A Conquista do Pará foi um território colonial português existente entre 1615 e 1621, correspondente à região da foz do rio Amazonas e a áreas da atual Amazônia Oriental brasileira, em especial o território do atual estado do Pará.

A denominação Pará deriva do termo indígena pa'ra, de origem tupi, com o significado de “rio-mar”, em referência à amplitude e ao regime hídrico do rio Amazonas. Em fontes coloniais e na historiografia, a região aparece ocasionalmente designada como Império das Amazonas.

A ocupação portuguesa iniciou-se em 1615, com a expedição militar comandada por Alexandre de Moura, que assegurou o controle da foz do Amazonas e integrou a região à então Capitania do Maranhão. A fundação do povoado de Feliz Lusitânia em 1616, núcleo original da atual cidade de Belém do Pará, consolidou a presença portuguesa e a defesa do território diante das incursões estrangeiras, sobretudo de franceses, ingleses e neerlandeses..

Em 1621, a Conquista do Pará foi elevada à condição de Capitania do Grão-Pará, integrando-se ao recém-criado Estado do Maranhão, no contexto da reorganização administrativa da Amazônia colonial sob a Coroa portuguesa.

História

Antecedentes coloniais Em 1534, a Coroa portuguesa instituiu o sistema de capitanias hereditárias na América Portuguesa, criando, entre outras, a Capitania do Maranhão.O modelo combinava prerrogativas de caráter feudal com interesses mercantis e havia sido previamente aplicado, com relativo êxito, nas ilhas atlânticas portuguesas, como Madeira e Açores.

Apesar da criação formal da capitania, a ocupação efetiva do litoral setentrional permaneceu limitada por décadas, em razão de dificuldades administrativas, da resistência indígena e da presença de corsários e comerciantes estrangeiros. Como resposta a essas fragilidades, a Coroa promoveu, em 1572, a divisão administrativa do território colonial em dois governos-gerais: o Governo do Norte, com sede em Salvador, e o Governo do Sul, sediado no Rio de Janeiro.

Essa reorganização administrativa estabeleceu as bases institucionais que, décadas depois, permitiriam a incorporação efetiva da região amazônica ao domínio português.

Conquista da foz do Amazonas (1615) No início do século XVII, intensificaram-se as preocupações da Coroa portuguesa com a presença de franceses, ingleses e neerlandeses na região amazônica, interessados sobretudo no comércio das chamadas drogas do sertão.

Em 1615, foi organizada uma expedição militar sob o comando do fidalgo Alexandre de Moura, com o objetivo de assegurar o controle da foz do rio Amazonas e integrar a região ao espaço administrativo da Capitania do Maranhão.

A área conquistada correspondia a territórios tradicionalmente ocupados por diferentes povos indígenas, entre os quais se destacavam grupos Tupinambás e populações associadas ao cacicado marajoara. Em fontes coloniais, essa região aparece associada ao topônimo indígena Mairi, em referência à ocupação pré-colonial do espaço amazônico.

Fundação de Feliz Lusitânia (1616) Como parte da estratégia de consolidação territorial, em 12 de janeiro de 1616 foi fundada a povoação de Feliz Lusitânia, por meio da expedição comandada por Francisco Caldeira Castelo Branco.

No local, próximo ao igarapé do Piry, ffoi erguido um fortim de madeira, posteriormente conhecido como Forte do Presépio, bem como uma capela dedicada a Nossa Senhora de Belém, que constituíram os primeiros marcos da ocupação urbana portuguesa na região.

A fundação do núcleo urbano visava não apenas a defesa militar, mas também o controle das rotas fluviais e do comércio regional, consolidando a presença portuguesa em meio às disputas internacionais pela região amazônica oriental.

Transformação em Capitania do Grão-Pará (1621) Em 1621, a Coroa portuguesa promoveu uma ampla reorganização administrativa no norte da América Portuguesa, criando o Estado do Maranhão e desmembrando o território da Capitania do Maranhão.

Nesse contexto, o território anteriormente conhecido como Conquista do Pará foi elevado à condição de Capitania do Grão-Pará, passando a integrar formalmente a nova unidade administrativa. A medida visava fortalecer o controle régio sobre a Amazônia, ampliando a capacidade administrativa, defensiva e fiscal da Coroa portuguesa na região.

A criação da capitania marcou o encerramento da fase inicial de conquista militar e a transição para uma administração colonial mais estruturada, que se prolongaria ao longo dos séculos seguintes.

Bibliografia

Ligações externas

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Região indígena Pa'raantiguidade-1621História do Pará

Conquista do ParáImpério das Amazonas1615 – 1621Sucedido por:

Capitania do Grão-Pará1621–1822

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