O racismo é uma preocupação de muitos nas comunidades ocidentais lésbica, gay, bissexual e transgênero (LGBT), com membros de minorias raciais, étnicas e nacionais relatando sofrer discriminação de outras pessoas LGBT.

Nos Estados Unidos, indivíduos LGBT de uma minoria étnica podem se encontrar em uma minoria dupla, onde não são totalmente aceitos ou compreendidos por comunidades LGBT majoritariamente brancas, nem por seu próprio grupo étnico. Muitas pessoas vivenciam racismo na comunidade LGBT dominantes, onde estereótipos raciais se fundem com estereótipos de gênero; por exemplo, pessoas LGBT asiático-americanas são frequentemente estereotipadas por ocidentais como mais passivos e femininos, enquanto pessoas LGBT afro-americanas são estereotipadas como mais agressivas. Uma quantidade de redes de suporte culturalmente específicas para pessoas LGBT é ativa nos Estados Unidos, como "Ô-Môi", uma rede de suporte para mulheres queer vietnamita-americanas.

Racismo anti-árabe Uma reportagem intitulada We're Family Too estudou o que chama de pessoas atraídas ao mesmo sexo de herança árabe na Austrália. Os respondentes eram tanto de famílias cristãs quanto muçulmanas. Muitas pessoas da comunidade árabe falaram sobre estereótipos étnicos.

Alguns judeus mizrahim e judeus árabes relatam exclusão e discriminação pela comunidade LGBT asquenaze em Israel. Alguns judeus mizrahim LGBT alegaram que aspectos do ativismo LGBT asquenaze expressam "hegemonia asquenaze" e não deixam "nenhum espaço cultural legitimizado para queers mizrahim expressarem sua cultura e herança árabe".

Racismo anti-asiático Em um estudo pela organização sem fins lucrativos National LGBTQ Task Force sobre asiático-americanos e oceânico-americanos, 82% dos participantes relataram experiências de racismo por membros brancos da comunidade LGBT. O racismo sofrido por asiático-americanos e oceânico-americanos LGBTQ ocorre tanto na sociedade como um todo quanto na comunidade LGBT. Por vezes, isso provém de uma discriminação explícita, e por vezes provém de uma falta de representatividade destes grupos étnicos. Homens gays asiático-britânicos vivendo em Yorkshire e em outros locais no norte da Inglaterra relataram níveis crescentes de racismo e discriminação de homens gays brancos. Comunidades LGBT em áreas etnicamente diversas do Reino Unido, como em Manchester ou Londres, foram descritas pelo Naz Project como mais tolerantes.

Racismo anti-negro

Muitas pessoas negras LGBT relatam sofrer racismo da comunidade LGBT branca, levando ao repúdio de alguns por rótulos como "gay" e conexões à cultura LGBT branca. O termo same gender loving ("amante do mesmo gênero") foi cunhado pelo ativista Cleo Manago para descrever pessoas de descendência africana que são atraídas por pessoas do mesmo sexo, ao invés de termos como "gay/lésbica", "bissexual" ou "queer". Este termo deveria expressar ativamente o orgulho da herança racial da pessoa em questão.

Esforços para avançar os direitos gays ao lado do movimento pelos direitos negros resultou em opiniões sobre o assunto. Citações de Frank Kameny incluem afirmações como "agora que é antiquado discriminar contra pretos, discriminação contra homossexuais estará em ascensão" e "não há nenhum preto na audiência, mas eu vi um [homem negro] bagunçando os panfletos."

Alguns homens negros gays relatam discriminação e assédio de homens brancos gays em bares e clubes gays. No passado, alguns bares gays exibiriam cartazes que diziam "sem pretos, fems ou faggots", e frases similares.

Alguns homens negros gays sul-africanos relataram sofrer "racismo grotesco" de homens brancos gays durante a época do Apartheid.

Chuck Knipp, um homem branco gay e drag queen, mais conhecido por sua performance em blackface "Shirley Q. Liquor", já foi acusado de racismo. Respondendo à declaração de Knipp de que a personagem Liquor "foi criada para celebrar, e não rebaixar, mulheres negras", Jasmyne Cannick disse em seu blogue: "[...] não é possível para Charles Knipp, um homem branco, ajudar a curar anos de maus tratos e racismo nas mãos de pessoas como ele ao pôr uma peruca, falar IVAA, e em blackface [...] Não há nada remotamente inspirador na performance de Knipp, e eu queria que as pessoas parassem de defender seu personagem com o argumento cansado de que ele está tentando curar a nação. A única coisa que Knipp está tentando curar é o buraco em seu bolso, tentando cobri-lo com todo o dinheiro que faz ao degradar pessoas negras."

Entre duas comunidades Clarence Ezra Brown III pesquisou maneiras com as quais homens negros gays se sentem em suas comunidades negra e gay. Homens negros gays estão presos entre duas comunidades onde acreditam não se encaixar. De acordo com Keith Boykin, "o secredinho sobre a população homossexual é que pessoas brancas gays são tão racistas quanto pessoas brancas hétero". Aqueles que não se veem como parte da comunidade LGBT a veem como uma comunidade branca com experiências brancas. Porque homens negros gays enfrentam racismo na comunidade LGBT, isto se traduz à comunidade negra como um todo, significando que as "estruturas de suporte que só se comunicam com suas próprias perspectivas" continuam a aliená-los.

Estereótipos sexuais Alguns autores, como Howard Stevenson Jr. e Mary Dianne Plummer escreveram que muito do racismo contra pessoas negras LGBT está enraizado em racismo sexual e na conexão entre estereótipos de papel de gênero e estereótipos raciais. Homens negros que expressam uma preferência sexual por homens brancos já foram acusados de sobrar de "um legado insidioso do racismo branco" que causa racismo internalizado em homens negros. Alguns homens gays afrocêntricos são contra relações interraciais, acreditando que homens negros gays que preferem homens brancos carecem de raízes fortes na comunidade negra ou são ignorantes ao racismo. Os afrocêntricos anti-iterracialidade acreditam que, ao invés de "odiar sua negritude", homens negros gays deveriam namorar apenas outros homens negros gays. Um slogan que promove relações gays entre gays é "black men loving black men" ("homens negros amando homens negros"), que foi popularizado pela antologia de Joseph F. Beam, In the Life, e pelo filme Tongues Untied de Marlon Riggs.

Por outro lado, o livro "The Professor: Witnessing White Power" de Rob Redding usa empirismo para concluir que dormir com homens brancos deu a alguns dos homens negros mais proeminentes do nosso tempo como James Baldwin, Jean-Michel Basquiat, Marvin Gaye e Richard Pryor um destemor quando lidando com brancos racistas. Ele utiliza uma mistura de teorias da comunicação como comunicação proxêmica, cinesia e comunicação háptica junto com uma análise do livro "Not Gay: Sex between Straight White Men" de Jane Ward como um estudo de caso para explorar como relacionamentos entre homens podem ser transformativos à comunidade negra. Ele afirma: "Ward, que é lésbica, escreve sobre trocas de poder entre homens brancos. The Professor explora como relacionamentos e encontros gays interraciais podem ter, empiricamente, tido um impacto na comunidade negra."

Racismo anti-hispânico e anti-latino Homens hispânicos e latinos gays relatam sofrer racismo tanto dentro quanto fora da comunidade gay. Homens latinos gays com uma cor de pele mais escura e traços indígenas relatam o maior nível de discriminação, incluindo da comunidade gay branca. Bares gays, por exemplo, eram espaços onde latinos e outras pessoas não-brancas sofreriam discriminação. Isso motivou a criação do primeiro e único bar gay latino no Mission District, em São Francisco, em 1979, o Esta Noche. Lésbicas latinas também relatam sofrer racismo da comunidade LGBT branca. Gays e lésbicas latinos têm se engajado em organizações autônomas desde os anos 70, tratando de assuntos como racismo, sexismo e homofobia. A primeira organização lésbica latina foi fundada em Los Angeles no início dos anos 80, e a National Latino/a Lesbian & Gay Organization (LLEGÓ) foi fundada em 1987, com pessoas LGBT latinas escolhendo se organizar separadamente devido a racismo na comunidade LGBT e homofobia na comunidade latina heterossexual.

Em 2006, latino-americanos protestaram no Castro, São Francisco, contra o racismo anti-latino na comunidade LGBT.

A organização La Casa em East Los Angeles, Califórnia, existe para servir à comunidade LGBT latina e criar um espaço seguro, livre de homofobia e racismo. Membros expressaram suas experiências com "racismo escancarado" da comunidade LGBT branca, particularmente, em West Hollywood.

Entretanto, é importante lembrar que "latinidade queer não é um lugar com fronteiras claramente definidas," ao invés disso variando em aceitação e maneirismo baseado em onde alguém vai. Há pessoas LGBT latinas que encontram apoio dentro de suas comunidades culturais e abertamente celebram suas identidades. Tatiana de la Tierra era uma escritora latina lésbica que não tinha vergonhas sobre sua sexualidade, e muito de seu trabalho forneceu apoio e encorajamento para que outras lésbicas latinas sejam tão desavergonhadas e orgulhosas quanto ela. Ela foi co-fundadora da revista Esto no tiene nombre, que buscava combater os padrões de estigmatização, exclusão e invisibilidade de latinas queer ao criar uma plataforma para livre discussão e expressão de sexualidade.

Racismo anti-indígena

Aborígenes australianos Homens gays aborígenes relatam falta de inclusão e representação na comunidade LGBT majoritariamente branca. Quando homens aborígenes foram incluídos em organizações LGBT, foi frequentemente de uma maneira tokenista.

Ameríndios canadenses No Canadá, mulheres lésbicas ameríndias relatam se sentirem marginalizadas das culturas LGBT e mainstream, e também de comunidades ameríndias e de outras comunidades não-brancas. Homens gays ameríndios, muitos que também se identificam como dois-espíritos, frequentemente enfrentam homofobia dentro de comunidades ameríndias e racismo dentro da comunidade LGBT.

Maoris neozelandeses A identidade takatāpui é uma forma de muitos maoris expressarem suas identidades como maori e não heterossexual. Apesar de o termo ter caído em desuso por muitos anos, ele foi recentemente recuperado como uma expressão de orgulho. Alguns povos maori questionaram o foco em casamento entre pessoas do mesmo sexo na comunidade LGBT Pākehā (da Nova Zelândia europeia). Na cultura maori tradicional, era comum que casais heterossexuais ou homossexuais não fossem casados. As pessoas maori LGBT que criticam a ênfase exagerada em casamento entre pessoas do mesmo sexo acreditam que foram nisto de forma estreita demais é prejudicial e reduz a diversidade da comunidade LGBT. Eles acreditam que o foco em casamento é um produto da "branquitude".

Povos nativos estadunidenses Algumas lésbicas nativas dos Estados Unidos relatam se sentirem desiludidas com pessoas brancas – incluindo lésbicas brancas – e estabeleceram comunidades separatistas exclusivamente para mulheres nativas ou mulheres não-brancas. Lésbicas nativas dos Estados Unidos estabeleceram comunas no Meio-oeste e no norte da Califórnia, em uma tentativa de repudiar a cultura branca, viver de forma autossuficiente e retornar às tradições de seus antepassados tribais.

Sentimentos anti-italianos Alguns ítalo-americanos LGBT relatam sofrer discriminação anti-italiana de dentro da comunidade LGBT. Homens gays ítalo-americanos, particularmente homens de pele mais escura, como aqueles de descendência siciliana, relatam sofrer objetificação sexual de homens brancos ou de pele mais clara. Em uma maneira similar à forma como homens negros, asiáticos e latinos são por vezes retratados, homens italianos são retratados como um "objeto de desejo do homem branco", bem como serem considerados "exóticos e bem-dotados, supersexuais e extremamente apaixonados." Estes estereótipos de homens gays italianos e sicilianos também aparecem frequentemente em pornografia gay, mas não são exclusivos à comunidade gay.

Antissemitismo