Ribeira Brava é uma vila portuguesa sede do Município de Ribeira BravaRegulamento n.º 196/2017, Diário da República n.º 75/2017, Série II de 2017-04-17 na ilha da Madeira, Região Autónoma da Madeira, com 65,40 km² de área e habitantes (2011). O município encontra-se subdividido em 4 freguesias, sendo limitado pelos municípios, a norte, de São Vicente, a leste, de Câmara de Lobos, e, a oeste, de Ponta do Sol, tendo, a sul, litoral no oceano Atlântico.
A vila da Ribeira Brava é a povoação que deu o nome ao município e à freguesia de que faz parte.
Toponímia
A origem do nome deve-se à sua ribeira (a Ribeira Brava), que em épocas de chuvas apresentava um caudal muito forte, chegando a causar estragos ao longo dos oito quilómetros do percurso.
História A Ribeira Brava é o mais novo concelho do arquipélago da Madeira, criado a 6 de maio de 1914, por desmembramento dos concelhos da Ponta do Sol e Câmara de Lobos. Condição que lhe foi conferida graças aos esforços do visconde Francisco Correia de Herédia e, também, do constante aumento demográfico.
« [. . .] Está a Ribeira Brava, que por extremo tem este nome; é uma aldeia que terá trezentos fogos, com uma igreja de São Bento e bom porto de calhau miúdo... A ribeira é tão furiosa quando enche, que algumas vezes leva muitas casas e faz muito dano, por vir de grandes montes e altas serras e por ser desta maneira lhe vieram a chamar Brava.». thumb|right|250px|Ribeira Brava.
Conta-nos o cronista Gaspar Frutuoso que durante o primeiro, reconhecimento à Ilha feito pelo 1.º Capitão Donatário do Funchal, João Gonçalves Zarco, depois de passar pelo Campanário; « (...) puseram-se muitos dias a caminho até chegarem dali a três léguas a uma furiosa ribeira, na praia da qual estava aguardando o capitão, que em terra desembarcara, e tinha ali traçado uma povoação, a que deu o nome de Ribeira Brava, pela que corria neste lugar (...)». E acrescenta ainda que ali « depois se fundou (uma freguesia), tão fresca e nobre (,) das melhores da Ilha, que além de ter muitos frutos e mantimentos em abundância, é e sempre foi tão generosa com os seus moradores que nela vivem, que, quando convinha aos capitães do Funchal, que depois foram socorrer os lugares de África com gente, deste só lugar tiravam tão nobres cavaleiros e gente lustrosa que à sua custa iam servir a El-Rei, e tinham tanto nome , como ao diante se verá no discurso desta história».
Era terra de açúcar e de pomares ricos. É portanto uma freguesia das mais antigas e próspera. Calcula-se que foi criada em 1440 com capelão e pequena ermida e nessa altura já teria um número considerável de casas. Foi curato em 1594, mas já era sede de colegiada em 1540. A Igreja de S.Bento foi sede da paróquia e da colegiada e construída no segundo quartel do século XV. Ao longo dos anos sofreu restauros e alterações até que foi destruída; em seu lugar, surgiu a actual em qualquer sem qualquer interesse arquitectónico. Da primitiva igreja ainda ali se encontra a pia baptismal, ricamente decorada e, segundo consta, oferecida por D.Manuel. A ela também teriam pertencido o púlpito, algumas arcaicas e a Virgem do Rosário, peça luso-flamenga do século XVI. Notáveis são ainda algumas peças de ourivesaria sacra e a tábua onde está representada a Virgem entre S.Bento e S.Bernardo, painel raro da pintura luso-flamenga.
Eis a Ribeira Brava situada na foz de uma ribeira do mesmo nome! Um lugar soalheiro, situado numa encruzilhada de caminhos por onde se deslocavam os povos das freguesias mais recuadas em viagem ou com mercadorias às costas, para tomarem o barco rumo ao Funchal. Aquele vale é um esplendor! Na realidade, a profunda ribeira recebe muitas águas que , desde o Paul da Serra, se precipitam por toda uma ampla bacia que se ergue até junto aos passos de ares, que se juntam ao Curral das Freiras. Geologicamente, e mesmo morfologicamente, a Madeira está dividida em duas partes bem distintas, cortadas , a Norte, pelo vale de S.Vicente e a Sul, pela Ribeira Brava. As escarpas que ladeiam as margens da Serra de Água são impressionantes. A meio do soberbo vale erguem-se penedos que são autênticas eminências isoladas, que parecem subir a pique para o céu. thumb|right|250px|Campanário.
João Adriano Ribeiro descrevia a Ribeira Brava: "Serros elevados , surgem como que por assombro, como se pretendessem mostrar o seu poderio, pelo interior do vale da Serra de Água. Talvez, a exemplo das Ilhas Canárias, se tornassem lugares sagrados se os primeiros povoadores não tivessem chegado tão tardiamente e trazido consigo uma religião monoteísta: a elevação denominada a Crista do Galo, a própria Encumeada, e muitos outros são autênticos monumentos naturais. Para Oeste do Lugar da Ribeira Brava, um terreno basáltico, nalguns casos com vestígios muito profundos da erosão, com misturas de argila, formaram-se as fajãs, cujos solos são ricos em material orgânico com temperaturas amenas e ricas para o cultivo de plantas dos climas temperados e mesmo tropicais. Para Leste, ergue-se uma penedia de escarpas e falésias com as ribeiras a desaguarem em cascatas sobre o mar e, nas suas margens, um acentuado declive, que veio a tornar difícil a fixação humana."
O concelho da Ribeira Brava é o de criação mais recente, pois foi criado no ano de 1914. A sua instalação solene realizou-se no dia 2 de Agosto daquele ano. É composto das freguesias da Ribeira Brava, Serra da Água e Tabua, desmembradas do concelho da Ponta do Sol, e da freguesia do Campanário, separada do concelho de Câmara de Lobos. A sua população é de 12:800 habitantes. Tem por armas o fortim de São Bento, que se encontra à entrada da povoação sua sede, na rua que conduz ao cais.
A Ribeira Brava não tinha a categoria de vila, embora frequentemente, ainda mesmo antes da criação do concelho, se lhe deve tal designação. Ribeira Brava conhecida ainda hoje pelo lugar mais importante deste concelho e que serve de sede da paróquia e do concelho em 1921, foi elevada à categoria de vila por Decreto-lei de 26 de Maio de 1928.
Na costa e na embocadura da soberba Ribeira, o lugar da Ribeira Brava é aprazível e, apesar do desalento daquele curso de água, mostrou-se , desde o povoamento, um porto capaz para exportar todos os géneros produzidos nas localidades limítrofes. A Ribeira Brava era, ao mesmo tempo, um lugar de passagem dos que cruzavam a olha pela costa, daqueles que iam do Sul para o Norte, e ainda daqueles que lá chegavam de barco e seguiam o restante percurso até a casa a pé. Não admira, sobretudo porque as viagens de ida têm sempre um retorno, que coubesse àquele lugar o privilégio de ser o porto exportador dos legumes que chegavam do Norte, quando o mar por ali estava mau e os homens destemidos os traziam às costas. Enfim, na Ribeira Brava comercializavam-se os géneros produzidos nas freguesias limítrofes, isto tudo tendo em vista a sua exportação para o Funchal. Não admira que Gaspar Frutuoso, em 1583, traçasse uma panorâmica de tanta fartura. Não restam dúvidas de que, se compararmos com as redondezas da costa Sul, nomeadamente com a da Ponta do Sol, e até mesmo com a da Calheta, a Ribeira Brava tinha a primazia do fornecimento de géneros ao Funchal. De facto, não admira que até os Jesuítas conhecidos por receberem de bom e do melhor, tivessem procurado as rendas deste lugar como alternativa à substituição da sua renda real. O mesmo se passaria com os Franciscanos que, na mesma, mira, procuraram ali implantar um Hospital.
Era sem dúvida, um lugar de abundância, onde se poderia há muito tempo formar um novo concelho e, por isso, não admira que as suas pretensões, datadas de 1835, só se tenham concretizado em 1914. Na realidade, a Ribeira Brava era um lugar sobretudo comercial, ou próprio para vender os produtos directamente. Apenas nas terras limítrofes se estabeleceram os terra-tenentes. Na Ribeira Brava viviam os comerciantes que preferiam o lucro do seu negócio aos títulos gratuitos que a governança poderia dar. O desejo de fundar um concelho seria um cumular de impostos e o ter de sustentar o peso da administração. De qualquer maneira, a burocracia dá cabo da destreza com que os comerciantes movimentam os negócios e, de uma forma geral, só faz apertar a tributação. O lugar da Ribeira Brava funcionava como uma espécie de zona franca de comércio e estava alheia à teimosia dos fiscais que impõem regras para tudo. Vender carne sem haver um açougue, ou ainda comercializar vinho sem pagar o imposto da imposição foi uma táctica comum e, como na poupança é que está o ganho, já o ganho, iria tornar alguns comerciantes muito opulentes. Primeiramente , os oficiais da Câmara do Funchal não se atreviam a ir fiscalizar à Ribeira Brava, como acontecia na cidade, porque uma penedia difícil de transpor separava as duas localidades.Já noutra fase, e isto depois da fundação do concelho da Ponta do Sol em 1501, a Ribeira Brava ficava nos limites do concelho do Funchal, e o que agradava a esta autarquia era que não faltassem géneros na cidade, porque disso fazia depender a abastança local e o tráfico marítimo. Quase poderíamos dizer que os comerciantes da Ribeira Brava , comprando e vendendo os géneros necessários à vida quotidiana, preferiam viver numa espécie de subserviência em relação ao Funchal. Se, noutros casos, observamos os terra-tenentes, mais propriamente os senhores das terras titulares de honrarias a esquivarem-se a estender a mão aos vilões, em sinal de cumprimento, tal facto não acontecia na Ribeira Brava com comerciantes bem colocados.
Nas arrematações das rendas locais do século XVIII , verificamos que a Ribeira Brava, com o Campanário, com a Serra de Água e mesmo com a Tabua, faziam um todo.
Contudo, estas quatro localidades pertenciam à jurisdição do Funchal, sendo depois partilhadas pela Ponta do Sol e por Câmara de Lobos, uma vez que, segundo os critérios das autoridades da época, não estavam reunidas as condições para se formar um novo concelho.
Assim, a Ribeira Brava ficou pertencendo à Ponta do Sol e aguardava uma nova oportunidade para se emancipar. Um Dicionário Geográfico, publicado em 1850, referia-se à Ribeira Brava da seguinte forma: Vila "modeira" da ilha da Madeira, situada junto à caudalosa ribeira de que tomou o nome. Pertence ao concelho da Ponta do Sol e tem uma freguesia que consta de 729 fogos com 3425 habitantes. Na mesma época, a Serra de Água contava com 309 fogos e 1493 habitantes; a Tabua, com 403 fogos e 1813 habitantes. Um pouco mais tarde, em 1885, a Ribeira Brava tinha 1861 varões e 2027 mulheres; a Serra de Água 799 varões e 836 mulheres; a Tabua, 991 varões e 992 mulheres. Apesar de não termos os dados referentes ao Campanário , procuramos com estes números demonstrar que já havia condições para se formar ali um concelho que incluísse as quatro localidades.
Contudo, esta reivindicação foi sendo adiada. Só em 1914 e devido à acção do visconde da Ribeira Brava, a referida localidades viu os seus anseios concretizados. O decreto de 6 de Maio de 1914 criou o concelho da Ribeira Brava. A instalação solene deu-se a 2 de Agosto do referido ano. O novo município escolheu para as suas armas o pequeno fortim que está a junto à Alameda nas proximidades da Praia. Em 1915, foi criado ali um círculo escolar. A elevação à categoria de Vila verificou-se pelo decreto de 26 de Maio de 1928.Esta abrange o sítio que antigamente era conhecido por Lugar da Ribeira Brava, Calvário, Bagaceira e ainda o dos Moinhos. Não tardou que a Ribeira Brava fosse contemplada com muitos benefícios recuperando os já existentes: de estação telégrafo postal, telefone, posto do Registo Civil, posto Fiscal e a sede de um partido médico. thumb|right|250px|Tabua.