Nathalia Timberg (Rio de Janeiro, 5 de agosto de 1929) é uma atriz e apresentadora brasileira. Sua carreira abrange mais de sete décadas no teatro, cinema e televisão. Graduada pela Escola de Belas Artes na Universidade Federal do Rio de Janeiro, iniciou sua trajetória nos palcos na década de 1950, participando de importantes montagens teatrais.
No teatro, destacou-se em peças como Senhora dos Afogados, A Cerimônia do Adeus, A Graça da Vida, O Pagador de Promessas, Meu Querido Mentiroso, A Morte do Caixeiro Viajante, Longa Jornada Noite A Dentro, O Jardim das Cerejeiras e Três Mulheres Altas. No cinema, participou de filmes como Viagem aos Seios de Duília (1964), Condenado à Liberdade (2000) e Vendo ou Alugo (2013). Na televisão coleciona inúmeros papéis memoráveis como Maria Helena de Juncal, de O Direito de Nascer, Juliana de A Sucessora, Cecília Spina de Ti Ti Ti, Celina Junqueira de Vale Tudo, Constância Eugênia de O Dono do Mundo, Emília de Éramos Seis, Idalina de Força de um Desejo, Yolanda Mendes de Celebridade, Bernarda Campos de Amor à Vida e Estela Marcondes de Babilônia.
Ao longo de sua carreira recebeu duas vezes o Prêmio Molière, um Prêmio APCA, um Troféu Mambembe, um Prêmio Shell, além de já ter sido condecorada com o Troféu Mário Lago. Em março de 2026, aos 96 anos, foi homenageada na CAL, tradicional escola de artes cênicas do Rio de Janeiro.
Carreira Década de 30: Início Timberg teve sua primeira experiência artística em 1936, aos seis anos de idade, com uma pequena participação no filme perdido O Grito da Mocidade, dirigido por Raul Roulien.
Década de 50: Primeiros trabalhos Entre 1951 e 1954, fez o curso de formação de atores na escola francesa Education Par le Jeu Dramatique (EPJD), dirigida por Jean-Marie Conty, em Paris, com Jean-Louis Barrault, Etienne Decroux, Jacqueline Levant e Tania Balachova. Aos 25 anos, retornou ao Brasil e trabalhou na Companhia Dramática Nacional. Estreou profissionalmente na peça Senhora dos Afogados.
Dois anos depois, passou a integrar o Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo. Permaneceu na companhia até 1962, atuando em peças como O Pagador de Promessas.
Também em 1956, iniciou sua carreira na televisão, participando do programa O Grande Teatro, da TV Tupi São Paulo. O teleteatro, passou a ser exibido pela TV Rio em 1963 e, dois anos depois, pela recém-criada TV Globo, e apresentava semanalmente encenações de clássicos da dramaturgia.
Década de 60: sucesso no teatro e ingresso na televisão thumb|150px|Com Sérgio Britto em Meu Querido Mentiroso, no Teatro Carioca (1965)
Em 1964, ganhou seu primeiro Prêmio Molière, por sua atuação como a artista Beatrice Stella Campbell em Meu Querido Mentiroso. Voltaria a ganhar o mesmo prêmio em 1988, pela atuação na mesma peça. Além do Molière, também ganhou prêmios como o da APCA, o Governador do Estado de São Paulo, o Saci e o Mambembe, além de outros relacionados a sua atuação na TV.
Também naquele ano, viveu seu primeiro grande sucesso em telenovelas, na famosa O Direito de Nascer, exibida pela TV Tupi, onde interpretou a protagonista Maria Helena de Juncal.
Na televisão, trabalhou em praticamente todas as grandes emissoras, mesmo sem assinar contrato com nenhuma delas. Começou na TV Globo em 1965, apresentando um quadro de crônicas no Tele Globo, primeiro telejornal da emissora. No final daquele ano, fez sua estreia em telenovelas da casa, protagonizando Um Rosto de Mulher. Depois, em 1966, pela TV Tupi, protagonizou a novela A Ré Misteriosa.
Dois anos depois, voltou a protagonizar uma novela na emissora, A Rainha Louca, onde interpretou a rainha Charlotte, um de seus grandes sucessos. Ainda em 1967, ao lado de Sylvan Paezzo, com quem foi casada durante 15 anos, criou em São Paulo o Circo do Povo, teatro popular construído numa lona de circo onde teve a experiência de encenar textos baseados na literatura de cordel. Em seguida, no ano de 1968, despontou em O Terceiro Pecado, como Anjo da Morte, que ordena a morte da protagonista vivida por Regina Duarte, e por último, em 1969, protagonizou a novela Vidas em Conflito, ambas pela TV Excelsior.
Década de 70: novelas 260px|esquerda|thumb|Nathalia em uma cena de Editora Mayo, Bom Dia em 1971. Na década de 1970, um dos raros períodos em que se dedicou mais à televisão do que ao teatro, podem ser destacadas as seguintes produções em que atuou: pela TV Tupi, esteve em As Bruxas, (1970), onde viveu a vilã Dagmar, Rosa dos Ventos (1973), na pele da antagonista Eleonora, e Divinas & Maravilhosas, também de 1973, em que viveu uma das três protagonistas, Haydée. Na Rede Record, protagonizou as novelas O Tempo Não Apaga e Quero Viver, ambas de 1972. Em 1978, na TV Globo, encarnou a vilã Juliana de A Sucessora. Teve também papel de destaque em dois teleteatros dirigidos por Antunes Filho, na TV Cultura: Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues e Reveillon de Flávio Márcio. 260px|direita|thumb|Lílian Lemmertz, Rolando Boldrin, Nathalia e Sebastião Campos nos bastidores de Quero Viver, em 1972.
Década de 80: popularização nacional Nos anos 1980, trabalhou no Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro. Em 1987, por sua atuação em A Cerimônia do Adeus, recebeu o prêmio Mambembe de Melhor Atriz Coadjuvante. Na mesma época, associou-se a Wolf Maya na Virgo Produções Artísticas.
Ainda na década de 1980, integrou o elenco de várias produções dramatúrgicas, entre as quais, a novela Maria Stuart, exibida pela TV Cultura, em que deu vida a protagonista Rainha Elizabeth e Elas por Elas, como a enfermeira Eva, ambas de 1982.
Em 1984, atuou na minissérie Meu Destino É Pecar e, logo em seguida, transferiu-se para a Rede Manchete, vivendo a protagonista Marta na minissérie Santa Marta Fabril S.A, que lhe rendeu o Troféu APCA de Melhor Atriz de Televisão.
Na Globo, em 1985, integrou o elenco de Ti Ti Ti, interpretando Cecília Spina, uma mulher com problemas mentais que cria elegantes figurinos para suas bonecas.
Em 1986, de volta à Manchete, atuou em Novo Amor.
Já em 1988, em Vale Tudo, viveu Celina Aguiar Junqueira, irmã da grande vilã Odete Roitman, interpretada por Beatriz Segall.
Década de 90: vilãs na teledramaturgia Em 1990, participou da minissérie Desejo e ainda integrou o elenco de um dos maiores sucessos da antiga TV Manchete, a novela Pantanal. Na trama, interpretou Mariana Novaes, sogra de José Leôncio e avó materna de Joventino, protagonista da trama. De volta à TV Globo, atuou em tramas como O Dono do Mundo (1991), interpretando a vilã Constância Eugênia Barreto e De Corpo e Alma (1992), interpretando outra vilã, Nágila Pastore.
Em 1994, transferiu-se para o SBT, onde trabalhou no remake de Éramos Seis, vivendo Emília. Depois, fez uma rápida passagem pela Band, onde atuou na novela O Campeão, interpretando Mãezinha. Em 1997, na Globo, participou de Zazá, interpretando Tereza.
Em 1999, viveu mais um grande momento em sua carreira ao encarnar a maquiavélica Idalina Menezes de Albuquerque Silveira, em Força de um Desejo.
Década de 2000: dedicação à televisão
Em 2000, retornou à RecordTV, depois de 23 anos, para atuar como Marrita na novela Marcas da Paixão. Em seguida, de volta à Rede Globo, esteve presente em Porto dos Milagres, como a empregada Ondina.
Em 2002, marcou presença na minissérie O Quinto dos Infernos como Chuchu.
Em 2003, repetiu mais de uma de suas parcerias com o autor Gilberto Braga em Celebridade, interpretando Yolanda Mendes, mulher ambiciosa, de caráter fraco e duvidoso.
Em 2006 foi destaque na minissérie JK.
Já em 2008, trabalhou em mais uma minissérie, Queridos Amigos.
Década de 2010 Em 2011, retornou à televisão na novela Insensato Coração na pele da rica matriarca Vitória Drummond. No ano de 2013, ganha destaque interpretando a ética Bernarda, de Amor à Vida, uma senhora solitária que vive um inusitado romance de meia idade com um médico. Em 2015, foi escalada para Babilônia, na qual interpretou Estela, que fez um casal homossexual com Fernanda Montenegro, no papel de Teresa. As duas atrizes protagonizaram três beijos, que não foram muito bem vistos pelas parcelas mais conservadoras, o que gerou um dos motivos para os baixos índices de audiência da trama. Em janeiro de 2016, foi homenageada com uma sala de espetáculos com seu nome no Rio de Janeiro. e em abril, na série Nomes da TV. Em 2017, foi escalada para fazer uma pequena participação em O Outro Lado do Paraíso, interpretando Beatriz, uma senhora abandonada em um sanatório e que acaba morrendo envenenada. Em 2019, foi novamente escalada para fazer uma novela de Walcyr Carrasco, A Dona do Pedaço, interpretando Gladys, uma senhora da alta sociedade.
Década de 2020 Em 2023, ela fez uma participação especial na novela Fuzuê. Em 2026, Timberg celebra 90 anos de carreira com uma homenagem realizada no Teatro Fashion Mall.
Vida pessoal Nathalia é judia, filha de mãe belga e pai holandês. Não teve filhos.
Foi casada durante quinze anos com o autor de telenovelas Sylvan Paezzo.Nathalia Timberg
Filmografia Televisão Ano Título Personagem Nota Emissora 1956 Grande Teatro Três Leõesrowspan=4 Rede Tupi Episódio: "O Profundo Mar Azul" Teatrinho Trol Tupi Episódio: "A Bela Adormecida" Episódio: "Pinheirinho do Natal" Teleteatro GM Vários personagens Grande Teatro Tupi Vários personagens 1960 Noite de Teatro Walitarowspan=2 Episódio: "Crepúsculo" Episódio: "Final de Ano" Imitação da Vida ElviraRecordTV 1961 Dulce, a Prostituta Dulce TV Excelsior 1961–62 Teatro Nove Excelsior Vários personagens 1963 Nathália Timberg e Você Apresentadora Coração do RioTV Rio1964O Desconhecido NormaRecordTV O Direito de Nascer Maria Helena de JuncalRede Tupi1965 Tele Globo ApresentadoraTV Globo Um Rosto de Mulher Elisa 1966 A Ré Misteriosa ElisaRede Tupi 1967 A Rainha Louca Imperatriz Charlotte do MéxicoTV Globo1968 A Muralha Basília Olinto GóisTV Excelsior O Terceiro Pecado Diana / Anjo da Morte 1969 Sangue do Meu Sangue Sarah Bernhardt Vidas em Conflito Cláudia Dez Vidas Bárbara Heliodora 1970 As Bruxas Dagmar / OlíviaRede Tupi1971 Editora Mayo, Bom Dia Maria do Carmo MayoRecordTV Quarenta Anos Depois Cândida Molinari 1972 O Tempo Não Apaga Paula Bragança / RaquelQuero Viver Júlia Amorim1973 Rosa dos Ventos EleonoraRede Tupi As Divinas... e Maravilhosas Haydée 1974 Teatro 2 Cultura Helena Episódio: "Vestido de Noiva"TV Cultura A Mãe Episódio: "Réveillon" 1975 Escalada Fernanda SoaresTV Globo1977 Caso Especial | Olívia | Episódio: "O Copo de Cristal" |- | O Espantalho| Corina Monteiro Nascimento | |RecordTV |- | 1978 | A Sucessora| Juliana | | rowspan="3" |TV Globo |- | rowspan="3"| 1979 | rowspan=2| Aplauso| Essie | Episódio: "Ao Lado Meu, na Imensidão" |- | Maria | Episódio: "As Pequenas Raposas" |- | Cara a Cara| Renée Leblanc | |Rede Bandeirantes |- | 1980 |rowspan=2| Plantão de Polícia| Sônia | Episódio: "Camisa de Força" | rowspan="3" |TV Globo |- | rowspan=2|1981 | Celi | Episódio: "O Herdeiro" |- | Obrigado, Doutor| Cleide | Episódio: "Nascer ou Morrer" |- | rowspan=3|1982 | Maria Stuart| Elizabeth | | rowspan="2" |TV Cultura |- | O Pátio das Donzelas| Carolina
| Elas por Elas| Eva | | rowspan="4" |TV Globo |- | rowspan=2|1983 | Caso Verdade| Dulce | Episódio: "Irmã Dulce" |- | Caso Especial| Ana | Episódio: "A Pata do Macaco" |- | rowspan=2|1984 | Meu Destino É Pecar| Consuelo Avelar
| Santa Marta Fabril S.A.| Marta Lopes Aguiar | |Rede Manchete |- | 1985 |Ti Ti Ti| Cecília Spina (Tia) | |TV Globo |- | rowspan=2|1986 | Videomagia| Bernarda Alba | Episódio: "A Casa de Bernarda Alba" | TV Cultura |- | Novo Amor| Lígia Góes | | rowspan="2" |Rede Manchete |- | 1987 | Corpo Santo| Maria Rita Reski
| 1988 | Vale Tudo| Celina Junqueira | |TV Globo |- |rowspan=2|1990 | Pantanal| Mariana Braga Novaes | |Rede Manchete |- | Desejo| Túlia | | rowspan="4" |TV Globo |- | 1991 | O Dono do Mundo| Constância Eugênia Barreto
| 1992 | De Corpo e Alma| Nágila Pastore
| 1993 || Mulheres de Areia || Juíza Áurea |Episódios: "29–31 de julho" |-