Theobroma grandiflorum, comumente conhecido como cupuaçu, é uma árvore da floresta tropical relacionada ao cacau. Nativo e comum em toda a bacia amazônica, é cultivado naturalmente nas selvas do norte do Brasil, com maior produção no Pará, Amazonas e Amapá, Colômbia, e também na Bolívia e Peru. A polpa do fruto do cupuaçu é consumida em toda a América Central e América do Sul, principalmente nos estados do norte do Brasil, e é utilizada para fazer sorvetes, salgadinhos, e outros produtos. De sua semente é produzido o cupulate (chocolate de cupuaçu). A alfarroba é outra substituta do cacau na fabricação de chocolate.

Etimologia Nheengatu, língua amazônica da família Tupi, apresenta o item kupuasú, provável origem do termo em português.

Conforme o Dicionário de Tupi Antigo, o nome cupuaçu proviria do tupi antigo kupy'ygûasu, cujo significado etimológico seria o de "grande árvore de 'kupy'", variedade de abelha, mas essa forma não consta no Dicionário online. Essa etimologia é ligeiramente problemática pois a forma esperada seria ''Kupy'ybusu'', como na derivação ''Pindoba > Pindobusu''. O aumentativo -gûasu apresenta seu alomorfe -usu ao encontrar radical terminado em consoante ou -a átono como em 'yba (planta), gerando 'Ybusu, como vemos em Mandi'ybusu, essa inconsistência na derivação esperada do aumentativo, junto com a forma Nheengatu quase identica ao português, aponta para aquela ser a mais provável origem do termo.

Domesticação Recentemente, através de estudos genéticos se descobriu que o cupuaçu é uma planta domesticada pelos nativos da Amazônia há cerca de 8000 anos atrás e sua versão selvagem é o cupuí. A suspeita começou quando pesquisadores notaram que a árvore de cupuaçu existia em maior número próximo a assentamentos humanos, e sua presença na floresta era mais rara.

Descrição

thumb|esquerda|Flor do cupuaçu, cujo grande tamanho ajuda a compor seu nome científico

Seu nome científico é Theobroma (lat: “manjar dos deuses”) grandiflorum (lat: “flores grandes”). As árvores de cupuaçu geralmente variam de 5–15 metros de altura, embora algumas possam atingir 20 metros. Possuem casca marrom e as folhas variam de 25–35 centímetros de comprimento, com nove ou dez pares de veias. À medida que amadurecem, as folhas mudam de rosa para verde e, eventualmente, começam a dar frutos. O chá e o extrato das folhas tem efeito calmante e também são usados para tratar problemas intestinais, renais e respiratórios.

thumb|x150px|direita|Barra de cupulate.

As flores do cupuaçu são estruturalmente complexas e requerem polinização de vetores bióticos. A maioria das árvores de cupuaçu são autoincompatíveis, o que pode resultar na diminuição dos níveis de polinização e, consequentemente, diminuição da produção de frutos. A polinização também pode ser afetada negativamente pelas condições ambientais. Polinizadores, que incluem gorgulhos crisomelídeos e abelhas sem ferrão, são incapazes de voar entre as flores em chuvas fortes.

A polpa branca do cupuaçu tem odor descrito como uma mistura de chocolate e abacaxi e é frequentemente utilizada em sobremesas, sucos e doces. O suco tem gosto principalmente de pêra, banana, maracujá e melão. O chocolate feito de cupuaçu, muito parecido com o de cacau, é chamado de cupulate.

Cultivo

O cupuaçu é mais comumente propagado a partir de sementes, mas também são usados enxertos e estacas enraizadas.

As árvores do cupuaçu são frequentemente incorporadas em sistemas agroflorestais em toda a Amazônia devido à sua alta tolerância a solos inférteis, que predominam na região amazônica.

O cupuaçu geralmente é colhido do chão depois de cair naturalmente da árvore. Pode ser difícil determinar o pico de maturação porque não há mudança perceptível na cor externa da fruta. No entanto, estudos mostraram que, nas condições da Amazônia ocidental colombiana, os frutos geralmente atingem a maturidade completa em 117 dias após a frutificação.

Os brasileiros comem cru ou usam para fazer doces. Os produtos alimentícios comerciais incluem a polpa e o pó.

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Pragas e doenças

A vassoura-de-bruxa ( Moniliophthora perniciosa) é a praga mais proeminente que afeta as árvores de cupuaçu. Afeta toda a árvore e pode resultar em perda significativa de rendimentos, bem como na morte da árvore se não for tratada. A poda regular é recomendada para reduzir a severidade dessa doença nas plantações de cupuaçu.

O cupuaçu suporta a borboleta herbívora, "lagarta-do-cupuaçu", Macrosoma tipulata (Hedylidae), que pode ser um desfolhador.

Fitoquímicos

Os sabores do cupuaçu derivam de seus fitoquímicos, como taninos, glicosídeos, teograndinas, catequinas, quercetina, kaempferol e isoscutelareína. Também contém teacrina, cafeína, teobromina e teofilina, encontradas no cacau, embora com uma quantidade muito menor de cafeína. Ao contrário do chocolate feito do cacau, o cupulate ("chocolate" de cupuaçu) é livre de teobromina e cafeína.

Manteiga de cupuaçu miniaturadaimagem|Manteiga de cupuaçu

A manteiga de cupuaçu é um triglicerídeo composto por ácidos graxos saturados e insaturados, conferindo à manteiga um baixo ponto de fusão (aproximadamente 30 °C) e textura de um sólido macio, sendo utilizado como confeitaria semelhante ao chocolate branco. Os principais ácidos graxos da manteiga de cupuaçu são ácido esteárico (38%), ácido oleico (38%), ácido palmítico (11%) e ácido araquídico (7%).

Ver também Culinária do Brasil Theobroma bicolor Sterculiaceae

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