A ciência é um conjunto de conhecimentos empíricos, teóricos e práticos sobre a natureza, produzido por uma comunidade mundial de pesquisadores fazendo uso de métodos sistematizados e validados dentro dessa comunidade, que dá ênfase à observação, explicação e predição de fenômenos reais do mundo por meio de exploração e experimentação. Busca, portanto, através da sua natureza mutável e dinâmica, explicar os fenômenos naturais. Dada a natureza dual da ciência como um conhecimento objetivo e como uma construção humana, a historiografia da ciência usa métodos históricos tanto da história intelectual como da história social.

A historiografia da ciência desenvolveu-se a partir de duas grandes abordagens: a história intelectual, voltada à análise das ideias e dos grandes cientistas e autores, e a história social, que compreende a ciência como prática cultural e institucional, inserida em contextos políticos, econômicos e sociais.

O termo "cientista" surgiu durante o século XIX, em 1833, pelo filósofo e historiador da ciência William Whewell, a pedido da escritora e pesquisadora Mary Somerville, durante um encontro da British Association for the Advancement of ScienceROSS, Sydney. Scientist: The story of a word. Annals of Science, v. 18, n. 2, p. 65–85, 1962. DOI: 10.1080/00033796200202722.. O neologismo apareceu impresso pela primeira vez em 1834, em uma resenha anônima de Whewell na revista Quarterly Review sobre a obra On the Connexion of the Physical Sciences de SomervilleCANNON, Walter B. The term “scientist”. Science, v. 88, n. 2288, p. 325–326, 1938. DOI: 10.1126/science.88.2288.325.. Até então, as pessoas dedicadas ao estudo sistemático da natureza eram comumente conhecidas como “filósofos naturais” (natural philosophers) ou, em alguns contextos, como “homens da ciência” (men of science). O termo “cientista” levou algumas décadas para ser amplamente aceito, tornando-se de uso corrente apenas no final do século XIX, especialmente nos Estados Unidos, e no início do século XX no Reino UnidoLIGHTMAN, Bernard. Victorian Popularizers of Science: Designing Nature for New Audiences. Chicago: University of Chicago Press, 2007..

Enquanto as investigações empíricas do mundo natural foram descritas desde a antiguidade clássica (por exemplo, por Tales de Mileto e Aristóteles); o método científico tem sido usado desde a Idade Média. Conforme Robert Grosseteste e Jean Buridan, o surgimento da ciência moderna é geralmente traçado até a Idade Moderna, durante o que é conhecido como Revolução Científica que aconteceu nos séculos XVI e XVII na Europa.

Métodos científicos são considerados como sendo fundamentais para a ciência moderna. Por isso, alguns — especialmente os filósofos da ciência e cientistas — consideram investigações antigas da natureza como sendo pré-científica. No entanto, tanto os métodos científicos quanto os resultados oriundos da aplicação deles são variados. Assim, os mesmos fenômenos podem ser estudados e compreendidos de formas distintas. Tradicionalmente, historiadores da ciência têm definido ciência como sendo suficientemente abrangente para incluir essas investigações.W. C. Dampier Wetham, Science, in Encyclopædia Britannica, 11th ed. (New York: Encyclopædia Britannica, Inc, 1911); M. Clagett, Greek Science in Antiquity (New York: Collier Books, 1955); D. Pingree, Hellenophilia versus the History of Science, Isis 83, 559 (1982); Pat Munday, entry "History of Science", New Dictionary of the History of Ideas (Charles Scribner's Sons, 2005). Além disso, a ciência é contexto-dependente, de forma que é influênciada pelo contexto social, local, cultural e político.

Culturas antigas

Em tempos pré-históricos, conselhos e conhecimento eram passados de geração em geração em uma tradição oral. O desenvolvimento da escrita permitiu que o conhecimento fosse armazenado e comunicado através das gerações com muito mais fidelidade. Combinado com o desenvolvimento da agricultura, que permitiu um aumento na reserva de comida, isso tornou possível que as civilizações antigas se desenvolvessem, porque foi possível dedicar mais tempo a outras tarefas que não fossem a sobrevivência.

Muitas civilizações antigas coletavam informações astronômicas de maneira sistemática através da simples observação. Apesar deles não terem um conhecimento de verdadeira estrutura física dos planetas e estrelas, muitas explicações teóricas foram propostas. Fatos básicos sobre fisiologia humana já eram de conhecimento em alguns lugares, e a alquimia era praticada por várias civilizações. Observações consideráveis sobre flora e fauna macrobióticas também foram realizadas.

Ciência no antigo Oriente Médio

thumb|upright|Tábua de argila da Mesopotâmia, ( ) Desde o seu início na Suméria (no atual Iraque) por volta de 3500 a.C., as pessoas da Mesopotâmia começaram a tentar gravar algumas observações do mundo com dados numéricos bem pensados. Mas suas observações e medições eram feitas por propósito em vez de de ser pelas leis da ciência. Uma instância concreta do Teorema de Pitágoras foi gravada no século XVIII a.C.: a tábua de argila dos mesopotâmios Plimpton 322 estava gravada com vários números de trios pitagóricos (3,4,5) (5,12,13) …, datado de 1900 a.C., possivelmente milênios antes de Pitágoras, mas não existia uma formulação abstrata do teorema de Pitágoras.Paul Hoffman, The Man Who Loved Only Numbers: The Story of Paul Erdös and the Search for Mathematical Truth, (New York: Hyperion), 1998, p. 187. ISBN 0-7868-6362-5

Na astronomia da Babilônia, as várias anotações sobre os movimentos das estrelas, planetas, e a Lua foram escritas em milhares de tábuas de argila criadas por escribas. Mesmo atualmente, períodos astronômicos identificados por cientistas mesopotâmios ainda são largamente usados nos calendários ocidentais: o ano solar, o mês lunar, a semana de sete dias. Usando essas informações, eles desenvolveram métodos aritméticos para computar a mudança no comprimento da luz solar durante o curso do ano e para predizer a aparição ou o desaparecimento da Lua e planetas e eclipses do Sol e da Lua. Apenas alguns nomes de astrônomos são conhecidos, como o de Kidinny, um astrônomo e matemático caldeu. A astronomia da Babilônia foi "a primeira e mais bem sucedida tentativa de dar um refinamento matemático para as descrições dos fenômenos astronômicos", de acordo com o historiador A. Aaboe. Ainda segundo o historiador, "todas as subsequentes variações de astronomia científica, no mundo helenístico, na Índia, no Islã, e no Ocidente — se não for todas as subsequentes descobertas nas ciências exatas — dependem da astronomia da Babilônia de maneiras decisivas e fundamentais."

Ciência do Antigo Egito

Avanços significativos do Egito Antigo incluem astronomia, matemática e medicina.Homer's Odyssey stated that "the Egyptians were skilled in medicine more than any other art". A geometria foi necessária para a engenharia geográfica para preservar o layout e manter o dono das terras de fazendas, que eram inundadas anualmente pelo rio Nilo. O triângulo reto 3,4,5 e outras regras serviam para representar estruturas retilineares, e para a arquitetura do Egito. Egito foi também o centro da pesquisa de alquimia por grande parte da Mediterrâneo.

O papiro Edwin Smith é um dos primeiros documentos médicos que ainda existe, e talvez o documento mais antigo que tenta descrever e analisar o cérebro: ele pode ser visto como o começo da moderna neurociência. No entanto, enquanto a medicina do Egito tinha algumas práticas efetivas, ela também possui práticas ineficazes e por vezes perigosas. Historiadores médicos acreditam que a farmacologia do Antigo Egito, por exemplo, era na maior parte ineficaz. Ainda assim, ela aplicava os seguintes componentes para o tratamento das doenças: exame, diagnóstico, tratamento, e prognóstico, que demonstra um grande paralelo para a base do método empírico da ciência e de acordo com G. E. R. LloydLloyd, G. E. R. "The development of empirical research", in his Magic, Reason and Experience: Studies in the Origin and Development of Greek Science. teve um papel significante no desenvolvimento dessa metodologia. O papiro Ebers (cerca de 1550 a.C.) também contém evidências do tradicional empirismo.

Ciência no mundo greco-romano

thumb|esquerda|upright=1.5|A morte de Sócrates, por Jacques-Louis David, (Metropolitan Museum of Art). Sócrates, sereno, aponta para o alto, enquanto seus amigos e o próprio carcereiro lamentam a condenação. O pensamento científico surgiu na Grécia Antiga aproximadamente no século VI a.C. com os pensadores pré-socráticos que foram chamados de "Filósofos da Natureza" e também "Pré-cientistas". Foi um período onde a sociedade ocidental, saiu de uma forma de pensamento baseada em mitos e dogmas, para entrar no pensamento científico baseado no ceticismo. Muitos livros, apresentam este ou aquele pensador pré-socrático como pai do pensamento científico, mas isso não é verdade, pois todos esses pensadores contribuíram de uma forma ou de outra para a formação do pensamento científico.

O pensamento dogmático coloca as ideias como sendo superiores ao que se observa. O pensamento cético coloca o que é observado como sendo superior às ideias. Um dogma é uma ideia e por mais que se observe fatos que destruam o dogma, uma pessoa com pensamento dogmático irá preservar o seu dogma. Para a ciência, uma teoria é uma ideia, mas se observarmos fatos que comprovem a falsidade da ideia, o cientista tem a obrigação de destruir ou modificar a teoria.

Foi na época de Sócrates e seus contemporâneos que o pensamento científico se consolidou, principalmente com o surgimento do conceito de "prova científica", ou repetição do fato observado na natureza. Sócrates foi condenado à morte e teve de tomar cicuta, pois foi julgado culpado de estar desvirtuando a juventude. Os gregos acabaram por destruir sua própria religião.

Embora Sócrates não tenha deixado registros escritos, alguns de seus discípulos se encarregaram de escrever sobre ele. Entre esses discípulos, destaca-se Platão, que, de 399 a.C. até sua morte em 347 a.C., registrou diálogos nos quais Sócrates conversava com outras pessoas.

Por meio desses diálogos, Platão desenvolveu um sistema filosófico abrangente que abordava diversos temas, como o estudo da natureza (física), da mente humana (psicologia e epistemologia, teoria do conhecimento) e a ética. Esses diálogos se tornaram uma fonte valiosa de conhecimento sobre o pensamento e as ideias de Sócrates, contribuindo para a construção e disseminação da filosofia grega.

Platão criou uma escola conhecida como Academia, localizada próxima a Atenas, que servia como um espaço público onde as pessoas se reuniam para relaxar e se exercitar. Um dos alunos mais notáveis de Platão foi Aristóteles, que, mesmo tendo sido discípulo, acabou discordando de algumas das ideias de seu professor. Enquanto Platão acreditava que ideias e formas poderiam existir independentemente do universo material, Aristóteles defendia que elas estavam intrinsecamente ligadas a esse universo.

Posteriormente, em 334 a.C., Aristóteles estabeleceu sua própria escola, chamada Lyceum, em outro ginásio de Atenas. No Lyceum, seus alunos se concentravam no estudo racional do mundo natural, buscando entender e explorar os aspectos da realidade tangível.

Devido à poderosa influência de suas ideias ao longo dos séculos, os historiadores modernos consideram Platão e Aristóteles como os fundadores da filosofia europeia, com suas contribuições sendo reconhecidas como pilares importantes no desenvolvimento do pensamento filosófico.