miniaturadaimagem|Engenho Cajaíba: Casa Grande e Antiga Fábrica O Engenho Cajaíba foi um engenho de açúcar brasileiro do final do século XVIII e que pertenceu à família do Barão de Cajaíba. Localizado na ilha de Cajaíba, no município de São Francisco do Conde.

História Sua origem remonta ao final do século XVIII, quando era propriedade do Sargento-Mor do R. de Milícias da Vila de São Francisco do Conde, José J. de Argolo. Após seu falecimento, o engenho é transferido para seu filho José Maria de Argolo Ferrão. Entretanto este falece três anos depois e a propriedade passa então ao tenente coronel Alexandre G. A. Ferrão, que nasceu na propriedade em 1800 e seria o futuro Barão de Cajaíba.

Em 1837, o Visconde de São Lourenço, o Ten. Cel. Luis da França Brito Garcez e o proprietário reuniam-se no Engenho, transformando-o no centro contra a Sabinada. Após a morte de Alexandre G. A . Ferrão, a propriedade passa para seu filho, o Visconde de Itaparica, herói no Paraguai.

Em 1908 o Engenho é hipotecado e a empresa Almeida Castro & Cia a adquire. Dez anos mais tarde, na liquidação desta empresa, a propriedade passa para novos donos, Bernardo M. Catarino e depois para sua filha D. Almerinda M. Catarino da Silva. Em 1965, D. Alice Maria R. dos Santos Marigliani herdou a propriedade de sua mãe.

Arquitetura esquerda|miniaturadaimagem|Fachada da Casa Grande do Engenho Cajaíba A propriedade é composta da casa de engenho e da antiga fábrica, situada à margem do canal que separa a ilha do continente.

A casa de engenho foi erguida no século XIX, apesar da propriedade já existir desde o século XVIII. É uma construção de dois pavimentos, com telhado de quatro águas. Em sua fachada com dez janelas, a entrada é feita por um dupla escadaria de dois lances, dando acesso diretamente ao pavimento nobre. Escadaria e terraço são revestidos de mármore oriundos da Itália. O casarão possui um oratório com uma grande tela a óleo de Nossa Senhora da Conceição no altar. Parte do assoalho do piso e do teto ruíram, assim como existem poucos móveis que permaneceram no casarão, porém também em estado precário de preservação. miniaturadaimagem|Antiga Fábrica com seus doze arcos No jardim a frente da casa, encontram-se dois jarros de mármore e quatro de bronze, além de uma lápide de lioz, datada de 1771, procedente do Mosteiro de Nossa Senhora das Brotas. Este jardim é fechado por grades e possui cinco palmeiras imperiais.

A antiga fábrica é usada atualmente como curral e infelizmente não mantém nenhum dos equipamentos primitivos. É um grande galpão de planta trapezoidal, com telhado de duas águas. Em sua fachada principal encontra-se uma arcaria de doze arcos plenos.

A construção foi tombada pelo IPAC em 2004.

Escravidão O Barão de Cajaíba foi conhecido por sua crueldade no tratamento dos escravos, existindo a lenda que o local é mal assombrado pelas almas dos que lá sofreram.

Apesar das histórias contadas e que permanecem na memória do povo não possuírem registro histórico para confirmar, o certo é que um de seus filhos foi assassinado por seus próprios escravos em 1878. O Barão de Cajaíba teve dois filhos com o mesmo nome, um legítimo e outro não, fruto de seu romance com Felicidade Perpétua. Ambos chamavam-se Alexandre Gomes de Argollo Ferrão. O filho que teve com Felicidade Perpétua nasceu em Salvador e foi legitimado posteriormente, tornou-se o Visconde de Itaparica. O filho legítimo conhecido como "barãozinho" nasceu na casa grande de Cajaíba e foi proprietário do Engenho de Catingui. Este último foi assassinado pelos próprios escravos durante a madrugada de três de setembro de 1878.

Também em carta de sua filha D. Maria Augusta ao seu pai, o Barão de Cajaíba, ela relata a forma como os feitores maltratavam os escravos.

Ver também Lista do patrimônio histórico na Bahia

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