Garanhuns é um município brasileiro do agreste do estado de Pernambuco, distante 230 quilômetros da capital pernambucana, Recife. Ocupa uma área de , Pertence a Região Geográfica Intermediária de Caruaru e é o principal e mais populoso município da Região Geográfica Imediata de Garanhuns. Em 2022, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou sua população em aproximadamente 142.506 habitantes, sendo o nono mais populoso município pernambucano, o terceiro mais populoso do interior do estado e o segundo mais populoso da região do agreste pernambucano.

Originalmente, suas terras eram ocupadas por povos índigenas do ramo dos Cariris, quando, por volta do , brancos e negros fugidos da sujeição dos holandeses ocuparam as regiões de brejos, lá estabelecendo-se em aldeias esparsas. Em 29 de setembro de 1658, o mestre de campo Nicolau Aranha Pacheco, o capitão Cosmo de Brito Cação, Antonio Fernandes Aranha e Ambrósio Aranha de Farias receberam, do governador na época em exercício, André Vidal de Negreiros, uma sesmaria com cerca de 20 léguas de extensãoː um dos lotes da sesmaria se localizava nos campos de Garanhuns e outro lote se localizava em Panema. Nesse mesmo ano, foi fundado o Sítio Garcia, situado na região onde atualmente se localiza o distrito sede do município.

Garanhuns é o centro mais diversificado do agreste meridional, sendo polo de 32 municípios, concentrando, em seu entorno, mais de um milhão de habitantes. Garanhuns é, também, um centro regional de saúde e educação. O município, pelo seu diversificado comércio e oferta de serviços, tem no turismo, um importante fator de geração de emprego, renda e desenvolvimento, dispondo de uma grande rede de empresas prestadoras de serviços e de hotéis. Em julho, a cidade sedia o Festival de Inverno de Garanhuns, que, anualmente, atrai milhares de turistas de todo o mundo.

Etimologia

thumb|esquerda|Pórtico na entrada de Garanhuns A origem do topônimo Garanhuns é muito controversa, havendo várias versões. O lexicógrafo José de Almeida Maciel, em seu livro "Questões de Toponímia Municipal" refere-se a guirá-nhum, os pássaros pretos, nome de um povo indígena existente no local. Segundo o professor João de Deus Oliveira Dias (citado na Documentação Territorial Brasileira, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o termo vem do nome do povo Cairu, da nação Cariri ou Quiriri, corruptela de Guiranhu ou Unhannhum, derivados de guirá ou guará (ave vermelha pernalta, aquática) e anhu ou anhum (anum, pássaro preto), espécies que habitavam o vale do rio Mundaú, perto da sua nascente, local da aldeia originaria. Por outro lado, o lexicógrafo Sebastião de Vasconcelos Galvão, em seu "Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco", diz que é uma palavra de origem indígena que significa "sítio de guarás e anuns", formado de guarás (espécie de cão selvagem) e anuns (ave tida como agoureira).

O escritor Ademilson Antônio Macedo, em seu "Dicionário de Nomes, Origens e Significados dos Municípios Brasileiros", além dessas expressões, traduz ainda como "homem do campo". Segundo o escritor Mário Melo, o topônimo é uma corruptela de guirá-nhum, com derivação para guará-nhum, indivíduo preto, referente ao quilombo da serra, "... pois ainda hoje os índios carijós de Águas Belas conhecem Garanhuns como claiô, no sua língua yatê: claí (branco), iô (não): não branco, escuro, preto. Convém, ainda, notar que a serra de Garanhuns era conhecida pelo nome da tribo Garanhuns, de origem cariri, que a habitava."FONSECA, Homero. Pernambucânia: o que há nos nomes das nossas cidades. Recife: Cepe, 2009.GALVÃO, Sebastião de V. Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco. Recife: Cepe, 2006. v. 1.

O tupinólogo Eduardo Navarro afirma em seu Dicionário de Tupi Antigo (2013) que o topônimo é originário do tupi antigo por meio da junção de agûará + nhũ, que significa "campo (nhũ) dos lobos-guarás (agûará)".NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 560.

História thumb|esquerda|Igreja Matriz de Santo Antônio, no Centro de Garanhuns miniaturadaimagem|esquerda|Garanhuns, agosto de 1961. Arquivo Nacional O início do povoamento de origem europeia das terras onde se situa o município de Garanhuns data do . Fugindo ao jugo flamengo e à escravidão, brancos e negros se deslocaram para a região, primitivamente habitada por indígenas, presumivelmente um ramo dos cariris. Posteriormente, novas levas de escravos foragidos se estabeleceram nos brejos, em aldeamentos esparsos. Em 29 de setembro de 1658, o mestre de campo Nicolau Aranha Pacheco, o capitão Cosmo de Brito Cação, Antonio Fernandes Aranha e Ambrósio Aranha de Farias obtiveram, do então governador da capitania de Pernambuco, André Vidal de Negreiros, uma sesmaria de 20 léguas de terras em dois lotes, sendo um nos campos dos Garanhuns e outro no Panema. No primeiro lote, foi fundada uma fazenda, nesse mesmo ano, com a denominação de Sítio Garcia, no local onde atualmente se encontra a sede municipal. Tudo indica que a fazenda se encontrava em franco desenvolvimento quando, por volta de 1670, ela foi totalmente destruída durante conflitos com quilombolas do Curica, no Alto do Magano, passando a ser conhecida, daí por diante, como Tapera do Garcia, denominação depois simplificada para Tapera. "Tapera" é uma palavra tupi antiga que significa "aldeia que foi, aldeia extinta, aldeia destruída" e que, no português atual, significa "casa em ruínas, casa abandonada".<ref>NAVARRO, E. A. Dicionário de Tupi Antigoː a Língua Indígena Clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 462.</ref>

A Guerra dos Palmares (segunda metade do ) prejudicou sensivelmente o progresso da região, pois as fazendas ali localizadas estavam sob a ameaça constante de retomada de território, por resistência dos povos quilombolas de sua região, que obrigavam os novos colonizadores à abandoná-las, juntamente com a população branca, privilegiada e escravagista. Terminada a Guerra dos Palmares, em 1696, a região desenvolveu-se, em 1699, era expedida uma carta régia criando varas de juízo, ou julgados, em diversas freguesias do sertão, entre elas Garanhuns, sede da "capitania do Sertão do Ararobá", como era conhecida toda a zona compreendida entre o Cimbres e o Pajeú das Flores.Agência CONDEPE/FIDEM, Calendário Oficial de Datas Históricas dos Municípios de Pernambuco. 2006. v. 3

Em 1704, a Tapera do Garcia foi comprada pelo coronel Manuel Pereira de Azevedo, passando por conta de sua morte, alguns anos depois, a ser administrada por sua viúva dona Simoa Gomes de Azevedo. Em 1756, sua viúva fez doação de um trecho de terras de meia légua em quadro à Confraria das Almas da matriz de Garanhuns, no local onde mais tarde se ergueu a cidade. Com a criação da Vila de Cimbres, em 1762, e sua instalação no ano seguinte, Garanhuns ficou apenas como sede da freguesia de Santo Antônio de Garanhuns, perdendo a condição de sede da capitania do Sertão do Ararobá. Em 1796, a capela local deixou de ser curato e passou à condição de sede do vicariato; em 15 de agosto de 1800, foi criada a paróquia de Santo Antônio da povoação de Garanhuns.ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Rio de Janeiro: IBGE, 1958. v. 18. thumb|esquerda|Seminário São José Ao final do , com a construção da linha férrea que liga o município à capital pernambucana, o setor da prestação de serviços ocasionou o apogeu do crescimento econômico e populacional de Garanhuns, quando graças à diminuição do tempo gasto na viagem entre as cidades do litoral pernambucano e interior, a quantidade de hotéis e pousadas cresceu com muita rapidez, aumentando também o número de pessoas que buscavam, no município, o turismo rural. Na década de 1990, a criação do festival de inverno da cidade consolidou o turismo como principal gerador de renda da região. miniaturadaimagem|Carta Régia em que o príncipe regente, Dom João VI, emancipa Garanhuns, em 1811. Até o início de 2014, o município comemorava o dia da sua emancipação em 4 de fevereiro, data que foi alterada após uma pesquisa realizada pelo presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns no Museu do Tombo, em Portugal. Ao entrar em contato com os arquivistas do museu, o presidente, que buscava por documentos acerca do ataque de Domingos Jorge Velho à cidade, encontrou a Carta Régia do município, assinada por Dom João IV, que elevava Garanhuns à categoria de vila. A carta encontrada foi decisiva para a adequação do município à lei constitucional que proíbe um município possuir mais de quatro feriados municipais. A partir do fato, o dia da emancipação passa a ser celebrado como uma data magna, nunca caindo em um dia útil.

Geografia thumb|esquerda|Garanhuns e municípios limítrofes O município possui, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, uma extensão territorial de , sendo formando a zona urbana e os restantes a zona rural. Situa-se a 08° 53' 25" de latitude sul e 36° 29' 34" de longitude oeste, estando distante cerca de 230 da capital estadual. Os municípios limítrofes são Capoeiras e Jucati ao norte; Lagoa do Ouro e Correntes ao sul; São João e Palmeirina ao leste; Caetés, Saloá, Paranatama, Brejão e Terezinha a oeste.

O município de Garanhuns encontra-se na unidade geoambiental das Superfícies Retrabalhadas, que é formada por regiões que vêm passando acentuado retrabalhamento da sua superfície. Esse tipo é caracterizado pelo relevo muito dissecado e pelos vales profundos. Situado no Planalto da Borborema, Garanhuns é cercado pelas colinas Antas, Columinho, Ipiranga, Magano, Monte Sinai, Quilombo e Triunfo, a uma altitude de 841metros acima do nível do mar no marco zero do município, podendo variar conforme o local, havendo áreas em que ultrapassa metros, como o Monte Magano ().

Garanhuns está inserido na bacia hidrográfica do Rio Mundaú, tendo como seus principais cursos d'água os rios: Mundaú Canhoto e Inhaúma, além dos riachos: São Pedro, São Vicente, Mimosinho, Seco, Mocambo, Repartição, Imbé, Mochila, Pacheco, das Pedras, Baixa da Lama, Estrondo, da Laje, do Dunga, Periperi e Timbó. Todos seus cursos d'água tem uma regime intermitente, sendo seu padrão de drenagem o dendrítico. Já os açudes de maior importância no município são o Mundaú, com capacidade de , e o açude público de Garanhuns.

Clima Maiores acumulados de precipitação em 24 horasregistrados em Garanhuns por meses (INMET) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 25 de janeiro de 1969 Julho 2 de julho de 2022 Fevereiro 13 de fevereiro de 1976 Agosto 17 de agosto de 1991 Março 25 de março de 2005 Setembro 5 de setembro de 2003 Abril 9 de abril de 2010 Outubro 5 de outubro de 1965 Maio 26 de maio de 2017 Novembro 12 de novembro de 1968 Junho 19 de junho de 2010 Dezembro 27 de dezembro de 2002 Período: 1963-presente O clima garanhuense é classificado como mediterrânico, extremamente raro no Brasil, caracterizado por verões secos e invernos úmidos, do tipo Csa na classificação climática de Köppen-Geiger. É caracterizado por temperaturas amenas na maior parte do ano, em função da altitude. A temperatura média compensada anual é de , chegando a ou até menos nos meses mais frios, época que também é tradicionalmente a mais chuvosa do ano. O índice pluviométrico é de cerca de 890 mm/ano, com umidade do ar relativamente alta durante o ano todo. O tempo médio de insolação é de horas/ano, sendo maior entre outubro e dezembro.

Segundo dados da estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) em Garanhuns, desde dezembro de 1963 a temperatura mínima absoluta registrada foi de em 22 de julho de 1999 e a máxima histórica chegou a em 5 de setembro de 1993. Os maiores acumulados de precipitação em 24 horas atingiu em 27 de dezembro de 2002, seguido por em 25 de março de 2005 e em 2 de julho de 2022.

Ecologia e meio ambiente MOURET, Geraldo. Blog do Mouret: compromisso com a notícia. Garanhuns, 2014