miniaturadaimagem|Mug shots de Lyle (esquerda) e Erik (direita) Menendez tiradas em 2023. Joseph Lyle Menendez (Cidade de Nova Iorque, Nova York, 10 de janeiro de 1968) e Erik Galen Menendez (Blackwood, Nova Jérsei, 27 de novembro de 1970) são os irmãos estadunidenses, que foram condenados em 1996 à prisão perpétua pelo assassinato dos pais, José e Mary "Kitty" Menéndez.
Durante o julgamento, eles afirmaram que cometeram os assassinatos, com medo de que seu pai os matasse depois que eles ameaçaram expô-lo por anos de abuso sexual, emocional e físico. A acusação de abuso nunca foi provada, no entanto, a promotoria alega que o crime foi cometido para que os irmãos recebessem a herança de 14 milhões de dólares.
Em 2017, Diane Vander Molen, uma prima dos irmãos, disse para a ABC: "Eu sei que eles nunca, jamais, teriam feito o que fizeram a menos que sentissem que não tinham escolha, que eram eles ou seus pais". Ela havia testemunhado no tribunal e essa foi a sua primeira entrevista após a condenação dos Menendez.
Em abril de 2022 o El Comércio do Peru escreveu: "sua imagem ainda está viva na mídia".
Em 19 de setembro de 2024, o caso dos irmãos Menendez voltou às manchetes por causa da segunda temporada da minissérie Monstros (Monsters: The Lyle and Erik Menendez Story), lançada pela Netflix. A atração atraiu muita audiência e provocou um debate sobre a popularidade de séries baseadas em crimes reais, relacionado se o telespectador que acompanha essas histórias é violento ou tem uma tendência a tolerar certas atitudes violentas.
Em outubro de 2024, foi anunciado na imprensa que os procuradores de Los Angeles vão recomendar a alteração da sentença proporcionando aos irmãos uma hipótese de liberdade após 34 anos de prisão. Os procuradores precisam, agora, da aprovação do tribunal para repetir o julgamento.
Contexto O pai de Lyle e Erik, José Enrique Menéndez, havia nascido em 6 de maio de 1944, em Havana, Cuba, e aos 16 anos, logo após o início da Revolução Cubana, havia sido enviado aos Estados Unidos para morar com parentes. Estudou na Southern Illinois University, onde conheceu Mary Louise "Kitty" Andersen (nascida em 1941). Eles se casaram em 1963 e se mudaram para Nova York, onde José se formou em Contabilidade no Queens College.
O primeiro filho do casal, Joseph Lyle Menéndez, nasceu em 10 de janeiro de 1968. Kitty deixou seu emprego de professora depois que Lyle nasceu e a família se mudou para Nova Jersey, onde o segundo filho do casal, Erik Galen Menendez nasceu em 27 de novembro de 1970, em Gloucester Township. Em Nova Jersey, a família morava em Hopewell Township e ambos os irmãos frequentavam a Princeton Day School.
Em 1986, a carreira de José como executivo do setor musical, levou a família para Beverly Hills, Califórnia. No ano seguinte, Erik começou a frequentar o ensino médio na Beverly Hills High, onde teve notas médias, mas mostrou ter talento para o tênis, ficando em 44º lugar nos Estados Unidos para jogadores menores de 18 anos.
A família foi algumas vezes tida como "feliz", mas a Newsweek reportou em 2017 que José também havia sido descrito como "um valentão mulherengo obcecado por sucesso" e que Kitty havia tentado o suicídio três vezes.
Antecedentes criminais Os irmãos, apesar de serem ricos, ainda na adolescência passaram a roubar "por diversão", além de se envolverem em brigas e outras confusões, o que preocupava seus pais. Lyle chegou a ser suspenso da Princeton Day School por plágio.
O crime Na noite de 20 de agosto de 1989, José e Kitty estavam vendo TV na sala de sua casa em Beverly Hills, quando Lyle e Erik entraram na sala carregando suas espingardas que haviam comprado alguns dias antes. Eles balearam os pais diversas vezes, sendo que José levou um tiro na nuca que quase o decapitou, enquanto que os tiros que atingiram o rosto de Kitty a deixaram irreconhecível. "Nunca tinha visto nada tão brutal", disse o detetive Dan Stewart, que atendeu à ocorrência, numa entrevista em 1990.
Lyle então chamou a polícia, gritando: "alguém matou meus pais!". Quando os policiais chegaram, os irmãos disseram que os assassinatos haviam ocorrido enquanto eles estavam no cinema vendo Batman. Depois eles teriam participado do festival anual Taste of LA no Santa Monica Civic Auditorium.
Lyle tinha então 21 anos de idade e Erik, 18, na época do crime.
Investigações Durante os estágios iniciais da investigação, a polícia tentou restringir a busca aos suspeitos que tinham motivos para matar o casal. Eles também investigaram possíveis mafiosos, já que os irmãos tinham dito que o crime estava relacionado à máfia.
À medida que a investigação prosseguiu, a polícia passou a desconfiar que os irmãos eram os autores, já que tinham motivos financeiros óbvios, pois estavam gastando dinheiro livremente após os assassinatos. Nos meses após o crime, Lyle comprou um relógio Rolex, um Porsche Carrera, uma casa em West Windsor, Nova Jersey, e o Chuck's Spring Street Cafe, um restaurante em Princeton. Já Erik contratou um treinador de tênis em tempo integral e competiu em uma série de torneios em Israel. Eles acabaram deixando a mansão de Beverly Hills desocupada, pois decidiram morar em condomínios adjacentes na vizinha Marina del Rey. Eles também dirigiram por Los Angeles no Mercedes-Benz SL conversível de sua falecida mãe, jantaram em restaurantes caros e fizeram viagens para o Caribe e Londres. Acredita-se que eles tenham gasto cerca de 700 mil dólares no período entre os assassinatos e suas prisões. Também ficou óbvio para a polícia, por seu comportamento, que eles não se importavam com as mortes.
Testemunha chave Meses depois, Erik acabou confessando o crime para seu psicólogo, Jerome Oziel, e para que Oziel mantivesse o segredo, Menendez o ameaçou. Oziel, no entanto, contou tudo para sua então namorada, Judalon Smyth, que depois de terminar o relacionamento, revelou a história para a polícia.
Prisão Após o testemunho de Smyth, Lyle foi preso em 8 de março de 1990 e Erik se entregou três dias depois, após voltar de Israel. Ambos foram detidos sem direito à fiança e separados um do outro porque os policiais temiam que eles pudessem planejar sua fuga.
Em agosto de 1990, o juiz James Albrecht decidiu que as fitas das conversas entre Erik e Oziel eram provas admissíveis, uma vez que Oziel afirmou que Lyle o havia ameaçado e, assim, violado a relação médico-paciente. A defesa tentou apelar da decisão de Albrecht e o julgamento foi adiado por dois anos. A Suprema Corte da Califórnia decidiu em agosto de 1992 que a maioria das fitas era admissível, exceto a fita em que Erik discutia os assassinatos, e com essa decisão, em dezembro de 1992, os irmão foram formalmente acusados do assassinato de seus pais.
Julgamento
Primeiro julgamento O caso Menéndez tornou-se uma sensação nacional quando a Court TV transmitiu o primeiro julgamento em julho de 1993. Representados pela advogada Leslie Abramson, os irmãos declararam que foram levados ao assassinato por uma vida inteira de abusos nas mãos de seus pais, especialmente abuso sexual pelo pai, que foi descrito como um perfeccionista cruel e pedófilo. Enquanto isso, sua mãe foi descrita como uma viciada em drogas, alcoólatra, egoísta e mentalmente instável que encorajava o comportamento de seu marido e às vezes também era violenta com os filhos.
As alegações contra o casal foram apoiadas por familiares, com várias pessoas testemunhando. Andy Cano primo dos irmãos, disse que quando criança, Erik lhe contou sobre o abuso sexual, que ambos descreveram como "massagens penianas". Diane Vander Molen, outra prima dos irmãos, afirmou que uma vez contou a Kitty sobre o abuso sexual de Lyle por José, mas que Kitty havia dito que a história era falsa. Evidências físicas também foram fornecidas pela defesa, que incluiu fotografias da genitália de Lyle e Erik tiradas por seu pai quando os irmãos eram crianças.
Em seus depoimentos, Lyle e Erik afirmaram que o abuso sexual havia recomeçado poucas semanas antes do crime, levando a vários confrontos familiares. Eles também alegaram que seu pai ameaçou matá-los se eles não mantivessem segredo. Naquela época, os irmãos descobriram que seus pais estavam escondendo rifles em seus quartos, o que os levou a comprar suas próprias espingardas para se protegerem. O último confronto teria acontecido dentro de casa em 20 de agosto de 1989, pouco antes de Kitty e José serem mortos. Os irmãos afirmaram que durante a briga, seu pai fechou a porta, o que era incomum. Com medo de serem mortos, Lyle e Erik saíram de casa para carregar suas espingardas. Erik afirmou: "quando entrei na sala, comecei a atirar."
A promotora Pam Bozanich argumentou que não tinha havido abuso sexual "porque eles não têm o equipamento necessário para serem estuprados" e o promotor Lester Kuriyama sugeriu que Erik era homossexual e que o abuso sexual havia sido consensual. Os promotores argumentaram que os assassinatos tinham sido motivados por ganho financeiro, já que a herança equivalia a uma fortuna de 14 milhões de dólares.
O julgamento terminou sem que os jurados chegassem a um veredito e, como resultado, o promotor público do condado de Los Angeles, Gil Garcetti, anunciou imediatamente que os irmãos seriam julgados novamente.
Segundo julgamento O segundo julgamento foi um pouco menos divulgado, em parte porque o juiz Stanley Weisberg não permitiu câmeras no tribunal. Durante o segundo julgamento, Weisberg também não permitiu muitos depoimentos de defesa sobre as alegações de abuso sexual e não permitiu que o júri votasse em em homicídio culposo em vez de homicídio.
Neste novo julgamento, os irmãos foram considerados culpados por duas acusações de assassinato em primeiro grau e de conspiração para cometer assassinato à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. O júri argumentou que o possível abuso não foi um fator levado em conta, mas que a decisão de não impor a pena de morte era porque ambos não tinham antecedentes criminais ou histórico de violência antes dos assassinatos. O júri também rejeitou a teoria da defesa de que os irmãos mataram seus pais por medo, apesar de todas as provas e depoimentos.
Assim, em 2 de julho de 1996, o juiz Weisberg proferiu a sentença de condenação dos irmãos: prisão perpétua sem direito à liberdade condicional.
Prisão Como em sua prisão preventiva, o Departamento Correcional da Califórnia separou os irmãos e os enviou para diferentes prisões. Por serem considerados presos de segurança máxima, eles também foram separados dos demais detentos.
Eles permaneceram em prisões diferentes até fevereiro de 2018, quando Lyle foi transferido da Prisão Estadual de Mule Creek, no norte da Califórnia, para a Penitenciária Richard J. Donovan, no condado de San Diego, onde Erik cumpria pena e onde eles foram foram alojados em unidades separadas. Em 4 de abril de 2018, Lyle foi transferido para a mesma unidade habitacional que Erik e eles se reuniram pela primeira vez desde que começaram a cumprir suas sentenças quase, 22 anos antes.
Segundo testemunhas, os irmãos começaram a chorar e se abraçaram em seu primeiro encontro na unidade habitacional, que é reservada aos internos que aceitam participar de programas de educação e reabilitação sem causar transtornos.
Apelações