Bernardo [Alberto Frey] Pinto de Almeida (Peso da Régua, 1954) é poeta e ensaísta com obra publicada em Portugal e no estrangeiro. Desde 1974 desenvolveu actividade poética, teórica, historiográfica e crítica. É investigador e professor catedrático de História e Teoria da Arte.

A partir de uma relação próxima com alguns dos principais artistas portugueses da segunda metade do século XX, elaborou aproximações críticas às respectivas obras em cumplicidade de criação, diferenciando assim o seu de outros discursos críticos.

Biografia Nasceu a 9 de Janeiro de 1954 no Peso da Régua. Entre 1972-75 fez o Curso Superior de Cinema do Conservatório Nacional de Lisboa, e depois o de História na FLUP (1975-1979).

Viajou desde cedo, escreveu livros de poesia e ensaio. É pai de três filhos (Emília, Pedro e Mariana).

Percurso académico Em 1982 entrou como Assistente-estagiário na Universidade do Minho, Braga, onde permaneceu até 1997 e realizou, em 1993, Provas de Doutoramento em História da Arte e da Cultura com a tese “Espaço da Representação e Lugar do Espectador” (orientação dos Professores Remo Guidieri (Sorbonne) e Artur Nobre de Gusmão (UNL)). Colaborou em vários cursos, nomeadamente com o Professor V. Aguiar e Silva. Representou a UM na Comissão instaladora do Curso de Arquitectura em Guimarães, em colaboração com a FAUP.

Em 1997 foi convidado a coordenar o Grupo (e futuro Departamento) de Ciências da Arte da Faculdade de Belas Artes da UP. Ali criou o primeiro Curso de Mestrado e integrou as Comissões Científicas de Doutoramento e Mestrados em Artes. Realizou provas para Professor Associado (1998) e Agregação (2004) sendo, desde então, Professor Catedrático em História e Teoria da Arte.

Lecionou no curso de doutoramento do Instituto de Estetica da Universidad Complutense (Madrid).

Conferencista do Museu Thyssen-Bornemisza (Madrid).

Professor Catedrático Jubilado, proferiu a sua Última Lição, sob o tema "João Queiroz - A substância da paisagem" na Aula Magna da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto em abril de 2025.

Actividade cultural De 1973-75 colaborou em diversas publicações — o Jornal &ETC, O Cinéfilo, O Século — com textos sobre cinema e banda desenhada. Em 1975, foi fundador, com João Botelho e Manuela Viegas, da Revista M/CINEMA (ed. A Regra do Jogo) de que saíram quatro números e, em 1978, integrou a revista de poesia Arco Íris (ed. A Regra do Jogo). Após 1980 retomou colaboração na imprensa — Jornal de Notícias, Notícias da Tarde e semanário Expresso, onde criou o Cartaz das Artes a convite de Vicente Jorge Silva e Augusto M. Seabra e no Jornal de Letras.

A partir de 1982, desenvolveu intensa actividade crítica, de arte e literatura, na imprensa generalista e em revistas especializadas (Colóquio/Artes, Colóquio/Letras, Prelo, Arte Ibérica, Artes e Leilões, Os Meus Livros, A Ideia, Brotéria, Sur, Tabacaria (Casa Fernando pessoa), Lápiz (de que foi editor-correspondente em Portugal, entre 1989 e 2001). Escreveu ainda em outras publicações internacionais: Flash Art (Itália), Contemporanea (N.Y.), Art Press (Paris), Art Forum, Arte Y Parte (Madrid) , Exit, London Magazine, entre outras.

Fez diversas traduções em que se destacam Cinema e Ideologia de Jean Louis Commoli (M/Cinema), A Sociedade Contra o Estado, de Pierre Clastres (Afrontamento, Porto) e, mais recentemente, Prufrock e Outras Observações de T. S. Eliot (Vasco Santos Edições).

Em 2025, recebe em cerimónia pública a Medalha Municipal de Mérito pela Câmara Municipal do Porto.

Actividade institucional e curatorial Desenvolve actividade como crítico, historiador e curador desde que organizou, em 1984, a primeira exposição “Os Novos Primitivos - Os Grandes Plásticos” na Cooperativa Árvore, Porto, e publicou os livros “Ângelo de Sousa”, IN/CM, Lisboa, 1985 e “Breve Introdução à História da Arte Portuguesa no Século XX” (ed. do Autor, bilingue, Porto, 1985) que foi distribuído, a convite de J. A. França, aos congressistas do Colóquio Internacional da AICA, realizado em Lisboa em 1986 na Fundação Calouste Gulbenkian.

Desde então organizou, como curador independente, cerca de uma centena de exposições.

Em 1986 foi curador convidado na 3º Bienal Internacional de Pontevedra, reunindo uma mostra de Arte Portuguesa Contemporânea.

Dirigiu, de 2006 a 2009, a Colecção Caminhos da Arte Portuguesa no Século XX (Editorial Caminho, Lisboa) de que se publicaram 40 volumes.

Integrou a Comissão de Compras da Fundação de Serralves (1988-1995).

Em 1994, convidado por Antonio Franco Dominguez, integrou o patronato do MEIAC (Museo Extremeño Ibero-Americano de Arte Contemporáneo, Badajoz, Espanha), cuja Colecção de Arte Portuguesa organizou.

Entre 1995-2001 foi Director Artístico da Fundação Cupertino de Miranda (V. N. de Famalicão) onde criou o Centro de Estudos do Surrealismo (hoje Centro Português do Surrealismo), a revista Cadernos, que dirigiu, organizou a colecção Surrealista e realizou diversas exposições, até cessar funções em 2001.

Foi membro do Júri do Prémio Amadeo de Souza Cardoso em diversas edições, em representação da AICA (Fundação de Serralves, 1986 e, ao longo da década de 90 e início de 2000, no Museu de Amarante), do júri do Prémio Fundação C. Gulbenkian de História da Arte (2002). Integrou, durante as primeiras três edições, o Júri do Grande Prémio EDP de Artes Visuais.

Durante quatro edições, membro residente do Júri do Premio Union Fenosa (Coruña).

De 2006 a 2010, integrou a Administração da Fundação Museu Berardo, em representação do Estado português.

Dirige, desde 2017, a Galeria Júlio/Saul Dias da C.M. de Vila do Conde.

Realizou os documentários Da Pintura Antiga - Os Primitivos Portugueses (Produção RTP, 2011), Nadir, o Arquitecto (Museu de Chaves, 2018) e Na Floresta – Avelino Sá (produção Galeria Fernando Santos, 2022).

Proferiu várias centenas de conferências em Portugal, Espanha (por exemplo, a participação no Congreso Surrealismo, em 2013, e os Pop Study Days, em 2014, no Museo Thyssen) e França e prefaciou mais de duas centenas de catálogos de exposições em galerias e museus, em Portugal e no estrangeiro.

Publicou poesia e ensaio e sobre a obra escreveram Eduardo Lourenço, Fernando Guimarães, J.-A. França, Agustina Bessa-Luís, Manuel Villaverde Cabral, José Gil, Eduardo Prado Coelho, António Tabucchi, José Bragança de Miranda, Margarida Medeiros, Maria Teresa Cruz, Osvaldo Manuel Silvestre, Rosa Maria Martelo, Carlos Vidal, António Guerreiro, António Carlos Cortez, etc.

É membro do Corpo editorial e científico da revista de teoria estética Laocoonte (Madrid), SEYTA e do Conselho Científico da Revista ARTETEORIA (FBA-UL).

Desde 1983 integra a secção portuguesa da AICA (Associação Internacional de Críticos de Arte).

Obra poética A sua poesia, cuja publicação se iniciou em 1981 mas se interrompeu (além de ocasionais presenças em revistas) entre 1982 e 2002, foi cedo marcada por intensa relação com as imagens.

alt=|esquerda|miniaturadaimagem|269x269px|António Dacosta, Retrato de Bernardo Pinto de Almeida, 1988

Eduardo Lourenço: “Raros dos nossos poetas têm uma consciência tão aguda da “crise” de novo tipo como aquela que neste momento impregna a atmosfera de um tempo como o nosso e lhe confere um estatuto que ainda não tem nome.”Eduardo Lourenço, Prefácio de A Ciência das Sombras, p. 14. [A Ciência das Sombras]

Eduardo Prado Coelho: “Bernardo Pinto de Almeida é um corredor de fundo, e algumas das melhores páginas deste livro resultam de poemas de grande extensão que se vão estruturando numa cadência de palavras e de obsessões que acabam por envolver o leitor de um modo irrecusável.”Eduardo Prado Coelho, sobre Hotel Spleen, jornal Público). [Hotel Spleen]

Osvaldo M. Silvestre: “Há uma experiência do instante de que os poemas de Bernardo Pinto de Almeida falam, que é, num certo sentido, uma versão muito radical daquilo que nós podemos chamar “o moderno”. O moderno é a experiência do instante em qualquer contexto temporal, e nesse sentido, encontramos a experiência do instante em Homero, e nos autores da antiguidade, nos autores medievais, etc. E essa experiência é sempre uma experiência da modernidade, radical enquanto experiência do tempo que foge, é-o também nos poemas do autor, e aí nota-se aquele ascendente que, para ele, creio ser bastante importante, apesar dos seus poemas não serem filiados nesse aspecto, uma certa versão da experiência surrealista.” Osvaldo M. Silvestre, Apresentação da antologia A Ciência das Sombras (reunião dos poemas 1975-2006) na Casa Fernando Pessoa em Lisboa. [A Ciência das Sombras]

Rosa Maria Martelo: “Dizer que a poesia de Bernardo Pinto de Almeida produz a sugestão de ser varrida pelo vento, ou dizer que ela se abre à “voz do vento”, significa afirmar que se trata de uma poesia que fala sabendo-se falada. E que dizer e ser dito são as duas faces de uma mesma dicção poética que melhor seria descrever como um dizer-se a ser dito, o que pressupõe um vínculo fortíssimo entre expressão subjectiva e apresentação do mundo, entre identidade e alteridade, uma escrita de dupla rotação na qual o intimismo não pode nunca fechar-se sobre si próprio ou criar um universo autónomo no plano do desejo ou da ficcionalização. Por mais radical e extrema que seja a busca de interioridade desenvolvida pelo sujeito – e essa busca de facto existe, por vezes até à vertigem –, sempre ela permanecerá ameaçada pela intromissão do mundo, desde logo porque este parece surgir tanto mais verdadeiramente quanto mais funda e visceral é a experiência subjectiva que faz emergir “a voz do vento”, veículo de uma extensa e violenta rede de presenças."Rosa Maria Martelo in revista Telhados de Vidro, 7. [in Revista Telhados de vidro]

esquerda|miniaturadaimagem|280x280px|João Jacinto, Retrato de Bernardo Pinto de Almeida, 2022. Publicado no livro Sicília Luís Quintais: "Poemas tão estreitos, afinal, como uma luz que recorta o espaço e que mais do que reclamar visibilidade, reclama e recorta a densa invisibilidade do mundo. Poemas que só podem tocar precariamente esse retábulo de objectos que se assemelham a criaturas que nos devolvem o olhar de um enigma excruciante. Talvez possamos arrancar os objectos da penumbra, mas apenas, no sentido em que tal gesto faz repor, a contrario, a opacidade de que se compõem, isto é, a sua alteridade radical. (...). As lágrimas das coisas, como as descreveu Virgílio (Eneida, I, 462), habitam esta Sicília, convocam a impermanência e o lamento a que a poesia responde, como se ela não fosse outra coisa senão um modo, também ele precário, de transfiguração dessa dura realidade do tempo que passa, do tempo que escurece o claro dia.

Uma imagem pode redimir o tempo e o desespero do tempo, essa possibilidade nunca é inteiramente descartada. Bernardo procura incessantemente essa imagem."Luis Quintais. Texto de apresentação do livro Sicília na Biblioteca Almeida Garrett. Porto, Junho de 2023. [Sicília]

João Luís Barreto Guimarães: "Mas nunca é somente de lugares ou de rostos que os poemas falam, antes da densíssima memória cultural, histórica, geográfica, artística, literária de Bernardo Pinto de Almeida. São convocadas localidades (Nápoles, Catânia, Agrigento...), personagens históricas ou mitológicas (Mnemosine, Anaximandro, Ulisses...), pintores (Morandi, Fra Filippo Lippi, Caravaggio...), escritores (Dante, Dylan Thomas, tantos...) que informam os versos com a pertinência e a naturalidade de quem escolheu viver o tempo ideal (Kairós) no tempo actual (Kronos).