Esporte Clube Pinheiros é um clube social, esportivo e recreativo brasileiro da cidade de São Paulo. Fundado como Sport Club Germania, teve que mudar seu nome por determinação do governo durante a Segunda Guerra Mundial.

Fundado em 1899 com uma área de 170 mil m², sendo 80 mil m² de área verde, o Pinheiros é o maior clube poliesportivo da América Latina, além de ser um dos maiores campeões em diversas modalidades esportivas, sendo responsável por 12 medalhas olímpicas brasileiras.

Diariamente, uma programação de eventos esportivos, sociais e culturais está à disposição de associados de todas as idades, como cinema, shows, peças de teatro, exposições, palestras.

História thumb|left|200px|Escudo do SC Germânia 1909. Surge em São Paulo, em 7 de setembro de 1899 o Sport Club Germania, que somente quatro décadas mais tarde, em 1942, viria a se transformar no Esporte Clube Pinheiros. Nasceu como um dos primeiros times de futebol da cidade, fruto da dedicação de alguns jovens de origem alemã. Seu fundador, Hans Nobiling, que havia praticado aquele esporte no Sport-Club Germania de Hamburgo e tinha o sonho de difundi-lo mundo afora. Quando aqui desembarcou com vinte anos de idade, em 1897, o jovem Nobiling trazia modelos de estatutos de clubes europeus, bolas e vários artefatos esportivos, além de uniformes com as cores de seu time natal: azul e preto. Pouco conhecido, o futebol era praticado por aqui apenas entre os membros da colônia inglesa. Nobiling foi importante para sua difusão. O Germania participou juntamente com o Sport Club Internacional, o São Paulo Athletic Club, o Club Athletico Paulistano e o Mackenzie College da fundação em 1901 da Liga Paulista de Futebol, e, posteriormente, da Liga Paulista de Tênis e da Federação Paulista de Atletismo entre outras, desempenhando papel destacado na história destas instituições. O Tênis, o Atletismo, a Natação e o Remo estiveram presentes desde o início no Germania, diversificando a prática recreativa que aos poucos foi se tornando mais competitiva e à medida que o clube formava seus atletas, difundia o espírito olímpico para a cultura da cidade.

thumb|left|200px|Vista da área verde do Clube Pinheiros e da região dos Jardins. O Germania passou por diferentes bairros da capital, até que em 1920, encontrou sua sede definitiva: cem mil metros quadrados na "Chácara Itaim", às margens do rio Pinheiros. A primeira edificação da nova área foi a Casa dos Barcos, erguida em 1921. O privilegiado endereço permitia o exercício do remo e da natação, esta praticada em cochos de madeira às margens do rio até 1933, quando foi inaugurada sua piscina olímpica, primeira de São Paulo. Muitos esportes já haviam de desenvolvido no Clube nessa época, reforçando sua tradição de clube poliesportivo. Hockey, saltos ornamentais, tiro, handebol, esgrima, ginástica eram algumas das modalidades praticadas. O Germania com seu espírito inovador, também foi arrojado quanto ao estímulo do esporte feminino. Em 1929 organizou a Primeira Competição de Atletismo Feminino do Brasil, onde o pequeno número de clubes participantes demonstrava seu avanço em relação a seus contemporâneos. A promoção da prática esportiva entre as crianças e jovens sempre foi prioritária. Nos anos de 1940 foram famosas as olimpíadas infantis, onde inúmeras escolas de São Paulo participavam. Mas desde os primeiros tempos eram ensinados os princípios da natação, do futebol e do atletismo para as novas gerações.

Com a Segunda Guerra Mundial, os clubes de origem alemã tiveram que se nacionalizar, e o Germania renasceu como Pinheiros. Já em 1945, o herdeiro das tradições pioneiras, inaugurava a primeira escola infantil em uma praça de esportes, que se tornou modelo para as demais agremiações. Os anos de 1970 constituíram o período desenvolvimentista, com a construção da nova pista de atletismo, da garagem subterrânea, dos novos conjuntos arquitetônicos como o Centro Administrativo, Centro Recreativo e Cultural, e o Centro Esportivo, que inaugurado em 1984 foi fundamental para a prática e a vivência de nossos atletas. Um ano antes havia sido aberta ao público, a piscina coberta que permitiu aos nadadores o prosseguimento dos treinos em qualquer época do ano.

Em 2008, com 109 anos, possuía 170 mil metros quadrados e fica localizado em um importante bairro de São Paulo, o Jardim Europa. Tem muitas árvores, verde e espaço de lazer para seus associados. Em matéria desportiva, destacam-se seus atletas da natação, que frequentemente representam o Brasil em Jogos Pan-Americanos e nas Olimpíadas, e atualmente seus times de vôlei profissional (masculino e feminino), bem como basquete profissional masculino, no âmbito paulista e brasileiro.

Em meio à Pandemia de COVID-19 de 2020, o clube suspendeu suas atividades temporariamente, reduziu em 16% a mensalidade de seus associados, deixou seu salão de festas disponível para autoridades de saúde e promoveu uma campanha para vacinação contra gripe influenza em seu estacionamento, utilizando um sistema onde o associado não precisava sair de seu carro para receber uma dose da vacina. O clube também dispensou antecipadamente seu time de basquete profissional masculino durante a pandemia, rescidindo os contratos dos jogadores com um mês de antecedência.

Um passo importante na preservação e divulgação da história do clube foi a fundação do Centro Pró-Memória Hans Nobiling, em 1991, que conta com um espaço expositivo permanente, reserva técnica, atendimento a pesquisadores e acervo disponível no site do clube. Centenas de atletas do Pinheiros já participaram de Olimpíadas desde 1932, sendo que oito esportistas pinheirenses subiram ao pódio olímpico:

Manoel do Santos Junior em 1960, 1ª medalha olímpica pinheirense - Bronze - 100 m nado livre.

João Carlos de Oliveira em 1976 - Bronze - salto triplo (16,90 m)

Douglas Vieira em 1984 - Prata / meio-pesado no Judô

Gustavo Borges em 1992 - Prata - 100 m nado livre / Tempo: 49" 43 1996 - Bronze / 100 m livre / Tempo 00:49:02 Prata / 200 m nado livre / Tempo: 01:48:08

Leandro Guilheiro - Judô – bronze/ 2008 – /Categoria Até 73 kg

Cesar Cielo - Natação - bronze / 100 m livre - bronze (47s67) Ouro/ 50 m livre (21s30 - RO - record olímpico)

Rafael Carlos da Silva - Judô – bronze / 2012 – Londres / Categoria peso-pesado (primeiro atleta brasileiro a conseguir uma medalha olímpica nessa categoria) 2016 - - bronze Rio de Janeiro / Categoria peso-pesado

Arthur Nory – 2016/ Ginástica Artística – Bronze / Solo Masculino

Alison dos Santos- Atletismo -Bronze/2020(2021)/ 400m com barreiras

Willian Lima - Judô – prata / 2024 / Categoria até 66 kg

Larissa Pimenta - Judô – bronze / 2024 / Categoria até 52 kg (primeira mulher a conquistar uma medalha olímpica na história do Pinheiros)

Beatriz Souza- Judô – ouro / 2024 / Categoria acima de 78 kg (primeira mulher a conquistando uma medalha de ouro Olímpica na história do Pinheiros)

Futebol Sport Club Germania e o futebol paulista thumb|right|200px|SC Germania x SC Internacional (SP) em 1899. O local foi o antigo páteo do Bom Retiro. thumb|right|200px|Vista da área verde do Clube Pinheiros, com a Rua Angelina Maffei Vita por trás (foto por Alexandre Giesbrecht). Dos mais antigos clubes praticantes de futebol no Brasil, o Germania disputou o Campeonato Paulista de Futebol de 1902, o primeiro do estado e do Brasil, e quase todas as edições seguintes, com um hiato entre 1917 e 1920, até 1932, o ano anterior à profissionalização da liga.

Nos primeiros campeonatos teve classificações modestas, ficando sempre entre os últimos. Porém, a partir de 1903, passou a contar com Hermann Friese, um alemão que, devido à sua refinada técnica e surpreendente variedade de jogadas em campo, se tornou o segundo craque da história do futebol brasileiro. Com ele, o time começou a se destacar e em 1905 terminou como vice-campeão. Em 1906 conquistou seu primeiro título, com sete vitórias e uma única derrota e ainda deixando o desafeto Internacional com o vice.

Depois do vice-campeonato de 1908, só voltou a se destacar com a conquista do campeonato de 1915, porém em um torneio esvaziado, organizado pela Liga Paulista de Foot-Ball, com apenas o Internacional como time de renome. Paulistano, A.A. das Palmeiras, Ypiranga e São Bento estavam em outra liga. Em 1909 ocorreu fato histórico para o Germania e para o futebol Brasileiro: a estreia de Arthur Friedenreich, filho de alemão, foi pelo clube.

Em 1916 o Germania abandonou o campeonato da liga, só voltando a disputar o Paulistão em 1921, terminando em último. Após muitas campanhas apagadas, só voltaria a ser vice-campeão em 1926, no campeonato organizado pela Liga dos Amadores de Futebol, com a participação exclusiva de clubes pró-amadorismo. Em 1931 ficou na última posição entre os catorze disputantes, e em 1932 numa honrosa quarta posição. No ano seguinte, com o advento do profissionalismo no futebol paulista, o Germania abandonou a disputa do Paulistão em definitivo.

Atletismo

O primeiro evento interno de atletismo no Germania aconteceu na forma de um pentatlo, em 8 de abril de 1900, e se compunha de chute da bola de futebol à distância, arremesso de rocha, corrida de 80 metros, salto em distância e arremesso da bola de críquete. Ao lado dos torneios internos que foram tomando regularidade mensal, há registros de excursões feitas a pé, como o passeio até a cidade de Cubatão através da Estrada Velha de Santos empreendido em 1902. Em 1903, chegou Hermann Friese — o fenômeno futebolístico e atleta completo —, que venceu a quase totalidade das provas de atletismo da época. Em maio de 1907, nos Jogos Olímpicos Internacionais em Montevidéu, Friese foi o único representante brasileiro, inscrevendo-se em várias provas, obtendo dois primeiros lugares e um segundo.

Em 1922, o Germania realizou a primeira corrida de revezamento de 100, 200, 400 e 800 metros. Até 1924, o atletismo, assim como o tênis, era patrocinado pela Associação Paulista de Esportes Atléticos. O Germania, o Paulistano e o Tietê se reuniram para fundar a Federação Paulista de Atletismo. A condição de fundadores da federação foi estendida também ao Santos Futebol Clube, ao Palestra-Itália e ao Clube Esperia.

Em 1926, o Germania inaugurou sua primeira pista de atletismo. Um grande feito atlético marcou o ano de 1929. O Germania venceu a disputa da Taça Dr. Álvaro de Oliveira Ribeiro, no revezamento 4 x 4OO metros. Este feito foi repetido no ano de 1931. A Taça foi definitivamente conquistada em 1967, fazendo parte do acervo do Centro Pró-Memória Hans Nobiling. Fatos como esses geraram atletas extraordinários como Lúcio de Castro, Ícaro de Castro Mello, Clara Müller, os irmãos Rehder, Lilly Richter, Ursula Henel, Maria José, Karl Staebler, Paeta, H. Harling, Dietrich Gerner, F. Sandor, F. Stingelin entre outros, que alcançaram marcas internacionais.

A participação feminina na modalidade tem sua estreia em 06/07/1930 quando a pista do S.C. Germania abre espaço para a 1ª Competição Atlética Feminina de que se tem notícia no Brasil. Somente em 08/02/1931 acontece a 1ª Competição Oficial Feminina de Atletismo sendo ambos os torneios disputados entre o Sport Club Germania e o Deutscher Wassersport Verein. Ao final dos anos 1930, o atletismo do Germania contava com uma das mais fortes e equipes da América do Sul. Com uma turma de 70 atletas, obtiveram quase todos os recordes paulistas e brasileiros.