Choque-Rei é a rivalidade entre as equipes brasileiras de futebol do Palmeiras e do São Paulo, sendo um dos clássicos mais equilibrados do Brasil e do mundo.

Os confrontos, marcados por uma mescla de brigas e futebol-arte, receberam na década de 1940 o apelido de Choque-Rei dado pelo jornalista Tomaz Mazzoni, do jornal "A Gazeta Esportiva", pela sua importância. O Choque-Rei levou por quatro vezes públicos maiores do que 110 mil pessoas ao Estádio do Morumbi. Os clubes são rivais desde antes do primeiro confronto, onde o precursor do São Paulo, o Paulistano, protagonizou nas primeiras décadas do futebol paulista uma intensa rivalidade com o Palestra Itália. O auge da rivalidade aconteceu entre 1942 e 1950, período em que São Paulo e Palmeiras dividiram os nove títulos paulistas disputados. Foram cinco títulos do São Paulo (1943, 1945, 1946, 1948 e 1949) e quatro do Palmeiras (1942, 1944, 1947 e 1950). Os palmeirenses mais novos não têm motivos para gostar do São Paulo, visto as recentes eliminações nas Libertadores de 2005 e 2006, mas a recíproca é verdadeira, pois o Alviverde eliminou o São Paulo da Libertadores de 2021, além do que o sonhado tricampeonato paulista do tricolor não veio até hoje por causa do Verdão, campeão paulista de 1947, 1950, 1972 e 1993.

O clássico tem como grande marca o equilíbrio, como a disputa pela segunda maior torcida do Estado de São Paulo e terceira maior do Brasil, tendo a torcida do São Paulo ultrapassado a do Palmeiras numericamente em meados da década de 1980, sendo a torcida palmeirense maior em quase todas as pesquisas anteriores. Destacam-se também: o confronto pela segunda posição no ranking de títulos de Campeonatos Paulistas (atualmente, são 26 do Palmeiras e 22 do São Paulo, sendo que o tricolor possui ainda 1 Supercampeonato Paulista de 2002 e o Palmeiras possui mais 2 títulos extras de 1926 e 1938 do Campeonato); a briga pelo maior número de participações na Copa Libertadores da América (atualmente, o Palmeiras possui 24 participações e o São Paulo 22); relevância no Brasil de cada um (o Palmeiras como o maior vencedor de competições nacionais - 18 títulos - e maior vencedor geral do Campeonato Brasileiro de Futebol - 12 títulos -, e o São Paulo com 8 títulos no total, sendo 6 Campeonatos Brasileiros); e o São Paulo maior campeão internacional do país com 12 títulos, contra 6 do Palmeiras. Ídolos; jogadores cedidos para a Seleção Brasileira em Copas do Mundo; entre muitos outros pontos que cercam essa destacada rivalidade entre os vizinhos de Centros de Treinamento.

A Rivalidade entre Palmeiras e São Paulo também atingiu contornos de inimizade durante a Segunda Guerra Mundial, quando o então Palestra Itália foi obrigado a mudar de nome para Palmeiras, já que o Brasil, governado pelo então presidente Getúlio Vargas, declarou guerra aos países do "Eixo" (Alemanha, Itália e Japão) e se alinhou aos países "Aliados", (EUA, URSS, Reino Unido, França, e outros países). Informações da época são de que dirigentes do São Paulo estavam entre os que mais pressionaram as autoridades para que o rival mudasse de nome, respeitando a legislação nacionalista vigente na época.

Atualmente, Palmeiras e São Paulo são muito populares no Brasil, por conta principalmente das inúmeras glórias conquistadas por ambos em toda a história do futebol Brasileiro. É um dos clássicos de maior rivalidade no futebol do Brasil,Site FOOTBALL DERBIES. e consequentemente do mundo.Site FOOTBALL DERBIES.

História thumb|direita|250px|Partida entre Palestra Itália e no Campeonato Paulista de 1936 A Sociedade Esportiva Palmeiras, originalmente chamado de Palestra Itália, foi fundada por representantes da colônia italiana de São Paulo em 1914. Atualmente, a torcida se compõe não só de descendentes de italianos, mas também de descendentes dos mais variados povos de outras partes do mundo e do próprio Brasil, refletindo o cenário cosmopolita existente na capital paulista, historicamente conhecida por receber migrantes e imigrantes.

O São Paulo Futebol Clube se originou da união de desportistas de dois clubes da elite paulistana em 1930 (torcedores do Paulistano que abandonou o futebol profissional mas continua a existir como clube social e da AA das Palmeiras) que buscavam formar um clube que representasse a tradição dos paulistas, levando do estado o nome e as cores de sua bandeira (curiosamente a sua data de fundação em 25 de janeiro de 1930 coincide com o aniversário da capital paulista). Depois de um breve período de inatividade, foi refundado em 1935, conseguindo ampliar seu número de torcedores com pessoas de diversas classes sociais e de várias origens, também refletindo o cenário recente da cidade.

Maiores clássicos thumb|250px|direita|Choque-Rei disputado no antigo Estádio Palestra Itália em 2017 thumb|250px|direita|Primeiro Choque-Rei no Allianz Parque em março de 2015 thumb|250px|direita|Clássico disputado no Allianz Parque em agosto de 2024 O primeiro jogo entre o recém surgido São Paulo e o já grande Palestra Italia, ocorreu em 30 de março de 1930, válido pelo Paulistão, na Chácara da Floresta. O jogo terminou 2 a 2, gols são paulinos de Friedenreich e Zanuella. No ano do seu primeiro título, o Paulistão de 1931, o tricolor teve no Verdão, que terminou vice, seu grande adversário ao título. No turno, uma vitória palestrina por 3 a 2 em 1 de maio, e, no returno, uma goleada são paulina por 4 a 0, a qual fez os palestrinos jurarem revanche. No Paulistão de 1932, os dois eram os pleiteantes ao título. Vitória Alviverde por 3 a 2 no primeiro turno. Porém, com a Revolução Constitucionalista de 1932, o segundo turno não foi realizado, e o Verdão, líder, acabou campeão, com o São Paulo, reclamando por não ter o jogo de volta, vice. No Paulistão seguinte,em 1933, novamente ambos eram os favoritos e novamente, o Palestra bateu o Time da Fé, mas, agora sem deixar dúvidas: 3 a 2 no turno e 1 a 0 no returno. Por sinal, foi nesse jogo do returno, ocorrido no estádio Palestra Itália em 12 de novembro de 1933, que o gol solitário de Avelino aos 29 minutos da etapa complementar, garantiu o título do Palestra ao fim da partida, o qual coincidentemente enfrentava seu adversário na disputa pelo título, o Tricolor vice-campeão."Campeonato Paulista – 1933", Site Oficial do Palmeiras, consultado em 28/3/2024 No 1º Torneio Rio-São Paulo da história, em 1933, o Verdão disputava com o São Paulo ponto a ponto o título - o alviverde derrotou o tricolor no 1º e 2º turnos da competição - por 3 a 2 e 1 a 0 respectivamente, triunfos que foram vitais para sua conquista; jogos aliás que também valeram pelo paulistão de 1933. No final do Rio-São Paulo o Verdão foi o campeão com 36 pontos, contra 34 pontos do tricolor, que foi vice campeão. Em 1934 o Time da Fé não foi campeão, mas teve uma alegria diante do rival: No último jogo do campeonato, o Verdão, já campeão com sobras e invicto, encontrou o tricolor, no "jogo da festa". No primeiro turno do paulista o Palestra já havia vencido o tricolor por 2 a 0. O São Paulo então deu o troco, venceu o último clássico por 1 a 0, quebrou a invencibilidade e acabou com a festa adversária, no título que ficou conhecido como sinfonia inacabada. No primeiro clássico após a "morte" do São Paulo da Floresta e o seu ressurgimento, vitória fácil do futuro Palmeiras: 3 a 0 em 25 de outubro de 1936. Desde que fora refundado, o "mais querido" ainda não conseguira vencer seu maior rival. Sua última vitória fora ainda como Tricolor da Floresta, por 1 a 0 em 28 de outubro de 1934. Até que em 26 de março de 1939, no seu antigo campo da Antárctica Paulista, o Estádio Antônio Alonso, na Rua da Mooca, o São Paulo não só quebrou o tabu, como impôs a maior goleada da história do clássico com um 6 a 0. O Palestra Itália conquistou o Campeonato Paulista de Futebol de 1940 com uma vitória sobre o Time da Fé, que não lutava pela taça, por 4 a 1."Campeonato Paulista – 1940", Site Oficial do Palmeiras, consultado em 28/3/2024 Porém esse jogo foi polêmico pois o atacante Paulo do Tricolor disse ter recebido uma proposta de suborno no valor de 3 contos de réis de Sídnei do Alviverde, a mando do dirigente Higino Pellegrini. Sídnei acabou suspenso por tempo indeterminado. O Palestra entrou na última rodada do Paulistão de 1942 diante do São Paulo, adversário direto pelo título, a quem culpava pela perseguição que sofria devido às suas raízes italianas. para fugir da perseguição devido às suas raízes, adotou nome brasileiro e entrou em campo com uma bandeira do Brasil. Estreou com o novo nome, Palmeiras, e o novo escudo justo diante do inimigo, e, para doce vingança, impôs um 3 a 1, com direito a abandono de campo do time tricolor aos 19 minutos do segundo tempo após marcação de pênalti cometido por Virgílio, que lhe valeu o título de campeão. A violência durante o jogo foi tanta que o juiz da partida acabou suspenso por 10 dias, por não coibí-la. Já o primeiro título do Tricolor após a sua 'ressurreição', ocorreu no campeonato seguinte, 1943. O São Paulo líder ao lado do Corinthians, enfrentaria o Palmeiras, 3° colocado, 2 pontos atrás. Se o Verdão vencesse, os três empatariam e haveria um supercampeonato desempate. Aos 6 minutos de jogo, Sastre se contundiu e passou o resto do jogo fazendo número, pois não havia substituição. O Time da Fé passou então o jogo segurando o 0 a 0, que lhe valeu a taça. Foi o ano em que 'a moeda caiu em pé'. Em 1944, Palmeiras e São Paulo chegavam outra vez, cabeça a cabeça, na reta final do Paulistão. O tricolor de então era um jovem vencedor, cujo segundo título tinha sido conquistado um ano antes, em 1943. O Palmeiras chegava para o clássico com um considerável desfalque. O argentino Dacunto, centro-médio que formava uma afinada linha com Og Moreira e Gengo, não poderia entrar em campo, conforme decisão do Tribunal de Penas Desportivas. Dizem que, graças a uma jogada de bastidores, o São Paulo teria conseguido a suspensão do jogador na Federação. Não fez diferença: Palmeiras 3 a 1 que deram a vitória ao Verdão, a torcida, de alma lavada, organizou um desfile pelas ruas da cidade, carregando um caixão tricolor e cantando em coro: "Com Dacunto, ou sem Dacunto/ ê,ê,ê eu ganho/ Com Dacunto, ou sem Dacunto/ ê,ê,ê eu ganho/Com Dacunto ou sem Dacunto, o São Paulo é defunto"."100 anos de Palmeiras: De 1944 a 53, vários títulos para o 'dono do mundo'", Lance, 21/10/2015 No jogo seguinte, contra o Santos, o Palmeiras venceu por 1 a 0 e garantiu o título de 1944."Campeonato Paulista – 1944", Site Oficial do Palmeiras, consultado em 28/3/2024 O único título paulista ganho invicto pela São Paulo veio no Paulistão de 1946, em uma vitória dramática diante do Palmeiras. Quem torcia pelo tropeço do Tricolor era o Corinthians que lutou palmo a palmo pela taça. No Pacaembu, um jogo tenso. Aos 13 do segundo, Luizinho do tricolor chutou Oberdan, iniciando uma grande briga com 4 expulsos: Og Moreira e VillaDoniga do Verdão e Luizinho e Remo do São Paulo. Aos 38 do segundo Bauer centra, a bola bate na trave e no rebote, gol do zagueiro Armando Renganeschi, - 1 a 0 - que foi colocado na ponta-esquerda por estar contundido, mas teve forças para escorar o gol da taça. No dia 15 de outubro de 1950, os rivais se encontraram no Estádio do Pacaembu pelo Campeonato Paulista, com o jogo entrando para história já que foi o primeiro evento esportivo a ser transmitido ao vivo pela TV, diretamente de um estádio, na história do Brasil. O jogo acabou com vitória do Palmeiras por 2 a 0. Por problemas técnicos, apenas o segundo tempo foi transmitido.