O Ah! das Coisas é uma pentalogia de curtas-metragens experimentais portuguesas de 2020, realizada, escrita e produzida por Rita Azevedo Gomes. Retratando reflexões e referências cinematográficas, literárias, musicais e plásticas da realizadora, os filmes do projeto intitulam-se: 6 de abril de 2020; "Nos quartos das freiras não há espelhos."; 21 de abril de 2020; "Um dia voltei ao quarto..." e; O pecado de João Palolo. As curtas-metragens foram rodadas com recurso a smartphone e produzidas ao longo das primeiras semanas de confinamento pela pandemia de COVID-19 em Portugal.

Os vários filmes O Ah! das Coisas foram distribuídos originalmente pela Cinemateca Portuguesa, através da sua plataforma online Gestos e Fragmentos, entre 29 de abril e 30 de junho do mesmo ano. O pecado de João Palolo foi selecionado para a edição de 2020 da FUSO: Anual de Videoarte Internacional de Lisboa, onde foi exibido a 29 de agosto.

Sinopse

6 de abril de 2020 Com a intenção de documentar observações feitas durante a quarentena, Azevedo Gomes filma o que envolve o seu quotidiano: os objetos de decoração, a música e a literatura, desde revistas de saúde a livros como De Mozart en Beethoven: Ensayo sobre la noción de profundidad en la música, de Éric Rohmer.

"Nos quartos das freiras não há espelhos." Há uma irrealidade surpreendente nas coisas e nos gestos. Numa alusão ao cinema mudo, as sombras das mãos de Rita Azevedo Gomes interpretam versos de Adília Lopes.

21 de abril de 2020 Recuperando as imagens da primeira curta-metragem, Azevedo Gomes filma o ciclo de quarentena, ilustrado pela paisagem exterior, prateleiras de livros, fragmentos de Tretya Meshchanskaya (Abram Room, 1927) e todos os sons que envolvem estes ambientes. Referências a Adolfo Arrieta, Luís Noronha da Costa, Sviatoslav Richter e Wolfgang Amadeus Mozart.

"Um dia voltei ao quarto..." Os reflexos da cineasta surgem perante a projeção de O Espectador que o cinema esqueceu (Joel Yamaji, 1991). Um teatro de sombras complementar ao de "Nos quartos das freiras não há espelhos." é sucedido por pormenores da capa de uma edição de Ternos Guerreiros, de Agustina Bessa-Luís. Referências a Sviatoslav Richter e Wolfgang Amadeus Mozart.

O pecado de João Palolo miniaturadaimagem|Jennifer Jones em Cluny Brown, com Charles Boyer. "Porque a arte não tem juízo" e outras frases de João António Palolo, João Miguel Fernandes Jorge e Rita Azevedo Gomes surgem perante fragmentos de Jennifer Jones em Cluny Brown (Ernst Lubitsch, 1946) e João Palolo no programa da RTP2 Palolo, coisa de pintar (Alberto Rebelo, 1990), dedicado às raízes e influências do artista e a sua visão acerca da natureza da pintura. Ouve-se Metamorphosis, 3, de Philip Glass.

Produção Em abril de 2020, para colmatar o encerramento das instalações e salas de projeção da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema como consequência do confinamento pela pandemia de COVID-19 em Portugal, a instituição criou a plataforma digital Gestos e Fragmentos, uma iniciativa que permitisse aos utilizadores aceder a filmes e peças museográficas. Um dos objetivos da plataforma seria também criar conteúdos e rubricas residentes que permanecessem disponíveis a longo-prazo na plataforma.

Propositadamente para a Gestos e Fragmentos, Azevedo Gomes rodou em formato digital, uma pentalogia de curtas-metragens O Ah! das Coisas, com recurso a smartphone. Os filmes de ensaio foram produzidos ao longo das primeiras semanas de confinamento obrigatório, entre 6 de abril e 18 de maio de 2020, com o objetivo de documentar observações da cineasta feitas neste período, acerca de relações virtuais, memórias de vida, objetos artísticos com os quais se tentava distrair e a ansiedade que se mantinha. Acerca da sua reflexão com a última curta-metragem produzida para a série, intitulada O pecado de João Palolo, Rita Azevedo Gomes escreveu: "No extenso e estranho isolamento em que nos vemos (...) as memórias de vida vêm por encantamento. O Ah! das coisas, acontece neste tempo que é simultaneamente de espanto e de pavor. O Ah!, são fantasias em filme da festa das memórias. O pecado de João Palolo é isso. Feito a lembrar João (António) Palolo, o amigo que me falava do azul cobalto, e de quem não cheguei a despedir-me. Assim, aparece, na pintura."

Distribuição A Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema distribuiu as várias curtas-metragens O Ah! das Coisas através da sua plataforma digital Gestos e Fragmentos, entre os meses de abril e junho de 2020, tal como sintetizado na tabela seguinte: TítuloDuraçãoData de produçãoData de lançamentoO Ah! das coisas: 6 de abril de 20201:406 de abril de 202029 de abril de 2020O Ah! das coisas: "Nos quartos das freiras não há espelhos."4:007 de abril de 202028 de maio de 2020O Ah! das coisas: 21 de abril de 20204:2021 de abril de 202029 de abril de 2020O Ah! das coisas: "Um dia voltei ao quarto..."4:1218 de maio de 202028 de maio de 2020O Ah! das coisas: O pecado de João Palolo5:2718 de maio de 202030 de junho de 2020 O filme O Ah! das coisas: O pecado de João Palolo foi selecionado pelo curador Jean-François Chougnet para a sessão Open Call do festival FUSO: Anual de Videoarte Internacional de Lisboa, onde foi exibido a a 29 de agosto de 2020. Na sequência desta projeção, a curta-metragem integrou também, a 30 outubro do mesmo ano, a sessão Estruturar o Tempo do FUSO INSULAR: Mostra de Videoarte dos Açores (Ponta Delgada).

Ver também Cinema de Portugal

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