Arrimal é uma povoação portuguesa do Município de Porto de Mós que foi sede da extinta Freguesia de Arrimal, freguesia que tinha 18,57 km² de área e 774 habitantes (2011), e, por isso, uma densidade populacional de 41,7 hab/km².
A Freguesia de Arrimal foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, para, em conjunto com a Freguesia de Mendiga formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Arrimal e Mendiga, com sede em Mendiga.
Localização Geográfica Situa-se a sudoeste no limite da sede do Município de Porto de Mós do qual dista cerca de 17 Km. A freguesia confinava com as freguesias de Mendiga, Serro Ventoso, Turquel, Évora de Alcobaça, Aljubarrota, Alcanede e Alcobertas.
Geografia A freguesia do Arrimal conta com um património natural de beleza excecional, dada a sua integração no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, (PNSAC), desde a sua criação em 4 de Maio de 1979.apresentando um relevo acidentado. O lugar do Arrimal situa-se num vale aplanado, delimitado a oeste pela Serra dos Candeeiros e a este pelo Planalto de Santo António, o que lhes confere um enquadramento geográfico privilegiado, de elevado interesse paisagístico.
Clima
A área abrangida pela freguesia do Arrimal, encontra-se numa situação de transição entre influências mediterrâneas e atlânticas, pelo que gera um microclima. Por ano, o número de horas de sol descoberto é de cerca de 2350 horas. O valor mensal de insolação poderá ser três vezes maior no Verão, em relação aos meses de Inverno. No que diz respeito à ocorrência de precipitação anual, esta varia entre 900 mm e 1300 mm, tornando-a na zona da Estremadura em que a pluviosidade média é mais elevada dado tratar-se de uma barreira de condensação relativamente aos ventos húmidos oriundos do mar. Por este motivo é das poucas zonas do pais onde é possível cultivar produtos agrícolas sem ser necessária a rega ou pelo menos a sua necessidade é muito diminuta. Durante cerca de dois a três meses do ano, poderão ocorrer geadas, normalmente entre o fim do Outono e o fim do Inverno.
Geologia
A freguesia do Arrimal está inserida no Maciço Calcário Estremenho, formação esta que, teve origem nos movimentos tectónicos da crosta terrestre através das movimentações das placas continentais e oceânicas. Uma grande parte das estruturas geológicas existentes teve a sua origem no Jurássico Médio. Outras, de origem mais recente, são constituídas por materiais detríticos e sedimentares e ainda pela presença de terra rossa, sobretudo em zonas de depressão.
Tal como é característico das regiões calcárias, encontramos aqui um tipo particular de paisagem: a paisagem Cársica, que se realça pelo seu aspeto ruiniforme e árido, sem igual no nosso país seja pela sua variedade seja pela sua quantidade e beleza singular do relevo da paisagem.
Ao longo do tempo, através de processos geomorfológicos, os elementos naturais foram modelando a rocha, sobretudo de origem calcária, tornando este é um local onde os mais significativos e típicos fenómenos cársicos se encontram representados no nosso país, as dolinas (de que as lagoas do Arrimal são os exemplos mais significativos e uns verdadeiros "oásis" no mar de secura que as envolve), as uvalas, os poljes, campos de lapas, e as lapas (de que são exemplo as Lapas do Alqueidão do Arrimal), tudo isto no que concerne ao modelado de superfície, e a existência de mais de 1500 grutas/algares que precorrem o interior do maciço e das quais na serra do Arrimal se destacam os seguintes:
Algar do Cabeço da Pedreira. Diz-se que tem ligação com a nascente do rio Alcôa. Algar do Covão de Ervilha; Algar da Figueira; Algar da Rusteira;
Recursos Hídricos
A área da freguesia do Arrimal, é marcada por uma paisagem árida com enorme escassez de água à superfície. Devido a esta escassez e por transferência de técnicas dos monges de Cister, a população local foi criando formas de armazenar as águas pluviais em reservatórios para se provirem de reservas de águas para os períodos de maior escassez. Estes reservatórios tradicionais apresentam diversas tipologias e dimensões sendo designados por cisternas em homenagem aos seus principais difusores.
Apesar da escassez de águas à superfície o subsolo desta zona constitui um dos maiores, se não mesmo o maior reservatório subterrâneo de água doce do país. Este reservatório estendesse desde Rio Maior até Porto de Mós e possuí cerca de sessenta e cinco mil hectares.
A sua alimentação é feita pelas águas pluviais que devido às características próprias do solo calcário se infiltra no subsolo criando autenticas ribeiras subterrâneas. Estas ribeiras quando a sua capacidade de armazenamento se esgota a água o excedente volta à superfície, formando uma nascente cársica como é o caso da nascente do Rio Alcôa, o Rio Lena, Rio Almonda e as nascentes dos Olhos de Água do Alviela, a mais importante de todas e alvo de captação por parte da EPAL para fornecimento de água a Lisboa desde 1880. De menor importância também nasce em um ribeiro nas Alcobertas.
Fauna
Mamíferos
Devido à existência de grande quantidade de grutas e outro tipo de cavidades rochosas, locais estes que ao contrário do que se chega muitas vezes a pensar são cheios de vida, pois no seu interior encontram-se várias espécies de morcegos, que passam despercebidos por serem subestimados no que toca á sua importância e outras vezes por serem associados às mais variadas crenças. Cabe salientar a presença das seguintes:
Miniopterus schreibersii Myotis emarginatus - (único local de reprodução no país)
Rhinolophus euryale
Em termos da presença de mamíferos cabe ainda salientar a presença do gineto (Genetta genetta), rapoza (Vulpes vulpes), texugos (Meles melles), coelhos (Oryctolagus cuniculus); salientando a presença esporádica de toirões (Mustela putorios), lebres (Lepus europaeus) e doninhas (Mustela lutreola).
Aves
Em termos da presença de aves cabe salientar a presença da águia-cobreira (Circaetus gallicus), a águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), o açor (Accipiter gentilis), contam-se entre as aves de presa diurnas enquanto a coruja-do-mato (Ciccaba virgata), e o mocho-galego (Athene noctua), se incluem entre os que povoam a noite.
A Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) é a ave mais carismática existentes no parque que nidifica somente nas inúmeras cavidades rochosas aqui existentes.
Aves como os corvos, gaios, tordos, perdizes e a galinha de água também conhecida localmente por mergulhôa existentes nas lagoas do Arrimal.
As aves de arribação, aqui chegadas são: a andorinha, o papa-figo, o cuco, a rola e a popa, na primavera; o tordo o pisco e o estorninho no Outono.
Répteis
Ao nível de répteis destacam-se:
Chalcides chalcides - Fura-mato ou cobra-de-pernas-tridáctila Vipera latastei - Víbora-cornuda (presente em habitats rochosos)
Nos ambientes aquáticos como nas lagoas do Arrimal ocorrem ainda duas espécies de cobras-de-Água:
Natrix natrix Natrix maura
Anfíbios
A freguesia alberga uma quantidade apreciável de espécies de anfíbios (cerca de treze), que dependem da existência de charcos temporários e de lagoas (ex.: Lagoas de Arrimal) para a sua reprodução. Algumas das espécies de anfíbios existentes no parque são:
Salamandra-de-fogo (Salamandra salamandra) Salamandra-de-costelas-salientes (Pleurodeles waltl) Tritão-marmorado (Triturus marmoratus) Sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes).
Insetos e outros Invertebrados
Na área da freguesia, podem observar-se muitas espécies de insetos associados a zonas calcárias e habitats calcícolas . Estão reconhecidas mais de 300 espécies de borboletas (Lepidoptera) onde se incluí a Branca-Portuguesa (Euchloe tagis).
Flora No que respeita ao coberto arbóreo atual apenas existem algumas pequenas manchas de carvalho-cerquinho e uma única parcela de Carvalho negral junto da lagoa Pequena do Arrimal. Este último é uma espécie muito rara pois necessita de terrenos argilosos com bastante água e com um clima muito húmido. Para além do coberto vegetal original existem também algumas manchas de eucaliptos que não são suficientes para conferir expressão evidente à atividade florestal; continuando a ser o elemento dominante desta vegetação não espontânea a oliveira. Hoje em dia ainda podemos encontrar algumas oliveiras enxertadas em zambujo, que são as mais antigas, tendo um grande porte e o tronco subdividido, situam-se nas proximidades dos locais habitados. Mas o olival plantado por estaca é o reflexo evidente da ação dos monges cistercienses de Alcobaça que iniciaram a sua plantação na serra dos Candeeiros no decorrer do século XVII.
Os baldios da freguesia do Arrimal na serra dos Candeeiros foram alvo de uma campanha de florestação com pinheiro-bravo levado a cabo pelo ICNF e que decorreu no ano de 1989 tendo dado trabalho a muitas pessoas da freguesia.
As serras contêm ainda um cortejo de plantas silvestres, destacam-se:
Rosa Albardeira Maias Chucha - Mel (madressilva) Campanas Pampilho Espadana Lírio Azul Margaça ou Amargaça
Heráldica Brasão: O brasão da freguesia do Arrimal foi publicado a 8 de Agosto de 2001 no Diário da República. È composto por um escudo de vermelho com arco arquitetónico de prata que simboliza o ex-libris dos coutos de Alcobaça e marco histórico do Arrimal: O Arco da Memória. Por cima estão quatro ramos de oliveira de ouro, cruzados dois a dois, que simbolizam a agricultura. Em baixo estão quatro tiras onduladas, duas em azul e duas em branco, que simbolizam as duas lagoas do Arrimal: a Lagoa Pequena e a Lagoa Grande. Em cima está a coroa mural de prata de três torres para indicar que é uma freguesia. No listel branco está a negro o nome da freguesia: «ARRIMAL»
Bandeira:
Na bandeira do Arrimal podemos encontrar o seu escudo. É branco com cordões e borlas de prata e vermelho. A haste e lança são de ouro.
População População da freguesia de Arrimal Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 611 631 678 761 791 744 699 841 866 869 861 853 815 747 774
História O povoamento da freguesia do Arrimal, remonta certamente ao período pré-histórico de acordo com os vestígios de fragmentos cerâmicos encontrados e foi sendo sucessivamente povoada por outros povos que se foram instalando ao longo dos séculos aproveitando os solos férteis das planícies do vale e a disponibilidade de águas das Lagoas.
O topónimo Arrimal, prende-se à época da reconquista cristã, quando D. Afonso Henriques, em 1147 se deslocava com um grupo de cavaleiros e homens de armas de Coimbra para Santarém para tomar esta cidade aos mouros. No seu percurso o rei, deslocou-se cautelosamente através da serra de Alvardos* (hoje serra dos Candeeiros), até chegar a um local no cimo da serra, onde segundo a tradição oral o rei terá feito a promessa ao Frei Bernado de doar todas as terras que dali se avistavam até ao mar; aos monges da ordem de S. Bernardo, este voto foi feito numa quinta-feira 13 de Março de 1147. Neste local mais tarde designado de Memória, em alusão ao voto ai feito pelo 1º Rei de Portugal, este decidiu acampar mas devido ao vento que ai se fazia sentir suspendeu a ordem e mandou avançar para melhor local, que acabou por ser na área envolvente da Lagoa Pequena aí chegados, e perante o agrado que o lugar lhe provocou, mandou "arrimar armas e animais" e foi esta exclamação de "Arrimar**", que mais tarde com a evolução fonética viria a dar o nome à povoação de ARRIMAL.