Houghton Mifflin Harcourt Company, ou HMH, é uma editora dos Estados Unidos que publica livros didáticos, materiais de tecnologia educacional, avaliações e obras de referência. O nome Houghton é pronunciado /ˈhoʊtən/ em inglês. A empresa tem sede no distrito financeiro de Boston. Chamava-se Houghton Mifflin Company até a aquisição da Harcourt Publishing, em 2007, quando mudou de nome. Até março de 2010, era uma subsidiária da Education Media and Publishing Group Limited, uma holding de proprietários irlandeses registrada nas Ilhas Cayman, antes chamada Riverdeep. Em 2022, foi adquirida pela Veritas Capital, uma empresa de capital privado com sede em Nova Iorque.
História Em 1832, William Ticknor e John Allen compraram uma livraria em Boston e começaram a publicar livros. James T. Fields tornou-se sócio em 1843 e passou a publicar obras de Ralph Waldo Emerson, Nathaniel Hawthorne e Henry David Thoreau. Eles estabeleceram uma relação próxima com a Riverside Press, uma gráfica de Boston que pertencia a Henry Oscar Houghton. Em 1864, Houghton também fundou sua própria editora, a Hurd and Houghton, com o sócio Richard M. Hurd. George H. Mifflin entrou na sociedade em 1872.
Em 1878, a Ticknor and Fields, então dirigida por James R. Osgood, enfrentava dificuldades financeiras e uniu suas operações às da Hurd and Houghton. A nova sociedade, chamada Houghton, Osgood and Company, tinha sede na Winthrop Square, em Boston, e detinha os direitos das obras literárias das duas editoras. Quando Osgood saiu da empresa, dois anos depois, ela passou a se chamar Houghton, Mifflin and Company. Apesar dos bons resultados financeiros da sociedade com Lawson Valentine, a empresa ainda tinha dívidas herdadas da Ticknor and Fields. Em 1884, James D. Hurd, filho de Melancthon Hurd, tornou-se sócio. Em 1888, entraram na sociedade James Murray Kay, Thurlow Weed Barnes e Henry Oscar Houghton Jr.
Constituição como sociedade anônima e expansão, 1891–2000 Em 1891, a empresa criou uma divisão de publicações educacionais. Em 1908, constituiu-se como sociedade anônima e mudou o nome para Houghton Mifflin Company.
Em 1916, a Houghton Mifflin começou a publicar testes padronizados e trabalhou com Everett Franklin Lindquist, criador do ACT. Em 1921, já era a quarta maior editora de publicações educacionais dos Estados Unidos.
Em 1961, a Alfred A. Knopf publicou o primeiro volume de Mastering the Art of French Cooking, de Julia Child, Simone Beck e Louisette Bertholle, depois que a Houghton Mifflin rejeitou o manuscrito. Até 1966, o livro havia vendido quase 300.000 exemplares. A rejeição do manuscrito pela Houghton Mifflin foi dramatizada no filme Julie & Julia, de 2009.
Em 1967, a Houghton Mifflin abriu seu capital na Bolsa de Valores de Nova Iorque, com o código de negociação "HTN".
Em 1979, a Houghton Mifflin adquiriu o catálogo da Parnassus Press, uma pequena editora de Berkeley, na Califórnia, fundada em 1957 por Herman Schein, marido da escritora e ilustradora Ruth Robbins. Seu catálogo tinha obras de Ursula K. Le Guin, Theodora Kroeber, Nicolas Sidjakov, Edward Ormondroyd, Charlotte Zolotow, Anne B. Fisher, Allen Say, Beverly Cleary, Crawford Kilian, Adrien Stoutenburg e Sam DeWitt. Também em 1979, a Houghton Mifflin adquiriu a Clarion Books, divisão de livros infantis da Seabury Press. Em 1980, comprou as operações de publicações educacionais da Rand McNally.
Sob a direção de Nader F. Darehshori, a Houghton Mifflin adquiriu a editora de livros didáticos McDougal Littell em 1994, por US$ 138 milhões. Em 1995, comprou a D.C. Heath and Company, que publicava materiais didáticos complementares. Em 1995, adquiriu a Chapters Publishing, editora dedicada a culinária, jardinagem e artesanato. Em 1996, criou o Great Source Education Group para reunir as linhas de materiais complementares de sua divisão escolar, da McDougal Littell e da Heath.
Em 1998, a HMH anunciou a submarca LOGAL Software, que lançaria Science Gateways, uma nova linha de programas interativos de ciências voltada ao currículo escolar dos Estados Unidos.
Fusão com a Harcourt, 2001–2007 Em 2001, o grupo francês de mídia Vivendi Universal adquiriu a Houghton Mifflin por US$ 2,2 bilhões, incluindo as dívidas assumidas. A Vivendi Universal já era dona da editora britânica de livros infantis Kingfisher, que depois se tornou um selo da Houghton Mifflin. Em 2002, sob crescente pressão financeira e jurídica, a Vivendi vendeu a Houghton às empresas de investimento de capital privado Thomas H. Lee Partners, Bain Capital e Blackstone Group por US$ 1,66 bilhão, incluindo as dívidas assumidas. O valor era cerca de 25% inferior ao que a Vivendi havia pago um ano antes.
Em 22 de dezembro de 2006, foi anunciada a conclusão da compra da Houghton Mifflin pela Riverdeep PLC. O novo grupo receberia o nome de Houghton Mifflin Riverdeep Group. A Riverdeep pagou US$ 1,75 bilhão em dinheiro e assumiu US$ 1,61 bilhão em dívidas das empresas de investimento Thomas H. Lee Partners, Bain Capital e Blackstone Group. Tony Lucki, ex-conselheiro não executivo da Riverdeep, permaneceu como diretor-executivo da empresa até abril de 2009.
A Houghton Mifflin vendeu a Promissor, sua unidade de testes profissionais, à Pearson PLC em 2006. Os demais produtos de avaliação foram reunidos na Riverside Publishing, entre eles os da Edusoft, sediada em São Francisco.
miniatura|direita|200px|Logotipo usado de 2012 a 2024 Em 16 de julho de 2007, a Houghton Mifflin Riverdeep anunciou um acordo definitivo para adquirir as divisões de publicações educacionais e de interesse geral da Harcourt e as divisões Greenwood–Heinemann da Reed Elsevier por US$ 4 bilhões. A empresa ampliada passaria a se chamar Houghton Mifflin Harcourt. A McDougal Littell foi unida à Holt, Rinehart & Winston, da Harcourt, para formar a Holt McDougal.
Em outubro de 2007, a Houghton Mifflin vendeu a Kingfisher à Macmillan Publishers.
Em 3 de dezembro de 2007, a Cengage Learning, antes chamada Thomson Learning, anunciou um acordo para adquirir os ativos da divisão de publicações universitárias da Houghton Mifflin por US$ 750 milhões. A operação ainda dependia da aprovação dos órgãos reguladores.
De 2008 em diante Em 25 de novembro de 2008, a Houghton Mifflin Harcourt anunciou a suspensão temporária da aquisição de novos títulos para sua divisão de livros de interesse geral, sob a justificativa de responder à crise financeira de 2008. A diretora editorial da divisão, Becky Saletan, pediu demissão, aparentemente em protesto. A decisão recebeu críticas de profissionais do setor editorial, que a julgaram um erro desastroso.
A Harcourt Religion foi vendida à Our Sunday Visitor em 2009.
Em 27 de julho de 2009, o jornal Irish Independent noticiou que a EMPG, acionista controladora da Houghton Mifflin Harcourt, negociava uma reestruturação com os credores de suas dívidas sem garantia para convertê-las em participação acionária. Esses credores receberiam 45% do capital. Com isso, a família real de Dubai, por meio de sua empresa de investimentos Istithmar World Capital, tornou-se uma das maiores acionistas. A estimativa era de que a dívida da EMPG caísse de US$ 7,3 bilhões para US$ 6,1 bilhões. Em entrevista ao Financial Times publicada em 15 de agosto de 2009, Barry O'Callaghan, então diretor-executivo da Houghton Mifflin Harcourt, afirmou que mais de 90% dos credores haviam aprovado o refinanciamento. O acordo previa a conversão da dívida da holding em 45% das ações ordinárias, consideradas todas as possíveis diluições, e uma flexibilização efetiva de 25% das cláusulas financeiras. Os credores com garantias de segunda prioridade aceitariam converter seus créditos em um instrumento PIK, com juros incorporados à dívida. Isso reduziria os gastos anuais com juros em US$ 100 milhões. A linha de crédito para capital de giro também aumentaria em US$ 50 milhões.
A empresa confirmou uma nova reestruturação das dívidas da Houghton Mifflin Harcourt em 13 de janeiro de 2010. A proposta previa perdas substanciais para os acionistas da EMPG, antiga controladora da Houghton Mifflin Harcourt.
Em 22 de fevereiro de 2010, a Houghton Mifflin Harcourt anunciou que a EMPG e a HMH haviam chegado a um acordo para reestruturar as finanças da empresa e recapitalizá-la com um aporte substancial de recursos de investidores institucionais.
O acordo, apoiado por todos os credores da HMH, previa reduzir a dívida sênior de US$ 5 bilhões para US$ 3 bilhões, com a emissão de novas ações para seus detentores, entre eles Paulson & Co. e Guggenheim Partners. Também previa converter US$ 2 bilhões de dívida mezanino em ações e bônus de subscrição, além de captar US$ 650 milhões com a venda de novas ações. A HMH anunciou ainda um fundo de inovação de US$ 100 milhões para investir na próxima geração de tecnologias para o setor educacional.
Os investimentos dos acionistas da EMPG, que somavam mais de US$ 3,5 bilhões, seriam reduzidos a zero. Entre os acionistas estavam Barry O'Callaghan, então diretor-executivo da HMH, clientes particulares da Davy Stockbrokers e a Reed Elsevier. Após a reestruturação, os investidores da EMPG manteriam uma participação nominal na Houghton Mifflin Harcourt por meio de bônus de subscrição correspondentes a 5% da empresa, caso seu valor ultrapassasse os US$ 10 bilhões atribuídos a ela na fusão entre a Houghton Mifflin Riverdeep e a Harcourt. Além desses bônus, os acionistas da EMPG manteriam uma participação no veículo internacional de investimentos EMPGI, que tinha investimentos na China, no Oriente Médio e em outras regiões.
O acordo não previa mudanças na direção. Barry O'Callaghan e o diretor financeiro Michael Muldowney deveriam permanecer nos cargos. Seria criado um conselho de administração com nove integrantes, tendo o diretor-executivo como único representante da gestão, um membro independente, dois representantes da Paulson & Co. e um representante de cada uma das empresas Apollo, BlackRock, Guggenheim Partners, Fidelity e Avenue Capital.
Em 10 de março de 2010, a Houghton Mifflin Harcourt anunciou a conclusão de sua recapitalização. Além do aporte de US$ 650 milhões em capital, a dívida da empresa caiu cerca de 60% e os pagamentos anuais de juros diminuíram mais de 75%. Os antigos acionistas sediados na Irlanda perderam todo o investimento. O Irish Independent noticiou que não lhes foi permitida uma assembleia de acionistas para votar ou discutir a reestruturação. Eles ficaram com bônus de subscrição correspondentes a 5% da empresa, caso seu valor retornasse aos patamares anteriores.
Em 2012, a HMH adquiriu o catálogo de culinária e obras de referência da John Wiley & Sons, incluindo os CliffsNotes e o Webster's New World Dictionary.
A HMH abriu seu capital em novembro de 2013.
Em 2014, a Houghton Mifflin Harcourt passou a patrocinar a série Curious George no PBS Kids, substituindo a Chuck E. Cheese.
Em 13 de maio de 2014, a HMH comprou o Channel One News. Em 2015, teve dificuldade para encontrar uma instituição de caridade que aceitasse os royalties de Mein Kampf, de Adolf Hitler.
Em 15 de fevereiro de 2017, John J. "Jack" Lynch Jr., ex-diretor-executivo da Renaissance Learning, foi nomeado diretor-executivo da Houghton Mifflin Harcourt.
Em 2018, a HMH vendeu os títulos de educação de adultos da Steck-Vaughn à Paxen Publishing e sua subsidiária de publicação de testes Riverside à Alpine Investments.
Em 2017, foi anunciado que a Houghton Mifflin Harcourt entraria na produção televisiva com uma série da Netflix, prevista para 2019, que retomaria a franquia Carmen Sandiego.
Em abril de 2023, a HMH adquiriu a NWEA, uma organização sem fins lucrativos de avaliação educacional.