Na filosofia chinesa, qing () é um conceito traduzido de várias maneiras como "emoção", "sentimento" ou "paixão".
É no início do século IV a.C. que as emoções aparecem pela primeira vez com grande importância filosófica nos textos chineses, e a palavra qing, que originalmente era utilizada para as disposições das coisas (com o significado de "realidade", "o que essencialmente é", "os fatos", "genuíno"), passou a adquirir conotação psicofísica e humana. Antes do período Han, segundo Michael Puett, qing possuía múltiplos significados coexistentes, de maneira que seus valores contraditórios se apresentavam em uma ambivalência nos textos filosóficos de Xunzi aos Laozi e Zhuangzi, que se por um lado possuem passagens para controlar e reprimir as emoções, por outro ao mesmo tempo validam-nas como guias para a vida.
Confucionismo No pensamento confucionista, qing é interpretado como a qualidade comportamental de uma pessoa dado seu contexto, que pode ser melhorada através do cultivo de ren (humanidade), li (propriedade ritual) e yi (retidão) para construir de, ou caráter moral virtuoso. Estudiosos confucionistas, como Han Yu, tradicionalmente identificaram sete emoções básicas ( ), nomeadas no Livro dos Ritos como felicidade (), raiva (), tristeza (), medo (), amor (), ódio (), e desejo (). Xunzi chamou-as de emoções naturais ( ), vindas do Céu ou Natureza (Tian): "gosto", "desgosto", "alegria", "raiva", "tristeza" e "deleite", presentes desde o nascimento e que devem ser realizadas para completar o potencial do "cumprimento da natureza". Assim, apesar de outros trechos considerarem as emoções descontroladas como levando ao desequilíbrio, elas aparecerem como dádivas que devem ser cultivadas. Ele afirma: "Natureza é a tendência que vem do Céu. Qing é a substância da nossa natureza. Desejo é a resposta de qing em nós." (Xunzi, cap. 24) e que "Li (Ritual, Lei ou Ordem) ... dá refinamento e purificação às emoções do homem"
A interpretação de qing como um conceito emocional, especialmente quando conectado a xing, tornou-se bem presente após o período dos Estados Combatentes, porém já nesse período o termo era bastante polissêmico. Em Mêncio, a palavra qing tem ocorrência de 4 vezes, porém não com um sentido de "sentimentos" ou "emoções", e sim de acordo com a característica de disposição e inclinações de todas as coisas segundo sua teoria; quando humano, qing reflete uma potencialidade inata à bondade: assim é dito que qing "pode ser utilizado para o bem" e o argumento menciano justifica algumas emoções inevitáveis como uma base inata à virtude humana.
Os neoconfucionistas entendem qing como produtos de circunstâncias ambientais que afetam xing, ou a natureza humana inata.
Taoismo O ensino taoísta aparenta visar libertar uma pessoa das paixões (qing), conforme articulado por Zhuang Zhou: "[O sábio] tem a forma de um homem, mas sem qing" (Zhuangzi, cap. 5). Apesar dessa tendência ascética, o taoismo não desconsidera a importância das emoções, e nesse trecho qing está se referindo especificamente como levando à tendência de julgamento de certo ou errado, em que o sábio não possui qing por não se apegar à distinção de negação e afirmação, vivendo assim em fluxo cósmico sem dano interno. As interpretações desse trecho consideram que o taoismo busca um naturalismo que retorna ao estado de inocência das emoções sem conceitualização, valorizando o impulso original sem segundo pensamento; ou então que a mente do sábio é como um espelho que age de acordo com a razão pura e não se abala com emoção: "A mente do homem perfeito é como um espelho. Não se move com as coisas, nem as antecipa. Ele responde às coisas, mas não as retém. Portanto, o homem perfeito é capaz de lidar com as coisas com sucesso, mas não é afetado por elas" (Zhuangzi, cap. 7); ou ainda a interpretação de que o sábio possui um "espírito romântico" de espontaneidade e autenticidade. Há ao total 31 passagens com a instância de qing no texto Zhuangzi, o que inclui algumas em que o termo aparece no sentido mais geral.
Ver também
Culto de qing Xin (filosofia)
Bibliografia
Categoria:Emoções Categoria:Filosofia chinesa Categoria:Taoismo Categoria:Neoconfucionismo Categoria:Filosofia da mente