Henrique Antunes Cunha (São Paulo, 2 de março de 1908 — São Paulo, 5 de dezembro de 2006) foi um jornalista brasileiro e ativista do movimento negro no Brasil.

Filho de José Benedito da Cunha e de Joana Batista, teve uma escolarização tardia. Fez o curso de perito técnico da polícia, mas não pôde exercer a profissão por ser negro. Acabou entrando no serviço público como escriturário, mas de maneira autodidata tornou-se desenhista de arquitetura, atuando na Secretaria de Viação e Obras Públicas de São Paulo,Michelette, Pâmela Torres. "Henrique Antunes da Cunha". In: Imprensa Negra — Biografias. Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista, 2008Paim, Paulo. "Requerimento n° 1265, de 2006". Senado Federal, 13/12/2006 área em que ganhou prestígio.

É mais lembrado como um destacado ativista do movimento negro, participando de importantes associações e atividades. Iniciou sua militância em 1924 como um dos fundadores do jornal O Clarim da Alvorada, um dos mais importantes veículos do movimento em São Paulo, sendo depois colaborador, editor e presidente do periódico. Colaborou no jornal Auriverde a partir de 1928;Carvalho, Gilmar Luiz de. A imprensa negra paulista entre 1915 e 1937: características, mudanças e permanências. Mestrado. USP, 2009, p. 147 foi um dos fundadores do Clube Negro de Cultura Social em 1932,Domingues, Petrônio. "Paladinos da liberdade: A experiência do Clube Negro de Cultura Social em São Paulo (1932-1938)". In: Revista de História, 2004 (150): 57-79 onde organizou peças de teatro e outras atividades culturais e políticas;Gomes, Ana Paula dos Santos. Trajetória de vida de intelectuais negros (as): contribuição para a educação das relações étnico-raciais. Mestrado. UFSCar, 2008, pp. 68-69 participou da Frente Negra Brasileira na década de 1930,Pinto, Ana Flávia Magalhães & ‎Chalhoub, Sidney. Pensadores negros - Pensadoras negras: Brasil séculos XIX e XX. Fino Traço Editora, 2020, s/pp. e esteve entre os fundadores da Associação Cultural do Negro em 1954,Silva, Mário Augusto Medeiros da. "Fazer História, Fazer Sentido: Associação Cultural do Negro (1954-1964)". In: Lua Nova: Revista de Cultura e Política, 2012 (85) a qual presidiu entre 1963 e 1964, desempenhando nela relevante atividade.Nascimento, Elisa Larkin. The Sorcery of Color: Identity, Race, and Gender in Brazil. Temple University Press, 2007, pp. 128; 151 Também deu inúmeras palestras sobre as questões do negro para um público universitário, bem como para professores e membros de outras associações negras.

Em 1980 recebeu da Câmara Municipal de São Paulo a Medalha Gratidão da Cidade de São Paulo. Foi citado entre outros negros ilustres "em diferentes áreas de conhecimentos, de atuação profissional, de criação tecnológica e artística, de luta social", no texto das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira.Apud Assunção, Nádia Cecília Augusto. "A Frente Negra Brasileira – 1931 a 1937". In: Cadernos PDE, 2016. Dossiê Os desafios da escola pública paranaense na perspectiva do professor PDE — Produções didático-pedagógicas, vol. II Em 1998 os organizadores da Agenda Afro-Brasileira-98 concederam-lhe o Prêmio Machado de Xangô.

Foi casado com a ativista e jornalista Eunice Cunha, tendo com ela o filho Henrique Antunes Cunha Júnior.

Ver também Movimento negro no Brasil Imprensa negra no Brasil

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