"Papercut" é uma canção da banda norte-americana de rock Linkin Park, gravada para o seu álbum de estreia, Hybrid Theory (2000). Foi escrita por todos os membros do grupo e produzida por Don Gilmore, com a sua gravação ocorrendo no ano 2000 nos estúdios NRG Recording, localizados em North Hollywood, Califórnia. A faixa foi lançada como o terceiro single de Hybrid Theory inicialmente de forma exclusiva em território europeu em 18 de junho de 2001, através da gravadora Warner Bros. Posteriormente, foi enviada para as rádios alternative rock dos Estados Unidos no mês de janeiro de 2002, se estabelecendo como o quarto single do disco neste país.
Musicalmente, "Papercut" é uma canção dos gêneros nu metal e rap metal cuja letra gira em torno de um indivíduo que se encontra em um estado de paranoia. A banda e Gilmore tinham como o objetivo retratar diversos tipos de elementos musicais reconhecíveis na faixa, entre eles o jungle e o hip hop. Em diferentes oportunidades, a obra foi considerada como uma das canções favoritas da maioria dos membros do grupo, que destacaram a sua integração coesiva de suas influências musicais. Ian Hornbeck realizou as linhas de baixo da faixa, substituindo o baixista recorrente Dave "Phoenix" Farrell, que estava comprometido com outra banda na época.
"Papercut" recebeu avaliações geralmente positivas através da crítica, que elogiou a integração dos vocais de Chester Bennington e Mike Shinoda, bem como seus elementos musicais. Comercialmente, listou-se entre as cinquenta primeiras posições em diversos países da Europa, incluindo o Reino Unido, onde atingiu o topo da UK Rock & Metal Chart por quatro semanas não consecutivas e a 14.ª posição na UK Singles Chart, recebendo uma certificação de platina pela British Phonographic Industry (BPI). Nos Estados Unidos, a canção alcançou a 32.ª posição na Alternative Airplay, obtendo um disco de ouro pela Recording Industry Association of America (RIAA).
O videoclipe da faixa, dirigido por Joe Hahn e Nathan "Karma" Cox, foi filmado em abril de 2001 em Los Angeles, Califórnia, e lançado na MTV em junho, exclusivamente no Reino Unido. Um remix, intitulado "Ppr:Kut", realizado pelo DJ Cheapshot e Jubacca com as participações de Rasco e Planet Asia, foi lançado no primeiro álbum de remixes da banda, Reanimation (2002). Já em uma colaboração entre a banda e o rapper Jay-Z, a obra foi regravada num mashup com a canção "Big Pimpin'", lançado no EP Collision Course (2004). Também figurou na trilha sonora do filme The One (2001) e em um conteúdo para download (DLC) do jogo eletrônico Beat Saber (2019).
Desenvolvimento e composição A gravação de "Papercut", assim como grande parte do primeiro álbum de estúdio de Linkin Park, Hybrid Theory (2000), decorreu no ano 2000, no estúdio de gravações NRG Recording em North Hollywood, Califórnia. A produção, tanto do disco quanto da canção, foi conduzida pelo produtor musical Don Gilmore, enquanto que Andy Wallace esteve sob responsabilidade de sua mixagem. As linhas de baixo da faixa foram realizadas por Ian Hornbeck, que substituiu o baixista recorrente da banda, Dave "Phoenix" Farrell, que estava comprometido com o grupo Tasty Snax na época. Segundo o rapper e multi-instrumentista Mike Shinoda, "Papercut" foi uma canção que se formou de forma relativamente rápida, em comparação com outras faixas de Hybrid Theory, que tiveram que ser reescritas várias vezes. Ainda segundo Shinoda, eles queriam retratar diversos elementos musicais reconhecíveis na obra, como os gêneros jungle e hip hop: "A intenção [do Linkin Park] sempre foi mostrar às pessoas o que gostávamos de ouvir. [...] Em um determinado período, geralmente é um reflexo de onde estamos no momento. Claro, nós tentamos respeitar qualquer gênero que estejamos tocando. O som final de nossas faixas não é uma coisa de 'superfície', é definitivamente mais analítico". Ele ainda afirmou que a banda também se inspirou no gênero drum and bass para desenvolver a canção.
"Papercut" é a faixa de abertura de Hybrid Theory, onde antecede o single de estreia da banda, "One Step Closer". Detendo uma duração de três minutos e cinco segundos (3:05) durante sua reprodução, é uma canção dos gêneros nu metal e rap metal, contendo diversos elementos reconhecíveis, entre eles o rap rock, hip hop, techno e punk metal. Shinoda comentou que o grupo se inspirou bastante no estilo musical dos rappers Jay-Z e Timbaland na criação da faixa. Ela intercala entre as linhas de rap de Shinoda e os vocais do vocalista Chester Bennington, além dos riffs de guitarra de Brad Delson, samplers do DJ Joe Hahn e bateria de Rob Bourdon. De acordo com a partitura musical publicada pela Universal Music Publishing Group, "Papercut" foi escrita no tom de ré menor, com um ritmo mínimo de 75 batidas por minuto. Seu conteúdo lírico gira em torno de um indivíduo que se encontra em um estado de paranoia, bem como em volta da ansiedade e o estado obscuro que se esconde dentro do interior desta pessoa. A Spin comentou que as letras da canção podem fazer jus a um "um rosto interior" que opera "independentemente do que [está] na sua cabeça", comparando-as a um "seminário de Carl Jung apresentado sob condições de que um adolescente pudesse entender".
Shinoda comentou que a decisão de colocar "Papercut" como a faixa de abertura de Hybrid Theory veio porque ela funcionava como "um cartão de visita" para a musicalidade do Linkin Park e que "[resumia] o que nossa banda era", classificando-a entre suas faixas preferidas do grupo. Bennington reiterou isso, descrevendo a canção como a "identidade da banda" e sua faixa favorita da discografia do Linkin Park — ao lado de "Breaking the Habit". Ele continuou dizendo: "No início, meu objetivo era trazer o máximo de melodia que pudesse para a música. A banda era muito, muito boa em fazer hip hop, e muito boa em escrever rock, mas não havia muita melodia [antes] de eu entrar. [...] Quando chegamos a essa música, o refrão era tão legal e as palavras por trás dela eram tão legais, que eu não precisei fazer muito melodicamente até que a tocássemos no final. Isso foi muito divertido; eu senti que essa canção realmente capturou a vibe da banda." Já Delson, ao ser perguntado sobre sua canção favorita de Hybrid Theory, respondeu: "'Papercut' é a minha favorita agora porque eu acho que ela integra melhor todas as nossas influências em uma música e faz isso de uma forma que seja de bom gosto e coesa".
Recepção da crítica "Papercut" recebeu avaliações, em sua maioria, positivas através da crítica. Em uma revisão do álbum Hybrid Theory, a IGN elogiou a interação dos vocais de Bennington e Shinoda, escrevendo: "Esta faixa é uma demonstração perfeita do estilo musical único da banda, apresentando uma mistura equilibrada dos vocais de Chester Bennington e as habilidades de MC de Mike Shinoda". Cyd Jaymes, da Dotmusic, reiterou esta opinião, dizendo que a obra "encontra todos os elementos usuais no lugar [...] riffs de rock afiados e carnudos, batidas fortes e robustas, o rap áspero de Mike Shinoda e os vocais estilo Eddie Vedder de Chester Bennington". O jornalista musical Robert Christgau, do The Village Voice, citou "Papercut" como uma das faixas destaques de Hybrid Theory, enquanto que o revisor Bradley Torreano, do AllMusic, descreveu a canção como um "hino selvagem e perspicaz de autopiedade", embora tenha criticado o conteúdo presente em seu CD single.
Classificando-a entre as melhores canções da banda, Sam Law, da Kerrang!, elogiou a quantidade de gêneros diversificados na faixa, opinando que ela é "sobrecarregada de influência; com sentimento; com a ambição de vencer o mundo: a declaração de abertura do atacante de uma equipe pronta para conquistar o mundo desde o primeiro dia" — fazendo referência a Hybrid Theory. Christian Holub, da Entertainment Weekly, escreveu: "A faixa principal do álbum de estreia do Linkin Park, Hybrid Theory, certamente dá um pontapé inicial explosivo", considerando-a também como uma das melhores canções do grupo. Ollie Dean, da Classic Rock History, comentou que a banda conseguiu "capturar perfeitamente" a essência dos fenômenos dolorosos da "paranoia, ansiedade e escuridão" na faixa. Em uma avaliação mais negativa, Matt Diehl, da Rolling Stone, opinou que "Bennington e Shinoda muitas vezes escorregam em letras cafonas e agressivas", citando a linha "[To have a] voice in the back of my head".
Em 2021, a revista Metal Hammer classificou "Papercut" na 14.ª posição em sua lista das 100 Melhores Canções de Metal do Século XXI.
Lançamento e outros usos "Papercut" ficou disponível pela primeira vez em 24 de outubro de 2000, na época do lançamento de Hybrid Theory. A canção foi lançada como o terceiro single de divulgação do álbum em 18 de junho de 2001, através da gravadora Warner Bros., somente na Europa. Segundo Shinoda, a decisão de disponibilizar "Papercut" inicialmente apenas em território europeu se deu porque "Crawling" — o segundo single do disco — "ainda estava forte nas rádios dos Estados Unidos", e já que o "mercado de rádio da Europa se move mais rápido", o continente "já havia afogueado dois singles e precisava de um terceiro". Ele continuou dizendo: "[A gravadora] basicamente queria um tempo limite para que o mercado europeu tivesse um terceiro single, e então pudéssemos ir para o mundo todo com 'In the End'" — o quarto single de Hybrid Theory na Europa. Um lançamento em território internacional da faixa aconteceu em 25 de setembro de 2001. Apesar de algumas fontes citarem que "Papercut" nunca havia sido disponibilizada nos Estados Unidos, a canção, no entanto, teve um lançamento sutil neste país, sendo enviada para as rádios alternative rock no mês de janeiro de 2002, e se estabelecendo como o quarto single de Hybrid Theory nesta região.
Outras versões e uso na mídia Um remix de "Papercut", sob o título "Ppr:Kut", foi lançado no primeiro álbum de remixes da banda, Reanimation (2002). A faixa foi regravada pelo DJ Cheapshot e Vin Scully (creditado como Jubacca), ambos do Styles of Beyond, contando também com as participações de Rasco e Planet Asia. O retrabalho possui um estilo musical mais orientado para o hip hop. Anos mais tarde, "Papercut" esteve presente num mashup com a canção "Big Pimpin'" do rapper Jay-Z, intitulado "Big Pimpin'/Papercut"; ele figurou no alinhamento de faixas do EP de colaboração entre os dois artistas, Collision Course (2004). No ano seguinte, um outro mashup da canção, desta vez com a faixa "Like A Pimp" de David Banner, foi criado pelo DJ Vlad e Roc Raida para o mixtape Rock Phenomenon (2005), apresentado por Shinoda. Elementos de "Papercut" foram usados na faixa "Sold My Soul to Yo Mama", que aparece nos EPs Linkin Park Underground 4.0 (2004) e Songs from the Underground (2008).
"Papercut" figurou na trilha sonora do filme The One (2001), dirigido por James Wong e protagonizado por Jet Li. Em agosto de 2020, a canção integrou em um conteúdo para download (DLC) do jogo eletrônico Beat Saber (2019).
Videoclipe esquerda|miniatura|270px|Uma cena do videoclipe de "Papercut" mostrando a banda se apresentando no meio de uma sala de uma casa luxuosa