O desabamento de rochas em Capitólio foi um desastre ocorrido no início da tarde de 8 de janeiro de 2022, no Lago de Furnas em Capitólio, Minas Gerais, Brasil. Dez pessoas morreram e 32 ficaram feridas.

Antecedentes thumb|Cânion no Lago de Furnas, no qual se notam lanchas e banhistas O Lago de Furnas em Capitólio, Minas Gerais, Brasil, atrai vários turistas que procuram por passeios de lancha e mergulhos na região. Os cânions no local são formados por rochas com mais de vinte metros de altura. A formação do local é de rochas sedimentares e, portanto, mais suscetíveis à ação do vento e das chuvas. No fim da manhã de 8 de janeiro de 2022, mesmo dia do acidente, a Defesa Civil de Minas Gerais havia emitido um alerta para chuvas intensas na região de Capitólio com possibilidade de "cabeça d'água": "Evite cachoeiras no período de chuvas".

Acidente O desabamento ocorreu por volta das 12h30 (horário local) no Lago de Furnas em Capitólio, no condomínio Escarpas do Lago, atingindo quatro embarcações com turistas. Cerca de 70 a 100 pessoas estavam no local, que estava isolado e fechado. O Corpo de Bombeiros informou inicialmente que uma "tromba d'água" junto a pedras causou o deslizamento, fazendo com que caíssem de uma altura de mais de cinco metros. Entretanto, segundo Gustavo Cunha Melo, especialista em gerenciamento de risco, a tromba d'água pode ter agido como um gatilho para o deslizamento, mas não foi necessariamente a causa do problema. Para Melo, a rocha se desprenderia de qualquer jeito, por causa da erosão. O porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas, Pedro Aihara, explicou que a formação rochosa do local e as chuvas na região facilitaram para que o deslizamento ocorresse; e que a forma como a rocha caiu agravou a situação.

O especialista em gerenciamento de riscos e segurança Gerardo Portela relatou, em entrevista à CNN, que imagens publicadas nas redes sociais mostraram que os ocupantes das embarcações foram alertados pelas pessoas ao redor sobre o risco de desabamento da estrutura, mas a iniciativa de se afastar da região de risco demorou a acontecer: "Essas últimas imagens são reveladoras de que havia tempo para evitar que as pessoas fossem atingidas, existiam sinais visuais, provavelmente haviam ruídos, porque pedaços de rochas estavam caídos sobre a água, é lamentável". Portela também relatou que houve um "despreparo": "Observamos que as lanchas estavam super lotadas, com a proa apontada para o local de risco, deveria estar posicionada com a proa de lado contrário para um eventual de necessidade de abandono da área. Então uma sucessão de falhas, pessoas mais distantes estavam percebendo o risco, mas eles ali, mesmo sendo profissionais, não conseguiram ter a atenção certa".

Resgate 34 pessoas foram envolvidas no acidente. Ao todo, 10 mortes foram confirmadas pelo Corpo de Bombeiros. O Batalhão de Operações Aéreas, além de mergulhadores, foram mobilizados para atuar no local. Mais de 40 militares estiveram na região e uma aeronave passou a realizar buscas. A Delegacia Fluvial de Furnas deslocou imediatamente equipes de Busca e Salvamento (SAR) para o local.

Todas as vítimas foram encaminhadas para hospitais da região. Três foram levadas para São José da Barra. Dois feridos em estado mais grave tiveram fraturas nos membros superiores e serão encaminhados para Piumhi e Passos em ambulâncias do município. Um outro paciente estável teve um trauma na face. Os demais tiveram ferimentos mais leves.

32 pessoas foram atendidas por causa do acidente, a maioria com ferimentos leves. 27 foram atendidas e liberadas: 23 delas da Santa Casa de Capitólio e outras 4 da Santa Casa de São José da Barra. Quatro seguem internadas. miniaturadaimagem|Marinha reforça operações de buscas por vítimas do acidente em Capitólio (MG)

Vítimas +Vítimas identificadasIdadeCidade NatalJúlio Borges Antunes68 anosAlpinópolis (MG)Rodrigo Alves dos Anjos (Piloto da lancha ‘Jesus’)40 anosBetim (MG)Carmem Pinheiro da Silva43 anosCajamar (SP)Camila da Silva Machado18 anosPaulínia (SP)Geovany Gabriel Oliveira da Silva14 anosAlfenas (MG)Sebastião Teixeira da Silva64 anosAnhumas (SP)Marlene Augusta Teixeira da Silva57 anosItaú de Minas (MG)Maycon Douglas de Osti24 anosCampinas (SP)Thiago Teixeira da Silva Nascimento35 anosPassos (MG)Geovany Teixeira da Silva37 anosItaú de Minas (MG)

Repercussão Um vídeo passou a circular nas redes sociais exibindo o acidente e sua veracidade foi confirmada. A Marinha do Brasil divulgou uma nota oficial pouco tempo depois, informando: "Um inquérito será instaurado para apurar causas, circunstâncias do acidente/fato ocorrido." O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, lamentou, pelas redes sociais, o desabamento: "Sofremos hoje a dor de uma tragédia em nosso Estado, devido às fortes chuvas, que provocaram o desprendimento de um paredão de pedras no lago de Furnas, em Capitólio. O Governo de Minas está presente desde os primeiros momentos através da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros". Zema também prestou solidariedade às famílias das vítimas: "Solidarizo com as famílias neste difícil momento. Seguiremos atuando para fornecer o apoio e amparo necessários". O presidente Jair Bolsonaro comentou que este era um "lamentável desastre".

O evento teve repercussão internacional.

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