Roma Antiga foi uma civilização itálica que surgiu no Localizada ao longo do mar Mediterrâneo e centrada na cidade de Roma, na península Itálica, expandiu-se para se tornar um dos maiores impérios do mundo antigo,Chris Scarre, The Penguin Historical Atlas of Ancient Rome (Londres: Penguin Books, 1995). com uma estimativa de 50 a 90 milhões de habitantes (cerca de 20% da população global na épocaMcEvedy and Jones (1978).uma média dos números de diferentes fontes, conforme listado no US Census Bureau's Historical Estimates of World Population; ver também Kremer, Michael (1993). "Population Growth and Technological Change: One Million B.C. to 1990" in The Quarterly Journal of Economics 108(3): 681–716.) e cobrindo 6,5 milhões de quilômetros quadrados no seu auge entre os séculos I e II.Existem várias estimativas diferentes para o Império Romano. Scheidel (2006, p. 2) estima 60. Goldsmith (1984, p. 263) estima 55. Beloch (1886, p. 507) estima 54. Maddison (2006, p. 51, 120) estima 48. Roman Empire Population estima 65 (enquanto menciona várias outras estimativas entre 55 e 120).Mclynn Frank "Marcus Aurelius" p. 4. Publicado por The Bodley Head 2009

Em seus cerca de doze séculos de existência, a civilização romana passou de uma monarquia para a república clássica e, em seguida, para um império cada vez mais autocrático. Através da conquista e da assimilação, ele passou a dominar a Europa Ocidental e Meridional, a Ásia Menor, o Norte da África e partes da Europa Setentrional e Oriental. Roma foi preponderante em toda a região do Mediterrâneo e foi uma das mais poderosas entidades políticas do mundo antigo. É muitas vezes agrupada na Antiguidade Clássica, juntamente com a Grécia Antiga e culturas e sociedades semelhantes, que são conhecidas como o mundo greco-romano.

A sociedade romana antiga contribuiu para o governo, o direito, a política, a engenharia, as artes, a literatura, a arquitetura, a tecnologia, a guerra, as religiões, as línguas e as sociedades modernas. Como uma civilização altamente desenvolvida, Roma profissionalizou e expandiu suas forças armadas e criou um sistema de governo chamado res publica, a inspiração para repúblicas modernas,A critical dictionary of the French Revolution por François Furet, Mona Ozouf. Pg 793.Democratization in the South: the Jagged Wave por Robin Luckham, Gordon White. Pg 11.American republicanism: Roman ideology in the United States Constitution por Mortimer N. S. Sellers. Pg. 90. como os Estados Unidos e a França. Conseguiu feitos tecnológicos e arquitetônicos impressionantes, tais como a construção de um amplo sistema de aquedutos e estradas, bem como a construção de grandes monumentos, palácios e instalações públicas. Até o final da República (), Roma tinha conquistado as terras em torno do Mediterrâneo e além: seu domínio se estendia do oceano Atlântico à Arábia e da boca do Reno ao norte da África. O Império Romano surgiu com o início da ditadura de Augusto que encerrou o período da República. Os 721 anos de Guerras Romano-Persas começaram em com a sua primeira guerra contra o Império Parta. Este se tornaria o mais longo conflito da história humana e teve grandes efeitos e consequências duradouros para ambos os impérios. Sob Trajano, o Império atingiu o seu pico territorial. Os costumes e as tradições republicanas começaram a diminuir durante o período imperial, com guerras civis tornando-se um prelúdio comum para o surgimento de um novo imperador.The greatness and decline of Rome, Volume 2 por Guglielmo Ferrero, Sir Alfred Eckhard Zimmern, Henry John Chaytor. Pg. 215+.Shakespeare and republicanism por Andrew Hadfield. Pg. 68.The philosophy of law: an encyclopedia, Volume 1 por Christopher B. Gray. Pg. 741.

Estados dissidentes, como o Império de Palmira, iriam dividir temporariamente o império durante a crise do terceiro século. Atormentado pela instabilidade interna e atacado pelas invasões bárbaras, a parte ocidental do império fragmentou-se no , o que é visto como um marco pelos historiadores, que usam para dividir a Antiguidade Tardia da Idade das Trevas na Europa. A parte oriental do império permaneceu como uma potência durante toda a Idade Média, até a sua queda em 1453. Embora os cidadãos do império não fizessem tal distinção, o Império Oriental é mais comumente referido como "Império Bizantino" para diferenciá-lo do Estado da Antiguidade no qual ele nasceu.

História

Fundação

thumb|Loba capitolina: Segundo a lenda, o animal teria amamentado os gêmeos Rômulo e Remo Os primeiros habitantes de Roma, os latinos e sabinos, integram o grupo de populações indo-europeias originárias da Europa Central que vieram para a península Itálica em ondas sucessivas em meados do ; Velho Lácio (Latium Vetus) era o antigo território dos latinos, atualmente o sul do Lácio; em caso de perigo, as habitações latino-sabinas uniam-se em confederações para enfrentar seus inimigos. As colinas de Roma começaram a ser ocupadas nos primórdios do ; restos arqueológicos datados entre os são as primeiras evidências de habitação no monte Palatino. Três recintos muralhados sucessivos sobrepostos foram datados no local, dois dos e um dos .

Mito

Conforme a versão lendária da fundação de Roma, relatada em diversas obras literárias romanas, tais como a Ab Urbe condita libri (literalmente, "desde a fundação da Cidade"), de Tito Lívio, e a Eneida, do poeta Virgílio, Eneias, príncipe troiano filho de Vénus, fugindo de sua cidade, destruída pelos gregos, chegou ao Lácio e se casou com uma filha de um rei latino. Seus descendentes, Rómulo e Remo, filhos de Reia Sílvia, rainha da cidade de Alba Longa, com o deus Marte, foram jogados por Amúlio, rei da cidade, no rio Tibre. Mas foram salvos por uma loba que os amamentou, tendo sido, em seguida, encontrados por camponeses. Conta ainda a lenda que, quando adultos, os dois irmãos voltaram a Alba Longa, depuseram Amúlio e em seguida fundaram Roma, em A data tradicional da fundação (21 de abril de ) foi convencionada bem mais tarde por Públio Terêncio Varrão, atribuindo uma duração de 35 anos a cada uma das sete gerações correspondentes aos sete mitológicos reis. Segundo a lenda, Rômulo matou o irmão e se transformou no primeiro rei de Roma.

Reino

thumb|Afresco etrusco na Necrópole de Monterozzi,

A documentação do período monárquico de Roma encontrada até hoje é muito precária, o que torna este período menos conhecido que os períodos posteriores. Várias dessas anotações registram a sucessão de sete reis, começando com Rômulo em , como representado nas obras de Virgílio (Eneida) e Tito Lívio (História de Roma). A região do Lácio foi habitada por vários povos. Além dos latinos, os etruscos tiveram um papel importante na história da monarquia de Roma, já que vários dos reis tinham origem etrusca.

O último rei de Roma teria sido Tarquínio, o Soberbo que, em razão de seu desejo de reduzir a importância do senado na vida política romana, acabou sendo expulso da cidade e também assassinado. Este foi o fim da monarquia em Roma. Durante esse período, o monarca (rei) acumulava os poderes executivo, judicial e religioso, e era auxiliado pelo senado, ou conselho de anciãos, que detinha o poder legislativo e de veto, decidindo aprovar, ou não, as leis criadas pelo rei.

República

thumb|upright|esquerda|Busto associado a Lúcio Júnio Bruto, que liderou a revolta contra o último rei de RomaMuseus Capitolinos

De acordo com a tradição e escritores posteriores como Tito Lívio, a República Romana foi fundada por volta de ,Langley, Andrew and Souza, de Philip, "The Roman Times", Candle Wick Press, Massachusetts quando o último dos sete reis de Roma, Tarquínio, o Soberbo, foi deposto por Lúcio Júnio Bruto e um sistema baseado em magistrados eleitos anualmente e em várias assembleias representativas foi estabelecido. Uma constituição estabeleceu uma série de pesos e contrapesos e a separação de poderes. Os magistrados mais importantes eram os dois cônsules, que juntos exerciam autoridade executiva, como o imperium, ou o comando militar. Os cônsules tiveram que trabalhar com o senado, que inicialmente era um conselho consultivo da nobreza, ou patrícios, mas cresceu em tamanho e poder.

Outros magistrados da república incluem tribunos, questores, edis, pretores e censores.Magistratus por George Long, M.A. Nas páginas 723–724 de A Dictionary of Greek and Roman Antiquities por William Smith, D.C.L., LL.D. Publicado por John Murray, Londres, 1875. 8 de dezembro de 2006. Acessado em 4 de março de 2007. As magistraturas eram originalmente restritas a patrícios, mas depois foram abertas para pessoas comuns ou plebeus. Assembleias republicanas de votação incluíam a assembleia das centúrias, que votava sobre assuntos de guerra e paz e elegia homens para os cargos mais importantes, e a assembleia tribal, que elegia cargos menos importantes.

No , Roma havia sido atacada pelos gauleses, que agora estendiam seu poder na península Itálica além do vale do Pó e através da Etrúria. Em 16 de julho de , um exército gaulês sob a liderança de um chefe tribal chamado Breno encontrou os romanos às margens do rio Ália, a apenas 16 quilômetros ao norte de Roma. Breno derrotou os romanos e os gauleses marcharam diretamente para a cidade de Roma. A maioria dos romanos tinha fugido, mas alguns se trancaram no Capitólio para uma última resistência. Os gauleses saquearam e incendiaram a cidade, depois cercaram o monte Capitolino.Plutarco, «A Vida de Camilo». Vidas Paralelas, XXIX.2

thumb|upright=1.2|Cícero denuncia Catilina, afresco que representa o senado romano reunido na Cúria Hostília; Palazzo Madama, Roma

O cerco durou sete meses, os gauleses concordaram em dar paz aos romanos em troca de mil libras de ouro. Segundo uma lenda posterior, os romanos que supervisionavam a pesagem notaram que os gauleses estavam usando falsas escamas. Os romanos pegaram em armas e derrotaram os gauleses; seu general vitorioso, Marco Fúrio Camilo, comentou: "Com ferro, não com ouro, Roma compra sua liberdade".

Os romanos gradualmente subjugaram os outros povos na península Itálica, incluindo os etruscos. A última ameaça à hegemonia romana na Itália veio quando Tarento, uma importante colônia grega, recrutou a ajuda de Pirro de Épiro em , mas este esforço também fracassou.Pyrrhus of Epirus (2) and Pyrrhus of Epirus (3) por Jona Lendering. Livius.org. Acessado em 21 de março de 2007. Os romanos garantiram suas conquistas fundando colônias romanas em áreas estratégicas, estabelecendo assim um controle estável sobre a região da Itália que já haviam conquistado.

Guerras Púnicas

thumb|esquerda|upright=1.2|República Romana e Império Cartaginês (em azul) antes da Segunda Guerra Púnica