thumb|312px|Paisagem em Fuente Dé

Liébana ou La Liébana é uma comarca histórica do norte de Espanha, da província e comunidade autónoma da Cantábria. É constituída por sete municípios e a sede comarcal é Potes. Tem e é uma das comarcas mais bem definidas da Cantábria em termos geográficos e culturais. Em tinha habitantes. Apesar de já existir uma lei para a divisão em comarcas da Cantábria desde 1999, esta ainda não foi regulamentada, pelo que a comarca, como as restantes da comunidade autónoma, não tem carácter administrativo oficial.

A comarca limitada a norte pelas Astúrias e pelo cântabro de Peñarrubia (na comarca de Saja-Nansa), a oeste e sul com Castela e Leão (província de Leão e de Palência, respetivamente) e a leste com os municípios e vales de Lamasón e Polaciones (também da comarca de Saja-Nansa).

Municípios Município Área(km²) População() Densidade(hab./km²) Notas || || Maior município em área || É por ele que é feito o acesso à comarca || É um dos municípios mais isolados e despovoados de Liébana || Além de ser a sede comarcal, é o único núcleo realmente urbano da comarca || É o menos povoado e mais isolado || Segundo maior em área, mas com baixa densidade populacional

Geografia A comarca é uma região rural de difícil acesso, situada nas montanhas dos Picos da Europa, que ocupa uma grande cova entre vertentes escarpadas de calcário, o que faz dela a mais bem definida da Cantábria. Está muito isolada do resto da comunidade autónoma e o principal acesso é feito pela estrada , a qual liga a , a sul, passando pelo desfiladeiro de La Hermida, no vale do Deva, a sul, e a norte atravessa parte das Astúrias antes de voltar a entrar na Cantábria. É constituída por quatro vales (Valdebaró, Cereceda, Valdeprao e Cillorigo), que confluem em Potes. Os principais rios são o Deva, o Quiviesa e o Bullón.

O seu relevo escarpado é constituído principalmente por calcário do período Carbonífero, afetado por processos cársticos. No fundo dos vales surgem ardósias e arenitos.

A sua situação de grande vale fechado, com grandes diferenças de altitude e de encostas muíto íngremes, faz com que haja uma grande variedade de condições ambientais, que dão lugar a uma multitude de formações vegetais, nomeadamente azinheiras, sobreiros, faias, carvalhos-alvarinho, carvalhos-negral, pastagens e terras de cultivo. A região tem um microclima, de características mais mediterrânicas do que o resto da Cantábria, onde o clima é de tipo atlântico. O clima de Liébana é mediterrânico no fundo dos vales, torna-se progressivamente atlântico húmido à medida que se sobe, alcançando características subalpinas no cimos elevados dos Picos da Europa. As temperaturas médias anuais são 28 °C para as máximas e 8 °C para as mínimas. Chove menos do que noutras zonas da Catntábria (800 m anuais em vez dos ).

História A menção mais antiga a Potes data de 847. Um século depois, há registo de que a vila estava dependente do Mosteiro de São Turíbio de Liébana. Em finais do século XII e início do figuram como senhorios de Liébana vários membros da : Rodrigo Gutiérrez Girón , Gonçalo Rodríguez Girón e . Gonçalo deve ter sido o senhor mais poderoso da zona, pois também as tenências de Monzón, La Pernía, Gatón de Campos, Herrín de Campos, Peñas Negras, Cervera, Guardo e metade da importante tenência de Carrión, além de ter sido proprietário de vários outros lugares. No final do , o rei outorgou o senhorio de Liébana ao seu primo , senhor de Aguilar de Campoo e filho do infante .

Em meados do , a posse do senhorio de Liébana deu origem a uma das frequentes guerras nobiliárias daquele tempo e, posteriormente, a um prolongado litígio judicial entre os , herdeiros de João Teles de Castela, e os sucessores do segundo marido da sua esposa, , os duques do Infantado da Casa de Mendoza. O pleito terminou em 1576, quando os tribunais se pronuciaram a favor dos últimos, que tiveram a posse da região até ao fim do regime senhorial no .

Na Idade Moderna, a região foi chamada "Província de Liébana" e foi governada por um corregedor e juntas de província, em certa medida com algum nível de autogoverno. Em 1778 essas juntas foram cofundadoras da Entre 1785 e 1833 essa província fez parte da , antecessora da atual .

Em 1934, forças esquerdistas assaltaram o quartel da Guarda Civil de Potes durante a Revolução de outubro 1934, detendo os guardas e formando um comité revolucionário, até que, ante o avanço de forças governamentais pelo desfiladeiro de La Hermida, se viram forçados a fugir para as montanhas.

Mosteiros thumb|Capitel esculpido na antiga colegiada de Santa Maria em Piasca

Há registo da existência de mosteiros em Liébana desde o , uma consequência da chegada de cristãos da Meseta Central ibérica durante o repovoamento impulsionado por das Astúrias, após a expulsão dos muçulmanos. Foram criados mais de uma dezena de cenóbios no território da comarca, entre os quais se destaca o de São Martinho de , que mais tarde foi rebatizado Mosteiro de São Turíbio de Liébana.

Dessas primeiros assentamentos monásticos estão documentados os de São Salvador de Vileña, na serra de Villeña, entre e Cosgaya, no município de Camaleño, já perto de Fuente Dé; Santa Maria em Cosgaya; São Facundo e São Primitivo em ; São Salvador de Osina; São Pedro de Vión; Santa Maria de , São Paulo e São Pedro de Naroba; Santo Adriano e Natália de Sionda em ; Santa Maria de Naranco; Santo Estêvão de Mesaina em Mieres; e Santa Leocádia de Cebes.

No foram fundados os mosteiros de Santiago em , São Vicente em Potes, São Julião em e o de Santa Eulália em . No mesmo século destacou-se o Real Mosteiro de São João de Naranco, situado no sopé da , que é mencionado pela primeira vez em 932. A maioria destes mosteiros tiveram uma existência efémera e pouca importância, tendo sido rapidamente absorvidos pelo crescimento do de São Turíbio de Liébana e, ainda no , pelo de Santa Maria.

Economia A economia da região, tradicional baseada no setor primário, é atualmente baseada no turismo rural, devido à sua importância paisagística e à popularidade do Parque Nacional dos Picos da Europa, em cujo território se encontram os municípios de Camaleño, Cillorigo de Liébana e Tresviso. No entanto, o turismo concentra-se quase exclusivamente na localidade de Potes, pelo que o crescimento populacional ali verificado nos últimos anos não ocorre nas outras localidades, que têm taxas de crescimento demográfico negativas. Além do turismo, o setor primário continua a ser importante na economia local, especialmente o cultivo de vinha para produção de vinho e orujo bem como a produção hortofrutícola. Praticamente não há indústrias na comarca.

Notas

Bibliografia

. Tradução do original

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