Portalegre é uma cidade raiana portuguesa, no centro-sul de Portugal do distrito de Portalegre, na região do Alentejo, sub-região do Alto Alentejo com 14 138 habitantes (2021).Usando os limites da cidade dos Censos de 2011 e os dados sobre os lugares estatísticos dos Censos 2021, tem-se que a cidade de Portalegre inclui os lugares de Portalegre, Portalegre-Norte, Portalegre-Oeste, Portalegre-Nordeste e Portalegre-Este.
É a sede do Município de Portalegre com de área, que em 2021 tinha habitantes (2021) e que está subdividido em 7 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Castelo de Vide, a nordeste por Marvão, a leste pela Espanha, a sul por Arronches e Monforte e a oeste pelo Crato.
Com habitantes em 2021 no seu núcleo urbano, é a segunda maior cidade do seu distrito, a seguir a Elvas que tinha habitantes no seu perímetro urbano no mesmo ano.
Geografia Embora a paisagem dos municípios a norte de Portalegre ainda seja tipicamente alentejana, com zonas relativamente planas alternando com colinas na maior parte dos casos relativamente baixas, Portalegre é frequentemente descrita como uma zona de transição entre o Alentejo mais seco e plano, e as Beiras, mais húmidas e montanhosas. A orografia é mais variada do que na generalidade do resto do Alentejo, o que contribui para que a paisagem tenha características peculiares.
A cidade encontra-se a uma altitude entre os 400 e 600 metros, na zona de transição entre a paisagem relativamente plana, mas com muitas colinas pouco elevadas a sul e oeste, e o sistema montanhoso da Serra de São Mamede, que a rodeia a norte, leste e sueste.
A geologia é variada, o que se traduz na variedade dos solos, existindo zonas de xistos, grauvaques, calcários e quartzitos.
As características únicas da paisagem, flora e fauna, estão na base da criação do Parque Natural da Serra de São Mamede, que integra uma parte considerável da área do concelho.
thumb|center|600px|Panorama da cidade de Portalegre, no Alentejo
Freguesias thumb|Freguesias do município de Portalegre O município de Portalegre está dividido em 7 freguesias:
Alagoa Alegrete Fortios Reguengo e São Julião Ribeira de Nisa e Carreiras Sé e São Lourenço (Portalegre) Urra
História Segundo uma lenda frequentemente referida, descrita por Frei Amador Arrais na sua obra Diálogos de 1589, Portalegre teria sido fundada por Lísias no ,na sequência do desaparecimento da sua filha Maia. Esta passeava com Tobias quando é cobiçada por um vagabundo, Dolme, que a rapta e assassina Tobias. Lísias fica desesperado pelo desaparecimento da filha e vai à sua procura, acabando por por encontrá-la morta junto a um regato que hoje tem o nome de Ribeiro de Baco. Lísias virá a morrer de alegria quando julga ter visto a filha estender-lhe os braços. À cidade entretanto fundada foi dado o nome de Amaia (ou Ammaia). Lísias teria também construído uma fortaleza e um templo dedicado a Baco no local onde hoje se encontra a Igreja de São Cristóvão. Segundo Frei Amador Arrais, ainda existiam ruínas desse templo no .
Acredita-se hoje que a lenda resultou de fantasias de alguma forma apoiadas na existência de uma lápide com uma dedicatória ao imperador romano Lúcio Aurélio (161-192), a qual foi provavelmente trazida das ruínas da cidade romana que se encontra em São Salvador da Aramenha, perto de Marvão, a qual é hoje comummente aceite com sendo a Amaia romana referida em várias fontes históricas. A localização desta e de outra cidade referida em fontes do período romano, Medóbriga, foi objecto de controvérsia até, pelo menos, ao princípio do , especulando-se até essa altura se existiria algum povoado antigo importante na zona actualmente ocupada pela cidade ou nas suas imediações.
thumb|Sede da Câmara Municipal de Portalegre O nome de Portalegre terá origem em Portus Alacer (porto, ponto de passagem, e alacer, alegre), ou mais simplesmente Porto Alegre.
É provável que no existisse um povoado no vale a leste da Serra da Penha. O nome de Portalegre, onde uma das actividades importantes seria a de dar abrigo e mantimentos aos viajantes (daí o nome de porto, ponto de passagem ou abastecimento). Sendo o local aprazível (alegre), nomeadamente pelo contraste das suas encostas e vales verdejantes com a paisagem mais árida e monótona a sul e norte, a povoação prosperou e sabe-se que em 1129 era uma vila do concelho de Marvão, passando a sede de concelho em 1253, tendo-lhe sido atribuído o primeiro foral em 1259 por , que mandou construir as primeiras fortificações, as quais não chegaram a ser completadas. Juntamente com Marvão, Castelo de Vide e Arronches, Portalegre foi doada por ao seu segundo filho, Afonso.
O rei seguinte, D. Dinis, mandou edificar as primeiras muralhas em 1290, as quais ele próprio viria a cercar durante 5 meses em 1299, na sequência da guerra civil que o opôs ao seu irmão, que reclamava o trono alegando que D. Dinis era filho ilegítimo. Nesse mesmo ano, D. Dinis concederia a Portalegre o privilégio de não ser atribuído o senhorio da vila «nem a infante, nem a homem rico, nem a rica-dona, mas ser d’ el-Rei e de seu filho primeiro herdeiro».
Após D. Fernando ter morrido em 1383 sem deixar herdeiros masculinos, D. Leonor Teles assumiu a regência do Reino ao mesmo tempo que se amantizava com o Conde Andeiro, um fidalgo galego. Esta situação inquietou grande parte do povo, burguesia e uma parte da nobreza, pois temia-se que esta situação reforçasse as pretensões ao trono português de de Castela, o qual era casado com D. Beatriz, a filha de D. Fernando e D. Leonor. Esta crise dinástica, que envolveu uma guerra civil com contornos de guerra entre Portugal e Castela, viria a ficar conhecida como a Crise de 1383—1385. O partido mais forte de entre os que se opunham às pretensões ao trono de D. João de Castela e D. Beatriz apoiava a coroação do Mestre de Avis. Entre os nobres que apoiaram o Mestre de Avis contava-se Nuno Álvares Pereira, irmão do então alcaide de Portalegre, Pedro Álvares Pereira, Prior do Crato (líder da Ordem dos Hospitalários em Portugal), o qual era acérrimo partidário de D. Leonor. Esta posição do alcaide provocou a revolta do povo de Portalegre, que cercou o castelo e obrigou D. Pedro a fugir para o Crato. O ex-alcaide viria a morrer em 1385 na Batalha de Aljubarrota, onde combateu do lado contrário do seu irmão Nuno. A mãe dos irmãos Álvares Pereira, Fria Gonçalves, vivia nesse tempo no "Corro" (actual Praça da República).
A vila foi crescendo em importância e em 21 de agosto de 1549 foi criada a Diocese de Portalegre, por bula do , na sequência de diligências nesse sentido por parte do rei , que elevaria Portalegre a cidade a 23 de maio de 1550. A importância da cidade nessa época traduzia-se, por exemplo, no volume das receitas do imposto sobre as judiarias, o qual era semelhante ao do Porto, e só era ultrapassado pelo de Lisboa, Santarém e Setúbal. Era também um dos centros de indústria de tecidos mais importantes do país, juntamente com Estremoz e Covilhã.
Portalegre torna-se capital do distrito homónimo aquando da formação dos distritos a 18 de julho de 1835.
Cronologia Séc. XIII — A fortaleza é remodelada por D. Dinis; fundação do . 1259 — Possível concessão de foral por . 1376 — Fundado o Convento de Santa Clara. 1387 — D. João I concede a Portalegre o título de "Leal", grato por a cidade se ter batido pela sua causa.
thumb|Gravura representando o cerco de Portalegre pelas tropas de Filipe V de Espanha, em 1704
1511 — D. Manuel I concede novo foral à vila. 1533 — D. João III torna-a sede de uma nova correição. 1550 — Portalegre é elevada à categoria de cidade e a sede de nova diocese. 1552 — Início da construção do Convento de Santo António. 1556 — Início da construção da Sé Catedral. 1605 — Os jesuítas instalam na cidade o Colégio de São Sebastião. 1640 — Portalegre é uma das primeiras localidades do país a reconhecer a independência de Portugal. 1683 — Foi fundado o Convento de Santo Agostinho 1704 — Filipe V de Espanha conquista Portalegre durante a Guerra da Sucessão Espanhola. 1772 — Por iniciativa do Marquês de Pombal, é fundada a Real Fábrica de Lanifícios de Portalegre, popularmente conhecida como Fábrica Real, a qual é instalada no antigo Colégio jesuíta de São Sebastião. 1801 — Portalegre é conquistada pelos espanhóis durante a Guerra das Laranjas. 1808 — No decurso das invasões francesas Portalegre paga um pesado tributo imposto pelo general francês Loison ("o maneta".) 1835 — Portalegre passa a capital de distrito na sequência da criação destas divisões administrativas. 1848 — O industrial de cortiça inglês George Robinson instala-se em Portalegre; é plantado o famoso Plátano do Rossio. 1947 — É criada a Manufactura de .
Evolução da População do Município
Os Recenseamentos Gerais da população portuguesa, regendo-se pelas orientações internacionais da época (Congresso Internacional de Estatística de Bruxelas de 1853), tiveram lugar a partir de 1864.
De acordo com os dados do INE o distrito de Portalegre registou em 2021 um decréscimo populacional na ordem dos 11,5% relativamente aos resultados do censo de 2011. No concelho de Portalegre esse decréscimo rondou os 10.4%.
Número de habitantes★ 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 13 633 14 769 16 908 18 711 21 358 21 328 23 922 25 815 28 074 28 384 25 800 27 313 26 111 25 980 24 930 22 340 ★Número de habitantes residentes, ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram
Número de habitantes por grupo etário ★★ 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 0-14 anos 6 357 7 470 7 185 7 464 7 866 7 188 6 817 5 795 5 779 4 604 3 496 3 250 2 733 15-24 anos 3 540 3 812 4 045 5 164 5 047 5 489 4 795 4 060 3 915 3 726 3 515 2 366 2 205 25-64 anos 7 563 8 510 8 669 9 935 11 308 13 027 14 244 13 160 13 748 13 267 13 427 13 501 11 274 >= 65 anos 862 1 073 1 058 1 361 1 597 2 063 2 528 2 785 3 871 4 514 5 542 5 813 6 128 ★★ De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente
Clima
O clima de Portalegre é mediterrânico e as temperaturas oscilam consideravelmente entre os meses mais quentes e os meses mais frios. As temperaturas, no Inverno, podem descer abaixo dos 0 °C e as temperaturas (máximas) no Verão podem atingir valores na casa do 38 °C/39 °C. As altas temperaturas ocorrem devido ao facto de esta cidade encontrar-se no Alentejo, a região mais quente de Portugal no Verão. As maior e menor temperaturas registadas em Portalegre no periodo 1971-2000 foram 40,4 °C e -4,5 °C. Porém,há registos de -8 °C em 1941 e 43,3 °C no mesmo ano.
Monumentos e pontos turísticos
Museus thumb|Museu da Cortiça Museu Municipal de Portalegre Casa Museu José Régio
Museu da Cortiça
Castelos Castelo de Portalegre Castelo de Alegrete
Portas da antiga muralha No passado existiam 7 portas (alguns estudiosos falam em 8), das quais só subsistem 5, nomeadamente:
Porta do Crato, mais conhecida por Arco do Bispo Porta da Devesa ou do Espírito Santo, no cimo da Rua 5 de Outubro thumb|Porta de Alegrete, séc. XIII
Porta de Alegrete ou de São Francisco, conhecida hoje por Arco de Santo António, no extremo ocidental da Praça da República (antigo Corro)
Edifícios religiosos Na cidade thumb|Sé Catedral de Portalegre thumb|Convento de São Bernardo thumb|Capela do Calvário Sé Catedral () Seminário de Portalegre (), inaugurado em 1955 Igreja do Nosso Senhor do Bonfim () Convento de São Bernardo (), onde actualmente (2009) funciona a Escola Práctica da Guarda Nacional Republicana Convento de Santa Clara(), actualmente a Biblioteca Municipal de Portalegre Convento jesuíta de São Sebastião (), Fábrica Real de Lanifícios a partir do , sede da câmara municipal desde 2005