Um ciborgue ou cyborg é um organismo dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial.
O termo deriva da junção das palavras inglesas cyber(netics) organism, ou seja, "organismo cibernético". Foi inventado por Manfred E. Clynes e Nathan S. Kline em 1960 para se referir a um ser humano melhorado que poderia sobreviver no espaço sideral. Tal ideia foi concebida depois de refletirem sobre a necessidade de estabelecer uma relação mais íntima entre os seres humanos e máquinas, em um momento em que o tema da exploração espacial começava a ser discutido. Clynes transmitiu essa ideia escrevendo uma introdução para o livro Cyborg: evolution of the superman (1965) de D. S. Halacy, onde fala de "uma nova fronteira", não meramente espacial mas, mais profundamente, o relacionamento entre o "espaço interior" e o "espaço exterior" – uma ponte… entre a mente e a matéria. Desenvolvedor de instrumentação fisiológica e de sistemas de processamento de dados, Clynes era o diretor científico do Laboratório de Simulação Dinâmica de Rockland State Hospital, em Nova York.
Os ciborgues típicos das obras de ficção científica, apresentam-se como uma síntese de partes orgânicas e artificiais e, geralmente, servem de mote para comparações entre o ser humano e a máquina, refletindo sobre temas como a moralidade, livre-arbítrio, felicidade, etc. Estes ciborgues podem ser representados como visivelmente mecânicos (por exemplo, os borgs em Star Trek, ou os cylons em Battlestar Galactica (1978) ou quase idênticos aos seres humanos (por exemplo, os cylons em Battlestar Galactica (2003) e os Exterminadores de Exterminador do Futuro (ver: Rebelião das máquinas). Muitas das obras sobre ciborgues tratam do desconforto e desconfiança crescente da sociedade diante do acelerado desenvolvimento tecnológico, particularmente quando usados para a guerra, e quando usados de maneira que possam ameaçar o livre-arbítrio.
Ciborgues reais, ao contrário do que foi dito no parágrafo anterior, seriam pessoas que utilizam tecnologia cibernética para reparar ou superar deficiências físicas e mentais em seus corpos. Por exemplo, uma pessoa que possui um membro mecânico entraria nesta definição.
Ciborgue – Tendo como base a Antropologia do Ciborgue, ciborgue é toda pessoa que tem sua existência constituída pela tecnologia digital. É o hibridismo entre o ser humano e a máquina, a incorporação das tecnologias em seus modos de existência, uma criatura de realidade social e também uma criatura de ficção. “Realidade social significa relações sociais vividas, nossa construção política mais importante, significa uma ficção capaz de mudar o mundo” (HARAWAY, 2000, pag. 40). Para Haraway a ficção científica contemporânea está cheia de ciborgues, isto é criaturas que são ao mesmo tempo animais e máquinas que habitam mundos ambíguos que são tanto naturais como fabricados. Desta forma, o ciborgue é uma imagem condensada tanto de imaginação quanto de realidade material.
A ciborguização altera o nosso modo de existência, há uma incorporação das tecnologias digitais em nossas ações do cotidiano, modificando o modo de existir e agir sobre o mundo. O modo de vida online torna-se indispensável e impensável, gerando significados e acrescentando inúmeras possibilidades ao modo de vida off-line.
As inúmeras possibilidades oferecidas pelas tecnologias digitais potencializam a ação do ser humano sobre seu dia – a – dia. É necessário compreender que as práticas do ciborgue não ocorrem em outra dimensão da vida, em uma espécie de “universo paralelo”, mas constituem o nosso modo de vida. Os atos praticados nos ciberespaços nos afetam e nos compõem em todas as nossas ações. As barreiras entre o real e virtual não existem pelo fato de que a incorporação das tecnologias nos afeta e nos constituem como seres humanos. O estabelecimento do raciocínio de uma hierarquia entre online e off-line perde validade a partir do momento em que consideramos as características próprias da cibercultura e suas práticas. Sendo assim, as interações que ocorrem no ambiente virtual também compõem a realidade. E não se deve negar valor a elas, dado que, a ciborguização é constante e factual.
Visão geral thumb|direita|200px|Robô andróide fabricado pela Toyota. Ao contrário do que muitos pensam, "robô" e "ciborgue" são termos diferentes. De acordo com algumas definições do termo, a ligação entre a física e a metafísica da humanidade com a tecnologia já está nos tornando ciborgues, se atendermos à sua definição estrita. Por exemplo, uma pessoa que tenha implantado marcapassos poderia ser considerado um ciborgue, visto que seria incapaz de sobreviver sem esse componente mecânico. Alguns teóricos citam as lentes de contato, aparelhos auditivos ou lentes intraoculares como exemplos de seres humanos utilizando componentes artificiais para melhorar seu desempenho biológico. Entretanto, estas modificações não seriam mais "cibernéticas" do que uma pá usada na lavoura ou uma lança utilizada na caça. Os implantes cocleares, que combinam uma modificação mecânica com algum tipo de resposta do organismo, seria uma boa representação de um ciborgue.
No final do século XX, a imagem do ciborgue como um ser que não é nem humano nem máquina, nem homem nem mulher, foi construída por autoras como Donna Haraway, através de seu Manifesto Ciborgue.
História O conceito de uma mistura "homem-máquina" foi difundido na ficção científica antes da Segunda Guerra Mundial. Em 1843, Edgar Allan Poe descreveu um homem com próteses extensivas no conto "The Man That Was Used Up". Em 1908, Jean de la Hire criou o personagem Nyctalope (um dos primeiros super-heróis), na novela L'Homme qui peut vivre dans l'eau. Edmond Hamilton criou exploradores espaciais com uma mistura de partes orgânicas e mecânicas em sua novela The comet doom, em 1928. Criou mais tarde, Capitão Futuro, um personagem com conceitos parecidos. Em uma curta história chamada No woman born (1944), C. L. Moore escreveu sobre uma pessoa que teve todo o seu corpo queimado e cujo cérebro foi colocado em um corpo mecânico.
Como foi dito anteriormente, o termo foi criado por Clynes e Kline, em 1960, para se referir à concepção de um "super-humano" que poderia sobreviver em ambientes extraterrestres.
Um livro intitulado Cyborg: digital destiny and human possibility in the age of the wearable computer foi publicado por Doubleday em 2001. Algumas das ideias da obra foram incorporadas no filme documentário Cyberman.
Ciborgues individuais
Geralmente, o termo "ciborgue" é usado para se referir a um homem ou mulher com implantes biônicos ou robóticos.
Atualmente, existe o sistema C-LEG, utilizado para substituir pés humanos que tenham sido amputados por causa de algum ferimento ou doença. Estes recursos artificiais permitem uma melhoria considerável no ato de caminhar.
Implantes feitos na cóclea e implantes magnéticos têm ajudado pessoas a recuperar órgãos doentes, melhorando a qualidade de vida.
Ciborgues sociais Mais amplamente, o termo "organismo cibernético" é usado para descrever redes de comunicação e controle. Por exemplo, cidades, redes de estradas, redes de software, corporações, mercados, governos. Uma corporação pode ser considerada uma inteligência artificial que emprega componentes humanos para seu funcionamento.
O termo "Empresa Ciborgue" passou a ser utilizado por Décio Marcellino, referindo-se à necessidade de sobrevivência de empresas na. era da indústria 4.0. A constatação é que todas as empresas atualmente são mais ou menos ciborgues e é necessário que se apropriem e utilizem de forma mais efetiva de seu lado máquina. (Marcellino, 2018)
Juventude ciborgue Outro conceito que surge com este conceito moderno é o de Juventude Ciborgue. Juventude Ciborgue é a união do conceito de juventude com o conceito cibernético, ou seja, jovens que estão conectados às tecnologias digitais. De acordo com a Lei, brasileira, nº 12.852, de 5 de agosto de 2013, a qual instituiu o Estatuto dos Jovens, são consideradas jovens as pessoas com idade entre 15 (quinze) e 29 (vinte e nove) anos de idade. Já ciborgue pode ser definido como “um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo, uma criatura de realidade social e também uma criatura de ficção”.HARAWAY, Donna J. Manifesto Ciborgue: Ciência.Tecnologia e Feminismo-Socialista, 2000. E o conjunto desses dois termos se ligam à relação da juventude com diversas tecnologias consequentemente trazendo consigo novos conceitos sobre a utilização das tecnologias digitais no seu cotidiano representados pelo uso de diversos artefatos tecnológicos como celulares, tablets, implantes, computadores, etc. Ou seja, a “juventude ciborgue opera o próprio pensamento e conduz as suas ações constituindo uma certa simbiose com as tecnologias”.SALES, Shirlei Rezende. Orkut.com.escol@: currículos e ciborguização juvenil - UFMG/FaE, 2010. 230 f., enc, il. Tese - (Doutorado) - Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Educação. Orientadora :Marlucy Alves Paraíso. Bibliografia : f. 202-218. Anexos : f. 219-229.
Currículo Ciborgue Pode-se dizer que o currículo ciborgue é a composição da pedagogia analógica integrada à tecnologia digital. Dentro do planejamento curricular isto pode ocorrer de forma intencional ou não, ou seja, o aluno pode fazer uso das tecnologias digitais nas suas tarefas educacionais mesmo que o professor não considere o uso como um comando. Dessa maneira, o currículo ciborgue faz parte da nossa realidade, demanda uma nova maneira de planejar e organizar os conhecimentos.
O currículo ciborgue resulta em uma grande, complexa e radical experiência curricular. O professor sai do seu lugar comum, reproduzido há anos da mesma maneira, através do quadro negro, os estudantes em fila e o livro didático, para transformar a aula em uma experiência dinâmica que desperta para o interesse, a participação e o fazer ativo. Nesse sentido o aluno rompe com fronteiras já produzidas, amplia suas possibilidades de conhecimento e encontra nos espaços cibernéticos uma gama de recursos para explorar os saberes que os livros didáticos não seriam capazes de fornecer.
O currículo ciborgue é voltado para o/a aluno/a pós-moderno/a, que está vivamente conectado/a em aparelhos eletrônicos e possui grande acesso à informação através da internet.Com esse grande acesso, o campo educacional sente-se desafiado a compreender e colocar em prática a fusão entre o analógico e o digital nas salas de aula. A tecnologia faz parte das pessoas e é através dela que elas estudam, pesquisam, se divertem e vivem o mundo exterior. Para elas, o mundo virtual e eletrônico é mais atrativo e faz mais sentido.
O currículo da grande maioria das escolas atuais se encontra ultrapassado para os estudantes ciborgues, que se sentem deslocados em meio a tantos materiais didáticos, professores autoritários e regras rígidas. O currículo ciborgue abrange a tecnologia digital e a vivência pós-moderna de maneira a dar sentido a educação dos alunos/as atuais.