thumb|direita|Outra vista das termas. Termas de Caracala (), conhecidas também como Termas Antoninas (), era o segundo maior complexo de banhos públicos ("termas") de Roma, provavelmente construído entre 211/212 e 216/217, durante o reinado dos imperadores Sétimo Severo e Caracala. O local permaneceu em uso até a década de 530, quando foi abandonado e se arruinou.

Elas serviram de inspiração para muitos outros edifícios notáveis, incluindo as Termas de Diocleciano, a Basílica de Maxêncio, a Pennsylvania Station original, em Nova Iorque (demolida em 1963), e a Union Station em Chicago. Obras de arte recuperadas nas ruínas incluem algumas das mais famosas esculturas romanas, incluindo o Touro Farnésio e o Hércules Farnésio.

História Construção (216–235) A construção do complexo foi provavelmente iniciada pelo imperador Sétimo Severo e completada durante o reinado de seu filho Caracala; as termas foram inauguradas em 216. O local escolhido ficava na região sul da cidade, a antiga Regio XII Piscina Publica nas subdivisões augustanas, onde membros da família severiana encomendaram a construção de outras obras, incluindo a Via Nova, que levava até as termas, e o Septizódio, no sopé do Palatino.

Considerando que a obra estava completa ainda durante o reinado de Caracala, os trabalhadores tiveram que movimentar toneladas de material todos os dias por seis anos. A decoração do edifício continuou durante os reinados dos sucessores de Caracala, Heliogábalo e Alexandre Severo, e as obras de fato só terminaram em 235. Renovações posteriores foram realizadas por Aureliano (depois de um incêndio) e Diocleciano. Na época de Constantino, o caldário foi modificado.

O edifício todo era aquecido por um hipocausto, um sistema subterrâneo movido a carvão e lenha que ferve água recebida do aqueduto (Água Antoniniana) e espalha o vapor por tubulações escondidas. A entrada era livre e gratuita para todos os cidadãos romanos.

Do século V à destruição no século IX As Termas de Caracala ainda estavam em funcionamento no século V, quando foram consideradas uma das sete maravilhas de Roma. Olimpiodoro de Tebas menciona que ele tinha capacidade para receber pessoas, um número que provavelmente era uma referência ao número máximo de visitantes simultâneos, pois acredita-se que a capacidade diária era de a pessoas.

Em 537, durante a Guerra Gótica, Vitige, o rei dos ostrogodos, cercou Roma e interrompeu o abastecimento de água da cidade. Sem água, as termas foram abandonadas logo em seguida. Muito distante da área que ainda era habitada em Roma na época, entre os séculos VI ou VII o local aparentemente passou a receber sepultamentos dos peregrinos que morriam depois de receberem cuidados no vizinho xenodóquio () de Santi Nereo e Achilleo. Alguns túmulos simples desta época foram escavados no local.

Os papas Adriano I, Sérgio II e Nicolau I possivelmente realizaram obras na Água Antoniniana durante o século IX. Finalmente, o terremoto de 847 destruiu a maior parte do edifício e muitos outros edifícios em Roma.DeLaine, Janet (1997), The Baths of Caracalla: A study in the design, construction, and economics of large-scale building projects in Imperial Rome, (1st ed.), London: JRA, p. 169.

Século XII ao século XIX Pelo menos desde o século XII as ruínas das termas passaram a ser utilizadas como fonte de materiais de construção e peças decorativas para serem utilizadas em igrejas e palácios, como a Catedral de Pisa e Santa Maria in Trastevere).

No século XIV, a área foi ocupada por vinhedos e jardins. Em meados do século XVI, o papa Paulo III ordenou escavações na área durante a construção de sua nova villa. Em 1545-1547, muitas grandes estátuas, de mármore e bronze, foram recuperadas no local. Mais tarde, ainda no mesmo século, o papa entregou a área ao seminário romano dos jesuítas, que o utilizou como playground para crianças. São Filipe Néri possivelmente visitou o local com as crianças de seu oratório: acredita-se que tenha sido ele a encomendar o afresco "Madona suportada por um Anjo" ainda in situ no natatio.

Entre os séculos XVI e XVIII, o interesse pelo local reaqueceu e diversos arquitetos famosos fizeram desenhos das ruínas (Andrea Palladio, Giovanni Battista Falda, Giambattista Nolli e Giuliano da Sangallo). O aqueduto que servia às termas, conhecido como Água Antoniniana, um ramo da mais antiga Água Márcia, ainda estava em uso no século XIX.

Período moderno Em 1824, novas escavações no local foram conduzidas pelo conde Egidio di Velo, que encontrou, entre outros artefatos, os mosaicos de atletas atualmente nos Museus Vaticanos. Luigi Canina continuou as escavações na área do frigidário (até meados do século) e depois assumiu Battista Guidi (1860-1867). Entre 1866 e 1869, obras de restauro na parte central do complexo descobriram um torso de uma estátua de Hércules, colunas de pórfiro e capitéis decorados. Em 1870, a área se tornou propriedade do governo italiano e Pietro Rosa escavou a palestra oriental. Em 1878-1879, Giuseppe Fiorelli descobriu mosaicos no caldário e na palestra ocidental.

A partir do século XX, as escavações se expandiram para as áreas externas do complexo e para o subterrâneo, revelando passagens subterrâneas e o chamado Mitreu das Termas de Caracala. Obras sistemáticas nas galerias, iniciadas nos séculos XVIII e XIX, recomeçaram depois de 1901. Mais obras foram realizadas no lado oriental na década de 1930, quando um palco de ópera foi instalado no caldário. Com exceção de alguns rascunhos, nenhuma documentação a respeito destas restaurações sobreviveu. Na década de 1980, a densa vegetação que cobria parte do local e casas construídas ilegalmente foram removidas. O muro sul, com suas cisternas, a biblioteca sul e uma sala octogonal conhecida como "Templo de Júpiter" foram restaurados. Em 1988/1989, o palco de ópera foi desmontado e diversas facilidades para apoio ao turista foram acrescentadas, como painéis informativos e recursos áudio-visuais. O local foi finalmente reaberto para visitação em 2001.

As Termas de Caracala foram o único sítio arqueológico a ser danificado pelo terremoto perto de L'Aquila em 2009. Em 2016, novos danos menores foram provados pelo terremoto na Itália central.

Descrição Visão geral O complexo das termas cobria uma área de aproximadamente 25 hectares de formato retangular, com 337 metros de comprimento por 328 metros de largura. Sua construção envolveu a remoção de um substancial volume de terra, pois partes das colinas vizinhas tiveram que ser removidas ou niveladas. Muitos milhões de tijolos foram utilizados na construção. Além disso, o edifício contava com pelo menos 252 colunas, dezesseis das quais com mais de doze metros de altura.

A água chegava até as termas pelo recém-construído aqueduto Água Nova Antoniniana (), uma ramificação da Água Márcia, maior e mais antiga. O trajeto exato do aqueduto é desconhecido e somente uns poucos segmentos foram descobertos. Ele desembocava no lado sul do complexo em dezoito grandes cisternas. Estas, por sua vez, estavam conectadas por canos de chumbo às termas.

A planta seguia o plano geral das chamadas "grandes termas imperiais", mas as Termas de Caracala eram mais um centro de relaxamento do que apenas banho público. Além de ser utilizado para banhos, o complexo também oferecia locais para caminhadas, leituras, exercícios físicos e cuidados corporais. O edifício principal ficava no centro, sem ligação com os muros exteriores e abrigava as cisternas, duas bibliotecas simétricas (sul), duas grandes êxedras (leste e oeste) e tabernas (norte). O edifício media 214 por 110 metros e sua altura medida até o ponto mais alto do teto era de 44 metros, cobrindo uma área de 2,63 hectares. A biblioteca sobrevivente mede 38 por 22 metros. Entre o muro exterior e o edifício central havia jardins.

O eixo das termas estava disposto numa direção nordeste-sudoeste para aproveitar bem o calor do sol. O caldário estava de frente para o sudoeste e o frigidário, para o nordeste. De forma geral, os recintos dedicados ao banho estavam dispostos num eixo linear, mas os trocadores e as palestras se localizavam simetricamente em ambos os lados do edifício, o que permitia um acesso mais fácil e facilitava também o fluxo de pessoas entrando e saindo da área aquecida, o que aumentava a capacidade total de usuários simultâneos, cerca de .

Interior As Termas de Caracala foram a segunda a abrigarem uma biblioteca pública e, como as demais bibliotecas de Roma, havia dois recintos distintos e de igual tamanho para abrigar as obras, uma para os textos em grego e outra para os em latim.DeLaine,(1997), The baths of Caracalla,(1st ed.), London: JRA. p. 191. A sobrevivente tinha três paredes cobertas por nichos (um total de 32) que abrigavam os textos. Um nicho maior, no meio da parede sul, abrigava uma estátua. Uma bancada em cantaria diante das três outras paredes provavelmente eram os bancos. O piso era de mármore.

O edifício inteiro estava localizado sobre uma plataforma elevada com seis metros de altura para permitir a criação de espaços de armazenamento e para as fornalhas do hipocausto.

Os banhos eram formados por um frigidário (sala fria) central medindo 58 por 24 metros coberto por três abóbadas de aresta a 32,9 metros de altura, um tepidário (sala morna) e um caldário (sala quente) circular com 35 metros de diâmetro. Completavam o circuito duas palestras (ginásios onde se praticavam a luta e o pancrácio). A extremidade nordeste dos banhos abrigavam ainda um natatio (uma piscina para natação). O caldário tinha sete piscinas, o frigidário, quatro, e o tepidário, duas. Perto do caldário havia também saunas (laconica). thumb|direita|Reconstrução do tepidário. A sala central era o frigidário, cujo teto, bastante alto, era suportado por oito colunas gigantes de mármore egípcio. Paredes e o piso eram de mármore. Este ambiente servia para dois fins: era um ponto de encontro e uma área de transição entre os demais ambientes das termas. Ela abrigava também quatro piscinas frias, duas das quais estavam ligadas ao tepidário e as outras duas, ao natatio através de quedas d'água. No meio do frigidário havia outra piscina circular (atualmente no Museu Arqueológico de Nápoles) com uma fonte no meio e flanqueada por duas outras piscinas de tijolos.

O caldário era uma sala circular com piso de mármore e encimado por uma cúpula de quase 36 metros de diâmetro, um pouco menor que a do Panteão. O peso desta cúpula era suportado por apenas oito pilares de cantaria. Entre eles ficavam janelas de vidro que ajudavam a aquecer o recinto e reduzir o peso das paredes. Suas sete piscinas mediam 9,5 por 5 metros e 1 metro de profundidade, das quais apenas seis sobreviveram. A sétima foi substituída por uma pequena abside durante a restauração de Constantino.

A piscina do natatio media 50 por 22 metros e a sala tinha mais de 20 metros de altura. A fachada norte estava estruturada em torno de três gigantescas colunas de granito cinza, entre as quais havia nichos em diversos níveis abrigando estátuas ornamentais. Esse ambiente era a céu aberto e contava com espelhos de bronze para redirecionar a luz do sol diretamente para a piscina.

Ambientes subterrâneos Descoberto em 1912, por Ettore Ghislanzoni, o Mitreu das Termas de Caracala é considerado o maior mitreu conhecido, um espaço dedicado ao deus Mitra, bastante popular entre os militares e a população mais pobre de Roma. O mitreu tinha aproximadamente 23 metros de comprimento por 10 metros de largura e era coberto por uma abóbada de aresta. A data exata de sua construção pode ser delimitada por dois eventos principais associados às termas: ele foi criado depois que o complexo foi completado (217) e provavelmente já não estava mais em uso quando o complexo foi abandonado na década de 530.