miniaturadaimagem|A criação de Adão, Por Michelangelo Evolucionismo teísta, evolução teísta, criação evolucionária ou criação evolutiva é a conciliação da ideia de uma divindade com a teoria da evolução biológica. https://www.cristaosnaciencia.org.br/o-falso-e-o-verdadeiro-nos-ataques-recentes-a-abc%C2%B2/ |Alvares, Letícia. O falso e o verdadeiro nos ataques recentes à ABC². Associação Brasileira de Cristãos na Ciência (ABC²).
História
Quando os anglicanos Charles Darwin (anglicano ainda que agnóstico) e Alfred Wallace (anglicano, ainda que espiritualista teísta) publicaram em 1858 a teoria da evolução das espécies por meio da seleção natural, surgiram controvérsias nos meios científicos e religiosos clamando incompatibilidade entre a concepção adâmica de criação com a evolução. Nessa época líderes evangélicos como Henry Drummond e o botânico Asa Gray defenderam a compatibilidade teológica e científica entre criação e evolução.
A teoria evolucionista de Darwin teve uma aceitação entre cristãos com conhecimento científico principalmente porque a teoria de Darwin clamava uma origem comum do ser humano, enquanto alguns cientistas como Samuel George Morton e Louis Agassiz defendiam a poligênese e diferentes espécies humanas (vale lembrar que a essa altura, a palavra raça e espécie significavam a mesma coisa).
No século XX a presença de crentes em Deus nas pesquisas biológicas foi enorme: o teólogo e paleontólogo Pierre Teilhard de Chardin (1881–1955) foi um exemplo de teísta evolucionista. A síntese moderna do evolucionismo (combinando genética molecular e seleção natural) foi desenvolvida por evolucionistas que acreditavam em Deus: Ronald Fisher (1890–1962) e Theodosius Dobzhansky (1900–1975). Hodiernamente, o diretor do Projeto Genoma, Francis Collins, publicou uma defesa do teísmo evolucionista onde propôs o conceito de "Bios pelo Logos", ou simplesmente "BioLogos" ("bios", em grego "vida" e "logos", em grego "palavra"). Obedece tipicamente a seguinte versão:
O universo surgiu há aproximadamente 14 bilhões de anos (pela imposição das leis de Deus); Apesar das improbabilidades incomensuráveis, as propriedades do universo parecem ter sido ajustadas para a criação da vida; Embora o mecanismo exato da origem da vida na Terra permaneça desconhecida, uma vez que a vida surgiu, o processo de evolução e de seleção natural permitiu o desenvolvimento da diversidade biológica e da complexidade durante espaços de tempo muito vastos; Tão logo a evolução seguiu seu rumo, não foi necessária nenhuma intervenção sobrenatural (mas, alguns acreditam que a evolução é "acompanhada e orientada por Deus", como a ideia de Deus-presente-no-Universo de Spinoza); Os humanos fazem parte desse processo, partilhando um ancestral comum com os símios; Entretanto, os humanos são exclusivos em características que desafiam a explicação evolucionária da Lei Moral (o conhecimento do certo e do errado) e a busca por Deus, coisas essas que caracterizam todas as culturas humanas" COLLINS, Francis S. A linguagem de Deus: um cientista apresenta evidências de que Ele existe. - trad. Giorgio Capelli - São Paulo : Editora Gente, 2007, p.206.
Compatibilismo
O concordismo ou compatibilismo entre o fenômeno da evolução e a doutrina da criação é expressa por Dobzhansky, biólogo e ortodoxo russo. Dobzhansky escreveu um famoso ensaio de 1973 intitulado Nada na biologia faz sentido, exceto à luz da evolução, defendendo o criacionismo evolucionário:
Comparação com outras visões
Há outras tentativas de conciliar evolucionismo e teísmo. Por exemplo, o geólogo e zoólogo James Dwight Dana e o notório fundamentalista William Jennings Bryan do julgamento de Scopes eram adeptos da teoria do hiato, na qual a criação teria tomado um longo processo ("Dias-eras" ou algum "hiato de tempo"), mas defendiam a historicidade e a criação especial de Adão e Eva.
Nos anos 1960, sob articulação da Russell L. Mixter na American Scientific Affiliation, um fórum de cientistas afiliados às religiões organizadas, ocorreu a propagação do criacionismo progressista. O criacionismo progressista postula que a origem da vida tem como resultado a agência sobrenatural que plantou "sementes" de formas mais simples de vida e criou mecanismos para uma evolução estruturada em espécies complexas.
Enquanto o surgimento do universo e o surgimento da vida são assunto para a cosmologia, a física e a bioquímica, e não estão intrinsecamente relacionados com a Teoria da Evolução das Espécies, duas vertentes antievolucionistas se tornaram movimentos: o criacionismo da Terra jovem e o Design Inteligente.
Um retrocesso no entendimento compatibilista ocorreu a partir dos anos 1960 quando emergiu o movimento criacionismo da terra jovem, dizendo que a idade da Terra seria mais recente do que é geologicamente aceito.
Evolucionismo teísta é distinto da doutrina do design inteligente. Cientistas teístas evolucionistas como Kenneth R. Miller, John Haught, Michael Dowd, e Francis Collins criticam o design inteligente e criacionismo da terra jovem como não científicos.
Religiões favoráveis ao evolucionismo teísta
Espiritismo Igreja Católica Apostólica Romana Igreja do Nazareno "Can God Love Darwin, Too?" by Sharon Begley, Newsweek, Sept. 17, 2007 issue Igreja Anglicana Igreja MetodistaThe Book of Discipline of The United Methodist Church – 2008 Igreja Unida de Cristo Fé Baha'i
Bibliografia
Alexander, Denis. Criação ou Evolução. Viçosa: Ultimato, 2008. Mcgrath, Alister. A ciência de Deus. Viçosa: Ultimato, 2016. Collins, Francis. A linguagem de Deus. São Paulo: Gente, 2007. Barbour, Ian G. Quando a Ciência encontra a Religião: Quando a ciência encontra a religião: inimigas, estranhas ou parceiras? São Paulo: Cultrix. 2004 Kardec, Allan. A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Paris, 6 de Janeiro de 1868.
Categoria:Criacionismo Categoria:Evolução Categoria:Filosofia Categoria:Evolucionistas teístas Categoria:História do pensamento evolutivo