A foi uma classe de porta-aviões operados pela Marinha Imperial Japonesa, composta pelo e . Suas construções começaram em 1937 e 1938 no Arsenal Naval de Yokosuka e na Kawasaki, sendo lançados ao mar em 1939 e comissionados na frota em 1941. Eles foram encomendados em 1937 e foram os primeiros porta-aviões japoneses construídos sem as limitações do Tratado Naval de Washington. O objetivo de projeto era construir embarcações superiores a suas contrapartes estrangeiras, tendo uma capacidade elevada de aeronaves, bom armamento e alta velocidade. Os projetistas escolheram construir uma versão modificada do predecessor .

Os dois porta-aviões da Classe Shōkaku podiam carregar até 72 aeronaves. Tinham um comprimento de fora a fora de 257 metros, boca de 29 metros, calado de nove metros e um deslocamento carregado de pouco mais de 32 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por oito caldeiras que alimentavam quatro conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam quatro hélices até uma velocidade máxima de 34 nós (63 quilômetros por hora). Eram armados com uma bateria antiaérea formada por dezesseis canhões de 127 milímetros e 36 canhões de 25 milímetros. Os navios também possuíam um pequeno cinturão de blindagem que tinha entre 46 a 165 milímetros de espessura.

Os navios participaram de praticamente todas as grandes operações navais japonesas na Segunda Guerra Mundial. No início do conflito, estiveram presentes no Ataque a Pearl Harbor, em um ataque contra o Oceano Índico e na Batalha do Mar de Coral; nesta última, o Shōkaku foi seriamente danificado e o Zuikaku perdeu a maioria de suas aeronaves, assim ambos ficaram de fora da Batalha de Midway. Depois disso participaram da Campanha de Guadalcanal e passaram a maior parte de 1943 navegando entre bases. O Shōkaku foi afundado em junho de 1944 depois de ser torpedeado na Batalha do Mar das Filipinas, enquanto o Zuikaku foi afundado em outubro durante a Batalha do Golfo de Leyte.

Desenvolvimento A Classe Shōkaku foi encomendada em 1937 como parte do 3º Programa de Suplemento de Armamentos Navais. A Marinha Imperial Japonesa nesta altura não estava mais restrita pelas provisões estabelecidas pelo Tratado Naval de Washington de 1922, que tinha expirado em dezembro de 1936, e contava com menos limitações orçamentárias, assim procurou alcançar uma superioridade qualitativa sobre suas contrapartes estrangeiras. O Estado-Maior Geral da Marinha baseou-se nas experiências com seus porta-aviões anteriores e elaborou exigências ambiciosas para os novos navios, estabelecendo que deveriam igualar a capacidade de 96 aeronaves do e , a velocidade do e o armamento do Kaga. As novas embarcações também deveriam ter uma blindagem e autonomia superiores a quaisquer porta-aviões existentes na época.

A Seção de Projeto Básico do Departamento Técnico da Marinha decidiu por um projeto baseado no Hiryū mas ampliado e melhorado, colocando sua superestrutura a bombordo à meia-nau. Entretanto, o Departamento Técnico Aeronaval começou a ter dúvidas sobre a localização da superestrutura depois do início das construções, pois achava que o posicionamento a bombordo da superestrutura no Akagi e Hiryū tivera um impacto adverso no fluxo de ar sobre o convés de voo. Outro problema identificado era que a posição à meia-nau reduzia a área disponível para pouso, o que poderia ser problemático no futuro à medida que as velocidades de pouso das aeronaves cresciam junto com seu peso. O Departamento Técnico Aeronaval filmou centenas de decolagens do Akagi entre outubro e novembro de 1938 com o objetivo de verificar essas presunções, decidindo por fim mudar a superestrutura para estibordo e mais para vante, aproximadamente um terço do comprimento do navio a partir da proa. O Shōkaku estava com a construção mais avançada nessa altura e a estrutura de suporte da superestrutura já tinha sido construída no casco; acabou sendo decidido deixar essa estrutura no lugar em vez de reconstruí-la porque isto iria atrasar a finalização. Outras alterações que foram feitas por conta dessa mudança incluíram o alargamento do convés de voo em um metro no lado oposto da superestrutura e um estreitamento correspondente de cinquenta centímetros a estibordo, além da adição de um lastro de cem toneladas a bombordo para equilibrar o navio.

Projeto Características thumb|esquerda|240px|Desenho do Zuikaku em 1941 Os navios da Classe Shōkaku tinham 257,5 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 29 metros, um calado máximo de 9,32 metros e uma profundidade moldada de 23 metros. O deslocamento carregado era de toneladas. Os dois porta-aviões foram equipados com proas bulbosas e dois lemes, estes posicionados na linha central atrás das hélices, por conta de pesquisas hidrodinâmicas realizadas durante o projeto dos couraçados da Classe Yamato. Suas tripulações consistiam em homens, dividida em 75 oficiais, 56 oficiais de serviço especial, 71 subtenentes e suboficiais e marinheiros; estes números não incluem o grupo aéreo.

Seus sistemas de propulsão consistiam em quatro conjuntos de turbinas a vapor Kampon, cada um girando uma hélice de 4,2 metros de diâmetro. O vapor era produzido em oito caldeiras de tubos d'água Tipo Kampon Modelo B que normalmente funcionavam a uma pressão de trinta quilogramas forças por centímetro quadrado ( quilopascais). Este sistema foi projetado para ter uma potência indicada de 163,2 mil cavalos-vapor (120 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 34,5 nós (63,9 quilômetros por hora). Este era o sistema mais poderoso em serviço na Marinha Imperial, sendo 10,2 e 8,1 mil cavalos-vapor (7,5 e seis mil quilowatts) mais potente do que aqueles da Classe Yamato e dos cruzadores pesados da Classe Mogami, respectivamente. Os navios alcançaram velocidades de 34,37 a 34,58 nós (63,65 a 64,04 quilômetros por hora) a partir de a cavalos-vapor ( a quilowatts) durante seus testes marítimos. Podiam carregar até cinco mil toneladas de óleo combustível, o que proporcionava uma autonomia de 9,7 mil milhas náuticas (dezoito mil quilômetros) a uma velocidade de dezoito nós (33 quilômetros por hora). A fumaça da exaustão das caldeiras era canalizada para duas chaminés que ficavam a estibordo à meia-nau abaixo do convés de voo e curvadas para baixo. A energia elétrica a bordo era produzida por três turbogeradores de seiscentos quilowatts e dois geradores a diesel de 350 quilowatts, todos operando a 225 volts.

Convés e hangares thumb|240px|Aeronaves do Shōkaku no convés de voo sendo preparadas para decolagem O convés de voo da Classe Shōkaku tinha 242,2 metros de comprimento e uma largura máxima de 29 metros, estendendo-se sobre o casco nas duas extremidades e apoiado em pilares. Dez cabos de detenção transversais foram instalados no convés e podiam parar aeronaves de até quatro toneladas. Caso um avião errasse todos os cabos, ele poderia ser parado por um de três barricadas. Espaço e peso foram reservados para duas catapultas, mas seu desenvolvimento não foi finalizado antes das embarcações afundarem. Tinham dois hangares sobrepostos: o hangar superior tinha duzentos metros de comprimento e uma largura que variava entre 18,5 e 24 metros, enquanto o hangar inferior era aproximadamente vinte metros mais curto e tinha uma largura entre 17,5 e vinte metros. O hangar superior tinha 4,85 metros de altura e o inferior 4,7 metros, sendo este utilizável apenas para os caças. Juntos tinham uma aérea total de metros quadrados. Cada hangar podia ser subdividido por cinco ou seis cortinas e eram equipados nas duas laterais com dispensadores de espuma de combate a incêndio. O hangar inferior também tinha um sistema de combate a incêndio de dióxido de carbono. Cada subdivisão tinha duas estações fechadas e blindadas para controlar as cortinas e o equipamento de combate a fogo.

As aeronaves eram transportadas entre os hangares e o convés de voo por três elevadores que demoravam quinze segundos para irem do hangar inferior ao convés de voo. O elevador de vante era maior dos três e media treze por dezesseis metros, com sua intenção sendo permitir que aviões que tivessem acabado de pousar pudessem ser levados aos hangares sem a necessidade de dobrarem as asas. Os outros elevadores eram mais estreitos e tinham treze por doze metros. Os porta-aviões também tinham um guindaste instalado a estibordo do convés de voo, ao lado do terceiro elevador. Dobrado este guindaste ficava nivelado com o convés de voo.

A Classe Shōkaku foi projetada para ter um grupo aéreo de 96 aeronaves, incluindo 24 na reserva. Foi concebido que estes seriam doze caças Mitsubishi A5M, 24 bombardeiros de mergulho Aichi D1A2, 24 torpedeiros Mitsubishi B5M e doze aeronaves de reconhecimento Nakajima C3N. Todos estes aviões foram cancelados ou substituídos por aeronaves mais modernas enquanto os navios estavam sendo construídos, assim ao entrarem o serviço o grupo aéreo era de dezoito caças Mitsubishi A6M Zero, 27 bombardeiros de mergulho Aichi D3A e 27 torpedeiros Nakajima B5N. Além disso, dois Zeros, cinco D3As e cinco B5Ns eram levados como sobressalentes para um total de 84 aeronaves.

Armamento thumb|esquerda|240px|Duas montagens duplas de armas antiaéreas de 127 milímetros do Zuikaku A bateria antiaérea pesada consistia em dezesseis canhões de duplo-propósito Tipo 89 calibre 40 de 127 milímetros arranjados em montagens duplas em plataformas projetadas da lateral do casco, quatro de cada lado, dois pares à vante e dois à ré. Estas armas tinham um alcance máximo de 14,7 quilômetros e uma altura máxima de disparo de 9,44 quilômetros a uma elevação de noventa graus. Sua cadência de tiro máxima era de catorze disparos por minuto, porém sua cadência de tiro sustentada era de aproximadamente oito disparos por minuto. Haviam quatro diretórios de controle de disparo Tipo 94 a fim de controlarem os canhões de 127 milímetros, um para cada duas montagens, porém o diretório que ficava na superestrutura era capaz de controlar todos os canhões.

O armamento antiaéreo leve era de 36 canhões Tipo 96 de 25 milímetros, uma produção licenciada da francesa Hotchkiss, instalados em doze montagens triplas, seis de cada lado do convés de voo. Esta era a arma antiaérea leve padrão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, porém ela sofria de sérios problemas de projeto que a deixavam praticamente ineficiente. Segundo o historiador Mark Stille, a arma tinha muitas falhas incluindo a incapacidade de "lidar com alvos em alta velocidade porque não podiam virar e elevar rápido o bastante manualmente ou por energia, suas miras eram inadequadas para alvos de alta velocidade, possuía uma vibração e choque de disparo excessivos". Os canhões tinham um alcance efetivo de 1,5 a três quilômetros e um teto efetivo de 5,5 quilômetros a uma elevação de 85 graus. Sua cadência de tiro efetiva máxima era de 110 a 120 disparos por minuto por causa da frequente necessidade de trocar os cartuchos de munição, que tinham apenas quinze projéteis cada. As armas eram controladas por seis diretórios Tipo 95, um para cada duas montagens.