Música popular é qualquer gênero musical acessível ao público em geral. Distingue-se da música tradicional por ser escrita e comercializada como uma comodidade, sendo a evolução natural da música tradicional, que seria a música de um povo transmitida ao longo das gerações. Como o nome mesmo já diz, é a música do povo.

Definições Entre estudiosos em ciências humanas, foi proposto um grande número de definições a respeito da música popular. Frans Birrer (1985, pág. 104) estabelece quatro conceitos de "música popular", a saber:

Definição normativa: sempre a música popular é um tipo musical de qualidade inferior. Definição negativa: a música popular é a música que não pode ser classificada em qualquer outro gênero. Definição sociológica: a música popular é associada a um estrato específico da sociedade. Definição tecnológico-econômica: a música popular é disseminada pela mídia de massa e pelo mercado.

De acordo com Middleton (2018, pág. 4), nenhuma dessas definições são cabíveis, vinculadas apenas a pontos de vista. De acordo com Hall (1978, pág. 6-7), não se pode determinar propriamente qual música fez parte da cultura das elites e qual fez parte da cultura do povo durante a história, o que tornaria vaga a própria definição de música popular. Assim, a música deve ser compreendida em um campo cultural maior (Middleton 1990, p. 11).

A música popular como ferramenta de mercado Muito da música popular provém de negócios disseminados com fins lucrativos. Executivos e empregados de negócios vinculados à música popular tentam selecionar e cultivar a música que teria um grande sucesso com o público, e assim maximizar os negócios da empresa. Nessa acepção, a música popular é distinta da música folclórica, criada pelo povo em geral para sua própria apreciação, e a música clássica, originalmente escrita para a igreja ou para a nobreza, e atualmente subsidiada pelos governos e universidades.

Apesar de os negócios controlarem os pilares da música popular, nem sempre os jovens aspirantes a se tornarem músicos populares são impulsionados pelo dinheiro. Em geral, eles aspiram a encontrar uma forma para sua expressão ou criatividade, ou simplesmente por diversão. Historicamente, os motivos de conflito de executivos e músicos se tornou motivo de tensão na indústria da música popular pelo mundo.

Execução e composição de música popular por amadores Muitas pessoas tocam música popular com seus amigos, geralmente em garagens ou em estúdios amadores. Esta atividade é uma das mais amplas formas de composição musical colaborativa nas sociedades modernas. Como música colaborativa, as "bandas de garagem" são, de certa forma, uma reabilitação da velha tradição da música folclórica, anteriormente composta e disseminada por amadores, apenas por via oral. A diferença de um para outro é que os músicos de bandas de garagem têm conhecimento da música comercial e tentam simulá-la.

Algumas músicas folclóricas de determinada sociedade muitas vezes continuam a existir em versões popularizadas, geralmente interpretadas por profissionais e disseminadas comercialmente.

Música erudita e música popular As diferenças entre a música popular e a música erudita é uma questão controversa. Alguns partidários da música erudita afirmam que a música erudita é arte verdadeira, enquanto a música popular seria apenas uma forma de entretenimento. Entretanto, muitas peças que constituem a música popular têm um grande nível de complexidade, enquanto muitas outras peças da música erudita são extremamente simples.

A distinção entre a música erudita e a música popular se torna obscura por certos gêneros intermediários, como a música minimalista, o jazz e a chamada música new age.

Complexidade De uma forma geral, existe mais complexidade na música erudita do que na música popular. Inicialmente, a música erudita é distinguida pelo forte uso do desenvolvimento e geralmente mais modulações, poucas repetições e uso de frases musicais mais diversas. Entretanto, isto não quer dizer que a música popular é sempre mais simples que a música erudita. Estilos como o jazz e o samba usam uma diversidade de ritmos mais complexa do que a média, além de terem, frequentemente, harmonia igualmente complexa.

Outra característica recorrente da música erudita é a divisão de pequenas unidades, como frases, períodos e movimentos, razão pela qual é muito mais comum existir uma peça de uma hora de duração fazendo parte do repertório erudita do que do repertório popular.

Música erudita popularizada Em certas ocasiões, algumas peças da música erudita adquirem popularidade, em geral por serem eventualmente divulgadas pela mídia em filmes, seriados, telenovelas e propagandas de televisão. Alguns desses exemplos: a Pequena Serenata Noturna, de Mozart, a série "As Quatro Estações", de Vivaldi, a quinta sinfonia de Beethoven e a ária "Libiamo ne'lieti calici" da ópera La traviata, de Verdi.

A música popular no século XX Na virada do século XX, a música popular apresentava-se sob a forma de ópera ligeira, ou "opereta", e do entretenimento predominante nos teatros de variedades britânico e americano, que atraíam grandes e entusiásticas plateias. Cinquenta anos depois, o mundo deixava-se dominar pelo rock'n'roll. O catalisador dessa transformação surgiu quando descendentes de escravos do oeste africano introduziram nos Estados Unidos o ritmo do jazz.

1900-1919 O novo século começou com o auge do teatro de variedades. Em 1907, a opereta vienense atingiu seu ápice quando A Viúva Alegre de Franz Lethar estreou em Londres. Em Nova York, Florenz Ziegfeld montou o primeiro espetáculo de suas revistas, as Ziegfeld Follies. Ao mesmo tempo, surgia, nos Estados Unidos, o fenômeno do ragtime. As melodias de tempo sincopado (ragged) eram influenciadas pela tradição folclórica, espetáculos de menestréis e bandas de música. O Mapple Leaf Rag, de Scott Joplin, vendeu mais de um milhão de exemplares de partituras. Em 1911, Irving Berlin iniciava sua longa carreira, com o sucesso Alexander's Ragtime Band.

thumb|Chiquinha Gonzaga aos 78 anos.|right

Longe dos palcos, a música levada para os Estados Unidos por escravos africanos era entoada nos bordéis de Nova Orleans. Esse ritmo improvisado, influenciado pelo blues e pelo ragtime, ficou conhecido como jazz. Saído dos becos, o jazz rompeu fronteiras - um grupo de brancos sulistas formou a Original Dixieland Jazz Band em 1912 e contagiou o resto da cidade. Quando a zona de prostituição de Nova Orleans foi fechada em 1917, a orquestra Dixieland rumou para Nova York. Em pouco tempo, o jazz se tornou o ritmo da moda em todos os Estados Unidos e foi difundido na Europa pelas tropas americanas durante a Primeira Guerra Mundial.

No Brasil da virada do século, compositores do Rio de Janeiro começaram a tocar ritmos estrangeiros de um modo muito particular. Os instrumentos por eles utilizados conferiam às músicas um tom melancólico que deu origem ao nome desse novo estilo, o choro. A primeira música a ser assim denominada foi Apanhei-te, Cavaquinho de Ernesto Nazaré. Outra precursora do choro foi Chiquinha Gonzaga, que também fez enorme sucesso com suas marchas e modinhas, como a célebre Abre alas, considerada a primeira canção carnavalesca carioca.

1920-1929 A comédia musical desenvolvia-se paralelamente ao jazz. A Broadway, zona teatral de Manhattan, atingiu seu auge na década de 1920. Canções memoráveis tomaram a imaginação do público em espetáculos leves como Lady be Good (1924) - o primeiro grande musical de George Gershwin. Ele fundia música clássica, popular e jazz, e criou um novo som, tipicamente americano. No mesmo ano, o chefe de orquestra Paul Whiteman o contratou para compor sua peça musical mais famosa, Rhapsody in Blue. Em 1925, a Broadway contava com 80 teatros, e entre 1927 e 1928 estrearam 280 novas produções, incluindo Show Boat, de Jerome Kern, com trama e caracterização que estabeleciam novos padrões para a cena musical.

thumb|esquerda|Louis Armstrong.

Nessa mesma década, o centro do jazz deslocara-se de Nova Orleans para os barzinhos clandestinos da era da Lei Seca em Chicago, onde Louis Armstrong, Bix Biederbecke e Jelly Roll Morton se tornaram os novos gigantes do gênero. A cantora Bessie Smith realizou com os maiores músicos da época, inclusive Armstrong, uma série de gravações que lhe valeram o título de "Imperatriz do Blues". Em 1927, Al Jolson estrelou o primeiro filme falado, O Cantor de Jazz, e Bix Biederbecke gravou o clássico gênero "Singin' the Blues". Os padrões de musicalidade atingiram o auge, e a década se tornou conhecida como a "era do jazz".

No Brasil, o choro havia deixado de ser somente instrumental para também ser cantado.

Influenciado pelo maxixe e pelo samba, passa a ser tocado em ritmo mais veloz e alegra; surge, então, o chorinho, ou samba-choro, estilo que se espalhou pelos salões de dança cariocas. Um dos fundadores do gênero foi o compositor Pixinguinha, que ao receber o convite para tocar na sala de espera do cinema Palais montou o conjunto Os Oito Batutas. Sucesso absoluto na acirrada concorrência da sala do Odeon, onde Ernesto Nazaré se apresentava no piano, o grupo embarcou, em 1922, para uma temporada no cabaré Scherazade, em Paris. O brilhantismo da flauta de Pixinguinha consagrou-o como o primeiro divulgador da autêntica música popular brasileira no exterior.

1930-1939 thumb|180px|Carmen Miranda, cantora e atriz luso-brasileira|right

Nos Estados Unidos, os musicais invadiram a tela do cinema de Hollywood. O astro do rádio Bing Crosby mostrou sua voz alucinante em O Rei do Jazz (1930).

O fim da Lei Seca obrigou muitos músicos a trocar a vida noturna pela luz do dia. O jazz adaptou seu estilo, modelando-se à dança de salão na forma de grandes orquestras e do suingue. Os chefes de orquestra Count Basie, Duke Ellington e Paul Whiteman lideraram a mudança. Billie Holiday foi a grande diva da década com suas interpretações de músicas populares. Em 1937, Glenn Miller marcava a época das big bands.

A década de 1930 é a "era de ouro" da música brasileira. Noel Rosa transforma situações do quotidiano em poesia nos seus sambas, como em Com que Roupa eu Vou?, de 1931. Com o desenvolvimento do rádio, surgiam cantores como Francisco Alves e Orlando Silva, "o cantor das multidões", que entoavam sambas compostos por Lamartine Babo, João de Barro e Ataulfo Alves. Em 1938, Carmen Miranda canta O que é que a Baiana Tem? de Dorival Caymmi, no filme Banana da Terra, e Ary Barroso compõe Aquarela do Brasil, gravado em 1939.

1940-1949 thumb|Eleanor Roosevelt e Frank Sinatra|left

Hollywood continuou a revelar astros americanos como Ella Fitzgerald e Frank Sinatra. Em 1942 o gênio musical de Irving Berlin produziu a canção White Christmas. A versão de Bing Crosby vendeu mais de 30 milhões de discos. Frente à suavidade do suingue, surgiu um novo estilo de jazz, o bebop, ou o "jazz quente" - uma forma experimental de ritmos e harmonias dissonantes, liderada pelo saxofonista Charlie Parker, o trompetista Dizzy Gillespie e o violinista Charlie Christian - o primeiro a usar amplificação elétrica. Ao mesmo tempo, musicais de Woody Guthrie, como This Land is Your Land, causavam uma discreta revolução na música popular americana, expressando os sentimentos do povo sobre a Grande Depressão. Suas letras iriam influenciar Bob Dylan e uma legião de cantores populares 20 anos depois.

No Brasil, difunde-se nos centros urbanos o gênero com raízes no folclore nordestino, o Baião. À música homônima ao gênero, lançada em 1946, seguiram outros sucessos de Luiz Gonzaga, como Asa Branca e Assum Preto. Em 1947, Nervos de Aço inaugurava a longa galeria dos famosos sambas-canção com temática "dor de cotovelo" de Lupicínio Rodrigues.

1950-1959 thumb|180px|Cauby Peixoto na reabertura da Rádio Nacional