Antônio Prestes de Paula (Campo Florido, 13 de junho de 1927 – Cascavel, 2004) foi um militar brasileiro e líder da Revolta dos Sargentos de 1963.

Biografia Na juventude, militou no Partido Comunista Brasileiro. Ao terminar os estudos no Colégio Andrews, entrou para a Força Aérea Brasileira como terceiro-sargento, atuando como mecânico de aviação, com o objetivo inicial de aprender o ofício e trabalhar como civil na Pan American World Airways. Após uma década de serviços, subiu para o posto de primeiro sargento, sendo transferido para Brasília. Atuou no desmonte da Operação Mosquito, em 1961, impedindo o ataque que tinha como objetivo abater o avião que transportava o então vice-presidente João Goulart, que voltava de viagem internacional para se tornar presidente após a renúncia de Jânio Quadros.

Com o apoio de Jango, criou e presidiu o Clube dos Suboficiais, Subtenentes e Sargentos das Forças Armadas e Auxiliares do Brasil (CSSSFAA), organização que tentava obter melhorias para a tropa junto ao Ministério da Aeronáutica. Após as eleições de 1962, alguns sargentos eleitos deputados tiveram a posse impedida por decisões judiciais, e outros que tomaram posse tiveram seus mandatos suspensos por decisões de primeira instância. Eventualmente o Supremo Tribunal Federal decidiria a questão, mantendo a perda dos mandatos, o que gerou revolta na categoria e culminou na Revolta dos Sargentos. Foi preso com a derrota da revolta, sem oferecer resistência. O deputado Adão Pereira Nunes (PSP-RJ) proporia projeto de lei para anistiar os envolvidos.

No ano seguinte, após o golpe de estado de 1964, foi alvo de um inquérito policial militar baseado no art. 8 do Ato Institucional n.º 1 que o classificava como "subversivo" e o acusava de estar envolvido com um grupo de chineses supostamente envolvidos com espionagem, os quais Antônio negou conhecer. Prestes de Paula fora desligado da corporação em agosto daquele ano. Sob interrogatório, disse que "nunca foi espião nem comunista, 'mas se fosse, teria hombridade para confessar', e afirmou que o levante dos sargentos em Brasília, sob seu comando, não teve caráter político."

Em um sumário de culpa em julgamento em 1965, citaria Ruy Barbosa: "Quando a paixão política penetra num tribunal, a Justiça sai pela janela." Afirmou ainda: "O fato que desencadeou o movimento de Brasília foi a decisão do Supremo Tribunal Federal julgando inelegível os sargentos. (...) A nossa luta não foi política e houve má interpretação por parte da imprensa, inclusive a comunista, que me classificou de aventureiro, com tendências de pequeno burguês. (...) O Globo me tachou de comunista, porém se o fôsse não o negaria. O Jornal do Brasil disse que eu era da 'ala lacerdista'." Da acusação de subversão associada aos chineses, Antônio foi absolvido, mas suas ações na Revolta dos Sargentos levaram a uma condenação em sessão secreta pelo Superior Tribunal Militar a 16 anos de prisão, por motim no dia 10 de maio.

Em maio de 1969, fugiu da Penitenciária Lemos de Brito com outros oito detentos, tendo liderado a fuga, considerada pelo Correio da Manhã como "uma das mais sensacionais registradas nos últimos tempos". Até então, Antônio trabalhava na Divisão Legal da penitenciária era considerado pelo diretor do presídio como tendo "comportamento exemplar". Posteriormente, participou da luta armada contra a ditadura militar, integrando o Movimento de Ação Revolucionária e o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Nesse mesmo ano, teria trocado tiros com um soldado da Polícia do Exército, Elias Santos, quando este adentrou um esconderijo no bairro de Lins de Vasconcelos, na zona norte da Guanabara (atual Rio de Janeiro), causando a morte do PE.

Em 1971, foi acusado da participação em um assalto ao Banco Sotta Maior, acontecido em 1969, crime pelo qual poderia ser condenado a pena de morte segundo o art. 27 da Lei de Segurança Nacional. No ano seguinte, foi acusado de ter participado de um ataque a um posto policial nas proximidades da favela da Nova Holanda, no bairro de Bonsucesso, também na Zona Norte da Guanabara.

Durante a década de 1970, se auto-exilou no Chile e na França, tendo o rosto modificado por uma cirurgia plástica.

De volta ao Brasil no começo da década de 1980 após a promulgação da Lei da Anistia, ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, tendo atuado inclusive como segurança de Lula na campanha ao governo do estado de São Paulo em 1982. Seguia entretanto ligado ao PCBR, atuando nas duas frentes, legal e clandestina.

Em 1986, voltou a ocupar manchetes ao participar, com outros membros do PCBR, de uma tentativa de assalto a uma agência do Banco do Brasil em Salvador, localizada no campus da Universidade Federal da Bahia, na manhã do dia 11 de abril, naquele que seria o último assalto a banco da luta armada no país, tendo sido o único dos assaltantes a conseguir escapar da cena do crime. A polícia encontrou um livro-contábil do partido realizando buscas em sua residência em São Paulo. Antônio seria preso em 23 de junho do mesmo ano, em Goiânia. O PT expulsou Prestes de Paula de seus quadros, bem como o outro partidário que ajudou com seu esconderijo na capital goiana. Por este assalto, foi condenado a 7 anos e dez meses de prisão, mais multa.

Vida pessoal Na década de 1960, Antônio foi casado com Eliane Melo Prestes, com quem teve cinco filhos. Posteriormente, já na década de 1980, após seu retorno ao Brasil, foi casado com Maria Tereza Aguiar Notari, que era funcionária da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e tinha quatro filhos.

Após cumprir sua pena, Prestes se mudou para o Paraná, falecendo na cidade de Cascavel em 2004.

Bibliografia

Ligações externas Antônio Prestes de Paula no acervo do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil

Categoria:Militares de Minas Gerais Categoria:Militares comunistas do Brasil Categoria:Opositores da ditadura militar no Brasil (1964–1985)