América Anglo- refere-se aos países da América que têm, como principal idioma, o inglês, e que também possuam laços históricos, étnicos, linguísticos e culturais com o Reino Unido. Entre os países incluídos nessa definição, estão os Estados Unidos e o Canadá (com exceção da província de Quebec) na América do Norte, Belize e algumas ilhas do Caribe na América Central, e a Guiana na América do Sul.
Este termo deriva da classificação dos países da América em dois blocos: aqueles em que a língua mais falada deriva do latim (América Latina), e o bloco dos dois países cuja língua deriva do anglo-saxão. Essa parte do continente americano tem forte colonização inglesa, o que condicionou vários aspectos culturais, como a língua e a predominância da religião protestante, embora a maioria da população do Canadá seja católica.
Esta classificação, no entanto, é imperfeita. A Guiana na América do Sul, e diversas ilhas do Caribe, assim como o Belize na América Central, são também países de língua anglo-saxônica, mas não costumam ser considerados parte do que se convencionou chamar de América Anglo-Saxônica. Além disso, a província de Quebec, no Canadá, fala francês, uma língua latina.
Geografia O Círculo Polar Ártico é o único dos paralelos importantes que atravessa a América Anglo-Saxônica, cruzando a Groenlândia, o Canadá e o Alasca. Localizada inteiramente nos hemisférios norte e ocidental, A América Anglo-Saxônica estende-se de forma alongada desde o pólo norte, além dos 80 graus de latitude norte, até quase o Trópico de Câncer, a 25 graus de latitude norte; longitudinalmente, fica entre 10 graus e 180 de longitude oeste.
Essa disposição geográfica coloca a América Anglo-Saxônica nas zonas climáticas temperada e polar do norte, ou seja, em áreas temperadas e frias da Terra.
São limites territoriais da América Anglo-Saxônica: ao norte, o oceano Glacial Ártico, que é a continuação natural dos oceanos Atlântico e Pacífico na direção do pólo norte; ao sul, o México; a leste, o oceano Atlântico; e a oeste, o oceano Pacífico. Seu território, em virtude da extensão, é atravessado por seis fusos horários.
Relevo Observando um mapa físico da América Anglo-Saxônica, percebe-se que o relevo, de oeste para leste, apresenta nítida semelhança com o da América Latina.
Litoral muito recortado no oeste, com planícies costeiras bastante estreitas. O retalhamento do litoral se deve à erosão glacial provocada pelo degelo nas áreas frias. thumb|esquerda|O Lago Moraine no Parque Nacional Banff em Alberta, no Canadá.
Uma cordilheira bastante elevada, com cumes separados por vales profundos. Do sul para o norte, a primeira dessa linha de cumes constitui a cadeia da Costa, seguida da cadeia da Cascata.Ocupando territórios do Canadá e dos Estados Unidos, destacam-se as imponentes Montanhas Rochosas, formando uma linha de picos que se estendem de sudeste para noroeste, desde os quentes planaltos mexicanos até as áreas geladas do Alasca.Como os Andes da América do Sul, as Rochosas são cadeias da era terciária, portanto jovens e bastante elevadas; por esta razão, suas formas pontiagudas são cobertas de neves eternas. As altitudes dos picos oscilam de quatro mil metros a pouco mais de seis mil metros: McKinley, 6.168 metros; Logan, 6.050 metros; Whitney, 4.418, entre outros. Mais para o interior, desde o Golfo do México até as águas do Oceano Glacial Ártico, estendem-se vastas planícies cujas altitudes vão além dos 500 metros. No norte, os lagos são muito numerosos, caracterizando as planícies lacustres do Canadá; no centro, aparecem as planícies dos Grandes Lagos, no sul, merece destaque a planície fluvial do Mississipi. Essas planícies correspondem às regiões mais férteis dos dois países. Tal como na América Latina, já nas proximidades do Atlântico encontramos planaltos, por serem bastante antigos, apresentam-se baixos e desgastados. Esse relevo modesto deve-se à intensa erosão, que atua há muito tempo sobre as rochas formadas nos primeiros períodos da Terra. Como exemplos dessas formações, podemos citar, no Canadá, o planalto do Labrador, e, mais ao sul, nos Estados Unidos, os Montes Apalaches. As altitudes nessa região são pouco expressivas, oscilando entre mil e dois mil metros, em média. O ponto culminante dos Apalaches é monte Mitchell (2.037 m). A planície litorânea ou costeira acompanha o contorno do Oceano Atlântico.
Clima thumb|Neve durante a Nevasca da América do Norte em 2006 em Brooklyn, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
A totalidade da América Anglo-Saxônica situa-se ao norte do Trópico de Câncer, onde o clima temperado, predominante na região, é responsável por temperaturas médias anuais inferiores a 20 °C. Em zonas frias, no extremo norte do continente, o clima polar caracteriza-se por temperaturas médias anuais baixíssimas.
Além da latitude, o clima da América Anglo-Saxônica é também influenciado pelo relevo. As temperaturas diminuem nas partes mais altas e as planícies centrais formam verdadeiro corredor para os ventos gelados do norte. Ao mesmo tempo, as altas montanhas do oeste bloqueiam a passagem dos ventos do Pacífico, permitindo a formação de desertos à retaguarda das montanhas, como é o caso do deserto de Sonora, no sudoeste dos Estados Unidos.
Também as correntes marítimas influenciam fortemente as condições climáticas regionais. As duas principais são a corrente da Califórnia bastante fria, que banha a costa oeste, acentuando ainda mais as características de clima temperado dessa área da América Anglo-Saxônica; e a corrente do Golfo, que banha a costa leste e, por ser bastante aquecida, faz com a península da Flórida e áreas próximas tenham clima tropical e subtropical.
Vegetação thumb|esquerda|Tundra no Alasca.
A vegetação obedece às condições impostas principalmente pelo clima: assim, próximo ao oceano Glacial Ártico aparece a tundra canadense, que apenas durante o verão se liberta do gelo e da neve, mostrando musgos (em áreas geladas e úmidas) e líquens floridos (em áreas geladas e secas). Mais ao sul, na região fria do Canadá, aparece a floresta Canadense, constituída principalmente de coníferas, que se estende do Pacífico até a região dos Grandes Lagos.
Nas proximidades dos Grandes Lagos e cobrindo os Apalaches, o planalto do Labrador e as Montanhas Rochosas, surge a floresta temperada, na qual as coníferas se associam a espécies que perdem as folhas durante o inverno (carvalho, álamo, faia, bordo, etc.).
Junto ao Oceano Pacífico, nos Estados Unidos, destaca-se a floresta da Califórnia, famosa por suas árvores de mais de mil anos de idade, entre as quais sobressaem as sequoias, consideradas as mais altas árvores da Terra. Nas planícies centrais aparecem as pradarias, vasto tapete de vegetação rasteira constituído principalmente por formações herbáceas.
As áreas desérticas, onde a pluviosidade é mínima, são dominadas por vegetação xerófila, tanto arbustiva como herbácea. No sudeste dos Estados Unidos, aparecem florestas tropicais.
Hidrografia thumb|Foz do Rio Mississippi, em Nova Orleans, Louisiana, Estados Unidos.
A América Anglo-Saxônica possui uma enorme região lacustre no nordeste, na fronteira dos Estados Unidos com o Canadá − a chamada região dos Grandes Lagos. Como verdadeiros lagos interiores, os lagos Superior, Michigan, Erie e Ontário, em meio a muitos outros menores, ocupam uma área tão vasta quanto à do estado brasileiro de São Paulo. Ligam ao oceano Atlântico pelo rio São Lourenço.
No que se refere à extensão, merecem destaque na América Anglo-Saxônica, além do rio São Lourenço, o Mississípi, o Missouri, o Mackenzie, o Hudson (que passa pela cidade de Nova Iorque), o Colúmbia, o Colorado, o Grande (já nos limites dos Estados Unidos com o México) e outros, como o Yukon, o Athabasca, o Nelson e o Albany. Cerca de um terço do território dos Estados Unidos é drenado pela bacia dos rios Mississípi-Missouri que, situada a oeste dos Apalaches e a leste das Rochosas, ocupa o centro do país de norte a sul.
Placas tectônicas thumb|esquerda|Placas tectónicas do mundo.
A litosfera − camada de rochas que envolve a Terra − é uma espécie de assoalho do planeta, mas não é contínua. Apresenta-se dividida em placas, mais ou menos cacos de cerâmica não cimentados. Essas placas, denominadas placas tectônicas, se deslocam com frequência devido a forças existentes no interior da Terra.
Nos limites dessas placas, tais forças provocam um movimento ideal, que causa terremotos. Além disso, nas linhas de falhas entre as placas há pontos fracos, por as rochas quentes do interior da Terra, vez por outra, escapam, causando as erupções vulcânicas.
A América Anglo-Saxônica está assentada sobre as placas tectônicas Norte-Americana e Pacífica. É importante reparar que os vulcões aparecem no limite entre as duas placas, na costa oeste do Alasca e do Canadá. Mais ao sul, também no limite entre as placas, localiza-se a falha de San Andreas, responsável por frequentes terremotos no estado norte-americano da Califórnia.
Regiões do Canadá Para conhecer a realidade humana e econômica do Canadá, as províncias e os territórios canadenses podem ser agrupados em quatro regiões, que apresentam semelhanças físicas, humanas e econômicas: Grandes Lagos e vale do São Lourenço, que abrange as províncias de Ontário e Quebec; litoral atlântico, constituído pelas províncias de New Brunswick, Nova Scotia, Ilha Príncipe Eduardo e Terra Nova; Colúmbia Britânica e pradarias (províncias de Alberta, Saskatchewan e Manitoba); e Norte, formados pelos territórios de Yukon, do Noroeste e do Nunavut.
Litoral atlântico Essa região, porta de entrada para os Grandes Lagos e o vale do São Lourenço, caracteriza-se pela atividade pesqueira. O centro de maior destaque é o porto de Halifax, que ampara o porto de Montreal na exportação de grãos — dos quais o Canadá é um dos maiores produtores mundiais — e de artigos industriais. thumb|Secagem de peixe, Burgeo, NL, 1908.
A economia baseia-se na pesca, na agricultura, na mineração e na extração de madeiras. As várias reentrâncias da costa fazem do litoral atlântico canadense uma das maiores áreas pesqueiras do mundo, sendo a indústria de pescado a mais antiga da região. O bacalhau, o arenque e o salmão, além da lagosta, são as espécies mais pescadas. A região, principalmente nas áreas de clima mais frio, é muito rica em florestas de coníferas, sendo, por isso, grande produtora e exportadora de madeiras de lei e artigos de indústria de papel e celulose.
A agricultura, desenvolvida nas porções meridionais, destaca-se pela produção de grãos, batata, frutas e forragens. A pecuária leiteira também é desenvolvida com sucesso. O subsolo, principalmente na península do Labrador, é bastante rico em minérios, como ferro, carvão, chumbo, cobre e zinco, o que permite o desenvolvimento de uma forte indústria metalúrgica e siderúrgica. Ainda na península do Labrador, a caça é uma importante atividade econômica.
As províncias do litoral atlântico têm, em geral, baixa densidade demográfica. A população é majoritariamente de origem britânica, e o inglês é a língua principal, exceto em New Brunswick, onde cerca de 40% dos habitantes falam francês.
Tanto a economia quanto a população das províncias litorâneas, excetuando-se a Terra Nova, têm crescido a índices mais baixos do que o Canadá como um todo. Caracterizam-se, assim, como uma região de estagnação econômica, e parte de seus habitantes migram para as províncias situadas mais a oeste.
Grandes Lagos e Vale do São Lourenço thumb|esquerda|Ao longo do rio São Lourenço, localiza-se a principal concentração industrial e populacional canadense. Na fotografia, vista do Rio São Lourenço na região das Mil Ilhas, entre Ontário e Nova Iorque.