miniaturadaimagem|A Embaixada da China em Belgrado 10 anos após o ocorrido O bombardeio da Embaixada da República Popular da China em Belgrado ocorreu em 7 de maio de 1999, durante o bombardeio da OTAN à Iugoslávia (Operação Força Aliada). Cinco bombas JDAM lançadas pelos Estados Unidos atingiram a embaixada chinesa no distrito de Belgrado em Nova Belgrado, matando três jornalistas chineses e indignando a opinião pública chinesa. O presidente dos EUA, Bill Clinton, pediu desculpas formalmente pelo atentado, chamando-o de acidental.

De acordo com o governo dos EUA, a intenção era bombardear a vizinha Direcção Federal de Abastecimento e Aquisição da Iugoslávia. O diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), George Tenet, testemunhou perante uma comissão do Congresso que o atentado foi o único da campanha organizada e dirigida por sua agência, e que a CIA havia identificado as coordenadas erradas de um alvo militar iugoslavo na mesma rua. O governo chinês emitiu um comunicado no dia do ataque, dizendo que foi um "ato bárbaro".

Reação chinesa thumb|right|Em 12 de maio, em sinal de luto pelas mortes das vítimas do bombardeio, foram dadas ordens para que as bandeiras norte-americanas fossem hasteadas a meio-mastro nas missões diplomáticas dos EUA na China continental e em Hong Kong. A imagem acima mostra a bandeira norte-americana a meio-mastro no consulado dos EUA em Hong Kong. "A vida dos mortos e feridos foi secundária em relação à escalada de tensões entre as duas potências", afirma um estudo sobre as trocas diplomáticas em torno do incidente. "As condolências de autoridades dos EUA às famílias dos falecidos foram apenas acessórias e, na melhor das hipóteses, protocolares." thumb|Manifestação antiamericana em Nanquim, em 1999.

Reação governamental O bombardeio provocou indignação generalizada no governo chinês. Um comunicado oficial veiculado na televisão estatal chinesa denunciou o ocorrido como um "ataque bárbaro e uma violação flagrante da soberania chinesa". O embaixador da China na ONU qualificou o que denominou de "ato bárbaro da OTAN" como "uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, do direito internacional e das normas que regem as relações internacionais", além de "uma violação das Convenções de Genebra".

Em uma reunião de emergência do Politburo do PCCh após o ataque, o secretário-geral do PCCh, Jiang Zemin, declarou: "Estou chocado e indignado. Este evento não é uma questão trivial; é absolutamente crítico" e que "o povo chinês não pode ser intimidado!" Jiang também afirmou que, se Mao Zedong e Zhou Enlai não tivessem conduzido a China ao desenvolvimento de armas nucleares e satélites, "temo que teríamos sido atacados muito antes".

Em 12 de maio de 1999, o Conselho Legislativo de Hong Kong aprovou uma moção de "Condenação da OTAN" em uma rara votação suprapartidária por 54 a 0.* 香港立法會中文會議記錄: Versão em inglês:

Em 12 de maio de 1999, em sua primeira declaração pública desde o bombardeio da embaixada, o primeiro-ministro da China, Zhu Rongji, chamou os países da OTAN de "hipócritas" e declarou que a "ideia de salvaguardar os direitos humanos e a democracia, bem como de se opor à limpeza étnica, que eles [a OTAN] apregoam em alto e bom som, não passa de uma folha de figueira". Ele também instou os Estados Unidos e a OTAN "a apresentarem um pedido formal e público de desculpas ao governo chinês e ao povo chinês".

Os pedidos de desculpas apresentados pelo presidente Bill Clinton e pelo Departamento de Estado dos EUA não foram transmitidos inicialmente pelos veículos estatais de comunicação chineses. As manifestações populares prosseguiram por quatro dias até que o governo chinês interveio para conter os protestos, transmitindo finalmente a declaração de retratação do presidente Clinton pela televisão e ordenando que as forças policiais dispersassem e contivessem os manifestantes.

Durante uma semana, o secretário-geral do Partido Comunista da China, Jiang Zemin, recusou telefonemas do presidente Bill Clinton, aceitando finalmente uma ligação de desculpas de 30 minutos em 14 de maio, na qual Clinton expressou "pesar" pelo ocorrido. Jiang optara por manter os canais de comunicação de alto nível inativos enquanto aguardava que o Comitê Permanente do Politburo alcançasse um consenso sobre a crise. A demora para que o Politburo reunisse as informações necessárias e deliberasse sobre as medidas de resposta motivou a liderança do Partido a retomar a proposta de criação de uma Comissão de Segurança Nacional centralizada, embora a iniciativa não tenha sido implementada naquela ocasião.

No rescaldo do bombardeio norte-americano, o governo chinês determinou que os órgãos de imprensa cessassem novos ataques diretos ao presidente dos EUA e instruiu a mídia a noticiar os acontecimentos relativos aos Estados Unidos de maneira menos hostil. De modo geral, tais restrições causaram descontentamento entre os jornalistas chineses.

Reação popular Grandes e por vezes violentos protestos antiamericanos e contra a OTAN irromperam em várias cidades da China, tendo como alvos as representações diplomáticas e consulares dos Estados Unidos e de outros países da aliança atlântica. Manifestações de grandes proporções em dependências norte-americanas em Pequim, Xangai, Cantão, Chengdu e Shenyang forçaram o fechamento temporário dessas instalações. Outros protestos foram registrados em Nanquim, Lanzhou, Hong Kong e no território português de Macau, sete meses antes de sua transferência para a China. Entre os slogans entoados pelos estudantes estavam: "não façam o TOEFL, não façam o GRE, lutem de todo o coração contra o Império Americano".

Veículos da imprensa ocidental acusaram a mídia estatal chinesa de inflamar os protestos, apontando a omissão inicial na divulgação dos pedidos de desculpas dos EUA e o tom de editoriais como o do jornal Diário do Povo, que afirmou que a OTAN havia deliberadamente "derramado sangue chinês".

Os protestos prolongaram-se por vários dias, período em que dezenas de milhares de manifestantes que atiravam pedras mantiveram o embaixador norte-americano James Sasser e seus funcionários retidos no interior da embaixada em Pequim. A residência oficial do cônsul dos EUA em Chengdu foi danificada por um princípio de incêndio, sem registro de feridos. A embaixada da Albânia em Pequim também foi atacada.

Em 9 de maio de 1999, o então vice-presidente Hu Jintao fez um pronunciamento transmitido em rede nacional de televisão classificando o ataque como "criminoso" e "bárbaro", afirmando que a ação "enfureceu profundamente o povo chinês".Diário do Povo via Sina.com "资料: 1999年5月9日胡锦涛就我驻南使馆遭袭击发表讲话", 25 de maio de 2003. Acessado em 18 de outubro de 2021. Ele declarou que as manifestações não autorizadas em Pequim, Xangai, Cantão, Chengdu e Shenyang refletiam a indignação e o patriotismo do povo chinês — manifestações às quais o governo prestava total apoio —, advertindo, contudo, contra condutas extremas e atos de violência.

Acordo indenizatório No final de 1999, as relações bilaterais iniciaram uma trajetória gradual de normalização. Em agosto, o governo dos EUA efetuou um "pagamento humanitário voluntário" de US$ 4,5 milhões destinado aos familiares dos três cidadãos chineses mortos e aos feridos no ataque. Em 16 de dezembro de 1999, os dois governos firmaram um acordo financeiro pelo qual os Estados Unidos concordaram em pagar US$ 28 milhões em indenização pelos danos causados à embaixada chinesa em Belgrado, enquanto a China concordou em pagar US$ 2,87 milhões em compensação pelas depredações infligidas à embaixada dos EUA e a outras instalações diplomáticas norte-americanas no território chinês.

Do ponto de vista orçamentário, embora os US$ 4,5 milhões pagos às vítimas e seus familiares tenham sido desembolsados a partir de verbas discricionárias do Departamento de Defesa, o montante de US$ 28 milhões destinado aos danos materiais da embaixada necessitava de aprovação legislativa do Congresso dos Estados Unidos; A China recebeu US$ 28 milhões em indenizações dos EUA pelo bombardeio, mas restituiu cerca de US$ 3 milhões pelos danos ao patrimônio diplomático norte-americano em Pequim e em outras cidades, além dos US$ 4,5 milhões adicionais pagos pelos EUA aos familiares dos falecidos e feridos.

Investigação oficial e relatórios posteriores No final de 8 de maio, o secretário de Defesa dos EUA, William Cohen, e o diretor da CIA, George Tenet, emitiram um comunicado de imprensa conjunto declarando que nem a tripulação envolvida nem o equipamento militar foram responsáveis pelo incidente. A primeira tentativa de explicação pública ocorreu em 10 de maio, quando William Cohen declarou a jornalistas: «Em termos simples, um dos nossos aviões atacou o alvo errado porque as instruções de bombardeio basearam-se em um mapa desatualizado». O pronunciamento não fez menção à CIA. Posteriormente, foi revelado que a agência dispunha de mapas que indicavam a localização correta da embaixada.

Embora autoridades norte-americanas tenham passado a evitar declarações formais gravadas até a conclusão de investigações adicionais, continuaram prestando esclarecimentos em caráter reservado (off the record) à imprensa. Também em 10 de maio, o jornalista Eric Schmitt publicou uma reportagem contendo a maioria dos elementos que figurariam nos depoimentos posteriores do diretor da CIA, George Tenet. Schmitt informou que, nas fotografias aéreas granuladas utilizadas no planejamento, os dois edifícios pareciam muito semelhantes em tamanho, formato e altura, e que a distância física entre eles era de cerca de .

As críticas da imprensa concentraram-se na Agência Nacional de Imagens e Mapeamento (NIMA), que emitiu uma nota afirmando que «notícias recentes sobre a precisão dos mapas da NIMA foram imprecisas ou incompletas» e que «um mapa impresso não é concebido nem utilizado como a única fonte para identificação e aprovação de alvos». Publicado originalmente no periódico Electronic Engineering Times em 24 de maio de 1999. Mais tarde, o diretor da CIA, George Tenet, admitiu que o mapa utilizado jamais deveria ter sido empregado na seleção de alvos de ataques aéreos.

Relato oficial do Departamento de Estado Em junho, o subsecretário de Estado, Thomas R. Pickering, chefiou uma delegação à China para apresentar a versão oficial do governo norte-americano.

Segundo a explicação oficial, analistas da CIA sabiam que o endereço da sede da estatal de armamentos Yugoimport era Bulevar Umetnosti, n.º 2. Com base nessa informação, tentaram determinar sua localização geográfica utilizando como pontos de referência endereços e locais conhecidos de outros edifícios situados em vias paralelas (o jornal The New York Times noticiou que alguns especialistas descreveram o método como «resseção e interseção»,Em topografia e navegação costeira, interseção refere-se à determinação da própria posição por meio de visadas a partir de pontos conhecidos, enquanto resseção refere-se à localização de um ponto distante desconhecido mediante azimutes a partir de posições identificadas. Ver Resseção e interseção. Em termos gerais, contudo, tais termos aplicam-se a azimutes e visadas angulares, e não à numeração urbana de logradouros. embora Pickering não tenha utilizado esses termos no pronunciamento).

Linhas paralelas foram traçadas a partir de endereços e posições conhecidas em uma rua paralela para tentar reconstituir a lógica da numeração predial do Bulevar Umetnosti, informação que os especialistas em seleção de alvos desconheciam. A disposição dos números no Bulevar Umetnosti não correspondia ao modelo presumido, e os analistas identificaram erroneamente a embaixada — «situada em uma pequena rua transversal a certa distância no Bulevar Umetnosti» — como sendo o alvo visado.