Japiaçu foi um morubixaba (líder indígena) da ilha de Upaon-açu (São Luís), no tempo em que foi instalada a França Equinocial.

Enquanto durou o domínio da França Equinocial no Maranhão, sob o comando de Daniel de La Touche, Senhor de la Ravardière, em 1612, os padres capuchinhos presentes entre os colonos eram Claude d'Abbeville e Yves d'Évreux, que produziram importantes relatos sobre a presença francesa no Maranhão.

Segundo relato de Claude d'Abbeville, havia cerca de 12 mil índios tupinambás na ilha, distribuídos em 27 aldeias, compostas cada uma de 4 cabanas ordenadas.

Japiaçu era considerado o principal morubixaba da ilha, sendo chefe de Juniparanã, a maior aldeia da ilha (Jeniparana de hoje).

Conforme Abbeville, Japiaçu relatou que os tupinambás migraram de Pernambuco para a ilha de Upaon-açu para refugiar-se dos portugueses, após o seu estabelecimento naquelas terras no século XVI.

Japiaçu foi acusado de ordenar a morte de uma de suas esposas, que teria cometido adultério, tendo sido seu corpo esquartejado e um dos pedaços enviados para a aldeia de Carnaupió (chefiada por Marcoia Peró), para um ritual de antropofagia. De acordo com as leis francesas (em choque com as tradições tupinambás), o crime cometido por Japiaçu deveria ser punido com a morte. Em seu julgamento, Japiaçu disse que se sujeitaria à pena, mas pediu perdão pelo crime e que fossem considerados os serviços prestados aos franceses, tendo sido atendido e perdoado.

A história de Japiaçu é lembrada em uma toada de bumba-meu-boi feita por Humberto de Maracanã.

"Juniparã era uma aldeia,

Lugar dos índios chamada,

Hoje pelo povão,

Japiaçu foi o seu morubixaba e de todas as aldeias,

da Ilha do Maranhão."

Referência Categoria:Indígenas do Brasil Colonial Categoria:História do Maranhão Categoria:Caciques do Brasil Categoria:Brasileiros do século XVI