em 1989, Kolokoltsev retornou a Moscou, onde iniciou sua ascensão na estrutura das forças de segurança. Passou a trabalhar como investigador no Departamento de Combate ao Crime do Comitê Executivo Distrital de Kuntsevo, sendo depois promovido a vice-chefe e posteriormente chefe das 20.ª e 8.ª delegacias de polícia da capital.

Em 1992, ingressou na Direção de Investigação Criminal do Departamento de Assuntos Internos de Moscou, assumindo o posto de investigador sênior do 2.º Departamento. No início de 1993, foi nomeado chefe da 108.ª Delegacia de Polícia de Moscou. Durante esse período, em 1994, participou de forma simbólica da série policial soviética “Na Esquina dos Patriarcas”, interpretando um agente da polícia criminal. A série retratava o cotidiano de investigadores reais, e Kolokoltsev, que então dirigia a própria 108.ª delegacia, chegou a ceder seu escritório para as filmagens.

Em 1995, tornou-se chefe do Departamento de Investigação Criminal do 2.º Departamento Regional do Distrito Administrativo Central de Moscou. Dois anos depois, assumiu a chefia do 4.º Departamento Regional da Direção de Combate ao Crime Organizado (RUOP) de Moscou. Em 1999, foi nomeado chefe do Escritório Operacional Regional do Distrito Sudeste, vinculado à Direção Central de Combate ao Crime Organizado do Ministério dos Assuntos Internos. A partir de 2001, dirigiu o 3.º Departamento do Escritório Operacional Central do Ministério dos Assuntos Internos para o Distrito Federal Central, sendo promovido em 2003 a vice-chefe do órgão.

Em janeiro de 2007, Kolokoltsev foi nomeado chefe da Direção de Assuntos Internos do Oblast de Oriol. Nesse período, sua gestão ficou marcada por uma série de investigações anticorrupção, que resultaram na prisão de dois vice-governadores regionais, Vitali Kotchuev e Igor Soshnikov, além de chefes de administrações distritais e membros de grupos criminosos locais, como a chamada “gangue Vorobiov”.

Em abril de 2009, foi promovido a primeiro vice-chefe do Departamento de Investigação Criminal do Ministério dos Assuntos Internos da Rússia. Poucos meses depois, em setembro, foi nomeado por decreto presidencial chefe da Direção Principal de Assuntos Internos de Moscou (GUVD), substituindo Vladimir Pronin, afastado após o caso do major Denis Evsiukov, um comandante de delegacia que matou dois civis e feriu sete em um supermercado de Moscou. Na sua primeira coletiva de imprensa, Kolokoltsev afirmou que o episódio expôs falhas graves no sistema de seleção e controle interno da polícia.

Durante o período em que Vladimir Kolokoltsev chefiou a Direção Principal de Assuntos Internos de Moscou, vários episódios de grande repercussão marcaram sua atuação. Um dos mais notórios foi o acidente ocorrido em 25 de fevereiro de 2010, quando um Mercedes oficial do vice-presidente da Lukoil, Anatoli Barkov, colidiu com um Citroën no Prospekt Leninski. No veículo menor estavam as médicas Vera Sidelnikova e Olga Alexandrina, que morreram em decorrência do impacto. O caso gerou forte comoção pública e acusações de favorecimento à empresa petrolífera. Em setembro do mesmo ano, Kolokoltsev declarou que não foram encontradas provas de culpa do motorista de Barkov e garantiu que a investigação foi conduzida de maneira objetiva, rejeitando suspeitas de interferência. Três anos depois, em 2013, o tribunal concluiu que a motorista falecida, Alexandrina, havia sido a responsável pelo acidente.

Outro episódio de destaque ocorreu em 11 de dezembro de 2010, quando Moscou foi palco de protestos violentos na Praça do Manege. A manifestação, não autorizada, reuniu cerca de cinco mil pessoas indignadas com o assassinato do torcedor do Spartak, Egor Sviridov, durante uma briga com migrantes do Cáucaso do Norte. O protesto degenerou em confrontos com a polícia, resultando em dezenas de feridos, entre civis e agentes. Kolokoltsev foi pessoalmente ao local para tentar acalmar os manifestantes, mais tarde classificando os distúrbios como “resultado de jogos nacionalistas perigosos”.

Entre o fim de 2011 e o início de 2012, Moscou viveu uma nova onda de protestos políticos após as eleições parlamentares, com grandes comícios na Praça Bolotnaia e na Avenida Sakharov. A última grande manifestação sob sua chefia ocorreu em 6 de maio de 2012, conhecida como “Marcha dos Milhões”. Diferente das anteriores, essa terminou em confrontos com o OMON (tropa de choque), prisões em massa e a abertura de processos judiciais reunidos sob o nome de “Caso Bolotnaia”. Kolokoltsev, já então indicado para o cargo de ministro, afirmou que o confronto fora resultado de um “cenário previamente planejado” por organizadores que incitaram ações ilegais e defendeu a legalidade das ações policiais.

Em 21 de maio de 2012, após a volta de Vladimir Putin à presidência, Kolokoltsev foi nomeado Ministro dos Assuntos Internos da Federação da Rússia, substituindo Rashid Nurgaliev, amplamente criticado pela condução do ministério. Na cerimônia de posse, Putin o descreveu como “um profissional de alto nível, íntegro e consciencioso”, ressaltando que a nomeação tinha apoio tanto das autoridades quanto da sociedade civil. Kolokoltsev, por sua vez, afirmou que o foco da polícia deveria ser a segurança pessoal dos cidadãos e a responsabilidade direta de cada agente e comandante pelos resultados de seu trabalho.

Após sua nomeação, vários altos funcionários deixaram o ministério, entre eles o vice-ministro Alexandr Smirny e o chefe da Direção de Segurança Interna, Iuri Draguntsov, cujo departamento teria tentado reunir material comprometedor contra Kolokoltsev antes da troca de comando. Mesmo assim, o novo ministro consolidou sua posição e passou a ser o chefe do Ministério dos Assuntos Internos mais longevo da história recente da Rússia. Ele foi mantido no cargo durante as reestruturações governamentais de 2018 e 2020 e novamente reconduzido em 14 de maio de 2024, após proposta de Putin e aprovação do Conselho da Federação.

Família Vladimir Kolokoltsev é casado e tem dois filhos. Sua esposa, Vera Ivanovna Kolokoltseva, nasceu em 24 de abril de 1958. Após concluir a universidade em Rostóvia do Dom, mudou-se para Moscou, onde conheceu o futuro ministro dos assuntos internos durante uma viagem de metrô. Por muitos anos, Vera trabalhou em uma empresa de comércio atacadista chamada NJ, deixando o cargo posteriormente para se dedicar à vida doméstica e à família.

O casal tem dois filhos. O primogênito, Alexandr Vladimirovitch Kolokoltsev (nascido em 1983), iniciou sua carreira no serviço policial, mas mais tarde migrou para o setor empresarial. Ele é sócio em várias companhias nas áreas de imóveis, gastronomia, fornecimento de alimentos e tecnologia da informação, incluindo empresas como Stinkom, Strela, Il Forno, Brinde e FB Group.

A filha, Iekaterina Vladimirovna Kolokoltseva (nascida em 1988), formou-se no prestigiado Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou (MGIMO) e atua como jornalista.

Renda e bens De acordo com as declarações de renda e bens de Vladimir Kolokoltsev entre 2012 e 2021, nota-se uma variação considerável nos valores anuais, embora a renda tenha permanecido relativamente estável na maior parte do período. Em 2012, Kolokoltsev declarou uma renda de 5 618 778,72 rublos, valor que cresceu gradualmente até atingir 17 360 936,66 rublos em 2021. A renda de sua esposa, no entanto, manteve-se bem inferior, variando entre cerca de 72 mil e 360 mil rublos anuais, com exceção de 2021, quando somou 275 206,94 rublos.