thumb|Quota do Jardim Zoológico e de Aclimação em Portugal em 15 de maio de 1884 O Jardim Zoológico e de Aclimação em Portugal, localiza-se em Sete Rios, em Lisboa, Portugal. Atualmente reúne um conjunto representativo de todo o planeta, com cerca de 2000 animais de 300 espécies diferentes.
Inaugurado em 1884, as suas primitivas instalações foram no Parque de São Sebastião da Pedreira, vindo a serem transferidas em 1894 para os terrenos de Palhavã, no terreno onde hoje se situa a Fundação Calouste Gulbenkian. Mais tarde, em 1905, o Jardim Zoológico foi transferido para a sua actual localização, na Quinta das Laranjeiras, em Sete Rios.
História O Jardim Zoológico de Lisboa foi inaugurado no dia .
Antecedentes A ideia para a criação de um jardim zoológico em Portugal, nomeadamente em Lisboa, remonta a 1882, conforme rumores que começaram a circular na imprensa lisboeta em Agosto daquele ano. Na época ainda não existia na Península Ibérica nenhum parque dedicado à flora e fauna exóticas do mundo, embora tanto Espanha quanto Portugal já terem sediado menageries reais anteriormente.
Os seus idealizadores foram Dr. Van Der Laan, proprietário do maior aviário do país na época, Dr. Sousa Martins e May Figueira. Juntos decidiram formar uma sociedade zoológica e de aclimação de animais e plantas nos moldes das que já existiam em França e nos Países Baixos, feito este facilitado através da posição geográfica excepcional de Lisboa, facilitando assim a aclimação das espécies.
Nos finais desse ano o grupo viajou pela Europa, em visita aos jardins zoológicos já existentes em algumas capitais europeias, recolhendo conhecimentos e práticas para a criação de um jardim zoológico em Lisboa, após as visitas foi necessário procurar homens que pudessem custear as despesas e projetar os edifícios, estes foram Lino Bento de Sousa e o engenheiro civil e 2.º barão de Kessler Frederico Luís Hermano, que adicionalmente assegurou o apoio de D. Fernando II devido à posição do pai como seu médico. Esta adesão de D. Fernando II atraiu outros indivíduos de relevo como o na altura Ministro da Marinha de D. Luís, o zoólogo José Barbosa du Bocage.
A 19 de Fevereiro de 1883 reuniu-se a comissão fundadora da Sociedade Zoológica e de Aclimação de Animais e Plantas sob presidência de D. Fernando II na Escola Politécnica, e com o incentivo do próprio rei D. Luís foi elaborada uma escritura a 5 de Setembro de 1883, após os necessários estudos e levantamento de capital. Em seguida iniciaram-se as obras em São Sebastião da Pedreira, com a construção de pavilhões, viveiros e gaiolas, para manter os primeiros animais em exposição, espaço este cedido gratuitamente por um período de dez anos em conjunto com terrenos alugados situados a norte do parque.
Desse modo, a 28 de Maio de 1884 foi inaugurado solenemente o Jardim Zoológico de Lisboa, com uma colecção de 1127 animais à disposição do público, alguns dos quais doados pela Família Real Portuguesa e outras personalidades.
Primeiros anos O público acorreu em grande número e euforia à cerimónia de inauguração, que contou com a presença da Família Real e de diversas autoridades. Até ao fim do ano registou-se uma afluência de 170.000 visitantes, que elegeram como principal atracção sobretudo os grandes felinos e a fauna do continente africano.
Os dois anos seguintes continuaram a atrair muitos visitantes, mas dificuldades diversas, entre as quais alegadamente o mau tempo, registou-se uma queda acentuada no número de visitas, defrontando-se o jardim zoológico com algumas dificuldades, solucionadas com um pedido de subsídios à Câmara Municipal da cidade, e com a criação de uma nova atracção, passeios de barco pagos no lago do parque, bastante populares à época. Com isso a instituição conseguiu equilibrar as receitas e fazer algumas obras.
O ano de 1892 começou com um rigoroso Inverno que provocou diversos estragos no jardim, como o derrubamento de árvores e a destruição da cobertura de alguns pavilhões e viveiros. Antes do final do ano vieram a falecer os donos do parque, o Dr. João António Pinto e D. Maria das Dores Pinto, e devido à falta de predisposição dos herdeiros para prolongar o empréstimo, o Jardim Zoológico teria de se retirar do espaço de São Sebastião da Pedreira até ao prazo delimitado. Mudança para a Palhavã Em 1894, o jardim zoológico foi obrigado a contentar-se apenas com os terrenos da Palhavã (onde hoje se situa Fundação Calouste Gulbenkian), contíguos a Norte aos de São Sebastião da Pedreira, que arrendara para as suas novas instalações. Os terrenos de semeadura adivinhavam-se difíceis devido à falta de vegetação e à difícil comparação com a beleza do antigo parque, que os visitantes já estavam acostumados. Procedeu-se então a uma rápida arborização e construção de instalações para os animais.
A 13 de Maio de 1894 procedeu-se a reinauguração do parque, ainda sem o grande lago e a vegetação frondosa a que o público já se acostumara. Neste período, o Jardim Zoológico começou a vender e exportar animais, dos que possuía em excesso, de forma a conseguir equilibrar as finanças do parque. Esta tarefa era facilitada uma vez que a Empresa Nacional de Navegação cedia gratuitamente o transporte dos animais, o que também facilitava a vinda de novos espécimes doados pelas várias colónias portuguesas em África e no Oriente. No coreto do jardim, também tiveram lugar concertos por parte de bandas musicais, o que atraía mais público, convertendo o Jardim Zoológico em um autêntico espaço cultural.
Em 1902 foi inaugurada uma nova linha de elétrico (carreira 24) que parava no Zoo, facilitando assim o afluxo de visitantes ao parque.
Com o arrendamento dos terrenos a acabar em 1905 a sociedade do jardim, em 1903, decidiu arrendar os terrenos da Quinta das Laranjeiras em Sete Rios, com a generosidade do proprietário, o Conde de Burnay. Durante os meses seguintes fez-se uma vez mais a mudança dos equipamentos do Jardim Zoológico para a nova morada.
Quinta das Laranjeiras Em 28 de Maio de 1905 ocorreu a inauguração do novo parque na Quinta das Laranjeiras. Estes terrenos já se encontravam bastante arborizados, e a área oferecia maior espaço para as instalações dos animais (cerca de 94 000 m²). Em Agosto desse ano registou-se a fuga de um leopardo enquanto estava a ser transferido. O animal teve que ser abatido por um membro da Guarda Nacional, não causando feridos ou danos materiais, mas a Imprensa deu enorme destaque ao acontecimento, chegando a exagerar em algumas ilustrações.
Apenas em 1907 foram assinadas as escrituras com as cláusulas para o estabelecimento definitivo do Jardim Zoológico no Parque das Laranjeiras.
O rei D. Manuel II foi convidado para presidente honorário da instituição, a suceder a D. Carlos I, seu pai.
Nesta época o Jardim Zoológico enfrentou alguns problemas ligados aos cuidados de saúde com algumas espécies que lentamente se iam extinguindo no parque, nomeadamente os chimpanzés. Por outro lado, outras mostravam grande vivacidade e longevidade, havendo ursos, grifos, águias e macacos que remontavam às instalações de São Sebastião da Pedreira e outras que mostravam elevada capacidade de reprodução, nomeadamente felinos, ursos, veados, lobos e primatas. O Jardim Zoológico continuava a receber uma grande variedade de fauna africana doada pelos membros dos seus governos e assim em 1911 iniciam-se as primeiras permutas de animais com outros jardins zoológicos do mundo.
Século XX Em 1912, durante a administração de Manuel Emygdio da Silva, o Jardim Zoológico de Lisboa pediu a colaboração do arquitecto Raul Lino para projectar novas instalações para os animais, a começar pela dos cangurus. Ainda nesse ano, a 12 de Março, a Assembleia da República decretou uma lei que declarou o "Jardim Zoológico e de Aclimação de Portugal" como instituição de Utilidade Pública, tendo o decreto a data de Março de 1913. Ainda nesse ano foi fundado o "Grupo dos Amigos do Zoológico", tendo como fundador e primeiro sócio o então presidente da República, Dr. Manuel Arriaga. O ano foi marcado também pelo recebimento, como doação, do seu primeiro hipopótamo. A instituição aproveitou este animal de grande porte para fazer uma grande campanha de publicidade, com numerosos cartazes pelas ruas da cidade, registando com isso um aumento de visitas.
Em Agosto de 1926 o Jardim recebeu mais uma importante doação de animais, inclusive o seu primeiro elefante africano, oferecido pelo rei de Itália juntamente com dois dromedários.
Raul Lino prosseguiu os seus trabalhos de requalificação e construção de novas instalações para os animais com destaque para a aldeia dos macacos, inspirada no Zoo de Roma, que viria a ser um dos marcos mais conhecidos do Jardim Zoológico e atrairia quantidade expressiva de visitantes após a sua inauguração, em Maio de 1927.Tendo autoria em outros projetos de relevo no zoo como o "Palácio dos Chimpanzés, o Aviário Madail, a instalação dos Hipopótamos, a Ilha dos Ursos, o Cerrado dos Elefantes, a Casa das Girafas e a Torre dos Corvos".
O ano de 1928 foi marcado pelo recebimento de um grande lote de aves do Brasil, oferecidas pelo cônsul de Portugal em Manaus, Sr. Anuplio de Lemos.
Em 22 de Maio de 1931 foi inaugurado o "Solar dos Leões", com a presença do Presidente da República Óscar Carmona e outras autoridades. O Solar possibilitava uma visão inovadora sobre estes animais, uma vez que não tinha barras de ferro na frente, algo que agradou muito aos visitantes.
O realizador Cottinelli Telmo filmou no Jardim Zoológico em 1933 cenas para a sua "A Canção de Lisboa", filme que alcançou enorme sucesso. Nele, o personagem interpretado por Vasco Santana visita o zoológico com as suas tias. Também nesse ano foram construídos a ilha dos ursos e o cerrado dos elefantes.
Em 1936 regista-se o falecimento de Manuel Emygdio da Silva, presidente da administração, homenageado com um busto no parque e o seu nome dado a uma rua adjacente ao zoo.
No ano de 1937, entre outros, apenas da colónia da Guiné Portuguesa, chegaram cerca de 440 animais.
Em 1940, a pedido do comissariado para as comemorações da exposição "O Mundo Português", o Jardim Zoológico cedeu vários animais para participarem no desfile de abertura, entre os quais um elefante asiático.
As suas instalações foram melhoradas com a execução de novas obras nos anos de 1946 e 1947 destacando-se a "casa das girafas", a "torre dos corvos", e ainda um parque rústico onde os habitantes de Lisboa podiam apreciar um pouco da vida rural.
Em 1949 foi feita uma homenagem a Raul Lino com a instalação de lápide com o nome "Jardim Raul Lino" no espaço da esplanada do lago.
Mais tarde, em 1952, foi entregue a medalha de ouro da cidade com que a Câmara Municipal de Lisboa galardoou a instituição naquele ano, ficando o Jardim com os dois mais prestigiados prémios de reconhecimento: o de "Instituição de Utilidade Pública" e a "Medalha de Ouro de Lisboa".
Em 1955 o jardim zoológico recebeu, como presente da Companhia de Diamantes de Angola, um ocapi macho e recebeu uma cria de rinoceronte branco, espécie que não se via no país desde o reinado de D. Manuel. O "Solar dos Leões" também foi requalificado e ampliado.
No ano seguinte (1952) a instituição continuou a receber mais espécimes raros nomeadamente aves do Brasil, ursos polares, flamingos, cangurus mais um rinoceronte e com grande destaque um gorila. Estas novas atracções fizeram aumentar o número de visitantes (meio milhão só no ano de 1956). Já se dizia na época que o Jardim Zoológico de Lisboa era um dos mais belo da Europa.
Continuaram nos anos seguintes novas remessas de animais com destaque para uma casal de tigres, crocodilos, chimpanzés, gibões, uma foca da Gronelândia, uma tartaruga marinha.