O Museu da Imagem e do Som (MIS) é um museu público estadual, vinculado à Secretaria da Cultura e inaugurado no ano de 1970.Comissão de Patrimônio Cultural da USP, 2000, pp. 437-438. Fruto de um projeto iniciado alguns anos antes por intelectuais e produtores culturais, como Ricardo Cravo Albin, Paulo Emílio Salles Gomes, Rudá de Andrade, Francisco Luiz de Almeida Salles e Luiz Ernesto Machado Kawall,Bravo! Guia de Cultura, 2005, pp. 158.Museu de Imagem e do Som de São Paulo (MIS) no bairro Jardins - São Paulo. o museu preserva hoje o patrimônio de audiovisual nacional e abriga diversos documentos sonoros e imagético.
Localizado no Jardim Europa, distrito de Pinheiros, tem como objetivo principal, desde sua inauguração até atualmente, preservar e documentar o passado e o presente de manifestações que estão ligadas à arte, imagem e som, como música, cinema, fotografia, artes gráficas etc., para um levantamento de um painel da vida brasileira nos seus aspectos humanos, sociais e culturais. Nas década de 1970 e década de 1980, destacou-se como um importante núcleo de difusão artística e educativa, e se transformou em um centro de referência para a pesquisa da indústria audiovisual brasileira.
Seu acervo conta com mais de duzentos mil itensMIS - Acervo e, atualmente, possui uma programação cultural variada, voltada a diversos públicos. Vem ganhando destaque na crítica e na mídia por suas exposições bem elaboradas e sobre grandes nomes da arte contemporânea, do cinema, da música, além de dar espaço a novos artistas.
Em 30 de outubro de 2019, foi inaugurado na Água Branca o novo museu MIS Experience. Criado em parceria com a Fundação Padre Anchieta, responsável pela TV Cultura, o espaço foi totalmente adaptado para receber exposições imersivas.
Histórico
Antecedentes
Em 1965, o Museu de Imagem e do Som foi inaugurado durante as celebrações do IV Centenário do município carioca, sendo a instituição cultural pioneira no Brasil, que se tornou um importante centro de referência da vanguarda audiovisual brasileira. Com um projeto, até então inovador no campo museológico, o MIS-RJ foi criado durante o governo de Carlos Lacerda, na época das comemorações do IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro. Essa ideia seria, em seguida, adotada por diversos outros governos estaduais, que formaram comissões para instalar MIS regionais. O musicólogo Ricardo Cravo Albin, fundador e diretor do MIS carioca até o ano de 1971, integrou as comissões organizadoras responsáveis por criar Museus da Imagem e do Som. Atualmente (2017) existem em torno de 23 pelo Brasil todo. No começo, como relata Rudá de Andrade em entrevista ao MIS-SP, o museu carioca dedicava-se sistematicamente em recolher depoimentos de grandes personalidades da época, ato que gerou grande repercussão na imprensa nacional, por conta dos entrevistados.Rudá de Andrade. Museu da Imagem e do Som. Produção MIS, 1995. DVD Data. Cor. 119min 1ª parte, 29min 2ª parte. Disponível para consulta na Midiateca do museu.
Foi o então governador de São Paulo, Roberto Costa de Abreu Sodré, que sugeriu a ideia de criar um Museu de Imagem e do Som na capital paulista visando a publicidade que a produção de tais entrevistas com nomes célebres da cultura brasileira poderia trazer para o governo. O assessor do governador, Luiz Ernesto Kawall, foi um dos grandes responsáveis pela concretização da ideia.
Em meados da década de 1950, forma-se o trio que, junto com Kawall, possibilitaria a criação do MIS em São Paulo. Paulo Emílio Salles Gomes, Francisco Luiz de Almeida Salles Gomes e Rudá de Andrade estavam envolvidos em um projeto de consolidação da Cinemateca Brasileira, criada em 1954. Por conta disso, tinham interesse em filiá-la a alguma instituição sólida. A primeira tentativa foi fazê-lo com a Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, criada em 1967, mas o projeto não foi realizado com sucesso.
Com a criação de um Museu da Imagem e do Som na cidade de São Paulo, que chega ao trio por meio da Secretaria da Cultura, seria possível vincular a Cinemateca a algum órgão do Governo, já que o presidente do Conselho na época, Péricles Eugênio da Silva, tinha a preocupação de criar uma instituição de respaldo.
Fundação thumb|Entrada da instituição Os trabalhos que visavam a criação do Museu da Imagem e do Som de São Paulo foram iniciados em 1967 por uma comissão formada por Francisco Luiz de Almeida Salles Gomes, Luiz Ernesto Kawall,Paulo Emílio Salles Gomes, Péricles Eugênio da Silva e o cineasta Rudá de Andrade. O Museu seria oficialmente inaugurado três anos mais tarde, em 29 de maio de 1970, pelo Decreto-lei n.º 247BRASIL. Decreto-lei nº 247, de 29 de maio de 1970. Sobre a criação do Museu da imagem e do Som do Estado de São Paulo. do Governador Roberto de Abreu Sodré. Enquanto o governador queria registros sonoros das personalidades brasileiras, os integrantes da comissão se preocupavam com o registro do intenso processo de mudança e modernização pelo qual São Paulo passava. O MIS surge para coletar, conservar e registrar a documentação e a memória produzida em meios novos, como a televisão, o rádio, a indústria fonográfica e a videoarte, até então ignorados pelas demais tipologias museológicas e pelas vertentes arquivísticas tradicionais, bem como por preservar imagens e sons ligados às manifestações culturais das comunidades rurais e urbanas do estado e do país.Museu da Imagem e do Som (São Paulo). Memória Paulistana: catálogo da exposição. São Paulo: Museu da Imagem e do Som,1975.
Nos cinco primeiros anos de atividade, o Museu funcionou em diversos locais. A primeira locação foi em um edifício precário na Rua Antônio Godoy, então sede do Conselho Estadual de Cultura. De lá, mudou-se para o Palácio dos Campos Elíseos, antiga sede do governo estadual. Mudou-se em seguida para dois sobrados em na Alameda Nothmann e depois para um edifício na Avenida Paulista. Em 1973, foi novamente transferido para uma residência na Rua Oscar Pereira da Silva. Por fim, o MIS recebeu como sede, pelo governo, um casarão desapropriado, pertencente à família Giaffone, localizado na Avenida Europa, nos Jardins. Os arquitetos Roberto Fasano e Dan Juan Antonio foram responsáveis pela extensa reforma que resultou em edificação de cinco mil metros quadrados novos atuais.Revista Cultural, outubro de 2002, pp. 14.
A sede definitiva do MIS foi inaugurada em 27 de fevereiro de 1975, com a exposição Memória Paulistana, organizada por Rudá de Andrade como um “resgate histórico-cultural da memória da cidade de São Paulo”, cujo catálogo trazia em seu texto inicial os objetivos e a filosofia do Museu – documentação e registro do passado e presente, abordagem das manifestações artísticas e mutações tecnológicas de maneira objetiva e abrangente. Além de “conferir-se o caráter de museu moderno (...) e de museu vivo”, servindo também como um ambiente de estudo, pesquisa e experimentação.
Rudá de Andrade foi o primeiro diretor do museu. Em sua gestão, o MIS empenhou-se em produzir um expressivo acervo de registros sonoros, tornando-se a primeira instituição museológica do país a ter como atividade permanente a documentação da história oral. Foram colhidos depoimentos desde personalidades como Tarsila do Amaral, Pietro Maria Bardi, Sérgio Buarque de Hollanda, Tom Jobim, Pelé, Gregori Warchavchik, Arrigo Barnabé, Camargo Guarnieri, Cacá Rosset, José Celso Martinez Corrêa e Alfredo Volpi, a veteranos da Revolução de 1932. Além disso, em sua fase inicial, o Museu conduziu diversos projetos de caráter antropológico, como a pesquisa realizada no Vale do Ribeira, registrando a organização social, o folclore e as demais manifestações culturais locais, o que resultou em um conjunto composto por milhares de slides e negativos, 60 rolos de fita magnética, 12 relatórios de pesquisa e três curtas-metragens. Ainda na vertente antropológica, destacou-se a documentação sobre a arte rupestre no Piauí e sobre as transformações sofridas pela população no eixo Rio-Santos.
O MIS esteve entre as primeiras instituições culturais do Brasil a organizar e sediar festivais de vídeo, mostras audiovisuais e de fotografia, como a Mostra do Audiovisual Paulista, o Festival Internacional de Curtas e as primeiras exibições dos vídeos experimentais do norte-americano Bill Viola. Foi também precursor na exibição de filmes fora do circuito comercial, transformando-se em uma referência cultural da cidade e em um ponto de encontro de produtores, estudantes e profissionais da área audiovisual e interessados em geral.
Em 1983, o MIS sediou a primeira edição do Festival de Vídeo Brasil, mostra competitiva que premiou o diretor de teatro José Celso Martinez Correa, por seu documentário abordando as relações ente o teatro e as artes plásticas. O então diretor do museu, Ivan Negro Isola, que permaneceria no cargo até 1987, buscou enfatizar as políticas estruturais e consolidar uma agenda fixa de eventos culturais e atividades didáticas. No começo da década de 1990, o museu criou o setor de artes gráficas, após a organizar a mostra Gráficos Brasileiros - Antes de Hards e Softs, em julho de 1991, e buscou dar continuidade a uma agenda cultural fixa. Não obstante, a multiplicação de espaços culturais na cidade e o aumento da oferta de eventos ligados à produção audiovisual contribuiriam, nos anos seguintes, para uma queda significativa no número de visitantes, em comparação às décadas de 1970 e 1980.Revista Cultural, outubro de 2002, pp. 15.
Em 2007, o Governo do Estado de São Paulo estabeleceu uma parceria público-privada, transferindo a gestão do MIS para a Organização Social de Cultura Associação do Paço das Artes Francisco Matarazzo Sobrinho. Daniela Bousso substituiu Graça Seligman na direção. O museu foi fechado para a realização de uma reforma, e reinaugurado em agosto de 2008, com o espaço expositivo ampliado, um segundo auditório e dotado de novos equipamentos para agregar novas mídias tecnológicas e experimentações artísticas em suportes não convencionais. Nesse mesmo ano, inaugurou o "Laboratório de Novas Mídias do Museu da Imagem e do Som" (LABMIS), o primeiro laboratório de novas mídias instalado em um museu público brasileiro, que funciona como centro de pesquisa e produção para artistas residentes, e de difusão, por meio dos cursos e palestras oferecidos.LABMIS . Museu da Imagem e do Som. Página visitada em 26 de novembro de 2013.
MIS Experience Inaugurado em 30 de outubro de 2019, o museu MIS Experience ocupa atualmente a antiga marcenaria da TV Cultura, na região da Água Branca. É o primeiro espaço imersivo da América Latina, sendo que o investimento de R$ 8,5 milhões necessários para sua construção foi inteiramente financiado por empresas privadas. Sua exposição inaugural, "Leonardo da Vinci - 500 anos de um gênio", traz uma experiência imersiva inédita ao público da cidade, que vai permitir ao visitante conhecer a vida e o legado de Da Vinci. A exposição, criada em parceria com o Museu Leonardo da Vinci, em Roma, com a colaboração de especialistas italianos e franceses.
Exposições, atividades e eventos esquerda|upright=1.4|thumb|Exposição do Castelo Rá-Tim-Bum no MIS-SP.