A ARPA-E, sigla de Advanced Research Projects Agency–Energy, é uma agência do Departamento de Energia dos Estados Unidos que financia a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias avançadas de energia. Seus objetivos são aumentar a prosperidade econômica e a segurança nacional dos Estados Unidos e melhorar as condições ambientais. A agência costuma financiar projetos de pesquisa de curta duração com potencial para transformar as tecnologias de energia. Seu modelo é inspirado na Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, a DARPA.

Os diretores de programas da ARPA-E têm mandatos limitados, uma forma de reduzir a burocracia e a parcialidade nas decisões. Conner Prochaska dirige a agência desde setembro de 2025.

História e missão Criação e legislação A proposta de criar a ARPA-E surgiu no relatório Rising Above the Gathering Storm: Energizing and Employing America for a Brighter Economic Future, das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina. O relatório defendia que os Estados Unidos estimulassem a inovação e desenvolvessem formas de produzir energia limpa, acessível e confiável. A agência foi criada em 2007 no Departamento de Energia pela lei America COMPETES, apresentada pelo deputado Bart Gordon, mas ainda sem orçamento. Os primeiros recursos, cerca de US$ 400 milhões, vieram do pacote de estímulo econômico de fevereiro de 2009, a American Recovery and Reinvestment Act.

A reautorização da America COMPETES foi discutida no Congresso em 2010. A lei de reautorização de 2010, sancionada no início de janeiro de 2011, alterou a estrutura da ARPA-E. As disposições sobre a agência estão na seção 16538 do título 42, capítulo 149, subcapítulo XVII, do Código dos Estados Unidos. Essa seção estabelece que a agência deve alcançar seus objetivos por meio de projetos de tecnologia energética que busquem os seguintes resultados.

Encontrar e estimular avanços revolucionários nas ciências básicas e aplicadas. Transformar descobertas científicas e invenções de ponta em inovações tecnológicas. Acelerar avanços tecnológicos transformadores em áreas nas quais a indústria dificilmente investiria sozinha, devido às incertezas técnicas e financeiras.

Missão Assim como a DARPA faz com a tecnologia militar, a ARPA-E financia pesquisas de alto risco e com grande potencial de retorno em laboratórios governamentais, empresas privadas e universidades, que talvez não fossem realizadas sem esse apoio. A agência tem quatro objetivos.

Renovar o entusiasmo pela pesquisa em energia e dar a ela um propósito capaz de atrair os pesquisadores mais talentosos dos Estados Unidos. Concentrar o apoio em pesquisas criativas, capazes de transformar as tecnologias de energia, que a indústria não pode ou não quer financiar devido ao alto risco, apesar do grande potencial de retorno. Adotar uma estrutura semelhante à da ARPA, enxuta, ágil e com poucos níveis hierárquicos, capaz de manter por longos períodos os projetos que conservem seu potencial e encerrar gradualmente os programas cujos resultados fiquem aquém do esperado. Criar um instrumento para aproximar a pesquisa básica em energia do desenvolvimento tecnológico e da inovação industrial.

Início das atividades A ARPA-E foi criada pela lei America COMPETES, sancionada pelo presidente George W. Bush em agosto de 2007. O presidente Barack Obama anunciou o início das atividades da agência em 27 de abril de 2009, ao apresentar investimentos federais em pesquisa e desenvolvimento e no ensino de ciências. Pouco depois, a ARPA-E lançou seu primeiro edital de financiamento, com um total de US$ 151 milhões e valores entre US$ 500 mil e US$ 9 milhões por projeto. Os candidatos apresentaram propostas preliminares de oito páginas com a concepção técnica do projeto. Parte deles recebeu um convite para apresentar propostas completas.

Arun Majumdar, ex-diretor adjunto do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, foi indicado para ser o primeiro diretor da ARPA-E em setembro de 2009, mais de seis meses após a liberação dos primeiros recursos para a agência. O secretário de Energia dos Estados Unidos, Steven Chu, presidiu o primeiro encontro de inovação em energia da ARPA-E, realizado de 1 a 3 de março de 2010 em Washington, D.C.

Cronologia 12 de outubro de 2005

As Academias Nacionais divulgaram a versão preliminar de Rising Above the Gathering Storm, que propunha a criação da ARPA-E.

9 de agosto de 2007

O presidente George W. Bush sancionou a lei America COMPETES, que incorporou recomendações do relatório das Academias Nacionais e criou a ARPA-E.

27 de abril de 2009

O presidente Barack Obama anunciou o início das atividades da ARPA-E, com US$ 400 milhões destinados à agência pela American Recovery and Reinvestment Act de 2009.

18 de setembro de 2009

Barack Obama anunciou a indicação de Arun Majumdar para dirigir a ARPA-E.

22 de outubro de 2009

O Senado confirmou Arun Majumdar como primeiro diretor da agência.

26 de outubro de 2009

O Departamento de Energia destinou US$ 151 milhões do pacote de recuperação econômica a 37 projetos de pesquisa em energia selecionados no primeiro edital da ARPA-E.

7 de dezembro de 2009

Steven Chu anunciou a segunda rodada de financiamento da ARPA-E, nas áreas de biocombustíveis produzidos a partir de eletricidade, pelo programa Electrofuels, de materiais e processos inovadores para tecnologias avançadas de captura de carbono, pelo IMPACCT, e de baterias para armazenamento de energia elétrica nos transportes, pelo BEEST.

1 a 3 de março de 2010

A ARPA-E realizou o primeiro Energy Innovation Summit, encontro de inovação em energia que reuniu mais de 1.700 participantes.

2 de março de 2010

Steven Chu anunciou a terceira rodada de financiamento, com os programas GRIDS, para armazenamento de energia em escala de rede, ADEPT, para tecnologias de conversão e fornecimento de energia elétrica, e BEET-IT, para eficiência energética em edifícios por meio de dispositivos térmicos inovadores.

29 de abril de 2010

O vice-presidente Joe Biden anunciou os 37 projetos selecionados na segunda rodada de financiamento.

12 de julho de 2010

O Departamento de Energia anunciou US$ 92 milhões para 43 projetos de pesquisa da terceira rodada de financiamento.

8 de dezembro de 2014

O Senado confirmou Ellen Williams como diretora da ARPA-E.

28 de junho de 2019

O Senado confirmou Lane Genatowski como diretor da agência.

22 de dezembro de 2022

O Senado confirmou Evelyn Wang como diretora da ARPA-E.

18 de setembro de 2025

O Senado confirmou Conner Prochaska como diretor da agência.

8 de abril de 2026

Durante o encontro de inovação em energia de 2026, a ARPA-E anunciou o compromisso de investir US$ 135 milhões no desenvolvimento e na comercialização de tecnologias de fusão nuclear.

ARPA-E e EERE A ARPA-E foi criada para financiar projetos de tecnologia energética que transformem descobertas científicas e invenções em inovações tecnológicas e acelerem avanços em áreas de alto risco, nas quais a indústria dificilmente investiria por conta própria. Esse objetivo se aproximava do trabalho do Escritório de Eficiência Energética e Energia Renovável, ou EERE, do Departamento de Energia, que desenvolvia projetos de energia limpa com base em planos tecnológicos já estabelecidos. A ARPA-E também financia tecnologias avançadas em áreas como o gás natural e as redes elétricas. Seu financiamento não se destina a melhorias graduais de tecnologias existentes nem aos planos tecnológicos já adotados por outros programas do Departamento de Energia.

Criação de projetos e processo de avaliação Os programas da ARPA-E nascem de debates sobre os méritos técnicos e científicos e os desafios das possíveis áreas de pesquisa. Eles precisam atender a dois critérios. O primeiro é o impulso tecnológico, ou seja, o mérito técnico de novas tecnologias que possam ser aplicadas a sistemas de energia. O segundo é a demanda do mercado, que envolve os possíveis efeitos comerciais da tecnologia e sua relação entre custo e benefício.

Criação de projetos O processo começa com uma análise aprofundada de um problema energético para encontrar temas que possam dar origem a programas. Os diretores de programas organizam encontros técnicos para ouvir especialistas de diferentes áreas sobre tecnologias existentes e em desenvolvimento. Até fevereiro de 2011, a ARPA-E havia organizado ou ajudado a organizar 13 desses encontros.

Após cada encontro, o diretor de programa apresenta uma proposta e justifica sua criação com base em critérios definidos. Em seguida, incorpora as sugestões recebidas e submete o programa à aprovação do diretor da agência. Com a aprovação, a ARPA-E cria o programa e publica um edital de financiamento, ou FOA na sigla em inglês, para receber propostas de projetos.

Avaliação por pares A avaliação por pares busca aumentar as chances de sucesso dos programas. Durante a análise das propostas, a ARPA-E solicita pareceres de especialistas externos com experiência na área. Os avaliadores examinam as candidaturas ao longo de semanas e depois se reúnem em um comitê de avaliação.

Os candidatos podem ler os comentários dos avaliadores e apresentar uma resposta, que a agência analisa antes de decidir sobre o financiamento. Esse prazo permite esclarecer dúvidas e corrigir mal-entendidos, dando à ARPA-E mais informações para selecionar os projetos.

Financiamento e projetos selecionados Primeira rodada de financiamento Em 26 de outubro de 2009, o Departamento de Energia e a ARPA-E destinaram US$ 151 milhões da American Recovery and Reinvestment Act a 37 projetos de pesquisa em energia. Os recursos financiaram tecnologias de energias renováveis, como células solares, turbinas eólicas, perfuração geotérmica, biocombustíveis e cultivos destinados à produção de biomassa energética. Também apoiaram tecnologias de eficiência energética, incluindo eletrônica de potência e conjuntos de motor e gerador para veículos de tecnologia avançada, dispositivos de recuperação de calor residual, vidros inteligentes e sistemas de controle para edifícios inteligentes, diodos emissores de luz, ou LEDs, membranas de osmose inversa para dessalinização da água, catalisadores para decompor a água em hidrogênio e oxigênio, membranas aperfeiçoadas para células a combustível e materiais magnéticos com maior densidade de energia para componentes eletrônicos. Seis projetos receberam recursos para tecnologias de armazenamento de energia, entre elas um supercapacitor, baterias de íons de lítio aperfeiçoadas, baterias de metal-ar que usam líquidos iônicos, baterias de sódio líquido e baterias de metal líquido.

Outros projetos financiados pesquisaram e desenvolveram um biorreator com potencial para produzir gasolina diretamente da luz solar e do dióxido de carbono e uma tecnologia de crescimento de cristais para reduzir o custo dos LEDs.

Segunda rodada de financiamento O secretário de Energia Steven Chu anunciou a segunda rodada de financiamento da ARPA-E em 7 de dezembro de 2009. A agência recebeu propostas para três programas. O Electrofuels buscava produzir biocombustíveis a partir de eletricidade. O BEEST se dedicava a baterias para armazenamento de energia elétrica nos transportes, e o IMPACCT, a materiais e processos inovadores para tecnologias avançadas de captura de carbono. Em 29 de abril de 2010, o vice-presidente Joe Biden anunciou os 37 projetos selecionados entre mais de 540 propostas preliminares. Os valores por projeto variaram de aproximadamente US$ 500 mil a US$ 6 milhões e foram destinados a laboratórios nacionais, universidades e empresas.