thumb|direita|350px| thumb|direita|350px|Mapa do mundo mostrando o sentido de circulação dos países e as inversões. Sentido de circulação de tráfego é a forma pela qual os veículos devem ser conduzidos nas ruas e rodovias de cada país, no que diz respeito ao lado pelo qual se deve conduzir tais veículos, ou mesmo para os pedestres, que devem saber o sentido de circulação para poder atravessar as ruas com segurança.

A Convenção de Viena de 1968, das Nações Unidas, determina as regras básicas de trânsito, ainda que nem todos os países sejam seus signatários. Ainda assim, cada país tem sua própria legislação no que diz respeito ao tráfego de veículos, motorizados ou não (no Brasil chamada Código de TrânsitoLei Federal 9.503/1997 Código de Trânsito Brasileiro, acesso em 3 de março de 2010. e em Portugal e Timor-Leste, Código da EstradaDecreto-Lei 44/2005 Código da Estrada (Portugal), acesso em 3 de março de 2010.Decreto-Lei 6/2003 Código da Estrada (Timor-Leste), acesso em 3 de março de 2010.).

Antecedentes Na Inglaterra medieval, os cavaleiros empunhavam as espadas com a mão direita e se mantinham à esquerda para atacar possíveis oponentes com mais facilidade. Por influência deles, condutores de carroças adotaram a mão esquerda. Acredita-se também que os romanos em suas estradas trafegassem pela esquerda.

A mão-inglesa seria ainda a norma na maioria dos países se não fosse o canhoto Napoleão Bonaparte, que determinou que os cavalos fossem guiados à direita em seus domínios, uma clara rivalidade com a Inglaterra.

Nos Estados Unidos, na época das diligências, o cocheiro sentava-se a esquerda, para poder deixar a mão direita livre para conduzir os cavalos, prática que com o advento da indústria automobilística foi adotada por Henry Ford, onde o volante encontrava-se na esquerda, influenciando assim o restante do mundo. Dizem alguns historiadores que os Estados Unidos adotaram o sistema universal para enfatizar sua independência da Inglaterra.

Terminologia

A condição de circulação de um país é na maioria das vezes determinada pelo lado por onde os veículos correm. Tendo esse referencial, os países são ditos ter circulação pela esquerda (LHT para left-hand traffic em inglês, frequentemente apelidada no Brasil de mão-inglesa) ou circulação pela direita (RHT para right-hand traffic). Porém, não é raro ter como referencial o lado onde se situa o volante e o banco do motorista. Assim, os países são ditos ter volante no lado esquerdo (LHD para left-hand drive) ou volante no lado direito (RHD para right-hand drive). Em quase todos os casos o lado do volante é oposto ao lado da circulação, assim veículos de países com circulação à esquerda (LHT) têm volante do lado direito (RHD) e vice-versa. Apesar disso, veículos cujo volante está no lado errado são permitidos em vários países: isto geralmente acontece em função do preço menor ou da maior facilidade de importação de veículos nessa condição.Dirigindo do Lado Errado Fabrício Samahá, Best Cars Web Site, acesso em 3 de março de 2010. As Ilhas Virgens Americanas têm direção pela esquerda, mas em função da facilidade importam carros LHD dos Estados Unidos. O caso inverso se dá com o Peru, Camboja, Mianmar, Rússia (no seu extremo leste), Coreia do Norte, entre outros países, que têm direção pela direita mas importam carros RHD do Japão ou de países vizinhos também com direção pela esquerda.

As estradas fronteiriças comuns a países com diferente sentido de circulação possuem nas respectivas fronteiras um cruzamento em diagonal, por forma a que os automóveis do país de que vão sair, mudem para o sentido usado no país onde vão entrar. Este cruzamento pode ser nivelado ou desnivelado, conforme as possibilidades dos países em questão. Em todo o caso, o condutor tem, no ponto de transição, de rodar o volante cerca de 45 graus na direção do sentido usado na zona onde vai entrar, por forma a ficar desse lado da estrada a partir daí. É o mesmo processo que seria para entrar em contramão na zona de que vai sair. Por isso se torna bastante confuso para a maioria dos condutores, pois têm a sensação que estão a conduzir erradamente.

Exemplos de fronteiras que possuem este tipo de cruzamento são a fronteira entre o Brasil (condução pela direita) e Guiana (condução pela esquerda), a fronteira entre Angola (condução pela direita) e a Namíbia (condução pela esquerda), e a fronteira entre a China (condução pela direita) e a Índia (condução pela esquerda), entre ainda outras.

Características thumb|160px|Tráfego pela direita thumb|160px|Tráfego pela esquerda Há diferentes características entre as formas de circulação, que não são obrigatórias, havendo exceções pontuais e particulares:

Pela direita (mão-francesa) ao dirigir, o tráfego na direção oposta vem da esquerda; a ultrapassagem é feita pela esquerda; os pedestres devem, ao atravessar uma rua de mão dupla, olhar primeiro para a esquerda e depois para a direita; as rotatórias são circundadas no sentido anti-horário; os pontos e paradas de ônibus se situam à direita da via; as placas de trânsito se situam majoritariamente no lado direito da via; o banco do motorista e volante se localizam do lado esquerdo e o motorista troca de marcha com a mão direita.

Pela esquerda (mão-inglesa) ao dirigir, o tráfego na direção oposta vem da direita; a ultrapassagem é feita pela direita; os pedestres devem, ao atravessar uma rua de mão dupla, olhar primeiro para a direita e depois para a esquerda; as rotatórias são circundadas no sentido horário; os pontos e paradas de ônibus se situam à esquerda da via; as placas de trânsito se situam majoritariamente no lado esquerdo da via; o banco do motorista e volante se localizam do lado direito e o motorista troca de marcha com a mão esquerda.

Sistemas de circulação Países e territórios com circulação pela direita

Países e territórios com circulação pela esquerda

Atualmente a circulação pela esquerda ("mão-inglesa") se dá em sete lugares na Europa: Reino Unido, Irlanda, Ilha de Man, Guernsey, Jersey, Malta e Chipre. Nenhum desses lugares mantém fronteira terrestre com países que tenham circulação pela direita e todos fizeram parte do Império Britânico. Alguns países da Commonwealth e outras ex-colônias britânicas, tais como Austrália, Barbados, Hong Kong, Singapura, Nova Zelândia, Bangladesh, Índia, Paquistão, Sri Lanka, Malásia, África do Sul e Trinidad e Tobago dirigem pela esquerda, mas outros — Canadá, Gâmbia, Gana, Nigéria, Serra Leoa e os Estados Unidos dirigem pela direita. Outros países que dirigem pela esquerda na Ásia são Tailândia, Indonésia, Butão, Nepal, Timor-Leste e Japão. Na América do Sul, apenas a Guiana e o Suriname dirigem pela esquerda, assim como a maioria dos países da Oceania, seguindo a Austrália e a Nova Zelândia, com Samoa invertendo a circulação da direita para a esquerda em 7 de setembro de 2009, o primeiro país a mudar o sentido de circulação em três décadas.Samoans now drive on left side of the road, Seattle Times

Veículos Posição do motorista Na maioria dos primeiros automóveis, o motorista se sentava em posição central. Alguns fabricantes mais tarde optaram por deixar a posição do motorista próxima ao para ajudar o motorista a evitar muros e outros obstáculos. Ao mesmo tempo, outros fabricantes optaram por colocar a posição do motorista próxima ao centro da via para dar ao motorista a capacidade de ver o mais longe possível durante a condução. Este último foi o padrão que acabou por predominar.

Bicicletas Assim como o ato de cavalgar, no qual quem monta prefere fazê-lo pelo lado esquerdo do cavalo, as bicicletas também se desenvolveram para serem montadas pelo lado esquerdo. As transmissões por correia, de uso quase unânime em bicicletas são montadas do lado direito desta, o que diminui o risco de interferência ou sujeira com a correia. Os ciclistas também podem caminhar com a bicicleta à sua direita sem ter esses risco. Tal configuração é totalmente adequada ao uso em vias cuja direção se dê pela esquerda, podendo sair da bicicleta ou parar junto ao meio-fio pela esquerda, estendendo a perna direita, o que torna o uso fácil para usuários destros.

O ato de subir em um cavalo do lado esquerdo se deve à cavalaria, pois como a maioria dos soldados é destra, se usa a espada do lado esquerdo, daí é mais fácil passar a perna direita sem espada por sobre a montaria.

Restrições legais para veículos com posição errada do motorista Por razões de segurança, políticas ou por protecionismo econômico, alguns países proíbem a venda ou importação de veículos com o volante do lado "errado".

No Quênia, é ilegal registrar veículos com volante do lado esquerdo, regra estabelecida pelo Kenya Bureau of Standards. Exceções são feitas a veículos especiais, tais como ambulâncias, carros de bombeiros, veículos de construção ou que sejam doados ao governo queniano.

Na Austrália veículos que não sejam de coleção (i.e., com menos de 30 anos) com volante na esquerda são ilegais. Veículos nessa configuração devem ser convertidos para ter volante na direita (transformação que custa caro) ou conduzidos com uma permissão que impõe severas restrições. Todavia, a Austrália Ocidental e o Território do Norte (lugares que várias vezes abrigaram unidades militares dos Estados Unidos) tiveram veículos importados desse país, vendidos localmente têm veículos com volante na esquerda em circulação. O Território da Capital Australiana, já autorizou no passado o registro de veículos que não sejam de coleção com o volante do lado errado, mas mudou sua legislação.

Na Índia, veículos com volante na esquerda não podem ser vendidos comercialmente aos fregueses, mas podem ser importados para pesquisa e testes sob autorização do governo.Left-hand drive car imports allowed by Govt-India Business-Business-The Times of India

Na Nova Zelândia, veículos com volante na esquerda podem ser importados localmente e conduzidos com uma autorização especial. Desde 1999, somente veículos com mais de 20 anos podem ser importados por razões particulares. Diplomatas estão isentos dessas restrições.

Nas Filipinas, veículos com volante na direita estão proibidos. Ônibus estatais e vans importadas do Japão estão convertidas para ter o volante na esquerda, recebendo portas do lado direito. Esta proibição foi feita como resultado do aumento de acidentes com veículos importados sem adaptação. Entretanto, alguns veículos mantêm suas portas do lado esquerdo, o que leva à perigosa situação na qual os passageiros têm de sair enfrentando o tráfego.

O Camboja proibiu o uso de veículos com volante na direita, muitos dos quais trazidos da Tailândia. Em 2001, os veículos com volante do lado errado perfaziam 80% do total da frota do país. O governo cambojano ameaçou confiscar todos os veículos nessa condição a não ser que fossem adaptados para ter o volante na esquerda, apesar do grande custo da conversão. De acordo com uma notícia da BBC, mudar a coluna de direção da direita para a esquerda custaria algo entre 600 e 2000 dólares, num país no qual a renda anual média não chegava a 1000 dólares.

thumb|Toyota Landcruiser com volante na direita diante de um hotel em Pyongyang. Embora dirija na direita, a Coreia do Norte importou muitos veículos usados do Japão, desde ônibus turísticos até Toyota Land Cruiser.

Entretanto, muitos veículos trazidos através de importação paralela do Japão para países como Rússia e Peru já vêm convertidos para ter o volante na esquerda. Mas mesmo se a posição do motorista é deixada inalterada, alguns lugares exigem ao menos a substituição das lâmpadas dianteiras.

Singapura baniu a importação de veículos com volante na esquerda para uso pessoal local, mas permite uso temporário por turistas e isenta o corpo diplomático dessa regra.