thumb|180px|right|O tai chi tu é o diagrama que representa a geração do tei-gi a partir do vazioWU, J. Tai chi chuan: a alquimia do movimento. 5ª edição. Rio de Janeiro. Mauad. 2010. p. 26.

Wu wei (chinês tradicional: 無為 - wúwéi; chinês simplificado: 无为; traduzido para o português, significa não açãoBLOFELD, J. Taoismo: o caminho para a imortalidade. p. 24.) é o princípio prático central da filosofia taoista. Corresponde a um modo de viver que tem, por objetivo, reconquistar um estado de harmonia perfeita com o Tao (o princípio oculto que rege o universo, segundo a filosofia taoista). É um modo de viver que consiste em não fazermos nada de "artificial", convencional ou exclusivamente voluntário, e em nos comportarmos sem tentarmos forçar as coisas a serem como desejamos, ou seja, em termos uma conduta completamente serena, sem esforço e sem tensão, sem interferência no curso natural dos acontecimentos.António M. de Campos, Tao Te King - Livro do Caminho e do Bom Caminhar (tradução direta do Chinês para o Português, comentários, introdução à filosofia taoista, glossário completo de caracteres). Editora Relógio d'Água, 2010. Em outras palavras, consiste em se evitar qualquer ação desnecessária.

Wu pode ser traduzido por "não", "nunca", "sem", "nada", "vazio" ou "não existência"; wei pode ser traduzido por "fazer", "agir", "servir como", "governar". O significado literal de wuwei pode, portanto, ser traduzido como "sem acção" ou "sem agir" e é, muitas vezes, incluído na expressão paradoxal wei wu wei (爲無爲 ou 为无为): "ação sem ação" ou "agir sem agir".

Tao Te Ching e wu wei O Tao Te Ching de Lao Zi é uma das principais referências para a compreensão do pensamento chinês.

Se entendermos bem a natureza das coisas e conseguirmos esquecer tudo o que aprendemos que tenta ir contra ela, conseguimos fazer tudo o que é possível, com o mínimo esforço. Porque acabamos por deixar as coisas seguirem o seu curso natural. Não fazemos nada (claramente por nossa vontade própria) mas nada fica por fazer.

Devemos agir de acordo com a nossa vontade apenas dentro dos limites da nossa natureza e sem tentar fazer o que vai para além dela. Devemos usar o que é naturalmente útil e fazer o que espontaneamente podemos fazer sem interferir na nossa natureza. E não tentar fazer aquilo que não podemos fazer ou tentar saber aquilo que não podemos saber. A felicidade é essa "não ação" perfeita (wu wei 無為 ).

Para conseguirmos entender o curso natural das coisas e seguirmos o Caminho, temos que conseguir desaprender muitos conceitos. Para os podermos desaprender, é preciso que, antes, os tenhamos aprendido. Mas temos que passar a um estado muito parecido com o estado inicial em que estávamos antes de o termos aprendido.

Se abrirmos os olhos de repente, há um brevíssimo momento durante o qual o nosso cérebro ainda não analisou o que está a ver. Ainda não distinguiu as cores e as formas nem decodificou o que se está a passar à nossa frente. Os taoistas procuram viver o mais perto possível desse estado. É uma renúncia à análise, sempre imperfeita, da realidade.

Bibliografia TSE, Lao. "Tao Te Ching", Rio de Janeiro, Mauad, 2011. FISCHER, Theo. "Wu Wei: A Arte de Viver o Tao", São Paulo, Árvore da Terra, 1999. LEE, Bruce. "O Tao do Jeet Kune Do", São Paulo, Conrad, 2003. BOREL, Henri. "Wu Wei: A Sabedoria do Não Agir", São Paulo, Attar, 1997. WATTS, Alan. "Tao: O Curso do Rio", São Paulo, Pensamento, 1995. SCHWANFELDER, Werner. "Lao Tse: O Segredo Do Tao - O Caminho Natural", Petrópolis, Vozes, 2009. FISCHER, Theo. "Yu Wei: Die Kunst, Sich Das Leben Schwer Zu Machen", Hamburg, Rororo, 2006. LOY, David. "Wei-wu-wei: Nondual action" in "Philosophy East and West", Vol. 35, No. 1 (Janeiro, 1985) p. 73-87.

Ver também Yin-yang Taoismo Tao Te Ching Lao Zi Theo Fischer

Ligações externas

Categoria:Filosofia taoista