A Política de Guerra às Drogas no Brasil teve seu início em 1940, quando determinadas drogas entorpecentes foram criminalizadas no território brasileiro, por meio do Código Penal de 1940, na Lei nº 2.848/1940, constando no artigo 281:

Este artigo tornava essas drogas algo ilegal e assim autorizava os poderes policiais e órgãos reguladores a tomar sanções contra os usuários e traficantes de drogas ilícitas. Antes da proibição legal, drogas entorpecentes já eram envoltas pelo preconceito, principalmente racial com a questão da maconha, que era apelidada de "fumo-de-angola", já que era utilizada pelos negros em seus rituais. Assim, a proibição e regulamentação das drogas entorpecentes foi impulsionada pelo racismo.

Em 1973, quando o Brasil aderiu ao Acordo Sul-Americano sobre Entorpecentes e Psicotrópicos, a guerra às drogas mudou sua maneira de agir, tendo em vista que desta vez as mudanças nas políticas sobre drogas deixavam claro as penas e as consequências de portar, comprar ou vendê-las. Era de interesse do Estado brasileiro que as drogas entorpecentes fossem marginalizadas e proibidas, tendo em vista que em 1968, em marchas estudantis contra a ditadura, essas foram utilizadas como símbolo de resistência contra o regime e, por não ter uma punição clara, os usuários não eram julgados ou punidos.

Dos anos 1980 a 1990, houve uma união de gangues e expansão do crime organizado, gerando assim intensificação de conflitos. Inicialmente, as facções eram criadas com propósitos similares: combater a repressão policial e viver em harmonia. Porém, em 2016, começaram a aparecer os primeiros relatos de guerras sangrentas entre facções.

Histórico

Pré-Guerra (1921-1940)

Primeiras leis miniaturadaimagem|242x242px|Representação do racismo em relação as drogas através de uma ilustração Anterior as proibições efetivas sobre as drogas no território brasileiro que aconteceram em 1940, o Brasil já havia assinado alguns tratados internacionais contra drogas, como o "Tratado de Haia", porém, não havia nenhuma lei nova efetivada para tal, tendo então em 1921, uma pressão internacional sobre o Brasil para criação de uma sanção, que gerou uma lei na qual "proibia substâncias potencialmente venenosas" e assim tentava barrar de maneira sutil as drogas, mas somente em 1940 que houve efetivamente regras que proibissem as drogas.

Racismo Também antes de 1940, havia uma pressão social para a proibição das drogas, principalmente a maconha, tendo em vista que esta droga era popularmente utilizada por negros para seus ritos e rituais, assim provocando uma maior sensibilidade do sagrado. Assim como o racismo pós-abolição, a maconha era considerada uma droga suja e de negros, sendo conhecida também como a "fumo-de-Angola", de maneira pejorativa.

Inicio da guerra (1940 - 1973)

Metodologia miniaturadaimagem|239x239px|Manifestação estudantil durante a Ditadura Militar no Brasil Após a proibição efetiva de drogas em 1940, houve diversas outras tentativas de restringir o consumo de drogas no Brasil. Assim, as policias começaram a estudar como era feito o cultivo e a produção em massa das drogas no Brasil, começando a serem feitas diversas operações policiais em busca de drogas, porém, devido a lei de proibição ao tráfico e transporte de drogas ter sido recém criada, as pessoas ainda não entendiam claramente as consequências. Também não eram claros os motivos pelo qual uma pessoa podia ser indiciada por tráfico ou apenas por porte.

Ditadura militar Durante a ditadura militar brasileira, o consumo das drogas e a criação de movimentos hippies e punks começaram a crescer, sendo comum em marchas estudantis o consumo de drogas como uma forma de confrontar a polícia e demonstrar sua "rebeldia" e sua infelicidade com o sistema, no qual diversos estudantes eram detidos pelo porte e uso de drogas, mas como a lei que proibia o uso era muito recente, era confuso o método de punição utilizado para os jovens.

Evolução da guerra (1973-2000) miniaturadaimagem|241x241px|Antigo kit para utilização de heroína, droga que estava se tornando popular na época nos Estados Unidos

Acordo sul-americano sobre entorpecentes e psicotrópicos O acordo sul-americano sobre entorpecentes e psicotrópicos foi um catalizador encontrado pelo governo brasileiro para tentar restringir e organizar o consumo de drogas no território brasileiro, definindo leis que estavam pendentes para estebelecer os critérios de diferenciar um traficante de um usuário, conseguindo então deixar mais claras as formas de julgamento para os tipos de indivíduos aprendidos com drogas.

Repressão policial e aumento da violência Agora com a definição clara dos papéis de todos os indivíduos que portavam drogas em território nacional, houve um aumento exponencial de casos de indivíduos sendo presos por violência contra policiais. Devido a isso, as academias de polícia começaram a ser treinadas para coagir todos que se envolvessem com drogas, definindo gangues e grupos de traficantes preexistentes e começaram a realizar operações policiais em busca de drogas, traficantes e usuários. Porém, as operações estavam ficando cada vez mais violentas e isto causava insatisfação em uma parte da população (principalmente moradores de favelas, onde essas operações eram mais comuns e agressivas).

Guerra contemporânea (2000-presente)

União de facções Após o massacre do Carandiru e o aumento da repressão policial, grupos criminosos menores começaram a se unir em busca de alguns objetivos, e em comum entre eles estavam: a proteção do seu parceiro de crime, evitar a repressão policial e gerar uma "profissionalização" do tráfico com cargos e regras mais claras dentro das próprias facções, a chamada hierarquia. Assim iniciava a terceira fase da guerra às drogas.

2006

Em 2006, o narcotráfico estava se reorganizando e grupos de narcotraficantes como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Compando da Capital (PCC) estavam em ascensão. A policia, que ainda estava se adequando às estratégias dos traficantes de drogas, resolveu separar dois líderes da facção PCC e isolá-los em presídios de segurança máxima. Isso acarretou uma onda de ataques de traficantes, que atearam fogo em ônibus, atacaram policiais militares e fizeram diversas ameaças, aterrorizando assim a população.

A policia respondeu à altura, fazendo blitz e operações segundo uma declaração pública do Coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges:

Após as operações terem sido feitas, foram apreendidos 113 armas de fogo e foi deixado um saldo elevado de mortos, cerca de 40 oficiais da segurança publica (entre policiais militares, guardas municipais e agentes penitenciários) e cerca de 71 suspeitos também morreram nas operações, além de 4 civis mortos e 16 feridos.

2007

Em 2007, foi a vez da polícia revidar os crimes cometidos em 2006, desta vez o feito ocorreu durante uma megaoperação no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Essa operação, que tinha como objetivo principal a prisão de traficantes, foi considerada uma vingança feita pela polícia, tendo em vista que houve 19 vitimas fatais e entre estas algumas não tinham envolvimento com o tráfico. Houve uma investigação que relatou que houve execuções durante a operação (sujeitos rendidos ou desarmados que foram assassinados sem oferecer resistência) e durante estas, civis poderiam ter sido confundidos com traficantes. Além dos mortos, 13 pessoas ficaram feridas, entre elas, 7 foram vitimas de balas perdidas.

2010

Em 2010, a violência voltou a cidade do Rio de Janeiro, desta vez a onda de violência teria sido incentivada pela implementação de UPP's em diversas favelas do Rio. Os atos começaram com criminosos praticando arrastões, apedrejando carros (sendo a maioria de órgãos de segurança) e incendiando ônibus.

Em resposta, a polícia começou operações tanto no Complexo do Alemão como na Vila Cruzeiro, tendo conseguido em operações sangrentas reconquistar os territórios ocupados pelos traficantes e instaurar ordem na cidade que enfrentava problemas como falta de ônibus e pessoas sem sair de casa com medo dos tiroteios.

Após o final da operação, diversas denúncias de abusos policiais sob civis foram feitas, tendo relatos de que policiais agrediram e ameaçaram pessoas para obter informações sobre a localidade de traficantes, sem ter certeza se os mesmos eram ou não envolvidos com o tráfico de drogas.

2012

Em 2012, a guerra contra o tráfico de drogas ganhou outro capítulo, desta vez em Santa Catarina. Após diversas denúncias de superlotação, maus-tratos e falta de médicos penitenciários, criminosos começaram uma onda de atentados contra veículos e edificações. Houve ataques em 36 municípios do estado, no qual 32 foram contra edificações, 72 ataques contra ônibus e outros 63 contra veículos, sendo eles na maioria de forças de segurança pública.

Após suas denúncias sobre o sistema penitenciário serem ouvidas, os ataques cessaram a mando dos próprios criminosos. Neste episódio não houve mortos confirmados, porém houve grandes prejuízos ao comércio popular com a recomendação de evitar a saída de casa caso possível e com a redução do número de ônibus em circulação.

2016

Em 2016, no Rio Grande do Norte, foram registrados ataques a ônibus, repartições públicas e veículos particulares efetuados por criminosos, tendo começado os ataques após o anúncio da instalação de bloqueadores de celulares nas penitenciárias do estado. Os ataques foram cessados somente após a chegada das forças armadas no estado, tendo sido registrados cerca de 111 ataques entre carros, ônibus e propriedades públicas e privadas.

Conflitos entre facções

Em 2016, houve o início dos conflitos entre facções criminosas, a maioria destes tem ligação direta ou indireta com o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, tendo em vista que são aliados e/ou fundadores de diversas outras facções menores espalhadas pelo brasil. No ano de 2016 foi a vez de conflitos em Boa Vista, onde uma rebelião em uma penitenciaria deixou 33 mortos, o conflito iniciou após o rompimento de um contrato entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital.

2017

Em 2017, após a greve de policiais militares em busca de melhores remunerações no estado do Espírito Santo, mais de 215 pessoas foram mortas de forma violenta, sendo que a maioria das mortes ocorreram em função de disputas pelo tráfico de drogas e/ou conflitos preexistentes entre pessoas, várias mortes não foram solucionadas até os dias de hoje.

Os crimes cessaram após a chegada das forças armadas ao estado, os policiais estão até hoje aguardando julgamento pelo crime de "revolta", porém o processo levará anos para ser concluído, tendo em vista que as greves policiais foram iniciadas por suas famílias, que ocuparam as portas de batalhões da polícia e impediram seus familiares de sair e isto está sendo utilizado como defesa por parte dos policiais.

2019

Em 2019 no estado do Ceará, houve uma grande série de ataques por parte de presidiários e criminosos, e facções de narcotraficantes estavam infelizes com a troca de gestão penitenciaria, resolvendo trazer dias de caos para as cidades do estado. Houve diversos atentados em diversas regiões do estado, tendo sido alvos diversos locais como ônibus, repartições públicas, veículos e etc. Durante os confrontos entre a policia e os traficantes, cerca de 3 suspeitos foram mortos e 4 civis foram feridos.

Altamira

Ainda em 2019, no município de Altamira houve um grande motim dentro de uma penitenciaria, tendo sido ocasionado por uma briga entre as facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital, resultando na morte de 62 presidiários, cujo 16 foram brutalmente decapitados pelos seus rivais e outros 41 morreram asfixiados pela fumaça que se alastrou pela galeria após criminosos atearem fogo dentro da penitenciária. Dos 41 mortos asfixiados, 26 aguardavam julgamento e não se tinha certeza de sua culpa e/ou seus envolvimentos com o tráfico de drogas.

2021

Chacina do Jacarezinho